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28.3.09

Todo ele um fórum - todo ele um penteado 

António Pinto Ribeiro [ministro nome trocado], é todo ele um fórum, é todo ele um penteado, é todo ele um fórum penteado, é todo ele um discurso, é todo ele um discurso penteado, é um discurso em forma de fórum, é um penteado em forma de discurso. A sua política cultural é toda ela um fórum, um fórum penteado, uma política do discurso em forma de penteado, é um fazer mais com menos em forma de penteado, é uma franja no topo de um fato, um fato penteado em forma de fórum. É assim a política cultural de Pinto Ribeiro [ministro nome trocado], uma política que é discurso em forma de franja em cima de um fato. Toda ela um penteado, toda ela um fórum.
Que grande ministro, o deste penteado!
Que bela política, esta franja!

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13.3.09

Casamento gay à vista 

Portas mostra-se aberto a casamento governativo com Sócrates. Vendendo todos os princípios por simples ganância de poder, Portas envia um recado aos seus potenciais eleitores: se não querem Sócrates no poder é melhor votar no PSD que o CDS já se colocou em posição. Dá a impressão que tudo vale para chegar à mangedoura do orçamento e das negociatas do Sr. José Sousa.

Estou interessado em saber qual a posição de Portas face ao casamento homossexual, tema caro a Sócrates e que será um dos cavalos de batalha das próximas eleições. Será que temos o casamento gay à vista após as eleições e com o voto do CDS? Será que os eleitores centristas, muito concervadore por tradição, vão dar carta branca a Portas para viabilizar o casamento gay de Sócrates depois deste ter liberalizado o aborto e ainda o pagar na totalidade pelo Sistema Nacional de Saúde? Ou será que o CDS está condenado a ser um partido em vias de extinção e dar os poucos votos de que dispõe ao PSD?

Manuela Ferreira Leite ri-se e agradece.

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7.3.09

Ainda o Freeport 


A história da fábrica de pneus da Firestone no lugar do Freeport tem servido para justificar o crime ambiental.

Existia em Alcochete, junto ao Tejo, uma fábrica desactivada e degradada o que daria uma excelente oportunidade para reabilitar uma zona ribeirinha junto ao estuário do Tejo e devolver a mesma à Natureza, tão massacrada naquela zona.
A fábrica estava numa zona sensível e o facto de existir a sua ruína não justifica de todo uma maior carga e uma maior destruição da zona ribeirinha. É precisamente esse um dos argumentos do governo actual para dizer que tudo está bem naquele monstro. Para mim é exactamente um argumento contra o Freeport, aquele lugar é tudo menos indicado para aquele modelo pacóvio de desenvolvimento e que cheira à légua a crime ambiental, senão a outros... A existir uma fábrica a funcionar ainda haveria alguns motivos para a manter, no estado destruído em que estava nada devia impedir a extensão do parque natural.

O ministro do ambiente em Portugal, que devia chamar-se ministro dos "PINS e ambiente para disfarçar", serve, e tem servido desde Sócrates, para dar cobertura aos maiores crimes com a capa dos estudos de impacto ambiental encomendados para servir os melhores interesses. Perguntei num almoço de amigos se conheciam o nome de Nunes Correia, a resposta foi clara: é uma velho alfaiate na baixa pombalina, na esquina da rua Augusta com a de Santa Justa, e que está actualmente a praticar preços incríveis. Toda a gente fala do "Nunes Correa"... da baixa!

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Vigarices 

Se eu, como accionista do BPI, visse o Fernando Ulrich a pagar com o dinheiro do banco um bem por mais cento e quatro milhões de euros do que o seu valor real e depois o inscrevesse nos resultados pelo valor pago e não pelo valor real, acharia que havia vigarice da grossa. Além disso consideraria que existia manipulação de resultados e uma claríssima fraude. Teria legítimas razões para ficar indignado por ter sido roubado descaradamente e ainda mais por me tomarem por parvo.

O leitor, como dono da Caixa Geral de Depósitos, como se sente face ao mesmo comportamento da actual gestão de Faria de Oliveira?

Quantos mais casos haverá na Caixa?

