
19.4.09
Parabéns a Mário Vieira de Carvalho Uma carta recebida por leitor identificado!
Recebi este email que não posso deixar de colocar no blog:
Sr. Crítico dos Crítico, condeno o seu blogue por dizer mal do sr. professor doutor académico Mário de Veira de Carvalho e venho escrever-lhe pedindo que coloque no seu blogue este email.
"assinado e tal e tal"
A propósito desta Agrippina no S. Carlos endereço daqui os meus cumprimentos a Mário Vieira de Carvalho, pelo contributo do ex-secretário de Estado da cultura na actual situação do Teatro Nacional de S. Carlos pondo na rua um director pouco presente e pouco competente, pouco esforçado e mau profissional: Paolo Pinamoni, substituindo-o por esta luminária da cultura europeia que é Christoph Dammann.
Mário Vieira de Carvalho depois da obra que fez, amplamente reconhecida, ainda se dá ao luxo, incomoda-se e dá-se à canseira de botar bitaites e recados e de andar a escrever nos jornais e mandar emails. É preciso ter coragem, força de carácter, perseverança e energia pela causa pública. É obra!
Entretanto Mário Vieira de Carvalho desdobra-se e faz queixas ao provedar da rádio pública queixando-se do actual director adjunto da Antena 2 na perspectiva de que uma rádio deve ser um repositório musicológico-hermenêutico. Gostava imenso de ter o privilégio de poder escutar uma rádio dirigida pelo senhor hermenêutica em pessoa. Porque não convidá-lo a dirigir a Antena 2 durante um mês? Pela experiência do S. Carlos creio que seria outra obra para ficar no orgulho nacional.
Finalmente deploro a actual direcção da rádio pública: multiplicar as transmissões em directo? Apoiar os artistas e músicos portugueses em concertos e mais concertos? Subir as audiências no primeiro trimestre de 2009 para o maior valor de sempre da rádio clássica? Horror dos horrores isso é popularizar a rádio, banalizá-la, destruir a sua herança... O ideal era ter uma rádio académica-musicológico-hermenêutica em que todo o dia se enaltecessem as virtudes musicológicas de Mário Vieira de Carvalho e os méritos da demissão de Paolo Pinamonti e as excelsas virtudes de Christophe Dammann à frente do Teatro de S. Carlos. Proponho mesmo que João Almeida seja demitido e a Antena 2 se passe a chamar "Rádio Hermenêutica, a verdadeira rádio académico-musicológica".
A Mário Vieira de Carvalho, a esse especialista em rádio, a esse inato director de teatros de ópera, a esse polemista excelso, ficam os meus sinceros parabéns!
Sr. Crítico dos Crítico, condeno o seu blogue por dizer mal do sr. professor doutor académico Mário de Veira de Carvalho e venho escrever-lhe pedindo que coloque no seu blogue este email.
"assinado e tal e tal"
A propósito desta Agrippina no S. Carlos endereço daqui os meus cumprimentos a Mário Vieira de Carvalho, pelo contributo do ex-secretário de Estado da cultura na actual situação do Teatro Nacional de S. Carlos pondo na rua um director pouco presente e pouco competente, pouco esforçado e mau profissional: Paolo Pinamoni, substituindo-o por esta luminária da cultura europeia que é Christoph Dammann.
Mário Vieira de Carvalho depois da obra que fez, amplamente reconhecida, ainda se dá ao luxo, incomoda-se e dá-se à canseira de botar bitaites e recados e de andar a escrever nos jornais e mandar emails. É preciso ter coragem, força de carácter, perseverança e energia pela causa pública. É obra!
Entretanto Mário Vieira de Carvalho desdobra-se e faz queixas ao provedar da rádio pública queixando-se do actual director adjunto da Antena 2 na perspectiva de que uma rádio deve ser um repositório musicológico-hermenêutico. Gostava imenso de ter o privilégio de poder escutar uma rádio dirigida pelo senhor hermenêutica em pessoa. Porque não convidá-lo a dirigir a Antena 2 durante um mês? Pela experiência do S. Carlos creio que seria outra obra para ficar no orgulho nacional.
