
20.3.11
Orquestra Sinfónica Portuguesa II
Henrique Silveira – crítico
Continuamos a analisar nesta edição a Orquestra Sinfónica Portuguesa. Como vimos é uma orquestra fraca que custa ao erário público mais de cinco milhões de euros por ano com os seus cento e dez músicos. Uma orquestra que nada tem evoluído desde a sua fundação. Uma orquestra que oscila na esquizofrenia de ser ao mesmo tempo uma orquestra sinfónica e uma orquestra de ópera e não faz bem nem uma coisa nem outra.
Quais as soluções para este problema crónico? Como escrevemos anteriormente não existe avaliação de desempenho. Os maestros vão e vêm e nunca deixam escrito qual a impressão causada por este ou aquele naipe, ou pelos músicos em particular. Depois das audições para entrar na orquestra nunca mais os músicos têm de provar se estão aptos, os instrumentos são de má qualidade e o som, sobretudo nas cordas, é horrendo. Este estado de coisas, com uma crítica geralmente amorfa e com pouco espaço, leva a que muitos músicos se estejam nas tintas para o estudo e a arte, e a coisa sai como calha e se vão dedicando a outros projectos que lhes vão rendendo proventos extra.
Qual a solução? No meu entender é simples, extinção da orquestra como orquestra “sinfónica” e passagem a “Orquestra Nacional de Ópera”. Redução dos quadros a cinquenta e cinco músicos escolhendo apenas os mais capazes e indemnizando os restantes através de audições com um júri internacional e os músicos a tocar atrás de cortinados. No futuro fazer uma avaliação de desempenho anual, com avaliações pelos maestros e por eventual audição dos músicos. Os avaliados como “insuficiente” por duas vezes teriam de sair da orquestra. Enfim, reformar a orquestra e transformá-la numa organização séria e capaz. Hoje em dia o público está afastado da orquestra pela sua falta de qualidade e esta não presta um grande serviço à comunidade. Deve-se investir o dinheiro poupado, que será da ordem dos três milhões de euros por ano, para fazer uma sala de ensaios e uma sede para a orquestra. Ao longo dos anos o dinheiro poupado permitiria uma muito maior actividade artística do Teatro de S. Carlos.
Para os concertos Portugal conta com orquestras de nível muito superior que cumprem a função de transmitir a música sinfónica ao público, orquestras que têm público fiel e mantém um nível razoável.
Os outros corpos artísticos permanentes sofrem dos mesmo defeitos. O coro do Teatro de S. Carlos é péssimo e os bailarinos da Companhia Nacional de Bailado na sua maioria já nem sequer dançam. É necessário acabar com este estado de coisas que apenas serve para esbanjar dinheiro aos contribuintes portugueses, nesta época de crise, e criar soluções que permitam salvaguardar os artistas e o público.
o
o - Mau, * - sofrível, ** - interessante, *** - bom, **** - excepcional
Esclarecimento (a sair na edição de 22 de Março de 2011) – Nunca escrevi que a OSP deve ser extinta, o que eu defendo é a extinção do nome “Sinfónica” e a substituição por “Orquestra Nacional de Ópera”. Defendo de facto a redução de quadros mas penso que se devem, e cito, : “...criar soluções que permitam salvaguardar os artistas ...”.
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Orquestra Sinfónica Portuguesa I
Henrique Silveira – crítico
Mega Ferreira, presidente do CCB, anunciou com pompa e circunstância que a obra Daphnis et Chloé de Maurice Ravel seria apresentada nos Dias da Música, esse sucedâneo da Festa da Música, mais pobrezinho que o evento anterior e baseado fundamentalmente nos mesmos princípios. A obra de Ravel é extraordinária, é necessário um grande refinamento da orquestra e do coro.
A obra vai ser entregue à Orquestra Sinfónica Portuguesa, o que me levou a esta reflexão. Pois fique sabendo que a orquestra custa mais de cinco milhões ao Estado por ano, foi fundada em 1993 e nunca se conseguiu afirmar como uma orquestra razoável sequer no plano português sem falar do plano internacional. Desde a sua criação a Orquestra Sinfónica Portuguesa nunca se livrou de alguns problemas que assolaram a sua existência.
Em primeiro lugar a esquizofrenia de ser uma orquestra de ópera e ao mesmo tempo uma orquestra de concertos, os seus 110 elementos nunca se encontram em conjunto para fazer ópera e nos períodos em que há ópera não se fazem concertos. Se em Viena a Filarmónica, associação livre de músicos do teatro de ópera, se reúne nos seus tempos livres para ensaiar e fazer concertos aos Domingos, com uma carga enorme de trabalho que conjuga mais de 300 noites de ópera com dezenas de concertos, a sinfónica portuguesa terá cinquenta noites de ópera e uma vintena de concertos anuais, com uma produtividade baixíssima. No entanto os seus padrões de qualidade são tão baixos que seria impossível uma maior produção, acresce a isso que a orquestra portuguesa não consegue fixar repertório devido o número ínfimo de vezes que se apresenta em público.