Qual a real situação da Caixa? Isto depois de dezenas de anos de gestões de criaturas, às quais não confiaria a minha carteira, sem grande currículo mas muitos amigalhaços na política. A não ser que ter andado a roçar o traseiro pelo parlamento, pelas secretarias de Estado e alguns ministérios seja qualificação para ser gestor de um grande banco.


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19.2.09

Câmaras 

Antena 1, hoje, "Elisa Ferreira apresenta-se como candidata à Câmara do Porto." As grandes diferenças? "Tudo, sou uma mulher"... E projectos? "Ahhh, enfim, ainda não apresentei o projecto, ehhh... mas existe uma mundividência totalmente diferente, rebéu rebéu béu..."

Entretanto o Costa de Lisboa, irmão do outro da SIC, é a maior fraude política de todos os tempos, lixo, lixo e mais lixo, jardins nos últimos estádios da degradação, crateras em ruas de toda a cidade que ninguém tapa, insegurança, serviços ineficientes, total e absoluta ausência de política cultural, marasmo e mais marasmo, negociatas com os milhões de contentores enfiados no coração de Lisboa bloqueando o rio com o beneplácito to Zé e dos outros, negociatas do sempre-à-mão Zè (recordar sempre e sempre que bloqueou o túnel só para chatear) negociatas com os palácios para arrebanhar mais uns cobres não se sabe bem para quê, desculpas sobre as obras de onze anos do Metro para justificar o corte do Terreiro do Paço por mais quatro meses (anos). Afinal o homem não ganhou a Câmara por falta de comparência já há dois anos? Não tinha tido tempo para coordenar as obras do Terreiro do Paço com o final das obras do Metro?
Todos os meis amigos sabem do meu total desprezo por Santana Lopes como político, mas entre este espantalho político socialista e o menino guerreiro prefiro sem dúvida o último. É evidente que se Lisboa continuar assim e as obras se eternizarem, como é natural e óbvio que aconteça, a campanha de Santana será um passeio triunfal. Enganem-se os políticos à la Carrilho. De qualquer modo, por uma questão de princípio, nenhum destes dois políticos e seus respectivos partidos políticos vai ter o meu voto.

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9.2.09

Os Coelhos 

O último coelho foi esta do "tirar aos ricos para dar à classe média". A banha da cobra continua...

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23.1.09

Tios e Sobrinhos 

Fortunas de milhões, sobrinhos taxistas na Suiça, tios empresários em Cascais. Offshores e contas numeradas. Áreas protegidas que afinal não o são assim tanto e deixam de o ser de acordo com momentâneas conveniências. Cursos da treta tirados de forma suspeita. Ministros do ambiente para disfarçar...

Qual será o coelho que vai sair da cartola de José [Sócrates] Sousa?

Prevejo uma medida surpreendente e inusitada para os próximos dias, é necessário distrair...

Estou cansado.

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10.1.09

António Pinto Ribeiro [ministro nome trocado] 

Pinto Ribeiro [ministro nome trocado] continua na senda do "Fazer mais com menos". Retirou o subsídio de 250.000 euros ao Círculo Portuense de Ópera e disse mais ou menos assim:
- A Casa da Música recebe muito dinheiro, eles que façam a ópera!
E questionado sobre a inexistência do fosso e teia na complexo de salas de concerto que constitui a Casa da Música Pinto Ribeiro [ministro nome trocado] acrescentou: eles que façam no Coliseu!

Suponho que a massa deva ir para pareceres jurídicos ou qualquer outra coisa importante, como uns automóveis melhores para o Ministério da Cultura [ministério nome trocado].

Mas será que eles não percebem que uma coisa são salas de concerto e programadores e produtores de concertos e outra são salas de ópera e produção de ópera? Não percebem que existem estes dois conceitos? De onde saiu este Pinto Ribeiro [ministro nome trocado]?

E depois disto tudo ainda somos informados que Pinto Ribeiro [ministro nome trocado] ainda tentou demover Ricardo Pais de se reformar!

