<$BlogRSDUrl$>

26.3.10

Niobe 

Na estreia de Niobe Mário Vieira de Carvalho consegue torturar hoje pós-hermeneuticamente, e antes de qualquer compreensão possível, mais 250 pessoas com dinheiros públicos. Provavelmente hoje também o S. Carlos bateu todos os recordes de financiamento de um lugar na ópera com dinheiros públicos!

Niobe no S. Carlos: Deprimente, soturno, penoso. Menos de 250 pessoas na sala, número oficial. Próximo Domingo (récita sem assinatura) estão previstas menos de 60 (cada lugar ocupado deve ficar ao Estado mais de 1800 euros)! Confesso que se percebe este desfasamento do público. Eu cumpri a minha penitência da quaresma, talvez de dez quaresmas...

O "Intermezzo" foi simplesmente lamentável, Stockhausen com 23 anos já compunha obras menos datadas do que aquela porcaria...

Etiquetas: , , , , ,


28.2.10

Dammann soma e segue 

Continua o escândalo Dammann: cantores piores que maus. Orquestra péssima, coro abominável. Mais uma encenação banal, mas o pior de tudo são as escolhas artísticas. Anuncia a D. Branca do monárquico Keil (e amigo de D. Carlos) mas sem cantores para Setembro e Outubro de 2010 para celebrar a república...
Será que pagou aos que andaram por aí a fazer uns ensaios lamentáveis? Será que o tenor mostrou atestado médico? Será que não pagou aos cantores? Onde estava o plano de contigência? Que andou o João Paulo Santos a fazer com os materiais? Quanto é que este cancelamento custou ao erário público em época de crise?
E depois tem a lata de vir pedir mais dinheiro para a uma entrevista na Rádio...
A minha conclusão é que nada foi explicado por detrás de uma "doença" de um tenor, demasiado conveniente, e que me pareceu óptimo e fresquíssimo ao telemóvel no dia em devia ter sido a estreia. Como estava cheio de planos para a semana seguinte e o "seu Baile de Máscaras"! Quando lhe perguntei como ia a sua terrível doença, no final da conversa, ele disse-me: "Silêncio Absoluto o doutor deu-me uma semana de repouso" e aí tossiu uma tosse "cagalhoeira" (como se dizia na terra da minha avó) e enrrouqueceu durante 10 segundos para crítico ouvir...

Etiquetas: ,


18.4.09

A catástrofe 

Depois de uma Salomé desastrosa segue-se uma Agrippina catastrófica. Nunca ouvi um naipe de cantores tão miserável, uma direcção tão lamentável e uma orquestra em tão baixo nível no S. Carlos. Na minha opinião aquilo é simplemente horripilante, é de fugir.
Christoph Dammann surpreende pela negativa em cada produção que realiza: pior do que a Salomé parecia impossível mas consegue agora, num esforço denodado de asneira, cair ainda mais na produção seguinte. Se a cenografia estática escapa, na sua banalidade estética, tudo o resto é um gigantesco erro de casting. Pouco mais há a dizer: se a Salomé era bola preta, esta Agrippina é a negação da música de Handel, é a negação da música e do canto. Espectáculo a evitar a todo o custo. Pedir dinheiro por bilhetes num espectáculo destes é enganar o público. É uma vergonha uma instituição pública cobrar entradas inacreditavelmente caríssimas por uma coisa tão rasca. Se Jorge Calado pedia a polícia para a Solomé, na última edição do Expresso, eu peço a ASAE para esta Agrippina. Nem me apetece fazer uma crítica detalhada deste lixo vindo de "Colónia Agrippina"...
O público ainda bate umas palmas envergonhadas e aparecem alguns bus aqui e ali. Por muito menos pateava-se forte e feio há alguns anos, é minha opinião que um público que ainda bate algumas palmas a coisas destas é profundamente complacente, ignorante, pouco exigente e analfabeto. É ser-se enganado e ainda agradecer no fim, de chapéu na mão, enquanto o sr. Dammann bebe champanhe, brinda e dá gargalhadas com os amigalhaços no intervalo, dando aos provincianos dos portugas as piores coisas que se podem imaginar com nepotismo à mistura (com o evidente exemplo de Chesey Schill), é obra! É tempo de dizer basta a este estado de coisas. Infelizmente temos um ministro da cultura absolutamente inútil e que parece não fazer a menor ideia do que se passa no teatro público que mais dinheiro gasta aos contribuintes portugueses, já é mais que tempo para demissão com justa causa.

Etiquetas: , ,


31.7.08

Depois de Jericó o artístico Dammann 

Regresso a Jerusalém, depois de passar por Ramallah, Belém e Jericó (a 41 graus dia e noite), finalmente tive tempo de olhar a net e ver o programa do S. Carlos para a próxima temporada.
Constato sem surpresa a repetição de erros de palmatória. Se antes havia a desculpa de o novel director artístico Christoph Dammann ter sido nomeado pelo doutor Vieira de Carvalho e pela doutora Pires de Lima e de parte da concepção ser ainda de Pinamonti, ficamos agora a saber que afinal os erros eram mesmo deste artístico Dammann.
Quando regressar em força ao blogue, e à actividade crítica, depois do périplo por Bayreuth que se segue a este Médio Oriente esgotante mas mágico (o regresso total será pelos idos de Setembro) espero poder ter tempo para apontar com detalhe e de forma exaustiva os erros de Dammann.
Entretanto Portugal visto daqui, do Monte das Oliveiras parece-me tão distante. Vou mas é dar um pulo ao American Colony onde me espera um narguilé que eu sei que não existe...

Etiquetas: , ,


4.6.08

No reino da fantasia 

Na notícia da Lusa, que reproduzo mais abaixo, Christoph Dammann, o director artístico em part time do Teatro Nacional de S. Carlos, dá-nos uma lição de fantasia e de autismo. Esquecendo os castings miseráveis, as escolhas desastrosas de cantores e maestros, o fiasco absoluto de Das Märchen (catalogada de "obra prima") as novas produções inenarráveis, esquecíveis e invendáveis, um Rigoletto na antologia do desastre e uma nona de Beethoven num concerto de "gala" onde se reinventou o conceito de massacre musical a par de uma enorme série de lixo esquecível, Dammann disserta sobre uma das piores temporadas do S. Carlos de sempre, arrisco eu sem grande margem para errar.

No meu entender o grande destaque é mesmo a inabilidade para a escolha de cantores, maestros e encenadores e, sobretudo, o desconhecimento do mercado onde se encontram cantores muito melhores a preços mais baixos do que os apresentados no S. Carlos em 2007/2008. Elisabete Matos e Vaneev foram as únicas estrelas dignas de alguma nomeada numa temporada inteira. Eu diria que este desconhecimento não é marca de más escolhas artísticas ou de apostas erradas mas até interessantes à partida. Este errar sistemático é grave porque demonstra ignorância e, portanto, incapacidade para o cargo, dou como exemplo o brasileiro Bauer: qualquer especialista ou mesmo qualquer melómano informado sabia que o cantor era incapaz para Cavaradossi, apenas o sr. Dammann e o seu "director de elencos" não o deviam imaginar...

Sabendo eu que, para Lisboa, com perseverança e negociando de forma profissional, é possível obter bons cantores a preços inferiores ao mercado internacional, vá-se lá saber porquê mas é o que todos os agentes com que tenho falado me dizem (algo que tem a ver com a história do teatro e o charme da cidade), o que espanta é o cinzentismo bizonho do tal "director de elencos" Sven Müller, uma criatura que me parece um dos principais problemas do Tactual eatro de S. Carlos a par de um director artístico fruto da mente de um grande artista da intelectualidade nacional, essa luminária da política portuguesa que dá pelo nome de Mário Vieira de Carvalho, mas até os homens de grande estatura se podem equivocar...

Ontem lá fui ver mais uma Tosca, e sem Elisabete Matos e Vladimir Vaneev, o segundo elenco apresentava um tenor estrangulado, uma Tosca teatralmente tosca e sem carisma com voz anasalada e vibrato horrível sem controlo vocal nem emissão uniforme e um Scarpia que, sem ser maligno, era pouco convincente na sua brutalidade a destruir as linhas vocais de Puccini numa desafinação gritada e contínua e numa representação grosseira, o malvado do Scarpia tornava-se assim risível. O pobre do tenor enrouquecido lá gritava como podia e aquilo arrastava-se no meio do bombardeamento orquestral produzido por um maestro sem capacidade de nuance, possuído pela ânsia do barulho pelo barulho... Desastroso dia, o de ontem, se o primeiro elenco aguentou razoavelmente bem a carga do minúsculo koenigs, o elenco de quinta linha de ontem soçobrou diante da barreira sonora gratuita produzida no fosso da orquestra, orquestra da qual me dispenso a falar mas que também não foi perfeita, apesar de sonoridades belas como no solo de clarinete...
Entretanto a encenação de Carsen resistindo ao tempo mostra-se digna naquela que foi a única produção digna de algum registo da temporada, mas aqui parece que a escolha foi de Pinamonti.
E sobre o Ring nem uma palavra: uma temporada hermenêutica sem Wagner.
Para o ano há mais mas mais uma vez estamos em Junho e nada de nova temporada. Eu sei o que acontece no mundo inteiro excepto em Lisboa. Em Salzburg tenho reservas para 2009 e 2010 e prepararo-me para escolhar 2011...


Ópera: Dammann elogia "Das Märchen" e diz-se "satisfeito" com temporada
03 de Junho de 2008, 14:29

Lisboa, 03 Jun (Lusa) - O director artístico do São Carlos, Christoph Dammann, afirmou que a estreia da ópera "Das Märchen" deu ao teatro "uma notoriedade significativa no panorama internacional", num balanço da temporada lírica que termina sábado e o deixou "satisfeito".