Em segundo lugar esta orquestra tem sido desprezada pelo poder político e por todas as tutelas, sem excepção, desde a sua criação. Não tem uma sala de concertos própria, o que a par da sua falta de qualidade, tem contribuído para um total desfasamento do público. Por outro lado não tem salas de ensaio, estudo, biblioteca, ou gabinetes de trabalho e estúdios para os músicos desenvolverem as suas actividades relacionadas com a orquestra e paralelas e nem sequer espaços de arrumações dignos desse nome têm para guardar instrumentos que podem ser volumosos. Andam com a casa à costas ensaiando onde calha, muitas vezes no impróprio Salão Nobre do Teatro de S. Carlos.
Finalmente a orquestra não tem na sua constituição músicos verdadeiramente excepcionais e não há qualquer avaliação de desempenho. Os lugares são de funcionalismo público, seguros e para sempre. Toquem bem ou mal ninguém os repreende. As críticas eram penosas no início mas a coisa está tão estagnada que os críticos já nem se dão ao trabalho de ir aos concertos e nas críticas das ópera andam pela condescendência e evitam referir-se à orquestra.
Desde 1993 nunca a orquestra evoluiu, os críticos internacionais com quem tenho falado dizem-me sempre: que pena, a vossa orquestra nacional é tão fraca... Se no Índice de Desenvolvimento Humano Portugal aparece pelo lugar 30 a nossa orquestra nacional terá à frente, e de longe, mais de trezentas orquestras, o que diz bem do estado de coisas da orquestra pública.
Continua.
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o - Mau, * - sofrível, ** - interessante, *** - bom, **** - excepcional
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10.3.11
Viva a luta
Etiquetas: Política
23.2.10
CREL e Madeira
Etiquetas: Política
28.3.09
Todo ele um fórum - todo ele um penteado
Que grande ministro, o deste penteado!
Que bela política, esta franja!
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13.3.09
Casamento gay à vista
Estou interessado em saber qual a posição de Portas face ao casamento homossexual, tema caro a Sócrates e que será um dos cavalos de batalha das próximas eleições. Será que temos o casamento gay à vista após as eleições e com o voto do CDS? Será que os eleitores centristas, muito concervadore por tradição, vão dar carta branca a Portas para viabilizar o casamento gay de Sócrates depois deste ter liberalizado o aborto e ainda o pagar na totalidade pelo Sistema Nacional de Saúde? Ou será que o CDS está condenado a ser um partido em vias de extinção e dar os poucos votos de que dispõe ao PSD?
Manuela Ferreira Leite ri-se e agradece.
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19.2.09
Câmaras
Entretanto o Costa de Lisboa, irmão do outro da SIC, é a maior fraude política de todos os tempos, lixo, lixo e mais lixo, jardins nos últimos estádios da degradação, crateras em ruas de toda a cidade que ninguém tapa, insegurança, serviços ineficientes, total e absoluta ausência de política cultural, marasmo e mais marasmo, negociatas com os milhões de contentores enfiados no coração de Lisboa bloqueando o rio com o beneplácito to Zé e dos outros, negociatas do sempre-à-mão Zè (recordar sempre e sempre que bloqueou o túnel só para chatear) negociatas com os palácios para arrebanhar mais uns cobres não se sabe bem para quê, desculpas sobre as obras de onze anos do Metro para justificar o corte do Terreiro do Paço por mais quatro meses (anos). Afinal o homem não ganhou a Câmara por falta de comparência já há dois anos? Não tinha tido tempo para coordenar as obras do Terreiro do Paço com o final das obras do Metro?
Todos os meis amigos sabem do meu total desprezo por Santana Lopes como político, mas entre este espantalho político socialista e o menino guerreiro prefiro sem dúvida o último. É evidente que se Lisboa continuar assim e as obras se eternizarem, como é natural e óbvio que aconteça, a campanha de Santana será um passeio triunfal. Enganem-se os políticos à la Carrilho. De qualquer modo, por uma questão de princípio, nenhum destes dois políticos e seus respectivos partidos políticos vai ter o meu voto.
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23.1.09
Tios e Sobrinhos
Qual será o coelho que vai sair da cartola de José [Sócrates] Sousa?
Prevejo uma medida surpreendente e inusitada para os próximos dias, é necessário distrair...
Estou cansado.
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9.1.09
Incompetência Assumida
José Sousa disse que teve de ser assim para controlar o défice...
Mas será que ninguém explicou a estes senhores que apenas o IVA sobre o total dos investimentos, correspondentes a compras de equipamentos e serviços (que no caso de investimentos com fundos comunitários têm de ser documentados e contra factura), seria cerca de 155 milhões! Isto, sem contar com outros factores decorrentes do investimento, traria o retorno quase completo dos tais cento e sessenta milhões a "poupar" para controlar o défice.