Finalmente deploro a actual direcção da rádio pública: multiplicar as transmissões em directo? Apoiar os artistas e músicos portugueses em concertos e mais concertos? Subir as audiências no primeiro trimestre de 2009 para o maior valor de sempre da rádio clássica? Horror dos horrores isso é popularizar a rádio, banalizá-la, destruir a sua herança... O ideal era ter uma rádio académica-musicológico-hermenêutica em que todo o dia se enaltecessem as virtudes musicológicas de Mário Vieira de Carvalho e os méritos da demissão de Paolo Pinamonti e as excelsas virtudes de Christophe Dammann à frente do Teatro de S. Carlos. Proponho mesmo que João Almeida seja demitido e a Antena 2 se passe a chamar "Rádio Hermenêutica, a verdadeira rádio académico-musicológica".
A Mário Vieira de Carvalho, a esse especialista em rádio, a esse inato director de teatros de ópera, a esse polemista excelso, ficam os meus sinceros parabéns!
Etiquetas: Antena 2, Ironias, Sr. Hermenêutica, Vieira de Carvalho
30.3.09
Paradoxos
Robert King foi preso por pedofilia, cumpre agora a sua pena de quase quatro anos a que foi condenado em 2007.
Paul McCreesh gravou um disco com música de Handel para a DG com Rolando Villazón, parece que nenhum deles foi preso, pelo menos até agora...
Paul McCreesh gravou um disco com música de Handel para a DG com Rolando Villazón, parece que nenhum deles foi preso, pelo menos até agora...
Etiquetas: Crítica de discos, Ironias
12.2.09
O hermetismo
O hermetismo esfíngico da ironia é algo verdadeiramente supremo.
Estou convencido que um texto curto, de hermenêutica desconcertante e difusa, simples na mera aparência, chocante na abordagem, faz mais por um debate do que poses inflamadas e mangas arregaçadas em tonitruantes parangonas seguidas de longas perorações. A parábola é evidente, destina-se aos simples, o labirinto é complexo, é secundário, terciário, e por diante...
Mesmo que o autor tenha uma posição firme e pensada, assumida com a sua almofada. Mesmo que o autor seja apenas um primário sem sentido abstracto. Mesmo que os significantes não correspondam aos significados, o labirinto desconcertante do pensamento é a ssuprema forma de questionar, de destruir.
Por isso prefiro não clarificar, clarificar é destruir o edifício da abordagem analítica. É tornar primário aquilo que não o é. Viva o labirinto, o labirinto do complexo de culpa, o labirinto da verdade, o labirinto da mentira.
E ao Homem cabe substituir-se a um Deus que foi destruindo como rei da Criação!... Ser Supremo acima de todos, ao Homem tudo é permitido, só ele é sagrado, só ele é eterno. Face ao Homem tudo resta relativo e só Ele é absoluto, até mesmo na floresta esfíngica do labirinto do medo.
Estou convencido que um texto curto, de hermenêutica desconcertante e difusa, simples na mera aparência, chocante na abordagem, faz mais por um debate do que poses inflamadas e mangas arregaçadas em tonitruantes parangonas seguidas de longas perorações. A parábola é evidente, destina-se aos simples, o labirinto é complexo, é secundário, terciário, e por diante...
Mesmo que o autor tenha uma posição firme e pensada, assumida com a sua almofada. Mesmo que o autor seja apenas um primário sem sentido abstracto. Mesmo que os significantes não correspondam aos significados, o labirinto desconcertante do pensamento é a ssuprema forma de questionar, de destruir.
Por isso prefiro não clarificar, clarificar é destruir o edifício da abordagem analítica. É tornar primário aquilo que não o é. Viva o labirinto, o labirinto do complexo de culpa, o labirinto da verdade, o labirinto da mentira.