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9.1.09

Incompetência Assumida 

Na entrevista de José [Sócrates] Sousa à SIC foi referido que o Estado tinha devolvido fundos comunitários no valor de seiscentos milhões de Euros destinados à agricultura em 2008 para se poder poupar cento e sessenta milhões de euros que o mesmo Estado teria de investir.
José Sousa disse que teve de ser assim para controlar o défice...
Mas será que ninguém explicou a estes senhores que apenas o IVA sobre o total dos investimentos, correspondentes a compras de equipamentos e serviços (que no caso de investimentos com fundos comunitários têm de ser documentados e contra factura), seria cerca de 155 milhões! Isto, sem contar com outros factores decorrentes do investimento, traria o retorno quase completo dos tais cento e sessenta milhões a "poupar" para controlar o défice.
Será que nenhum jornalista ou blogueiro percebeu a falácia que disfarça a mais completa e absoluta incompetência destes governantes?

Só este pedaço da entrevista seria motivo para o maior dos escândalos em qualquer país um pouco mais civilizado...

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27.5.08

Curso acelerado de demagogia 


Estou surpreendido com algumas observações feitas por figuras públicas. Comento...

Curso de lógica

Sócrates diz que se baixar os impostos dos combustíveis as "pessoas que não andam de automóvel passam a financiar a gasolina dos que andam de carro"!

A par do inglês técnico e do curso por FAX (há que ser moderno, antes era por correspondência) do primeiro ministro, não seria melhor ter tirado um curso acelerado de lógica? Não será antes o contrário? Com 70% do preço do combustível formado por impostos não serão os que andam de carro que andam a pagar pelos que andam a pé? Enfim, para se ser um bom demagogo há que inventar silogismos e outras aldrabices mais conseguidas, assim Sócrates, como em tudo o resto, não passa de um demagogo de "meia-tijela".

Lição de um bom verdadeiro demagogo

Mário Soares não precisa de lições, ele é doutorado honoris causa em inúmeras universidades, e não pelos méritos académicos. Soares é doutorado pela acção pela liberdade, por ter sido presidente e primeiro ministro, por ser da internacional socialista, por ter amigos em todo o lado, aquilo que se eufemisticamente se chama rede, e por mandar umas piadas com graça e umas boutades em almoços e jantares por esse mundo fora, ou seja, Soares é doutorado honoris causa em demagogia por muitas universidades desse mundo. Credenciais não lhe faltam, hoje deu mais uma lição, num artigo no DN onde se lê:

Já uma vez, nestes últimos anos, escrevi e agora repito: "Quem vos avisa vosso amigo é." Há que avançar rapidamente - e com acerto - na resolução destas questões essenciais, que tanto afectam a maioria dos portugueses. Se o não fizerem, o PCP e o Bloco de Esquerda - e os seus lideres - continuarão a subir nas sondagens. Inevitavelmente. É o voto de protesto, que tanta falta fará ao PS em tempo de eleições. (Mário Soares in DN de 27 de Maio de 2008)

Pois é, "quem te avisa teu amigo é", e se a linguagem socialista não chega a José Sócrates Pinto de Sousa, esse socialista de "meia-tijela", a dos votos deve chegar. A grande lição a tirar deste doutorado em demagogia é: "os pobrezinhos votam, se vivem mal ou bem isso é acessório, o problema são os votos de protesto, se a rapaziada do PS no governo não der uns rebuçados aos pobres, eles vão a correr votar no Bloco e no PC, isso é que não".

Boa lição, este Soares não tirou o curso de socialista e o doutoramento em demagogia "numa agência de comunicação" (Manuel Alegre ontem). O Pinto de Sousa que ponha os olhos nestes mestres...

Mais a sério: detecto uma falha no texto de Soares, a única, este parágrafo preocupado com os votos e a dar conselhos a Pinto de Sousa, a preocupação essencial deveria ser a da questão social e nunca centrar o discurso na questão dos votos e dos problemas de poder do Partido Socialista e do seu líder.

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1.12.07

O Quadro de Tiepolo e Paulo Henriques 

Notas sobre a novela do Tiepolo comprado pelo Estado português.

A ministra da cultura, Pires de Lima, disse que nada sabia do assunto, isto após repetidas notícias na imprensa. Lima deu a entender que o assunto estava encerrado por falta de orçamento e por total desinteresse e ignorância culpando os malfadados "serviços" de não a informarem. Bairrão Oleiro e Paulo Henriques pelos vistos andavam distraídos.
Rebentada a bronca pela imprensa o novel director do museu de Arte Antiga disse que faria tudo para obter o quadro. O tudo de Paulo Henriques foram umas férias no Brasil de 26 de Novembro a 6 de Dezembro.