Será que nenhum jornalista ou blogueiro percebeu a falácia que disfarça a mais completa e absoluta incompetência destes governantes?
Só este pedaço da entrevista seria motivo para o maior dos escândalos em qualquer país um pouco mais civilizado...
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27.5.08
Curso acelerado de demagogia
Estou surpreendido com algumas observações feitas por figuras públicas. Comento...
Curso de lógica
Sócrates diz que se baixar os impostos dos combustíveis as "pessoas que não andam de automóvel passam a financiar a gasolina dos que andam de carro"!
A par do inglês técnico e do curso por FAX (há que ser moderno, antes era por correspondência) do primeiro ministro, não seria melhor ter tirado um curso acelerado de lógica? Não será antes o contrário? Com 70% do preço do combustível formado por impostos não serão os que andam de carro que andam a pagar pelos que andam a pé? Enfim, para se ser um bom demagogo há que inventar silogismos e outras aldrabices mais conseguidas, assim Sócrates, como em tudo o resto, não passa de um demagogo de "meia-tijela".
Lição de um bom verdadeiro demagogo
Mário Soares não precisa de lições, ele é doutorado honoris causa em inúmeras universidades, e não pelos méritos académicos. Soares é doutorado pela acção pela liberdade, por ter sido presidente e primeiro ministro, por ser da internacional socialista, por ter amigos em todo o lado, aquilo que se eufemisticamente se chama rede, e por mandar umas piadas com graça e umas boutades em almoços e jantares por esse mundo fora, ou seja, Soares é doutorado honoris causa em demagogia por muitas universidades desse mundo. Credenciais não lhe faltam, hoje deu mais uma lição, num artigo no DN onde se lê:
Já uma vez, nestes últimos anos, escrevi e agora repito: "Quem vos avisa vosso amigo é." Há que avançar rapidamente - e com acerto - na resolução destas questões essenciais, que tanto afectam a maioria dos portugueses. Se o não fizerem, o PCP e o Bloco de Esquerda - e os seus lideres - continuarão a subir nas sondagens. Inevitavelmente. É o voto de protesto, que tanta falta fará ao PS em tempo de eleições. (Mário Soares in DN de 27 de Maio de 2008)
Pois é, "quem te avisa teu amigo é", e se a linguagem socialista não chega a José Sócrates Pinto de Sousa, esse socialista de "meia-tijela", a dos votos deve chegar. A grande lição a tirar deste doutorado em demagogia é: "os pobrezinhos votam, se vivem mal ou bem isso é acessório, o problema são os votos de protesto, se a rapaziada do PS no governo não der uns rebuçados aos pobres, eles vão a correr votar no Bloco e no PC, isso é que não".
Boa lição, este Soares não tirou o curso de socialista e o doutoramento em demagogia "numa agência de comunicação" (Manuel Alegre ontem). O Pinto de Sousa que ponha os olhos nestes mestres...
Mais a sério: detecto uma falha no texto de Soares, a única, este parágrafo preocupado com os votos e a dar conselhos a Pinto de Sousa, a preocupação essencial deveria ser a da questão social e nunca centrar o discurso na questão dos votos e dos problemas de poder do Partido Socialista e do seu líder.
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22.5.08
Combustíveis a preços altos? Claro que sim, que se mantenham
Não se admite que, com a poluição monstruosa que os motores de explosão provocam, se continue a privilegiar o transporte rodoviário de mercadorias em oposição ao caminho de ferro, do qual desinvestiram privados e Estado.
Os engarrafamentos continuam, os carros poluentes continuam a poluir, e o português liberal JCD ou J. Miranda continua a utilizar a carripana para ir ao café e para o trabalho, continua a deixar a carroça em cima do passeio e em segunda fila, apesar de bons parques a preços baixos.
Os políticos continuam a fugir da essência do problema e recusam-se a taxar violentamente as entradas nas grandes cidades aos utilizadores de carripanas poluentes, e a combater a sério o problema do estacionamento selvagem.
Creio que a única solução para o problema de todas estas demissões passa pela economia liberal e pela especulação selvagem de preços. O mercado finalmente a funcionar é o que eu desejo neste capítulo.
Do lado socialista apoio mais impostos sobre os combustíveis, para mim são bem vindos, gasolina a 4 euros o litro e gasóleo a 3.98 o litro são o meu desejo sincero a bem do ar que respiramos e do sossego para o espírito.
O barril de petróleo a 250 dólares é uma meta possível e desejável a breve prazo, para bem do ar do Ocidente, para bem do investimento em tecnologias limpas, para bem do futuro da humanidade...
23.11.07
O atrevido
É natural que fale assim, o ministro que quer ver os magistrados como subalternos, já fala de Pinto Monteiro como se o PGR estivesse abaixo na hierarquia: "atrevido ou ignorante" são mimos fortes, devem ser os termos remniscentes dos usados nas juventudes partidárias entre a rapaziada.