"Tendo em conta as circunstâncias da transição e as limitações para a sua preparação, estou satisfeito com os resultados no que se refere às produções apresentadas, aos artistas contratados e à resposta do público", disse à Lusa Dammann, num balanço da primeira temporada em que dirigiu o teatro lírico nacional.

Sobre a polémica estreia, em Janeiro, da ópera do compositor português Emmanuel Nunes "Das Märchen", que tinha sido apontada como uma das grandes apostas do São Carlos para esta temporada, o director disse que não se pode afirmar que "tenha corrido mal".

A estreia da primeira ópera de Emmanuel Nunes, uma encomenda do São Carlos, da Casa da Música e da Fundação Gulbenkian e que teve um orçamento de um milhão de euros, foi transmitida em directo para 14 cine-teatros em todo o país, com escassos espectadores a ficarem nas salas até ao final da apresentação.

No próprio São Carlos, parte do público também saiu antes da ópera terminar e as críticas foram igualmente desfavoráveis à obra, aguardada com expectativa.

"Não podemos afirmar que a estreia tenha corrido mal. Os teatros líricos, e não só, também devem apoiar e estimular a criação de novas óperas. Das Märchen, de Nunes, é, sem dúvida, uma obra-prima, e ao mesmo tempo uma ópera complexa e hermética, de difícil compreensão", sublinhou Dammann, que respondeu por escrito às perguntas da Lusa.

"O São Carlos é um teatro nacional e por isso tem por missão apresentar com alguma regularidade produções que não se inscrevam automaticamente no gosto do público. É importante criar um espaço para a apresentação de óperas menos dirigidas a audiências alargadas em equilíbrio com os grandes títulos do repertório lírico", continuou.

Para Dammann, "com esta estreia o São Carlos atingiu uma notoriedade significativa no panorama lírico internacional".

A obra de Emmanuel Nunes recebeu "críticas internacionais muito positivas", assinalou, acrescentando que "foi uma produção difícil em que todos os que nela participaram fizeram um excelente trabalho".

Uma das novidades do primeiro ano desta direcção foi a criação das "Matinées Famílias", com espectáculos de algumas óperas escolhidas (três nesta temporada) a preços reduzidos para famílias com crianças ou jovens, iniciativa que Dammann considerou "um sucesso".

"A adesão do público foi motivação suficiente para manter o projecto vivo para a próxima temporada", prometeu.

O alemão Christoph Dammann foi anunciado em Março de 2007 como o sucessor de Paolo Pinamonti para dirigir o São Carlos, depois de o musicólogo italiano ter entrado em divergência com o Governo devido ao corte orçamental que enfrentou nesse ano e à criação da OPART, a entidade empresarial criada para gerir conjuntamente o teatro lírico e a Companhia Nacional de Bailado.

A temporada de ópera do São Carlos termina sábado com a última récita de "Tosca".

EO.

Lusa/fim

Etiquetas: , ,


23.5.08

Escândalo à vista 

Soube através de uma fonte muito segura, e em primeira mão (ao cuidado da imprensa que devia pegar no assunto), que o actual director artístico do S. Carlos se prepara para propor a substituição do actual director de coro do S. Carlos.
Andreoli, o actual director do coro, é um homem competente, que tem tentado, e conseguido, reparar as gravíssimas mazelas de anos de desleixo e de incúria relativamente ao coro do teatro nacional de ópera.
As escolhas de Dammann em termos de programação e de casting, sobretudo neste último ponto, têm sido pior do que desastrosas, têm sido catastróficas. Esbanjando recursos poderia ter contratado muito melhor por igual ou até por menos dinheiro.

A substituição de Andreoli significa apenas mais uma gota de água numa lista de escândalos (como o da substituição de Paolo Pinamonti e sucessivos erros de casting) e de incompetência gritante. É indecente substituir um homem que se mostrou capacidades, tendo conhecimentos musicais e dotes humanos para gerir um agrupamento tão característico e idiossincrático como este coro. Esta substituição é contra o interesse público, é uma vergonha.

Não será antes tempo de mudar de director artístico?? Creio que este director deve ser um dos piores de todos os tempos no TNSC. É evidente que com este escândalo em perspectiva, se se confirmar a minha fonte, a demissão de Dammann se tornará inevitável.

Será que a direcção da OPART anda a dormir, ou será que não percebem nada do assunto? Dirigir uma instituição como o S. Carlos ou a CNB não significa apenas fazer umas contas, perceber de administração pública, de orçamentos, responder a umas perguntas do tribunal de contas e fazer umas estatísticas mais ou menos engenhosas para se provar que se tem muita actividade...

Etiquetas: ,


4.4.08

Contos de Hoffmann - O refugo 

O S. Carlos, pago pelos impostos dos portugueses continua a ser o palco do refugo, mais uma produção falhada, agora nos contos de Hoffmann, dispenso-me de apontar a soma dos erros particulares, a coisa está a ficar tão evidente e se o tivesse de fazer este texto seria demasiado longo.

Percebi logo que a coisa iria correr mal quando vi um cantor, no início, a dar com a cabeça numa parede. Destaco os pontos mais salientes:

Uma direcção artística escandalosa, encenadores destrutivos, ignorantes e tecnicamente incapazes, cometendo erros grosseiros, como o de deixar mortos a levantarem-se e sairem do palco a correr porque as luzes não estiveram apagadas o tempo suficiente para deixar os zombies sair pela porta baixa.
Uma escolha do casting penosa, uma orquestra fraquíssima e um maestro pouco inteligente que não consegue perceber os limites dos músicos e cantores de que dispõe.
Uma coreografia sem inteligência e sem nada de novo.
Frases desgarradas de Fernando Pessoa que seriam melhor lidas pelo porta voz da conferência episcopal portuguesa.
Um coro aos berros e pouco certo.
Ficou-me na memória, pelas piores razões, um terceto no acto de Antonia absolutamente infernal.
Um baixo Duisburg que não consegue afinar do princípio ao fim e uma soprano, ... Guy, para o terceiro acto do qual nem o primeiro nome me consigo lembrar, foram penosos no capítulo canoro.

Uma sevilhana que chama do Além, de perna ao léu e má voz, a sua filha "esturbeculosa" Antonia foi o momento antológico... de ridículo, de kitsch e de incredulidade.
Pior ainda só a morte de Hoffmann no final, disparatada e ilógica, destruindo a indefinição do final; final que é afinal o mais belo dos elementos dramáticos da ópera de Offenbach, um final de verdadeiro pessimismo na sua interrogação suspensa. Um final assassinado barbaramente por um encenador que parece não entender nada daquilo...
figurinos que pareciam saídos da feira das pulgas ou de um armazém qualquer de aluguer de máscaras e sem qualquer desenho estético.
Luzes indiferentes.
Cenários de telão pintado, mal pintado...

Há limites para a pouca vergonha, o senhor Dammann já foi corrido pelos alemães de Colónia. Porque será que teremos nós de sofrer tamanho castigo? Fora!

E esta ópera não merece mais crítica, é que perder tempo com este lixo não faz sentido, e nem a voz da mezzo Stephanie Houtzeel (relativamente melhor) ou um tenor sofrível, Serghei Khomov, e alguns portugueses esforçados que, desgarrados, andavam por ali no meio do esbracejar global, salvam uma produção miserável. Ponto final.


Senhores da OPART será que não percebem que o senhor Dammann ainda não conseguiu produzir algo de aceitável em termos operáticos este ano? Será que não bastam estes testes, ou isto vai durar ainda os anos previstos do contrato?
Entretanto o ministro da cultura (o do nome trocado) e sua secretária fazem uma espécie de dupla muda e inconsequente. A sua única intervenção digna de registo foi ter dito: "fazer mais com menos".
É realmente muito menos, menos do que o que espera para um ministro que entrou em funções há demasiado tempo para tão nula acção.

Etiquetas: , , ,


18.12.07

O lupanar das meretrizes e sodomitas 

A encenação do Rigoletto em Lisboa

Serei rápido, já escrevi sobre as partes musicais, mas o Rigoletto de Lisboa no Teatro Nacional de S. Carlos foi péssimo em todos os sentidos, debruço-me aqui sobre a encenação. Como já foi quase tudo dito e não gosto de perder muito tempo com lixo fica aqui um curto apontamento que encerra a crítica a este Rigoletto. Uma crítica em folhetins...

Um choque gratuito e sem sentido

Numa encenação paupérrima de Emilio Sagi, o duque de Mântua viu o seu palácio transformado em bordel, com meretrizes e drag queens de perna ao léu. Uma leitura rasca da obra original de Victor Hugo, Le Roi S’Amuse, sem subtileza, sem perceber que o sentido da obra é uma maldição sobre o velho bobo, a maldição da deformidade, da pobreza, da injustiça e da doença e um devir trágico que culmina na morte de Gilda, filha do bobo, e também ela vítima das maquinações da impossível vendetta do velho contra o poderoso duque no meio de uma sociedade cruel de poderosos. Uma leitura que apenas banaliza e não subverte. Hoje em dia apenas corre o risco de chocar pela aberrante estupidez e não pelas raparigas de tranca gorda e pelos rapazes de perna escanzelada e peluda em cima do palco. Sagi ensaia aqui uma pose espanhola à Almodovar de pacotilha com o seu cortejo de cromos, mas as coisas só têm sentido se se enquadram na obra e Almodovar há só um...