A escandaleira foi tão grande que, após a pressão dos media, o senhor Sousa lá resolveu mandar abrir os cordões à bolsa.

Moralidade(s) da história:
a) Se a imprensa não tem falado do assunto era mais um pedaço do nosso património que se ia. O quarto poder a exercer o seu dever de cidadania é algo que merece um rasgado elogio.
b) O governo age por reacção à comunicação e a única estratégia que conta é a de aparecer na comunicação. Não temos um governo, temos uma super-agência de comunicação e manipulação.
c) Paulo Henriques, Bairrão Oleiro e a ministra nem sabem nem contam para nada e o que dizem, ou fazem, é absolutamente irrelevante. O director do mais importante museu português dá-se ao luxo de ir a banhos para o Brasil em plena crise.

Sic transit gloria mundi.

P.S. Pensando bem, hummm, acho que o homem fez tudo para que o quadro se comprasse: foi para o Brasil a banhos. Provavelmente se tivesse ficado cá o o quadro não se comprava, sábia decisão.

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23.11.07

O atrevido 

O ministro da justiça, um homem que não se sabe bem o que anda a fazer para ali, disse que o Procurador Geral da República tinha falado por desconhecimento ou atrevimento sobre o estatuto dos magistrados.

É natural que fale assim, o ministro que quer ver os magistrados como subalternos, já fala de Pinto Monteiro como se o PGR estivesse abaixo na hierarquia: "atrevido ou ignorante" são mimos fortes, devem ser os termos remniscentes dos usados nas juventudes partidárias entre a rapaziada.
Creio que faltam ao ministro espelhos, pior, a posição do procurador está acima do ministro e a falta de boa educação e de respeito institucional mostram o real calibre deste homem que ocupa o lugar de ministro da justiça membro de um governo autoritário sem autoridade.

O défice de autoridade intelectual e ética do ministro face ao Procurador é evidente. Como o rabo escondido nas propostas do governo foi descoberto, recorre ao insulto grosseiro para tentar tapar o sol com uma peneira. Antes recorreu ao banho para calar os polícias, será que, se pudesse, também mandaria a polícia dar um banho ao Procurador?

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22.9.07

Medíocre é o Pulido Valente 

O Pulido Valente vem falar de Aquilino Ribeiro, diz que é um escritor medíocre. Logo a seguir, uma turba de medíocres, muito piores que o Vasco e que nunca leram o Aquilino, vem atrás do soba e aproveita os disparates do Vasquinho Correia Guedes para alarvemente mandar os arrotos da praxe e chafurdar no esterco habitual.

Aquilino foi, isso sim, um bandido, um mau bandido mas um medíocre bandido, bem haja por isso, o que nada tem a ver com a sua escrita.
Tenho lido Aquilino com prazer, "O Romance da Raposa" foi o meu primeiro livro era eu menino de bibe, muitos outros se seguiram. Às vezes a sua ânsia de regionalismos torna-o demasiado paroquial e fechado sobre a sua língua beirã o que reduz fortemente a sua dimensão. Compare-se Aquilino a Cardoso Pires, a escrita tortuosa de um e a escrita vertical, complexa no conteúdo mas simples no vernáculo, do outro e percebe-se facilmente a diferença entre um bom escritor e um génio.

Nada disto tem a ver com o Panteão, existem muitos melhores escritores do que Aquilino. Aquilino não foi escolhido por ser um bom escritor. Foi escolhido, entre outras coisas, por ter sido um bandido enquanto jovem. Foi escolhido para credibilizar um regime e a classe política com uma figura identificativa de esquerda q.b., aquilo a que se costuma chamar um "homem vertical", e teve unanimidade no parlamento. Infelizmente para todos nós, o bandido Aquilino está muito acima da gentalha que foi buscar o seu esqueleto ao saco dos esquecidos do cemitério dos Prazeres. O Panteão serve para o circo do regime e a vaidade de umas quantas figuras públicas, nada tem a ver com a nossa identidade nacional, que também nada tem a ver com estes políticos.