Creio que faltam ao ministro espelhos, pior, a posição do procurador está acima do ministro e a falta de boa educação e de respeito institucional mostram o real calibre deste homem que ocupa o lugar de ministro da justiça membro de um governo autoritário sem autoridade.
O défice de autoridade intelectual e ética do ministro face ao Procurador é evidente. Como o rabo escondido nas propostas do governo foi descoberto, recorre ao insulto grosseiro para tentar tapar o sol com uma peneira. Antes recorreu ao banho para calar os polícias, será que, se pudesse, também mandaria a polícia dar um banho ao Procurador?
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29.5.07
Comissão de honra de Costa - concurso para assessores
Parece que o periquito de Costa foi convidado mas não aceitou, afirmou mesmo que não alinhava se não lhe dessem um lugar de assessor e que a companhia não era assim muito ilustre.
Entretanto Sá Fernandes, o tal Zé de que a malta precisa, um vereador sem pelouro, tinha apenas nove assessores! Apenas nove, que miséria, não posso votar num gajo que tem apenas nove assessores, é pouco importante um gajo assim...
Ruben (levará acento ou assento?) de Carvalho e o outro comunista da câmara de Lisboa, dois vereadores, tinham apenas 5 assessores. Ele há cada coisa, apenas cinco para dois vereadores, 2.5 assessores por vereador. A comissão de honra não deve ter muita gente por este andar... é o comunismo.
É verdade: desgraçado do meio assessor partilhado.
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9.4.07
Independente deve fechar imediatamente
Acho estranho que seja preciso reflectir nesta decisão e anunciá-la como se se tratasse de um caso nacional. A Independente nunca foi uma universidade de prestígio, tive oportunidade de ver exames da minha área científica, a matemática, e parecem-me anedóticos pela extrema facilidade e pela ausência total de perguntas de raciocínio específico.
Como professor do Instituto Superior Técnico em Lisboa, instituição prestigiada e reconhecida pela ordem dos engenheiros, tenho falado com diversos colegas sobre a Independente, isto nas áreas tecnológicas e científicas. A conclusão é unânime: aquilo é uma espécie de escola da treta, quem não conseguia acabar os cursos em instituições exigentes, onde é necessário trabalhar no duro e aprender as competências essenciais da sua licenciatura, ia para a Independente. Assim se explica que gente com funções dirigentes de altíssimo nível consiga realizar licenciaturas que à partida seriam de grande complexidade e responsabilidade, como engenharia civil, em tempo record e ao mesmo tempo que exerciam funções a tempo inteiro. Até Armando Vara concluiu, segundo me informaram recentemente, um curso qualquer na Independente enquanto era gestor da CGD.
Sobre Sócrates nem se fala, o actual primeiro ministro teria de ser um géno absoluto para conseguir concluir uma licenciatura no meu instituto, o IST, ao mesmo tempo acumulando as funções de secretário de Estado. Imagine-se Sócrates despachando, por exemplo, o Freeport de Alcochete, lendo milhares de páginas de relatórios ao mesmo tempo que preparava o trabalho final de curso sobre hidráulica aplicada ou betão pré-esforçado, tendo de realizar experiências a tempo inteiro, e escrevendo minuciosos relatórios de projecto e investigação.
Não admira que a Ordem dos Engenheiros nunca tenha reconhecido os cursos da Independente. Espanta-me também o que vai alguém com ambições políticas fazer para a Independente. O que será mesmo: ambição do canudo? Canudo pelo canudo? É que um curso na Independente ou numa qualquer privada de uma república das bananas é a mesma coisa. Um licenciado da Independente não vale à priori como engenheiro e não tem grande currículo académico ou científico. Não está preparado para assinar projectos uma vez que não domina à priori as competências básicas da especialidade.
O que a Ordem dos Engenheiros faz nestes casos: para salvaguardar a sociedade das espécies de licenciados que saem deste tipo de escolas não concede a acreditação automática às licenciaturas. Isto uma vez que o Ministério da Educação não ia fazendo nada, e até lhe parecia convir esta situação, concedendo autorização à universidade para continuar. Parece que, ao mesmo tempo, este status quo convinha a muita gente de forma a obter cursos expresso e credibilidade canular em tempo relâmpago. Tolerava-se a Independente (e outras do mesmo género) e a espécie de licenciaturas que providenciava. Comercialmente era sucesso assegurado e repare-se que nem sequer era ilegal ou fraudulento em termos legais.
Entretanto os tempos mudaram, estamos em tempo de exigência e qualificação. Qualidade é o mote. Vem aí o MIT senhores engenheiros e "engenheiros". O que fará Mariano Gago neste contexto?