Pelo meio temos cenas de incesto, algo profundamente idiota face ao libreto original, entre o assassino contratado por Rigoletto, Sparafucile e sua irmã, Maddalena, que estando apaixonada pelo duque não encontra nada mais interessante para fazer do que dar uma trancada com o irmão, algo que nem sequer consegue enquadrar-se numa estratégia de domínio do irmão, pela gratuidade da cena em termos teatrais e pela forma tonta da representação, pior do que amadora.


Entretanto o dispositivo cénico, com um palanque torto em cima do palco, retira espaço dramático para as personagens evoluirem, os quartos de motel nas traseiras e lados contribuem para banalizar o discurso e fazem deste Rigoletto uma espécie de bordel, um bordel onde habita Gilda, onde habita o duque. A plataforma em palco tapa a visão que Rigoletto não tem do que aconteceu à filha, no entanto ele arrepela-se e grita que a raptaram... o libreto na partitura tem escrito que ele entra no pátio e na casa e aparece transtornado. Nesta encenação o bobo adivinha que, do outro lado da plataforma, o quarto do motel está vazio!...

Monterone faz a sua segunda entrada e dirige-se a um retrato dos duques, isto segundo o libreto original, nesta encenação não há retrato, logo o sentido das frases torna-se oco, incomprensível para quem não conheça a ópera. Parece um lamento alucinado de um velho gagá aos gritos, e Luís Rodrigues não esteve aqui muito subtil. Eu creio que a ausência do retrato dos duques (ele e ela) foi propositada mas também foi um erro de incompetência dramaturgica.

As seis badaladas da meia noite, inacreditável se não tivesse ouvido duas vezes o mesmo erro. Terá sido obra do encenador ou da incompetência do maestro? Fica a dúvida, mas se foi propositado é aberrante e totalmente contrário ao sentido do texto e da obra.

A plataforma em palco distrai, complica, destrói o fluxo dramático, as suas montagens e desmontagens, ruidosas e demoradas são mais um incómodo a juntar a toda a terrível seca de escutar esta coisa tocada a uma lentidão exasperante.

Numa ânsia de chocar por chocar sem ter em conta a dramaturgia Sagi destruiu completamente a lógica textual da obra. A encenação tinha sido originalmente desenhada para Bilbau e foi a coreógrafa e assistente de Sagi, Nuria Castejón, que ensaiou os actores-cantores em Lisboa. O resultado foi um desastre total, se a coreografia foi banal e sem ideias no bailado inicial das prostituas e "maricons", a direcção de actores foi canhestra e amadora.

A iluminação foi banal e ineficaz, sem jogos de matizes, sombras e cores, esteve num plano cinzento e incompetente. Por vezes os cantores deixavam de se ver, o que aliás até foi agradável atendento às suas péssimas qualidades cénicas. Se calhar o melhor era ter-se poupado nas luzes e ter feito tudo às escuras...

Os figurinos não me entusiasmaram, numa encenação que se pretendia "intemporal" (entrevista da assistente do encenador) foram demasiado de época dentro do estilo cliché operático.

A definição dos personagens foi linear, unidimensional, um tenor fátuo sem capacidades cénicas fez um duque que apenas é uma caricatura, sem refinamento, sem dúvidas (que existem), um vaidoso exibicionista, Gilda é a desgraçadinha que anda por ali e Rigoletto não tem sentido dramático ou trágico. A cena da morte de Gilda é vergonhosa em termos de encenação. Todo o mundo esbraceja e berra à boca de cena, mas de teatro não se vê nada.


Um desastre anunciado pela demissão do competente director do S. Carlos, Paolo Pinamonti, e a sua substituição por este desconhecido: Christoph Dammann. De qualquer modo existe nesta encenação uma quota parte de culpa da parte de Pinamonti, foi do seu tempo esta co-produção o que não quer dizer que sob a sua direcção este Rigoletto fosse tão mau; é que, entretanto, todo o casting foi escolha do actual director artístico, um grande "artista" sim senhor. A Gilda vocalmente anémica Schill, o maestro anedota, o barítono rouco e com falta de ar à beira da reforma, o tenor pimpão aos berros. Um segundo elenco que faz sofrer a jovem portuguesa Carla Caramujo nos meandros de uma produção miserável e é tudo. Não tenho paciência para mais.

Etiquetas: , , ,


11.12.07

Rigoletto no S. Carlos - A vergonha continua 

No S. Carlos continua o Rigoletto, eu lá fui fazer penitência para ouvir o segundo elenco. Desta vez acompanhado da partitura. Este texto é uma crítica com um único destinatário: o director musical. Amanhã continuarei a escrever sobre outros aspectos, de canto, musicais e cénicos.

Se ontem a coisa me soou horrenda, hoje, com a partitura na mão pude constatar in loco o assassinato à música do Verdi quase nota por nota. É evidente que nesta produção simplesmente abominável em termos musicais e cénicos há culpados. Na parte musical o principal culpado é sem a menor sombra de dúvida o director musical, um russo que chama Alexander Polianitchko. Acima dele o culpado só pode ser quem contratou um maestro sem qualquer capacidade para a direcção de ópera, sem experiência em ópera italiana e que nunca tinha dirigido um Rigoletto. O S. Carlos continua um teatro para experiências votadas ao fracasso, sendo o público a cobaia desta pouca vergonha e tendo como veículo o dinheiro dos nossos impostos.

Um director tecnicamente incompetente
O director em cima do pódium não sabe dirigir este Rigoletto, ponto. Não dá entradas claras, não tem tempos claros, não tem gestos compreensíveis, não acompanha os músicos, não lhes dá segurança: quando os cantores entram em devaneios de tempo não é capaz de clarificar, não tem a menor capacidade para impor tempo e ritmo, quer a cantores quer aos instrumentistas. Por consequência a orquestra anda constantemente atrás e à frente dos cantores, entra atrasada nos recitativos, não consegue sequer acompanhar a tempo e contratempo o canto. Por outro lado pretender falar em pathos, em desenho do som, em interpretação, no meio desta anedota, é impossível. Se a orquestra e cantores conseguem chegar ao fim com esta direcção é um feito de alto nível. Como falar de acentuação, de linha, de fraseado? É tudo um salve-se quem puder, dar as notas e já está. Este director tem uma postura feia em palco, de braços constantemente dobrados e fechado, curvado sobre uma partitura que não domina. Incapaz de traço, incapaz de definir e de recortar, incapaz de gesto amplo e claro, é uma caricatura má de um mau director de orquestra. Se o seu trabalho de ensaio fosse bom poderia compensar, mas tudo está descosido, empastelado e arrastado. Nota-se que não existe a menor coerência interpretativa.
Em termos técnicos está tudo dito: este maestro é incapaz para esta ópera.

Escolhas de tempos, o pior de Polianitchko
O Rigoletto é uma ópera sôfrega, é uma ópera agitada, é uma espiral que converge para um clímax, tem uma coerência lógica no seu romantismo exacerbado. Uma maldição, a maldição da pobreza, da deformidade, da doença, da maldade e do ressentimento, a maldição da "vendetta" que vai ocupando o espírito atormentado e tresloucado de um homem obsessivo. O Rigoletto, olhado para a partitura, é uma voragem, uma vertigem de música. Muita dela genial, de um nível absoluto. Verdi estava cansado de cantores a parar constantemente para exibir belas notas, a arrastar e atrasar para frases terminais. Nada disso acrescentava coerência e vida a um teatro, a um destino cénico inexorável: o cumprir da verdadeira maldição que paira sobre Rigoletto e sobre todos os desgraçados deste mundo, mesmo quando se vingam a vingança recai sempre sobre os próprios. A vertigem da música espelha-se nos tempos escritos na partitura e anotados com indicações metronómicas muito precisas. Allegro, allegreto, vivacissimo, agitatto, allegro vivo (138 ou 144), e até o moderato é num quaternário definido a 100 semínimas por minuto, o que pode ser bastante ofegante. O final do primeiro acto é a um tempo incrível de 100 mínimas por minuto.
A cena 4 do primeiro acto é, por exemplo, para ser feita num allegro a 120 e depois num allegro vivo a 138. A direcção do pseudo-maestro levou a coisa quase a metade do tempo resultando numa pastelada inenarrável que culminou com um allegro moderato assai "donna, questo fiore..."(96) a ser feito em tempo de adagio (!!!), sendo o piu mosso (138 e 120) feito a um tempo a rondar o andante tranquilo... Quando entramos no vivacissimo em C cortado (mínima=144), que coroa a 5ª cena e que deveria ser vertiginoso, com a despedida do Duque, parece que a vertigem congelou numa pacata marcha fúnebre sem carácter nem estilo, sem articulação ou respiração, sem acentuação ou ritmo. O final do primeiro acto é um paradigma do que afirmo, um allegro assai vivo quaternário (mínima=100), é feito a arrastar e com a articulação asmática e aflitiva a roçar o andante moderato. A raiva de Rigoletto ao ver que a filha não estava lá, e nesta encenação nunca poderia ter visto fosse o que fosse mas isso será para amanhã, era ao tempo de um andante moderato. As palavras mais suaves de que me lembro são incompetência, ignorância e insensibilidade.

Seria fastidioso enumerar todos os pontos onde a direcção errou de forma crassa nos tempos pedidos por Verdi, pela música e pelo sentido dramático. Polianitchko arrastou, parou, decaiu, morreu, puxou a música para trás, mesmo quando o sentido do canto e da melodia pediam mais e mais. O final do segundo acto foi igual ou pior ainda. Naquela procissão interminável, naquele engarrafamento de notas só me apetecia gritar (e gritei), tal foi o sufoco a que este incompetente sujeitou a música de Verdi. E o cúmulo foram as seis badaladas da meia noite?! Seis badaladas? Pergunta quem me lê. Sim, as seis badaladas da meia noite, na estreia e hoje, e na partitura vêm as seis notas na campana? Claro que não, estão lá escritinhas, umas atrás das outras, doze notas, e Verdi para evitar mal entendidos e "campanistas" míopes, colocou um visível "12" por cima do grupo. Foi o paradigma, tudo feito a metade do tempo e nem as desgraçadas badaladas da meia noite escaparam, reduzidas a metade que a malta espera demasiado tempo a ouvir as doze. Dramaturgicamente ridículo... como é possível esta m.?