Os serviços do Panteão não são religiosos e a casa não é de culto, servem a histeria colectiva que seguiu a Amália e servem de circo para a palhaçada do regime da mediocridade em que se tornou Portugal.


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17.9.07

Justiça? 

Den Mörder Barrabas, den Bösewicht,
den gibt Pilatus los?
Barbar, bist du verblendet?
Kennst du als Richter keine Pflicht?
Wird die Gerechtigkeit so ungsdcheut geschändet?
Den Mörder sprachst du los? Den Bösewicht?
Und Jesus wird verdammt? Ein menchliches Gericht!

Gotfried Augustus Homilius 1714-1785 - Kreuzcantor de Dresden
Paixão segundo S. João, HoWV 1.4


Esta é a noção antiquada do que é a justiça por um homem do século XVIII.

Pilatos, libertas Barrabás em lugar de Jesus. Libertas o assassino, o malvado. Deixas o justo condenado? Bárbaro, estarás cego? Conheces o dever de um juiz? Terá a justiça de ser servida de forma tão vil? Deixas o assassino sair em liberdade? O malvado?

Fica a nota sobre Homilius, um compositor notável, reconhecido como o "maior compositor de música de igreja da Alemanha", sairam recentemente duas Paixões de Homilius, obras em estreia mundial em gravação. A etiqueta é a Carus. São obras a não perder.

Fica a indignação pela libertação dos assassinos, violadores, ladrões e vigaristas. Infelizmente os maiores bandidos, os verdadeiros bárbaros, os incompetentes, os venais, já estavam à solta. Foram os segundos que libertaram os primeiros: os desgraçados que sairam para voltar a matar, roubar e violar; provavelmente voltarão para dentro um destes dias depois de mais umas mortes, umas violações, uns assaltos à mão armada e umas burlas com as pensões das velhinhas. Os maiores bandidos continuarão soltos, são aqueles a quem é destinado julgar e não o fazem. Bárbaros, estarão cegos?

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14.9.07

Um pequeno país, gente pequena 

Luís Amado não recebe o Dalai Lama por razões "conhecidas de todos" e "óbvias". O professor Cavaco não tem agenda, o primeiro ministro Sr. José Sousa alinha nas razões óbvias e bem conhecidas do ministro dos estrangeiros português, anda entretido a distribuir portáteis nas escolas. Portáteis que hoje em dia são como os fontanários do velho Américo Tomás. Talvez assim os jovens portugueses não tenham de ir para universidades da treta e tenham uma real e efectiva qualificação, isto se os portáteis oferecidos por marcas de operadores móveis e exibidas pelos governantes como se modernos vendedores de banha da cobra, engravatados e excessivamente bem pagos, não forem usados para jogar e ver pornografia na internet. Talvez assim os jovens não tenham de andar a mentir sobre as suas habilitações profissionais para conseguir progredir numa qualquer carreira política acabando como ministro e ao mesmo tempo como delegado de promoções de uma qualquer operadora móvel. Os portáteis talvez contribuam para uma efectiva qualificação e mesmo que os jovens não vão para uma universidade podem sempre ter uma vida digna sem terem vergonha do que fazem e das habilitações que nem todos podem ter. Os portáteis são fáceis de dar mas o que parece ser muito mais difícil, e seria muito mais barato, é dar bons exemplos.

Na Assembleia da República é Gama que recebe Tenzin Gyatso "como Dalai Lama Líder Espiritual" e não como o prémio Nobel da paz e líder de um país esmagado pela bota chinesa, único porta voz de um povo contra a força bruta da ignomínia e da tirania chinesa.

A cobardia tem muitas formas de se esconder e utiliza vários nomes "óbvios" como desculpa.

Infelizmente este pequeno país já não tem a grandeza de outrora o que lhe dita complexos de inferioridade, tantas vezes disfarçados sob a capa de arrogância e tiques de autoritarismo dos seres ínfimos que nos governam.