Será que Gago, professor catedrático do Instituto Superior Técnico, pesará que o novo reitor da Independente é doutorado há seis meses! Este último deve ser também um génio, um doutoramento pela prestidigitadíssima universidade de Badajoz (Deus meu). Será que não havia mais ninguém depois de, sobre os outros, pesarem acusações gravíssimas com detenções à mistura. E o pai do Satélite? Carvalho Rodrigues, que com a sua figura imponente emprestou fama mediática àquela que era a "sua universidade"... onde pára o Senhor Pai do Satélite? Em Bruxelas... e não fala. "Agora não fala", os alunos que se desenrasquem.
Feche-se o que nunca se deveria ter aberto. E depressa.
Sócrates e o canudo
Sobre José Sócrates: não há livros de termos, não há validação por conselho científico, não há comissão de equivalências, não há registos oficiais, não há cadeiras, não há licenciados nesse ano (de 1996), não há nada, perdão, ... há um certificado passado a um domingo! Há uns telefonemas aos jornalistas. Afinal por que se preocupa o PM com um curso da treta tirado numa universidade que todo a gente sabe ser da treta? Quem elegeu José Sócrates perguntou-lhe onde tinha tirado o canudo? Será que o único a achar importância ao assunto foi Sócrates? Será que só ele não percebeu que o canudo da Independente ou um curso da catequese dos escuteiros do Fundão são quase a mesma coisa? Será que não percebeu que o problema da credibilidade entre o meio académico das suas prrogativas lectivas estava resolvido há muito tempo? Mas o meio académico é o meio académico e o resto do país está-se nas tintas. Salazar era Doutor, Sócrates tem o curso da Independente. Agora os telefonemas, esses sim, cheiram que tresandam a doutoramento em intriga política escola PS, algures na Beira Baixa.
Não há volta a dar-lhe. Creio até que teria demonstrado muito mais engenho se o Sócrates tivesse mesmo tirado o curso sem por lá os pés, como o Einstein. Agora andar a enganar-se a ele próprio, ir de motorista oficial a altas horas da noite aturar uns manhosos duns professores como o Arouca e os outros (ao menos o Santana andava a beber uns bons copos) para ter o certificado passado a um domingo e sem livro de termos? Sem poder inscrever-se na Ordem? Mas que falta de profissionalismo. Ao menos que arranjasse um doutoramento honoris causa, como o outro, isso é que era engenho. Um homem cujo sonho era ser engenheiro, como o Guterres que tirou o curso no Técnico e teve vinte a análise para depois não saber qual era o PIB. Pobre Sócrates que andou a ser enganado este tempo todo, é de meter dó: encontou-se a autêntica vítima de uma cabala.
Aditamento
Depois de escrever este post, Mariano Gago anunciou o encerramento compulsivo (mas provisório) da Independente. Aplaude-se a decisão corajosa (mas provisória), a única a tomar por alguém que tem, além de inteligência, um currículo académico e científico exemplar. Não havia volta a dar (provisoriamente).
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27.3.07
O Salazarito que há em nós
Não, não é impune o medo de viver, o medo de existir. Não é impune a cólera surda da ignorância e da humilhação nos anões do Portugal de hoje.
Os Portugueses são senhores de um poder que não existe, num país de faz de conta, fugaz alucinação de esperança logo submersa pela inveja lamacenta e viscosa. Portugal é o paraíso da inveja: senhores de uma inveja notável os portugueses afundam-se uns aos outros e a quem cai na alçada dos detentores do poder imaginário, um poder que, se usado para servir os outros, ainda poderia ter alguma utilidade mas que apenas é usado para destruir e destruir e destruir.
A grande obra de arte deste Portugal de hoje é a mesquinha incapacidade de fazer e a inveja de quem pouco faz. Portugal que, mesmo assim, vai conseguindo subsistir milagrosamente como país de pedintes choramingas em negociações internacionais. Medíocres incapazes ou corruptos cúpidos, os portugueses são o espelho da miséria mesquinha de quem os governou durante séculos, são o barro moldado pelo rotativismo, pela primeira república, pelo salazarismo e pela incompetência e corrupção democráticas. Dá cá o meu, o primeiro lema, não sei e tenho raiva a quem sabe, o segundo lema de todo o "bom português". Todo lusito age e reage, sobretudo reage, por estes bons e consagrados lemas. Quem ousa pensar, sair do esquema, está perdido, condenado.
A hierarquia vinda dos tempos do Salazar, onde vigora o princípio da não discussão das ordens dos sargentos de segunda que nos têm governado, e que vão pisando, de acordo com as suas frustações, quem pensa pela sua cabeça, é a instituição mais sagrada. Não importa se uma discussão é válida, se as ideias dos outros são boas, se os governantes têm decidido a favor do Estado e dos cidadãos ou contra. Cidadãos esses que, bem seja dito, também se estão nas tintas para a maior parte das decisões.
O que se passa em Portugal é simples, os salazaritos de terceira decidem: "fomos eleitos para isso" e "ninguém deve discutir".