Mandem vir o mestre da banda do Busseto que tenho a certeza que saberia dar muito maior força, cor e brilho à música sôfrega e palpitante de Verdi neste extraordinária ópera que se chama Rigoletto.

Comentário sobre a política de sujeitar cantores novos a maestros deste calibre
Tenho pena deste segundo elenco, tenho pena também de Chelsey Schill no primeiro elenco. Acho verdadeiramente vergonhoso sujeitar cantores inexperientes como Carla Caramujo, que até nem esteve mal em Gilda e parece ser promissora, a uma direcção destas. A insegurança, a falta de rumo, a ausência de qualquer indicação de estilo ou escola, a insensibilidade para o canto e as suas respirações, a incapacidade de gestão dos tempos e do rubato, a incapacidade e insensibilidade do director para os recitativos, sempre feitos sem a menor noção da palavra, a escolha arrastadíssima dos tempos, a complacência com excessos idiotas, como os de Pirgu na estreia a cantar do princípio ao fim em fortíssimo, sem qualquer nuance ou estilo, até a voz estalar nos agudos da "La donna...", podem levar ao destruir antecipado de carreiras que, com uma direcção competente e firme, poderiam atingir brilho e superar-se. Assim tivemos um grupo de jovens cantores aflitos para não falhar, sem saberem bem o que fazer. Um exemplo foram as inenarráveis cadências, feitas sem nexo nenhum, as cenas de conjunto, em que todos fugiam de todos, uns dos outros e dos instrumentos da orquestra, todos perdidos uns dos outros e todos a desafinar e longe de qualquer sentido estético, dramático ou musical (o espantoso quarteto no final, um dos mais belos exemplos do génio de Verdi nesta ópera, foi completamente e barbaramente destruído em ambos os dias pelo maestro e pelos cantores e resultou numa papa infame). É um erro enorme expor assim jovens artistas a uma direcção sem nível deste russo chamado Polianitchko. É um erro grave programar concertos da treta e dar aos jovens cantores árias difíceis e ingratas sob direcções canhestras. Acabem com as experiências no Teatro de S. Carlos!
Até um Renzetti provou ser muitíssimo mais capaz do que este bando de rapazes sem barba que agora bate a batuta por estas bandas, isto desde que o Sr. Hermenêutica se tornou no chefe da banda...

Um erro de casting que Christophe Dammann cometeu e que é imperdoável. O novo director artístico do S. Carlos não tem a menor sensibilidade para o que é dirigir um teatro como o nosso. Talvez por estar em part time e não se aperceber, talvez por não ter capacidade ou inteligência para mais, fica o benefício da dúvida.

Continua...

The worst of this performance of the Rigoletto in the S. Carlos Theater of Lisbon was the conductor - Alexander Polianitchko. A dreadful "director", with dragged tempi, imprecise, with bad gesture, musically insecure, with poor knowledge of Verdi and the score, not capable of reading the music or define a line, with poor rhythmic sense and no charisma.

To be continued...

Etiquetas: , , , ,


23.10.07

O Horror 

Descobri que um dos Scarpias da próxima Tosca no S. Carlos é o tal Duisburg que cantou na nona de Beethoven e apareceu a arruinar uns trechos de ópera na primeira parte do tal "concerto de gala" com o Cura...
Mas se o homem não sabe arranhar duas notas de seguida, desafina como um marinheiro depois de uns bons tragos de rum, grita como um possesso, tem a voz mais feia do que o trovão e demonstra o mesmo tipo de sensibilidade musical do que a maioria dos cantores do coro do S. Carlos, como se portará no confronto com Vaneev? (o Scarpia do primeiro elenco).

Entretanto a tal Chelsey Schill que mostrou voz esganiçada, agreste e sem corpo vocal, cantou pessimamente na nona de Beethoven, sem sequer conseguir articular as notas como estão escritas, é a tal cantora que vem cantar tudo e mais alguma coisa, desde a Gilda até à serpente do Nunes. Talvez não se saia mal na serpente...

O horror de uma temporada péssima parece antecipar-se depois dos dois horrendos concertos iniciais a que assisti. O serviço público está arredado do S. Carlos. Os programas são mal concebidos, sem lógica e sem qualquer concepção estética. Os maestros são escolhidos a dedo como más experiências, como se a OSP e o palco do S. Carlos servissem apenas para a miudagem andar a reinar "ao maestro" - algo que está na moda em Portugal actualmente. Os cantores são mal escolhidos, fraquíssimos, mal preparados e mal ensaiados. Os compositores portugueses desrespeitados, as obras mal preparadas e desvalorizadas por direcções incompetentes.

Há limites para a pouca vergonha e a desfaçatez. O S. Carlos recebe milhões dos contribuintes, e cobra bilhetes para ser actualmente palco de experiências imaturas da rapaziada, sem cura mas com hermenêutica incluída.
Espero que me engane mas o próximo ano será sempre a decair.


Entretanto para as óperas de Rachmaninoff ainda não está anunciado director musical, há várias hipóteses: a timpaneira da orquestra, o concertino, os cantores em rotação, enquanto não cantam pegam na batuta, uns na primeira parte outros na segunda, alguns rapazes simpáticos de Heildelberg, ou de outra cidade com um nome catita e sem orquestra sinfónica, o segurança que está na porta dos artistas, o segurança que está na porta da casa de banho do restaurante, os empregados do restaurante (ao menos sabem usar laço ou gravata), o João Paulo Santos, o próprio Sr. Hermenêutica, o Augusto Manuel Seabra, o Hermitage, a ministra da cultura, o Mário Lino, o Burmester, eu próprio, alguns amigos meus que estão a precisar de umas massas, etc..

Etiquetas: , , ,


20.10.07

Andou o Beethoven a escrever música para isto 

Fui assistir ao concerto do José Cura e da Sinfónica Portuguesa e acabei de chegar a casa.
Devo dizer que sofri com a nona de Beethoven, sofri como nunca tinha sofrido num concerto desde a Noite Transfigurada e o 2º Acto do Tristan na Culturgest. Uma vergonha, nunca pensei que uma obra pudesse sair tão vilipendiada, tão destruída, quer pela "direcção" de José Cura, quer pela orquestra sinfónica portuguesa, quer pelo coro, quer pelos solistas. Não escapou um, de alto a baixo.
Raramente fico sem palavras quando se trata de dizer mal, neste caso até tenho medo de começar a escrever, estou verdadeiramente sem palavras para comentar tamanho atentado à música, ao profissionalismo e tanta falta de respeito pelo público (que paga), pela música e, mesmo, pela memória de um grande entre os grandes compositores.
Entre aquilo a que se ouviu e a nona de Beethoven tocada de forma profissional não existe qualquer ponto de contacto. Tenho uma lista imensa de erros técnicos e falhanços básicos clamorosos, desde afinação, coesão, entradas erradas, solos errados, passagens inteiras dadas em notas erradas, cantores a fingir que cantavam o que está escrito sem nada que ver com o texto musical, som horrível, violinos muito fracos, violoncelos desafinados nos agudos, metade da orquestra perdida da outra, um scherzo que parecia o circo Chen, desacertos rítmicos constantes, pulsação irregular, instrumentos que nem sequer se davam ao trabalho de entrar, outros que entraram nas pautas, articulação esfarrapada, sforzandi dados ao acaso e quando se podia, os sopros que deveriam ter entrado na segunda afirmação do presto que inicia a parte coral ficaram nas lonas e o coro aos berros e a cantar ao lado.
Vejamos apenas alguns exemplos no primeiro andamento (a confusão foi tal no scherzo que basta indicar como exemplo o andamento inteiro): a flauta nem sequer as notas a contratempo no final (compassos 511 e 512) conseguiu dar e continuou de forma inenarrável até ao final da obra. Os sopros deixaram de se ouvir após os compassos 480 ou porque não tocaram ou porque se deixaram abafar pelas cordas, as fusas sairam uma trapalhada pegada nos compassos 401 e seguintes com as flautas a primarem pela asneira e depois pela ausência, o som foi feíssimo sempre que os violinos passavam do lá, exemplo comp. 297 e seguintes, também nos compasso 137, 363 (e em muitíssimos outros pontos) e sempre que em sfz em passagens rápidas com agudos, exemplo nos compassos 419, 420 e seguintes que soou horrível, etc, etc, etc.
Não existe sequer uma leitura da obra para se poder começar a falar de interpretação, um puro e simples desastre completo que começa numa direcção inexistente de Cura que nem sequer sabe mexer os braços de forma independente. Não me alongo mais, faltam-me os termos e posso ir longe de mais na enumeração do top da asneira, se falei da flauta foi como exemplo, o desastre foi total: a trompa, os clarinetes a tocar nas pausas, o oboé de som manhoso e pífio, é injusto para os que não cito... Ressalvo apenas os tímpanos e percussão, quase sempre certos, e os trombones que aparecem no final, numa intervenção breve mas conseguida.
O pior dos solistas foi Duisburg, um suposto baixo, que não consegue sequer acertar no tom das notas, e que arruinou completamente todo o recitativo de entrada na parte vocal. Desastroso e anedótico, se não fosse trágico, o que cantou pouco tem a ver com o que Beethoven escreveu, um cantor a cantar assim chumbaria no conservatório...
Os outros ainda tentaram mas não conseguiram.