Mas Portugal foi sempre um pequeno país com poucos habitantes. A sua grandeza passada resultou apenas da força dos portugueses de então, da sua coragem, da sua determinação em vencer os obstáculos, da tremenda resolução face à adversidade, da força para combater inimigos imensamente poderosos. Granjeámos respeito dos impérios, entre os quais do chinês. Mas isso foi em tempos, hoje os nossos governantes estão de cócoras, o país está de cócoras. Parece que os únicos que ainda resistem são um punhado de jogadores de rugby que chora convulsivamente ao som de um hino republicano que, diga-se en passant, representa o passo final da nossa decadência como país. Choram e pouco mais fazem, mas pelo menos vão a jogo.

Hoje, que restam apenas memórias das glórias passadas, a única forma de nos fazermos respeitar é pela força da nossa dignidade, é pela verticalidade da nossa fibra. Aqui não há meio termo, não há "meio cobardes" tal como não há gente "muito honesta". Ou se tem fibra ou não, ou se é honesto ou não, não há cinzentos. O que não precisamos é de mais cobardes e de mais aldrabões, basta! Podemos perder uns tostões mas perder a honra fica muito mais caro.

Há realmente "razões conhecidas de todos" são "as óbvias" e bem conhecidas razões da cobardia.

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17.7.07

Saramago está mesmo gagá 

Se Saramago não estivesse gágá há muito tempo seria apenas mais um traidor. O homem que casou com uma espanhola e se esqueceu de registar a união vem agora falar de uma união ibérica? Que, de facto, seria uma anexação. É óbvio que o velhote já não está bem da cabeça, coisa que se nota há mais de vinte anos, e se tem de ser desculpado do crime de traição, não se livra do crime da patetice.

Quanto muito os espanhóis poderiam pedir para se tornarem portugueses e exigir Lisboa como capital com o brinde de terem um Costa como alcaide, dando em troca o terrorismo da ETA, e os outros todos, num prato de prata, e a maior taxa de violência conjugal do mundo. Isto e andarem aos gritos na rua a altas horas da noite é o pior da Espanha actual, o que me leva a crer ser uma acção nefasta de aculturação castelhana, porque a berraria tem lugar desde a Catalunha ao País Basco, passando por Valência e Andaluzia. Os mais comedidos são mesmo os galegos que deviam ser portugueses desde sempre.
Depois de oitocentos anos a sacudir os selvagens dos castelhanos não seria agora que deixaria de ser traição o derrotismo de pedir a anexação face a Castela por razões estritamente económicas.
Apesar dos políticos portugueses subsiste ainda o Fernando Pessoa e a utopia de ser português, uma utopia que surge também por termos batido o pé ao agressor do nosso vizinho maior, um orgulho que um qualquer vendido, apesar do Nobel, não me tira.

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16.7.07

Schopenhauer citando Voltaire 

"Temos apenas dois dias para viver: não vale a pena passá-los arrastando-nos aos pés de patifes desprezíveis." [Voltaire] Infelizmente, diga-se en passant, patifes desprezíveis é um predicado para o qual, neste mundo, existe um número assustador de sujeitos.

Schopenhauer

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15.7.07

Cinquenta e Sete mil e picos 

Nem sequer sessenta mil votaram em Costa. Eu não votei, não tive paciência para deixar uma piscina a trinta e um graus e meio para me meter no carro e andar quarenta quilómetros, duas horas mais cedo, para colaborar numa palhaçada. A palhaçada da democracia portuguesa. Nenhum candidato valia o esforço, nenhuma opção valia uma saída da água ou um segundo a menos a contemplar o campo. Sentir-me-ia aviltado, conspurcado, por esse esforço em prol da farsa da democracia portuguesa.
Um Carmona a mais ou a menos, um PS de Felgueiras, tudo já me é indiferente, o nojo é tal que apenas o pessimismo toma o lugar. Não foi por falta de esclarecimento que não votei, foi por excesso de esclarecimento. Tomei demasiado Schopenhauer, abusei demasiado de Wagner, consumi excessivamente Bach. São os efeitos secundários do génio que me deixam indiferentes ao lodaçal infame desta gentalha.