E ao Homem cabe substituir-se a um Deus que foi destruindo como rei da Criação!... Ser Supremo acima de todos, ao Homem tudo é permitido, só ele é sagrado, só ele é eterno. Face ao Homem tudo resta relativo e só Ele é absoluto, até mesmo na floresta esfíngica do labirinto do medo.
Etiquetas: Ironias
21.1.09
Casamentos diversos
José [Sócrates] Sousa anuncia como pedra de toque da sua próxima cavalgada eleitoral o casamento civil homossexual. Não tenho nada contra o que o senhor Sousa decide usar como factor de rendimento eleitoral. Num exercício de abstracção e, lembrando-me de todas as minorias ingoradas e oprimidas, lembro que o muçulmanos, que pela sua cultura podem casar com até quatro mulheres, deveriam ver esse princípio consagrado também pela lei portuguesa. Depois virão os Mormons e por aí diante. E este assunto é sério e deveria ser debatido antes dos homossexuais...
E divagando um pouco: talvez em 2013 a próxima bandeira seja o casamento civil entre seres humanos e animais, quem não sente ternura por um psicanalista, ou mesmo um pastor, que ama uma bela ovelha? Basta lembrar Woody Allen... Qual é o direito da nossa sociedade de impedir a felicidade de seres que se amam? Os animais são, dizem muitos dos seus defensores, melhores do que os humanos - talvez Schopenhauer concordasse. Porque não a oficialização dos casamentos inter-espécie? E depois, como consequência lógica, a poligamia inter-espécie consagrada em lei?
Depois disso resta legalizar apenas a união de facto (por etapas primeiro, que o assunto é sensível) entre humanos e seres inanimados. Quem não conhece o macho lusitano apaixonado pelo seu automóvel? Casamentos entre humanos e automóveis seriam uma experiência que, a resultar, seria estendida a obras de arte, bonecas e bonecos insufláveis, e outros artefactos que só a imaginação poderá conceber...
Enfim, quem é a sociedade moralista, repressora, reaccionária, para impedir a liberdade do indivíduo, a sua afirmação e a escolha da sua orientação?
Penso que as associações de defesa de animais só iriam protestar quando um toureiro, casado com o seu cavalo e com um campino ribatejano, quisesse adoptar uma ovelha a par dos gémeos chineses já adoptados anteriormente.
E divagando um pouco: talvez em 2013 a próxima bandeira seja o casamento civil entre seres humanos e animais, quem não sente ternura por um psicanalista, ou mesmo um pastor, que ama uma bela ovelha? Basta lembrar Woody Allen... Qual é o direito da nossa sociedade de impedir a felicidade de seres que se amam? Os animais são, dizem muitos dos seus defensores, melhores do que os humanos - talvez Schopenhauer concordasse. Porque não a oficialização dos casamentos inter-espécie? E depois, como consequência lógica, a poligamia inter-espécie consagrada em lei?
Depois disso resta legalizar apenas a união de facto (por etapas primeiro, que o assunto é sensível) entre humanos e seres inanimados. Quem não conhece o macho lusitano apaixonado pelo seu automóvel? Casamentos entre humanos e automóveis seriam uma experiência que, a resultar, seria estendida a obras de arte, bonecas e bonecos insufláveis, e outros artefactos que só a imaginação poderá conceber...
Enfim, quem é a sociedade moralista, repressora, reaccionária, para impedir a liberdade do indivíduo, a sua afirmação e a escolha da sua orientação?
Penso que as associações de defesa de animais só iriam protestar quando um toureiro, casado com o seu cavalo e com um campino ribatejano, quisesse adoptar uma ovelha a par dos gémeos chineses já adoptados anteriormente.
Etiquetas: Ironias
10.1.09
António Pinto Ribeiro [ministro nome trocado]
Pinto Ribeiro [ministro nome trocado] continua na senda do "Fazer mais com menos". Retirou o subsídio de 250.000 euros ao Círculo Portuense de Ópera e disse mais ou menos assim:
- A Casa da Música recebe muito dinheiro, eles que façam a ópera!