Tenho também vergonha por este público que ficou a aplaudir e até a gritar alguns bravos quando não haveria melhor ocasião para patear e apupar. Eu não o fiz porque tive os bilhetes de graça e é considerado de mau tom apupar quem nos oferece os bilhetes, embora não seja considerado de mau tom aplaudir. Garanto que se tivesse pago bilhete teria apupado e batido com os pés e, embora seja contra a prática da balística com tomate extra maduro, acho que os adeptos deste legume tão saudável bem poderiam hoje ter feito juz à pontaria.

Apelo 1: sr. Hermenêutica estava na assistência, sei que sabe e aprecia música, espero que tome providências para mudar isto. O S. Carlos está a entrar numa espiral de decadência acelerada, e eu sei que o sr. Hermenêutica sabe desse facto, porque até percebe do assunto e ouviu muito boas orquestras na antiga RDA. Não deve ser isto que quer.

Apelo 2: O sr. Cura se quer fazer experiências de direcção de orquestra que as faça com o seu dinheiro e não contribua ainda mais para o descrédito da sinfónica que ostenta o bom nome de Portugal e é paga com o dinheiro dos contribuintes.

Acho que devo escrever isto também em inglês para aparecer nos motores de busca sobre o Cura, o que se passou hoje foi demasiado escandaloso...

Etiquetas: , , ,


15.10.07

Escândalo no S. Carlos? 

Não assisti ao último concerto dedicado a Alfredo Keil.
Parece que a portuguesa foi tocada na versão "hino", aquela que todos conhecemos.
Parece que o tenor (fui informado posteriormente que foi o tenor e não o barítono) escalado para o programa não sabia ou não pode cantar aquilo que lhe estava destinado e o programa foi reduzidíssimo.
Contaram-me, por telefonema recebido ontem, estas situações.

Alfredo Keil merecia muito mais.

Continua a bandalheira pós Pinamonti? Será que estamos entregues aos bichos?
Espero por mais dados para me pronunciar mas este início de gestão da OPART começa a revelar-se uma catástrofe e uma pouca vergonha.

Etiquetas: , , ,


2.10.07

Concerto no S. Carlos - Maestro escandalosamente incompetente 

Começa um programa no próximo domingo na Antena 2, é o "Preto no Branco", dois críticos, eu próprio e a Ana Rocha, e um moderador, o João Almeida, director adjunto da rádio.
Neste programa, criticam-se discos, criticam-se concertos e fazem-se antevisões, os chamados imperdíveis da próxima semana.
No próximo programa vamos discutir, em particular, o concerto do passado dia 28 de Setembro que reabriu o S. Carlos com programação Dammann. Por esse motivo faço apenas umas breves apreciações globais aqui e deixo o resto para o programa.

Uma grande cantora não basta para fazer um concerto

O maestro Connelius Meister, que andou aos pulinhos no estrado, foi uma espécie de anedota. Sem carisma, sem conhecimentos musicais, sem saber mexer os braços, sem dar indicações precisas aos músicos, sem qualquer capacidade de dar vida e cor à música, sem dar tempo para respirar aos cantores, sem a menor noção do estilo barroco e galante, sem compreensão da música portuguesa, numa leitura incapaz, incompetente, planar e arrastada, dando entradas com a batuta em cima e ao lado deixando confusos os músicos com o bailado caótico e aleatório da batuta, sem noção do espaço e do tempo, dirigindo aos solavancos, sem capacidade rítmica, atrasando e adiantando sem qualquer noção musical, assassinando positivamente as aberturas de Mozart e Verdi, transformando música de qualidade numa confusão inacreditável, destruindo inapelavalmente qualquer hipótese de brilho da música portuguesa, contribuindo para o massacre das jovens cantoras portuguesas em palco que não mereciam o tratamento sofrido. De onde saiu tal criatura? De um poço sem fundo?

Evidentemente que Cesário Costa seria um valor seguro, que até é afrontoso comparar com este rapazola vestido à Spirou que o Teatro de São Carlos teve o despudor de apresentar num concerto de abertura da temporada a "dirigir" Kasarova. Como diriam os ingleses este "maestro" foi acrescentar insulto à agressão... Proponho o Cesário Costa como director musical do Teatro de S. Carlos, o que até vai de encontro à filosofia "portuguesa" do sr. hermenêutica que leva a programas deste tipo. Façam programas assim mas com cabeça tronco e membros e ao menos assegurem a qualidade dos intérpretes a começar pelo maestro.

Um concerto mal programado, sem nexo temporal entre as obras em presença. Juntar génios como Mozart, Verdi, Rossini e Handel com Bellini, Marcos Portugal e Sousa Carvalho, juntar jovens cantoras pouco seguras à espera de oportunidade e dar-lhes árias inacreditáveis de dificuldade, sob a batuta de um incompetente incapaz de juntar tudo e dar brilho ao conjunto, ir buscar um cantor razoável, Fardilha, em certos papéis e pô-lo a berrar Handel, sem coloratura e numa desafinação capaz de arrepiar os cabelos de um surdo sob a capa de uns trompetes a dar notas erradas, sem estilo nem cor, a esborrachar passagens que deveriam ser brilhantes e sairam confrangedoras e, finalmente, enxovalhar uma grande cantora, depois desta ter sido dirigida por homens como Harnoncourt, com toda este terceiro mundismo, foi simplemente incoerente. Kasarova acabou a cantar ignorando olimpicamente o "maestro" depois de este ter destruído de forma incrível a sua primeira ária de Handel, com um acompanhamento orquestral de miséria que mais parecia um realejo sem corda. Um concerto miserável, apesar de Kasarova, um verdadeiro escândalo.
Apenas em Portugal se batem palmas a este circo, o público está surdo e completamente desprovido de sentido crítico e de cultura musical.

A direcção de Christoph Dammann, com o sr. hermenêutica por detrás, promete...

Etiquetas: ,


29.6.07

S. Carlos 

É preciso ser claro e curto sobre esta temporada, mais tarde vou escrever com mais detalhe.

O S. Carlos afasta-se da sua verdadeira missão procurando programar concertos de câmara, concertos de coro, concertos disto e daquilo, número de espectáculos a subir 27%. Aquilo que é apresentado pela Opart como um grande ganho de actividade e que é apenas ter quatro ópera encenadas para o grande público, uma ópera em estreia para o pequeno público, uma sessão de ópera em versão de concerto, que já no tempo de Pinamonti era uma falácia para meter na temporada lírica e que continua agora, e uma ópera para as crianças.

O Siegfried vai para Outubro ou Novembro, por razões de agenda de cantores e encenador e sai desta temporada.

É necessário dizer que o aumento de actividade anunciado com pompa e circunstância pela Opart e pelo secretário de Estado resulta da diminuição do número de verdadeiras produções operáticas de qualidade, cinco encenações de peso é um número vergonhoso para qualquer capital europeia, é pobre é miserável, apesar dos agentes infiltrados no jornal "O Público" que contam sete, sete, senhores, encenações! Julgava que para dar a volta aos números bastava o secretário de Estado a dizer na conferência de imprensa que Pinamonti tinha "40 récitas e que agora havia 50 récitas, logo um aumento de 10"! Contando bem Pinamonti tinha 43 e agora há 42, e se contarmos a encenação barata para as crianças com cantores de quinta categoria temos 48, logo ou há uma diminuição de uma ópera ou um aumento de cinco, algo que nada tem a ver com as "cinquenta récitas de agora" e as "dez a mais" anunciadas antes. Parecia ser uma questão de hermenêutica, como assinalei a sua Excia na conferência de Imprensa, o que causou uma surpreendente gargalhada na sala e uma resposta balbuciante de que as estatísticas contavam pouco, quando antes tinham sido invocadas pelo próprio Sr. secretário de Estado. Mais detalhes nos artigos que escreverei nas várias revistas onde colaboro.

Uma encenação, muito por baixo, custa 600.000 euros e dá para fazer uns 500 concertos de câmara com artistas portugueses e de qualidade internacional reduzida, se forem duetos a cinquenta contos cada músico dá para 1200 concertos, que aumento de produtividade! É necessário dizer que há muitos anos que a temporada não contava um número tão baixo de encenações. Mas será que alguém quer no S. Carlos uma Gulbenkian de terceira, uma Metropolina de segunda, um CCB de segunda. Não será que o público quer é um teatro de ópera? Creio que com este número de encenações deveríamos ter uns duzentos concertos de câmara a mais, uns cinquenta concertos de orquestra sinfónica e uns coros. Já que se cortou tanto na produção poder-se-ia ter muitíssimo mais lied, o que está dentro da linha de um teatro operático, mas nem sequer esse vertente foi muito reforçada, com cinco encenações sobraria dinheiro para uns 120 recitais de lied com cantores razoáveis a nível internacional e um ou dois com cantores de altíssimo nível. Além disso acho péssima a ideia de fazer concertos de coro, expor as vergonhas públicas do S. Carlos é mau, se o coro fosse de qualidade a ideia era boa, assim será apenas mais um fracasso, deve-se apostar na qualidade e não na mediocridade. Deixo de barato a ideia de fazer espectáculos com ranchos folclóricos, isso sim, seria um aumento de produtividade notável! Diversificar e fazer tudo menos ópera.