Quem sabe mais dos assuntos e quer analisar, discutir, informar o público das "ordens superiores" deve antes de tudo calar o bico, senão está a pôr em causa a "hierarquia" e a "desautorizar os chefes". Não se pode mexer na ordem podre desta gente medíocre que não tem coragem de dizer o que quer, e como quer, a quem lhes paga os ordenados do dinheiro dos impostos, porque não tem coragem para explicar o nada, nem tem autoridade moral e intelectual para discutir, com argumentos válidos, o que quer que seja.
Na cultura a única autoridade, com 0.1% do PIB nas mãos, é para destruir, não existe capacidade objectiva (e subjectiva, como se tem visto) de fazer.
Paolo Pinamonti foi corrido de forma grosseira do teatro Nacional de S. Carlos, estando o italiano disponível para continuar após seis anos a provar ter altas capacidades para o cargo, apenas porque discutiu as "ordens" dos tais senhores da hierarquia. Quem o descartou lesou gravemente o Estado e os cidadãos em termos da qualidade e referência internacional mas também em termos financeiros objectivos: Pinamonti estava na sua produtividade máxima e em tempo integral em Lisboa, Dammann vem em part-time a ganhar o mesmo.
Finalmente, quem decide assim lesa-se a si próprio e não é capaz de o enxergar. Será que os especialistas na utilização da palavra "hermenêutica" serão os piores a interpretar a expressão "balde do lixo da história"?
Compreendo perfeitamente porque Salazar ganhou o concurso do Maior Português. Salazar é o grande modelo dos portugueses: uns admitem, outros imitam. Creio que são preferíveis os assumidos aos recalcados. Apesar de merecida a sua vitória (ele é o modelo de todo um país), também não deixo de incluir António de Oliveira Salazar no "Grande Balde do Lixo da História Portuguesa", tem o prémio de ter conseguido deixar o país destruído e atrasado mais de cem anos e foi, obviamente uma grande figura a fazê-lo. As figuras ainda menos meritórias de Mário Vieira de Carvalho, julgando que tudo sabe, ou Isabel Pires de Lima, que anda a leste de tudo o que não acontece num raio de três quilómetros do Bolhão, não passam de figurinhas transitórias e ficam no "pequeníssimo balde do lixo da história portuguesa". Serão notas de notas de rodapé, ficarão apenas conhecidos pelas asneiras. Serão figuras incontroversas (ao contrário de Salazar) da calinada. Quem era aquele secretário de Estado que demitiu Pinamonti, o melhor director do S. Carlos no início do século XXI?
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19.2.07
Poder Autárquico Democrático
É facto que o português típico, inculto, sem sentido estético, espertalhão, invejoso, ganacioso e egoísta passou a dominar o poder local, uma democratização sem dúvida.
Um poder corrupto de gente que é o espelho de um país de gente corrupta, atrasada e analfabeta.
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1.2.07
A teia dos argumentos
Carlos Manuel Castro, no Tugir diz, implicitamente, que ninguém pode criticar a lei espanhola porque, pasme-se, na Catalunha as mulheres com mais de trinta e cinco anos apresentam uma maior taxa de gravidez, e são mães cada vez mais tarde. Segundo ele essa é uma idade "que muitos não consideram desejável". Tudo serve, mesmo os maiores disparates lógicos que, neste caso, são um perfeito atentado à inteligência do leitor.
Explico a falácia de tal argumento, a natalidade tem subido devido a alguns factores:
1. Maior qualidade de vida e desenvolvimento económico, levam a uma maior natalidade que se relaciona com a confiança no futuro. A natalidade em Portugal é baixa e será cada vez mais baixa, porque Portugal é um país triste, de gente triste, sem cultura, sem horizontes, em crise permanente, governado por corruptos e mentirosos que são iguais aos governados. Para romper uma baixa de natalidade é preciso em primeiro lugar uma profunda revolução, uma revolução cultural e de mentalidades, nada tem a ver com a lei do aborto. A Catalunha, ao contrário de todo o Portugal, é um território de alegria, de crescimento e de esperança.
2. As mulheres mais velhas podem agora ter mais filhos, isso tem a ver com as suas carreiras, e com uma entrada muito competitiva no mercado de trabalho que lhes dá poucas hipóteses de terem a maternidade na idade de maior fertilidade.
A lei espanhola do aborto facilita precisamente esta situação, as mulheres recusam a maternidade se isso prejudica as suas carreiras, quando se diz que: apesar da lei há mais natalidade, está-se a cometer um erro de julgamento e uma manipulação da realidade, essa lei contribui apenas para uma natalidade mais tardia.
3. A eficácia da medicina na resolução do problema da infertilidade que atinge mais de dez por cento da população e que numa sociedade onde existe maior poder de compra e apoio do sistema nacional de saúde vai também pesando no aumento da natalidade junto de mulheres mais velhas que engravidam pela primeira vez, ao contrário de Portugal.