Depois vi, por breves instantes, os que nos tomam por palhaços a celebrar, isto mais uma meia dúzia de apaniguados e uns candidatos a assessores. Desta vez não houve direito a vaias e assobios. Os quinhentos mil que não votaram em Costa estavam-se nas tintas. Apesar da celebração, apesar da não participação da esmagadora maioria da população, que acredito eu, também não votou por ter percebido que não vale a pena, os tartufos do costume celebram vitórias e choram derrotas. Nenhum percebeu que o verdadeiro descontentamento está no descrédito do sistema. Ninguém percebeu que dar uma volta, lavar o carro, ir ao café, que a praia até estava má, são razões demasiadamente fortes para que nos demos ao trabalho de votar numa chusma de aldrabões, corruptos e vigaristas.

A abstenção surge porque já ninguém acredita nestes políticos e neste sistema. Até quando?

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28.6.07

Mais Ota 

Alguém duvida que, apesar da excelente solução de Alcochete, a Ota vai ser a escolha?
É que mil e quinhentos milhões de euros a mais, contas por alto, para o lobby do betão dão para mais de vinte anos de financiamentos em luvas e luvinhas. Isto é política à séria, não é para meninos!
Acha o leitor que o interesse nacional pesa alguma coisa nas decisões dos políticos?
Outra coisa muito simples é esta: qual a pressa de andar a decidir fazer uma aeroporto agora quando a Portela satura, se saturar, em 2017. Um aeroporto em Alcochete leva dois anos a fazer. Um aeroporto é constituído, basicamente, por uma grande barraca e umas pistas. Qual a razão da pressa destes senhores? O leitor já se interrogou?

No tempo do Marquês de Pombal, o serviço público era encarado como uma forma natural de enriquecimento, era assim mesmo, sem qualquer pejo, mas havia mais tempo para enriquecer, décadas, hoje as legislaturas são mais curtas, tudo é efémero.
Viva Portugal.

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Finalmente uma lei que defende o charuto! 

Não gosto de cigarros, o cheiro incomoda, o fumador de cigarro é um vicioso que fuma em todo o lado, um desgraçado, um agarrado que se deprime nos aviões, que faz atrasar os amigos em grandes viagens porque vai para aqueles cubículos dos aeroportos como quem tem uma irresistível vontade de ir à casa de banho. Desprezo a falta de vontade do fumador de cigarro, desprezo a sua fraqueza, desprezo o seu desrespeito sistemático pelos outros, por velhos crianças e doentes, sempre que puxa de um cigarro ao balcão e expele dos resquícios gasosos dos seus vícios doentios.
Já o fumador de charuto, por sinal eu, fuma por verdadeiro prazer, tem cuidado de manhã nos locais onde toma o pequeno almoço, não fuma em locais apertados, tem cuidado em não incomodar o próximo, é uma espécie de cruzador entre os fumadores, podendo fumar por longas horas um charuto que atravessa diversas fases aromáticas. Eu, como fumador de charuto tenho de agradecer aos hipócritas dos deputados, aos lobbies dos fumadores de cigarros, à habitual forma de ser troca-tintas portuguesas que finge fazer leis para proteger o próximo quando de facto está apenas a proteger o direito dos fumadores ao seu charuto.
Antes desta lei sentia-me constrangido ao fumar o meu charuto num restaurante, num café pequenino onde crianças e velhotes tentavam beber o seu leitinho em paz. Agora, daqui a seis meses sei que em todos os pequenos restaurantes e cafés, a maioria e os melhores, posso certificado e legalmente puxar do meu Churchill ou do meu Lancero sem que ninguém chateie, e se o fizer leva com uma baforada em cima. Vou andar com uma cópia da lei na carteira para alegremente mostrar a quem me quiser impedir o direito de fumar uma charutada onde me der na real gana, apesar de pequenas minudências como asmáticos, fumadores de cigarros, que por uma razão estranha me olham com ar bovino e incomodado quando puxo do charuto no restaurante onde começaram antes a fumar cigarros, velhinhos e criancinhas de colo. É para saberem o que é bom!
Num local maior, uma nave para bebedores de cerveja por exemplo, sítios que raramente frequento, tenho também o meu "direito reconhecido ao charuto", este país é lindo.
Por uma vez gosto dos deputados deste país, posso dizer alegremente:
- Viva Portugal, Viva.

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