Um pouco mais a sério: quatro óperas encenadas para o grande público, ópera popular, pouco profunda, numa visão esteticamente enviezada, sem ópera alemã, sem opera barroca: de Offenbach os Contos de Hoffmann, de Verdi o Rigoletto com 11 récitas(!!), de Puccini a Tosca (também com 11 récitas) e de Mozart a Clemência de Tito que, francamente, não é sequer uma das melhores produções do grande Mozart, e para o pequeno público de Emanuel Nunes vem Der Märchen, uma carta fechada e, pelo que já se escutou, intragável e, provavelmente, um desastre financeiro.

Cantores de segunda, jovens, e muitos portugueses, é evidente que, com três produções novas se podem ter encenadores razoáveis, mas mesmo assim a aposta é também em alguma juventude e os directores musicais são também de qualidade muito mediana. Entretanto a temporada é apresentada de forma truncadíssima em termos de cantores que ainda nem sequer devem ter sido contratados.

Boas notícias: a Opart permite programação plurianual, o presidente do conselho da Opart parece competente e com os números que tem conseguiu passar uma imagem de grande produtividade e realização que deixou os jornalistas presentes calados, mas só o tempo dirá se este modelo resulta. Esta actividade toda é apenas uma cosmética que resulta da redução da produção operática, podia ser pior.

Infelizmente a parte artística não me parece grande coisa, culpa de Damann em part time entre Colónia e Lisboa até Setembro de 2008, o que no meu entender é mais um escândalo e um desperdício de dinheiros públicos. Talvez Damann consiga com mais tempo fazer melhor, mas a primeira impressão de análise no papel e não na conversa tida com o alemão, é que esta temporada é um triunfo das teses do Sr. Hermenêutica: ópera barata e popular, cantores portugueses, e muitas récitas da Tosca e do Rigoletto que é disso que o povo gosta.

Agora uma nota final: Com a Opart e Vieira de Carvalho a intervir directamente temos a ópera ainda mais cara do mundo! Quinze milhoes e meio de euros a dividir por cinco encenações são: mais de cinco milhões de euros por ópera! Um milhão de contos por produção! Notável, dava para fechar a Opart e mandar vir as produções do Convent Garden em tournée, provavelmente daria para 10 produções e poupava-se uma data de dinheiro em ordenados...

Etiquetas: , , ,


28.6.07

São Carlos 

O S. Carlos apresenta hoje a nova temporada, o folclore do costume. Fica para logo uma súmula semi-crítica do que se avizinha.

Etiquetas: , ,


27.3.07

O Salazarito que há em nós 

Não, não é impune um país que durante cinquenta anos viu os seus filhos devorados pelo tempo.
Não, não é impune o medo de viver, o medo de existir. Não é impune a cólera surda da ignorância e da humilhação nos anões do Portugal de hoje.
Os Portugueses são senhores de um poder que não existe, num país de faz de conta, fugaz alucinação de esperança logo submersa pela inveja lamacenta e viscosa. Portugal é o paraíso da inveja: senhores de uma inveja notável os portugueses afundam-se uns aos outros e a quem cai na alçada dos detentores do poder imaginário, um poder que, se usado para servir os outros, ainda poderia ter alguma utilidade mas que apenas é usado para destruir e destruir e destruir.
A grande obra de arte deste Portugal de hoje é a mesquinha incapacidade de fazer e a inveja de quem pouco faz. Portugal que, mesmo assim, vai conseguindo subsistir milagrosamente como país de pedintes choramingas em negociações internacionais. Medíocres incapazes ou corruptos cúpidos, os portugueses são o espelho da miséria mesquinha de quem os governou durante séculos, são o barro moldado pelo rotativismo, pela primeira república, pelo salazarismo e pela incompetência e corrupção democráticas. Dá cá o meu, o primeiro lema, não sei e tenho raiva a quem sabe, o segundo lema de todo o "bom português". Todo lusito age e reage, sobretudo reage, por estes bons e consagrados lemas. Quem ousa pensar, sair do esquema, está perdido, condenado.
A hierarquia vinda dos tempos do Salazar, onde vigora o princípio da não discussão das ordens dos sargentos de segunda que nos têm governado, e que vão pisando, de acordo com as suas frustações, quem pensa pela sua cabeça, é a instituição mais sagrada. Não importa se uma discussão é válida, se as ideias dos outros são boas, se os governantes têm decidido a favor do Estado e dos cidadãos ou contra. Cidadãos esses que, bem seja dito, também se estão nas tintas para a maior parte das decisões.
O que se passa em Portugal é simples, os salazaritos de terceira decidem: "fomos eleitos para isso" e "ninguém deve discutir".
Quem sabe mais dos assuntos e quer analisar, discutir, informar o público das "ordens superiores" deve antes de tudo calar o bico, senão está a pôr em causa a "hierarquia" e a "desautorizar os chefes". Não se pode mexer na ordem podre desta gente medíocre que não tem coragem de dizer o que quer, e como quer, a quem lhes paga os ordenados do dinheiro dos impostos, porque não tem coragem para explicar o nada, nem tem autoridade moral e intelectual para discutir, com argumentos válidos, o que quer que seja.
Na cultura a única autoridade, com 0.1% do PIB nas mãos, é para destruir, não existe capacidade objectiva (e subjectiva, como se tem visto) de fazer.
Paolo Pinamonti foi corrido de forma grosseira do teatro Nacional de S. Carlos, estando o italiano disponível para continuar após seis anos a provar ter altas capacidades para o cargo, apenas porque discutiu as "ordens" dos tais senhores da hierarquia. Quem o descartou lesou gravemente o Estado e os cidadãos em termos da qualidade e referência internacional mas também em termos financeiros objectivos: Pinamonti estava na sua produtividade máxima e em tempo integral em Lisboa, Dammann vem em part-time a ganhar o mesmo.
Finalmente, quem decide assim lesa-se a si próprio e não é capaz de o enxergar. Será que os especialistas na utilização da palavra "hermenêutica" serão os piores a interpretar a expressão "balde do lixo da história"?

Compreendo perfeitamente porque Salazar ganhou o concurso do Maior Português. Salazar é o grande modelo dos portugueses: uns admitem, outros imitam. Creio que são preferíveis os assumidos aos recalcados. Apesar de merecida a sua vitória (ele é o modelo de todo um país), também não deixo de incluir António de Oliveira Salazar no "Grande Balde do Lixo da História Portuguesa", tem o prémio de ter conseguido deixar o país destruído e atrasado mais de cem anos e foi, obviamente uma grande figura a fazê-lo. As figuras ainda menos meritórias de Mário Vieira de Carvalho, julgando que tudo sabe, ou Isabel Pires de Lima, que anda a leste de tudo o que não acontece num raio de três quilómetros do Bolhão, não passam de figurinhas transitórias e ficam no "pequeníssimo balde do lixo da história portuguesa". Serão notas de notas de rodapé, ficarão apenas conhecidos pelas asneiras. Serão figuras incontroversas (ao contrário de Salazar) da calinada. Quem era aquele secretário de Estado que demitiu Pinamonti, o melhor director do S. Carlos no início do século XXI?