Isto leva-me à questão do aborto e à sua premência política em Portugal. O aborto em situações sócio-económicas graves ocorre apenas num número reduzidíssimo de situações, tendo entrado em hospitais devido a complicações com aborto clandestino em 2006 menos de uma dezena de mulheres; ao contrário dos milhares de "desgraçadinhas" que se propalam por aí nas campanhas. A infertilidade afecta mais de dez por cento dos casais e ninguém se peocupa em defender as situações em que casais desfavorecidos tentam desesperadamente engravidar. O sistema nacional de saúde não tem contemplacões para essas situações trágicas e de grande sofrimento para muitas jovens mulheres e homens portugueses.
O aborto clandestino vai continuar a realizar-se porque as mesmas mulheres que abortam hoje, continuarão a abortar nas mesmas condições, não terão dinheiro para ir às clínicas para a classe média e alta. Em situações de problemas psicológicos, físicos, violações, riscos para o feto, o aborto já é permitido e mesmo assim o sistema nacional de saúde não responde muito bem, como será no caso de receber mil e oitocentos casos (ou mais) de pedidos de aborto indiscrimado?
Despenalizar não será solução para nada disto. Entretanto será que os casos de aborto a pedido terão prioridade sobre todos os outros casos do sistema nacional de saúde? Para mim seria um escândalo e uma vergonha para este país.
O pai não tem uma palavra a dizer nesta liberalização, o pedido é da mulher consagrando a total desresponsabilização do pai nestas circunstâncias. Que confortável para o Estado esta demissão, menos processos de paternidade, menos casos de Torres Novas.
Entretanto as mulheres com dez semanas e um dia de gravidez e que abortem, irão parar à cadeia? Com que critério?
No meu entender é tudo uma grande hipocrisia. Enquanto não se defender a maternidade e se apoiar essa mesma maternidade, a que se dá naturalmente e a que não consegue ocorrer, que afecta um número esmagadoramente superior de pessoas em Portugal, não se pode mudar uma lei que já defende a mulher e o feto, mesmo em situações extremas.
O que é mesmo necessário não é a liberalização, é essa revolução das mentalidades, a começar pelos defensores do aborto liberalizado e a pedido que, de acordo com as suas ideias modernas, deveriam ter as prioridades mais estruturadas nas suas esclarecidas e libertárias cabeças.
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26.1.07
Hermenêutica da pré-compreensão
As palavras chaves descoficadoras são: "hermenêutica da pré-compreensão", notável o poder clarificador de sua Excelência o Secretário de Estado.
Espero mesmo que seja o próprio a traduzir os libretos das óperas de "estrangeiro" para português. Com esta hermenêutica linguística teríamos o povo a aderir à ópera em massa, em massa, em massa, senhores ouvintes. Tudo, claro está, numa hermenêutica pré-compreensão que nunca passaria daí.
Um texto de grande clareza, em que diz imensa coisa que ainda não se sabia, como essa da hermenêutica e de se afirmar que a cultura pode ser "um factor de desenvolvimento regional". O resto está um bocado batido mas é sempre interessante ver a hermenêutica pré-decisão post-ontológica do político molestado, quase ofendido, pelas opiniões alheias à sua cogniscência e ao seu delírio de omnipotência, gerindo 0.4% do orçamento de Estado e pouco mais de 0.1% do PIB...
Isso passa-lhes, ou numa remodelação ou numas eleições futuras.
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23.1.07
Depoimento de Paolo Pinamonti
Eu, Paolo Pinamonti, na qualidade de Director do Teatro Nacional de São Carlos, encomendei a Emmanuel Nunes uma ópera em Fevereiro de 2002. A encomenda foi aceite pelo compositor.
Posteriormente, contactei a Fundação Calouste Gulbenkian e a Casa da Música para parceiros da encomenda e para co-produtores. É com satisfação que registo que este projecto, por minha iniciativa e do São Carlos, se realiza com o apoio de duas importantes instituições musicais portuguesas e do IRCAM de Paris.
Na qualidade de Director do Teatro Nacional de São Carlos tenho a responsabilidade de programar a actividade do Teatro e de avaliar as condições técnicas e artísticas de realização de cada projecto. Sempre foi assim e assim será de futuro, de resto, no âmbito do exercício normal das minhas competências. Entre Janeiro de 2003 e Setembro de 2004, a estreia da ópera foi adiada três vezes sucessivas a pedido do próprio compositor. Depois de ter sido concordada a nova data de 22 de Novembro de 2006, enviei ao compositor uma proposta de contrato, a 1 de Fevereiro de 2006, na qual, naturalmente, se encontravam definidas as datas para entrega dos materiais musicais. O compositor não assinou o contrato – até à data este permanece por assinar – e, mais uma vez, foi adiada a data de estreia. Depois de tantos adiamentos, foi meu entendimento que a estreia da ópera de Emmanuel Nunes teria de reunir todas as condições para se estrear no nosso Teatro, no final de Janeiro de 2008.