Etiquetas: , , , , , , , ,


19.3.07

O Lobby dos Hermeneutas 

Eduardo Pitta sai da Literatura e resolve dissertar sobre Pinamonti. Existe neste fenómeno a notória incapacidade de certos críticos de ficarem restringidos ao que julgam que sabem e resolverem dissertar sobre o que, notoriamente, não sabem, E. Pitta nunca reflectiu sobre música, a sua cronologia não refere a música uma única vez e nunca criticou qualquer evento musical.
Tenho visto o Eduardo Pitta, crítico literário, a confraternizar em inúmeros lançamentos de livros e em diversos saraus. Nunca vi o E. Pitta no S. Carlos, não é manifestamente um conhecedor do fenómeno musical e do que o rodeia.
Ao ler os textos de E. Pitta, e são já vários, sobre Pinamonti e a recente dispensa do italiano de director do TNSC, apesar deste ter manifestado disponibilidade para ficar, fica a impressão que E. Pitta acha Pinamonti um a espécie de incapaz, um troca tintas que escreve uma coisa e faz outra, ou alguém que não conseguiu endireitar os vícios do Teatro Nacional de S. Carlos. E. Pitta não entende o essencial: as qualidades profundas do ainda director do S. Carlos que deveriam ser aproveitadas em vez de desbaratadas, num gravíssimo malbaratar de um património colectivo que os senhores da tutela da cultura deveriam preservar e valorizar em vez de procurem pretextos para destruir. É este o cerne da questão e não questiúnculas formais do diz que disse, afinal o que parece ser o ponto mais importante na hermenêutica da treta de alguém habituado à crítica literária para públicos ínfimos.
Defende E. Pitta com unhas e dentes uma tutela titubeante e incapaz, que utiliza truques de baixa política, sem peso dentro do governo, incapaz de obter receitas no orçamento de Estado e incapaz de ter imaginação para as criar graças a esforço próprio aproveitando mecenato e parcerias com os privados. Uma tutela que o próprio E. Pitta já em tempos achou desnecessária. No mínimo estranho este lobby hermenêutico na área da cultura, ou será que E. Pitta da sua olímpica cegueira queira apenas criar polémica com os faits divers das suas bocas sobre o assunto? De qualquer modo é grave: E. Pitta tem ainda alguns leitores que o levam a sério e falar sem saber é, no mínimo, irresponsável.
Acha E. Pitta que o assunto diz apenas respeito a um grupo muito restrito "talvez duzentas pessoas", se pensarmos que E. Pitta, justa ou injustamente, poderá ter um número de leitores "talvez" da mesma ordem de grandeza, "talvez" possamos dar um maior significado a este número. O que eu não percebo é o interesse do crítico literário E. Pitta sobre este assunto, talvez seja um problema de hermenêutica pós-compreensão, por oposição à "hermenêutica pré-compreensão", que Vieira hermeneuta aplicou a Paolo Pinamonti.
Embora graves, e podendo levar leitores a um erro que importa desmontar, acho as reflexões de E. Pitta inúteis. Primeiro, porque o conhecimento dele sobre o assunto é praticamente nulo: é falso que sete récitas esgotadas da Walküre sejam as 600 pessoas que refere como público do S. Carlos, é falso que os milhares que encheram o largo do S. Carlos nos dias em que a ópera foi transmitida para o exterior sejam as tais 600 pessoas pessoas que E. Pitta refere, o que reflecte logo à partida a credibilidade que quem faz essas afirmações. É mentira que cada récita de ópera custe 400 euros, serão 350 se dividirmos todos os custos pelas récitas, mas se retirarmos a orquestra sinfónica portuguesa que faz concertos o número reduz-se drasticamente, mais hermenêutica da treta directamente vinda da Ajuda, se dotássemos o S. Carlos de mais um milhão de euros para produções (somados aos actuais 13 milhões) o preço por récita passaria a ser um dos mais baixos da Europa, é que os tais 350 por récita resultam de custos fixos e não das produções propriamente ditas. Por outro lado a execução orçamental de Pinamonti é de um rigor extremo, nunca gastou um cêntimo a mais do que o orçamentado, nunca contraiu uma dívida. Parece impossível para Portugal, era bom demais. Era mas acabou-se por causa de mesquinhas embirrações e conflitos de personalidade.
Em segundo lugar o que E. Pitta refere é inútil porque não passa de um ignorante sobre o assunto: é consensual entre toda a crítica musical, à qual E. Pitta não pertence, o excelente trabalho de Pinamonti. Todos os especialistas do assunto concordam sobre Paolo Pinamonti, mas isso deve ser indiferente ao E. Pitta, que sendo crítico literário julga poder opinar sobre tudo. Para mim o que o E. Pitta diz sobre o Pinamonti é igual às barbaridades que um taxista do Porto me disse sobre o Pedro Burmester. Eu perguntei ao tal taxista se tinha entrado alguma vez na Casa da Música e ele disse-me que não. A umas perguntas básicas o que dirá E. Pitta: qual a tonalidade que abre a Valquíria? Quantos actos tem o Orfeo de Monteverdi? Qual a ópera ou óperas que Teresa Stich Randall fez no S. Carlos em 1970? Pitta parece que passou nos anos setenta pelo S. Carlos. Muita coisa mudou entretanto, a ópera está esgotada, a ópera vai ao CCB, e não foi mais por causa do prof. Fraústo. O Wozzeck, uma das melhores produções de todos os tempos do S. Carlos foi ao CCB para três récitas. Vá lá ler uns livritos para responder e documente-se melhor E. Pitta, é fácil cair-se na asneira e na mentira, mesmo involuntária, quando se ignora o assunto.
É necessário reforçar que apesar das observações do E. Pitta, toda a crítica musical portuguesa (que trilha os mais diversos universos, escolas e metodologias) reconhece que Pinamonti foi um dos melhores directores do Teatro de S. Carlos, posso prová-lo de forma muito fácil citando textos de Augusto Seabra, Bernardo Mariano, Cristina Fernandes, Jorge Calado, Ana Rocha, Luciana Leiderfarb, Rui Vieira Nery, Teresa Cascudo, através de manifestações de solidariedade de João Paes ou de Alexandre Delgado, e de outras personalidades do mundo da cultura e da música que não ficaram pela estagnação desfasada da realidade dos universos oníricos da literatura para meia dúzia de leitores. Pinamonti foi muito bom sob condicionalismos terríveis em termos orçamentais. É verdade que Pinamonti não resolveu tudo mas Pinamonti pacificou, integrou-se, foi resolvendo de forma muito pragmática usando todos os sábios recursos de diplomacia da cultura mediterrânica. Foi-se livrando do joio de um maestro titular (Peskó) e promoveu João Paulo Santos, impossível de jogar borda fora por motivos contratuais, para um lugar inócuo. Eliminou um inenarrável concertino da orquestra. Tentou o impossível ao programar concertos sinfónicos com alguns dos melhores maestros do mundo, especialistas desde o classicismo ao contemporâneo. Contratou um maestro de coro e um assistente que resolveram parcialmente um dos maiores cancros do teatro: a péssima qualidade do Coro do TNSC. Algumas das vezes teve os maiores sucessos artísticos, como com Inbal, outras vezes com resultados entre o positivo e o desastroso, como com Letonja. Mas como o Pitta sabe melhor do que ninguém, na arte nada é seguro, é no balanço final que Pinamonti foi um valor muito seguro, foi mesmo um director excelente em face das dificuldades. O S. Carlos é hoje um teatro muito melhor do que era há seis anos, e Pinamonti conseguiu-o sem dinheiro.
O período de adaptação foi ultrapassado, após seis anos de trabalho Pinamonti conhecia a cultura portuguesa e integrado conseguia extrair o melhor que nós conseguimos dar com as nossas estranhas peculiaridades e os nossos maus e bons hábitos. O TNSC afirmava-se como motivo de orgulho internacional para Portugal, algo que só um bronco sem a menor noção do que está a comentar pode desvalorizar. Shirley Althorp, crítica do Financial Times (e de todo o grupo Blomberg), vem sempre a Lisboa para ver as produções do nosso teatro de ópera fazendo críticas que ecoam por todo o mundo, nunca cá teria vindo sem Pinamonti. Todos os grandes órgãos de comunicação deslocam os seus críticos ao nosso teatro, o El Pais, o Le Monde, O The Times, a BBC, a lista é interminável. A ópera de Corghi e Saramago, no meu entender péssima, foi referenciada por toda a imprensa mundial com apreciações muito diversas, desde o entusiasmo ao cepticismo. Dei uma entrevista à Deutsche Welle sobre o assunto, onde apesar de criticar duramente a obra de arte, elogiei o trabalho do director como notável. Pinamonti deu entrevistas a todas as estações que importam a nível internacional. A encenação do Ring de Vick, goste-se ou não, é um marco a nível internacional. O Wozzeck de Braunschweig e Inbal foi um acontecimento notável, uma das melhores encenações, um dos melhores naipes de cantores a nível mundial e uma orquestra a superar-se de forma quase impossível para quem conhece a Sinfónica Portuguesa.
Com um orçamento de 13 milhões de euros, um número ridículo em termos europeus, mesmo para um teatro de província, Pinamonti consegue produzir mais de 120 espectáculos onde figuram 43 récitas de ópera por ano e não, outra das mentiras do Sr. E. Pitta, as "talvez" vinte vezes por ano. Christoph Dammann, que vem em part-time de Colónia, tem 36 milhões de euros para gerir o seu teatrinho local, Mannheim (uma cidade de 200.000 habitantes) tem 25 milhões de euros.
É precisamente este capital de experiência, de realização e de adaptação à nossa realidade que o sr. hermenêutica e a sra. ministra desvalorizam e o Sr. E. Pitta, agora também membro do lobby hermenêutico e, além do mais, mentiroso, também desvaloriza. No caso de Pitta a grosseria das suas incorrecções, ou manipulações, é tão evidente que qualquer observação sua sobre o assunto está imediatamente descredibilizada. Quem precisa de manipular os factos para argumentar não merece crédito, é a desilusão de ver um "exemplar" crítico literário usando argumentos à taxista.
É o prestígio de um país que se mede por estas coisas mas nunca para um "portuga" mediano. É evidente que para o E. Pitta o assunto tem pouco interesse, é um "fait divers": Ópera, o que é isso? Só tenho a lamentar a santa ignorância de certos "intelectuais" que se fecham na sua área e se esquecem que a cultura é universo e não é medida pelos antolhos de miséria em que se formataram os filhos de um país de analfabetos e de aldrabões.

Ler ainda o João Gonçalves no Ponto Final do Portugal dos Pequeninos, o Carlos Araújo Alves em un fait divers e a Teresa Cascudo em Mais do Mesmo

Etiquetas: , , , , , , , , , ,


15.3.07

Amigos do S. Carlos apelam a Sócrates 

Não acredito que Sócrates sequer leia o que os Amigos do S. Carlos lhe pedem. O autismo governativo de Sócrates relativamente à cultura e ao saber têm origuem, segundo creio numa análise que tenho vindo a fazer desde há algum tempo, nos complexos de inferioridade cultural e académica do primeiro minstro. Sócrates em termos culturais é um desastre, um carreirista político que foi construindo a sua vida política através da pequena manobra e não alicerçado em qualquer feito académico, científico, empresarial, cultural ou mesmo político de fundo. José Sócrates Pinto de Sousa nem sequer é engenheiro, e o seu percurso académico é nebuloso, nunca escreveu uma linha de doutrina política ou um texto relevante. Os seus discursos são genéricos e sem qualquer substrato profundo. As suas aparições em eventos culturais são escassas e apenas representativas, não se lhe conhece gosto pela música. Não tem qualquer sensibilidade para a cultura como se viu pelos orçamentos de Estado. Está-se nas tintas para o assunto, sobra-lhe apenas alguma determinação e faro político para a manobra da baixa política. É óbvio que usa como modelo Salazar, mas este último era licenciado e doutorado por uma Universidade de prestígio e tinha carreira académica e currículo político na área das finanças e era superiormente inteligente; mesmo tendo em conta que Salazar foi um tacanho de visão limitada por opção filosófica e também por complexos de origem, Sócrates ainda consegue ser mais limitado e com mais falta de Mundo. Até no gosto pela música lhe faltam as referências que o ditador de Santa Comba Dão tinha. Salazar sempre acarinhou o S. Carlos e as orquestras portuguesas. Sócrates apesar de eleito democraticamente e de ser um candidato a ditador em democracia não passa de um amador ingnorante, inculto e primário, um salazareco de segunda. Nunca se preocupará com questões que não achar importantes para a manutenção e reforço do seu projecto de poder pessoal: é óbvio que o S. Carlos não passa por aí.
Os aparatchniks da Ajuda estão livres para fazerem o que quiserem no capítulo destruição do que existe, porque construir, caros leitores, isso só com dinheiro. E o Sócrates e o Teixeira dos Santos para a cultura não dão (nem para a Educação dão).
Do mal o menos, o Santos ainda tem currículo académico e sabe-se onde tirou os cursos, é aluno de Salazar no qual se especializou academicamente, e não esconde as suas doutrinas e a origem das suas políticas financeiras, mas desprezando o exemplo de mandar dar o cachet à Guilhermina Suggia. Sobra a Casa da Música, que por ser no Porto, recebe a fatia maior do Orçamento da cultura para piorar escandalosamente a sua programação, e veremos o que o futuro nos reserva, mas começo a duvidar de uma programação melhor a longo prazo e a uma apresentação atempada da mesma.
Por agora teremos que ficar com o Dammann, que tem tido críticas muito fortes em Colónia e que veria a sua renovação em risco nesta cidade, a fazer um part-time em Lisboa até 2008 segundo umas fontes e 2009 segundo outrs, ganhando um vencimento de 10.000 euros por mês. Hoje saberemos mais detalhes na conferência de imprensa de apresentação.

Segue notícia do Expresso Online.


Afastamento de Pinamonti em causa
Amigos do São Carlos apelam ao primeiro-ministro
Luciana Leiderfarb

Descontente com processo de afastamento de Paolo Pinamonti da direcção artística do São Carlos, a direcção da associação de amigos do teatro lisboeta apela à intervenção de José Sócrates.


Amigos do São Carlos apelam ao primeiro-ministro
Nuno Botelho
O afastamento de Paolo Pinamonti está a preocupar os Amigos do São Carlos

18:21 | quarta-feira, 14 MAR 07

A direcção dos Amigos do São Carlos qualificou de "abrupta e desrespeitosa" a forma como se processou o afastamento de Paolo Pinamonti da direcção daquele Teatro e apelou a uma "intervenção pessoal do primeiro-ministro".
Num comunicado à imprensa, assinado pelo musicólogo Rui Vieira Nery, manifesta-se preocupação pelo "vazio de poder agora criado no São Carlos, com o anúncio da contratação de um director ausente, que pouco mais poderá assegurar do que uma função de programador itinerante". A esta situação soma-se o facto de o vazio acontecer "num momento crucial da fusão do teatro com a Companhia Nacional de Bailado no quadro do novo figurino orgânico da Opart (Organismo de Produção Artística), cujas linhas gerais ainda se desconhecem".
No mesmo documento, os Amigos do São Carlos confessam-se "apreensivos" no que toca às linhas gerais esboçadas pelo Ministério da Cultura para o futuro do único teatro lírico do país: "Os objectivos de um teatro nacional português integrado na rede europeia de produção operática não podem confundir-se com a missão específica de um espaço de formação avançada e profissionalização para jovens intérpretes".
Recorde-se que o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, referiu, numa conferência de imprensa realizada ontem em Lisboa, pretender "a captação de novos públicos" e "oportunidades para jovens artistas", apostando "nos portugueses que ainda não chegaram à ópera".
Por fim, critica-se a vontade expressa da tutela de multiplicar o número de récitas, o que "só seria possível com meios orçamentais que consabidamente o Ministério não está em condições de garantir, a não ser à custa da degradação acentuada do nível qualitativo das produções".

Etiquetas: , , , , , ,


14.3.07

Não queremos os bilhetes esgotados! 

A frase mais inteligente no processo da demissão de Pinamonti e logo vinda de um hermeneuta! Vieira de Carvalho, Sr Hermenêutica, afirmou na conferência de imprensa: "Queremos que o São Carlos seja um forte ponto de atracção turística. Que tenha oferta. Que a ópera não esteja fechada ou os bilhetes esgotados", disse o governante segundo o DN, genial digo eu, esta merece um lugar na antologia da asneira e da estupidez do século XXI em Portugal.

Outra frase a reter: "Temos a ópera mais cara per capita da Europa", como se o "governante" se propusesse a mudar o estado das coisas! Mas é claro que a ópera em Portugal sai cara, por culpa dos incompetentes, hermeneutas incluídos, que passam e passaram pela cultura e pelas finanças. Será que Vieira de Carvalho é tão estúpido ou tão cínico, que não perceba que isso acontece precisamente por causa de o parco orçamento ir para os custos fixos do Teatro Nacional de S. Carlos? Resta muito pouco dinheiro para as produções, isto implica ter uma estrutura imensa com custos fixos elevados, onde o hermeneuta inclui ainda a orquestra sinfónica portuguesa, que não deveria fazer apenas ópera, e funcionários altamente bem pagos como João Paulo Santos, que nada produzem, restando um pequeníssimo orçamento para a produção operática, um número ridículo de seis títulos por ano quando João de Freitas Branco fazia mais de trinta por ano antes ainda da revolução de 1974! A propósito: João de Freitas Branco é outro dos candidatos a melhor director do S. Carlos dos últimos cem anos.

Evidentemente fica caro, a Alemanha gasta dez vezes mais do que nós face ao seu muitíssimo maior PIB per capita e a ópera fica mais barata, muito mais barata. Os políticos portugueses devem ser uns génios, conseguem ter a ópera mais cara do mundo gastando trinta vezes menos por cada português!
Explique agora o Sr. Hermenêutica como isto vai mudar com o director artístico Dammann em part time, a ganhar o mesmo que Paolo Pinamonti a tempo inteiro, o que é escandaloso, e sem aumentar o orçamento da cultura. Não sei se a hermenêutica de Mário Vieira de Carvalho chega para isso, ou se sofre de problemas pré-compreensão, mas o orçamento da cultura não depende da Ajuda e dos aparachniks ex-comunistas com peso político zero, depende dos primários Teixeira dos Santos e José Sócrates.

Etiquetas: , , , , , , , ,


13.3.07

O Camarada Hermenêutica 

Segundo Vieira, o Hermeneuta, o Teatro de S. Carlos deve servir para os cantores portugueses rodarem e para os turistas terem ópera à disposição em Lisboa. Julgava que a ópera era para o consumo do povo local, agora além da bica, dos banhos de sol e dos serviços do Zézé Camarinha, vamos também ter ópera para os "camones".
Entretanto deve manter-se o projecto da Tetralogia. Paradoxalmente a ópera do Nunes, a tal que "o génio" Emanuel (não confundir com o cantor pimba Emmannuel) não consegue acabar apesar de ter sido já acabada mas à qual faltam as partes vocais, num dos maiores e sublimes paradoxos pós-modernos, uma desconstrução que nem Derrida nem o falecido Baudrillard conseguiriam explicar senão pela ôntica pré-compreensão, afinal Deleuse puro, mas num universo aparente! Algo que poderia até justificar a hermenêutica pré-compreensão, se este último conceito não fosse claramente ôntico e não ontológico e claramente antagónico ao primeiro, o que nos deixa num beco sem saída hermenêutico; a não ser que um Boaventura Sousa Santos ou um qualquer catedrático Sr. Hermenêutica nos ajudem a perceber a nossa ignorância hermenêutico-ontológica-ante-compreensiva-ôntica-dualmente-ontológica.
Um Nunnnes que reinventa a ópera, apenas música instrumental e para-instrumental, orquestra e parafernália com dezenas de cantores em cena, cantores esses que não cantam(!). Reinvenção da ópera que poderá até ser representada e cantada por sopranos surdos, altos brigantinos, tenores ciciosos, mezzos sopinhas de massa e baixos mudos.

Voltando ao tema: o novel director artístico é um tal Dammann (assim mesmo com dois mm e dois nn), um senhor académico que dirige a ópera de Colónia, e que tem um currículo curto, apesar do que se afirma por aí em comunicados oficiais: "fabuloso" é o adjectivo e o meu adjectivo para tal adjectivo é "parolo". Parece que o tal senhor vem de Lübeck (da parte da DDR ou RDA), nasceu em 1964, tendo estudado na bem socialista Rostock. Parece que foi barítono e trabalhou em marketing artístico. Mais um doutorado na velha Alemanha de Leste, onde é que eu já vi isto antes?... Um camarada hermenêutico em perspectiva. É casado e tem duas filhas. Espera-se que seja simpático e que goste de Wagner, talvez sobreviva aos políticos que o colocaram no S. Carlos.
Deve ser fácil sobreviver porque parece que vai continuar em Colónia como director da ópera da cidade. Segundo julgo saber o cargo de Lisboa será em part-time! Ai as nossas poucas dezenas de milhares de euros. E se o Sr. Hermenêutica cumulasse os lugares como sugeriu o proverbial Marcelo? Não se poupavam uns cobres? Part-time por part-time... Será que a Guta Moura Guedes não poderia também fazer um bom lugar? Parece que a perninha que o camarada Dammann virá fazer a Lisboa será excelente para manter o Teatro de S. Carlos no mapa internacional. Estamos a ver o director de Colónia a abandonar o seu belo teatrinho sempre que lhe apetecerem uns banhos de Sol ao Estoril e, já agora, passar pelo S. Carlos... E enquanto o senhor sorridente das fotos não andar a estorvar, sempre fica cá em Lisboa o grupo dos aparatchniks da Ajuda.


Etiquetas: , , , , , , , , ,


Arquivos

This page is powered by Blogger. Isn't yours?