Lamento profundamente as afirmações proferidas pelo compositor Emmanuel Nunes ao jornal Público, nas quais transparece ter informações privilegiadas quanto a futuras mudanças na política do São Carlos.
Paolo Pinamonti
Etiquetas: Crítica, Emanuel Nunes, Fait divers, Gulbenkian, ópera, Pinamonti, Política, S. Carlos, Vieira de Carvalho
20.1.07
Emanuel o Aldrabão!
O que é certo é que Stockhausen em 2006 bem disse que não fazia a menor ideia de quem era Emanuel Nunes e que quem conhecia era Jorge Peixinho, que infelizmente tinha morrido. Não consta que Stockhausen seja infeliz no seu desconhecimento de Nunes ou que seja pior músico e intelectual por essa gravíssima lacuna. Eu concordo, eu não daria um chavo para assistir a uma ópera de Emanuel Nunes que não sei quem é, e se ópera não estivesse acabadinha com as partes vocais completas ainda menos pagaria um tostão ao senhor Emanuel. Acho essa história da ópera do Nunes uma rábula mal contada por parte do "grande compositor". Parece-me que o Stockhausen também não conhece o secretário Vieira de Carvalho que, pelos vistos, é amigo do peito de Nunes e que deve achar que a ópera está terminadíssima, agora que passaram mais um meses e estamos a entrar em 2007.
É realmente uma grande perda a morte de Jorge Peixinho. Segue texto da parte da entrevista sobre o assunto para memória futura.
O director [do Teatro Nacional de São Carlos] decidiu que a [minha] ópera não estaria terminada
Prevista para Novembro passado, a estreia da ópera que Emmanuel Nunes compôs a partir da obra de Goethe Das Mädchen foi adiada para 2008. O compositor explica porquê.
A que se deveu o facto de a estreia da ópera não ter acontecido?
Deveu-se pura e simplesmente à maneira de trabalhar do ainda director da Ópera de Lisboa [Teatro Nacional de São Carlos], Paolo Pinamonti. Mais concretamente, à sua falta de deontologia. Por razões de ordem política e contratual, de cantores, encenador, etc., sem o meu conhecimento, o director da Ópera de Lisboa decidiu que a ópera não estaria terminada. E em Março de 2006, i.e., sete meses antes da data prevista para a estreia, o mesmo director não tinha um único contrato de cantores, nem tinha encenador, e dizia, como podia, que o compositor não poderia acabar a obra. O compositor soube disto através de um agente.
De um agente de um músico?
De um agente de espectáculos de Londres, a quem um cantor que devia cantar a minha ópera perguntou se era verdade que a ópera de Emmanuel Nunes não podia ser terminada. Eu soube, portanto, por um método aplicado. Sem entrar em detalhe, tenho só duas coisas a dizer - primeiro: a maneira como fui tratado pelo director da Ópera de Lisboa chega para que eu exija condições mínimas de deontologia; segundo: como eu não pertenço nem apoio nenhum partido político, sinto-me muito mais à vontade para dizer o seguinte: a única pessoa oficial que considerou o problema da minha ópera, e que apoiou como pôde a questão de que ela deverá ser feita, foi o Mário Vieira de Carvalho, secretário de Estado. E digo isto porque, da minha parte, não é, de modo nenhum, um aspecto partidário; é simplesmente uma constatação. Foi ele que permitiu que a ópera não fosse definitivamente abandonada. Portanto, permito-me considerar esse ponto como importante. À parte isso, como é óbvio, manteve-se o apoio incondicional, a mim, da Fundação Gulbenkian e do Remix Ensemble/Casa da Música. A ópera é uma encomenda tripartida do Teatro Nacional de São Carlos, Gulbenkian e Remix/Casa da Música, em que o Remix tem uma parte importante na realização da ópera, como ensemble.
E a ópera já estava concluída na altura?
A ópera não estava concluída. À parte o material dos cantores, estava tudo pronto e acordado com o maestro Peter Rundel, com o Remix e com a Gulbenkian, com as pessoas que tocam directamente, portanto. Não havia material de cantores, porque o senhor director se recusa a fazer audições.
Prefere fazer convites?
Faz. E como quem escreveu a ópera fui eu, e quem a dirige é o Peter Rundel, e ambos precisamos de audições... Seis meses antes da estreia, não havia um único contrato de cantores.
Acordou-se uma nova data, depois da intervenção do secretário de Estado.
Das intervenções!
E já foram feitas as audições?
Não!
Mas estão previstas?
Penso que sim, na medida em que penso que o São Carlos mudará de política brevemente. As datas são 25, 27 e 29 de Janeiro de 2008.
Etiquetas: Crítica, Emanuel Nunes, Fait divers, ópera, Política, S. Carlos, Vieira de Carvalho
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