E questionado sobre a inexistência do fosso e teia na complexo de salas de concerto que constitui a Casa da Música Pinto Ribeiro [ministro nome trocado] acrescentou: eles que façam no Coliseu!
Suponho que a massa deva ir para pareceres jurídicos ou qualquer outra coisa importante, como uns automóveis melhores para o Ministério da Cultura [ministério nome trocado].
Mas será que eles não percebem que uma coisa são salas de concerto e programadores e produtores de concertos e outra são salas de ópera e produção de ópera? Não percebem que existem estes dois conceitos? De onde saiu este Pinto Ribeiro [ministro nome trocado]?
E depois disto tudo ainda somos informados que Pinto Ribeiro [ministro nome trocado] ainda tentou demover Ricardo Pais de se reformar!
- A Casa da Música recebe muito dinheiro, eles que façam a ópera!
E questionado sobre a inexistência do fosso e teia na complexo de salas de concerto que constitui a Casa da Música Pinto Ribeiro [ministro nome trocado] acrescentou: eles que façam no Coliseu!
Suponho que a massa deva ir para pareceres jurídicos ou qualquer outra coisa importante, como uns automóveis melhores para o Ministério da Cultura [ministério nome trocado].
Mas será que eles não percebem que uma coisa são salas de concerto e programadores e produtores de concertos e outra são salas de ópera e produção de ópera? Não percebem que existem estes dois conceitos? De onde saiu este Pinto Ribeiro [ministro nome trocado]?
E depois disto tudo ainda somos informados que Pinto Ribeiro [ministro nome trocado] ainda tentou demover Ricardo Pais de se reformar!
Etiquetas: António Pinto Ribeiro, Calinadas, Casa da Música, Classe Política, Ironias, Irritações, Ministro Nome Trocado
29.12.08
Ainda a encenação de "Um outro Fim" de Pinho Vargas
O meu comentário à ópera "Um Outro Fim" foi apelidado de "agressivo" pelo senhor AMET que se afirma André de Mendonça Escoto Teodósio, do Teatro Praga [post que pode ser lido no final deste meu texto], creio que se trata do encenador da ópera.
Sublinho que ter chamado medianíssimo ao texto de José Maria Vieira Mendes é um rasgado elogio.
Passo a explicar o que queria dizer com "garotos com pretensões post modernas" e que julgo ser apenas uma constatação de facto.
Post moderno, no sentido quase indefinível do termo, de oposto ou reacção ao modernismo, aquilo onde "quase tudo é possível e quase nada é certo", uma espécie de pan confusionismo barroco post estruturalista, ou mesmo anti-estruturalista. No sentido em que um texto base, de José Maria Vieira Mendes, marcado com transições claras – e não analiso o texto, note-se, sobre o qual muito haveria a dizer – é depois transgredido, desconstruído, esfumado, vincado por elementos de géstica absurda ou fora de contexto: apontar enfaticamente e repetidamente o céu ou o público ou a teia, usar máscaras de recortes sem sentido, desmaterializando, acabar com as marcações, entradas e saídas, esbater qualquer relação entre o vazio e o cheio, mobilar confusamente toda a estrutura cénica criando uma "possível" desconstrução, esbatimento, dissolução do texto através de barroquismos visuais prolixos. Usar elementos de “série B” que desligam a acção da verosimilhança, quase uma distância brechtiana mas sem a força dramática e o despojamento moderno da mesma. Tudo elementos post modernos avulsos, sem um verdadeiro propósito desconstrutivista no sentido revelador do termo oculto, da leitura profunda, sem uma desleitura (e como fazê-lo a partir de um texto claramente não hermético, primário no sentido do sentido): Derrida sem Derrida e sem a crítica de Focault? Como realizar uma hermenêutica de algo que não é hermético? Como criticar uma massa esbatida, nevoenta, sem cisura, sem fluxo? Onde está o Homem na sua ausência? Em palco, claro está, para se perceber que volta no fim e se perder a construção/evolução dramática? Mas isso faz sentido? E uma grande e negra pistola apenas desenhada em folhas brancas de um album mas desconstruída, verdadeitramente, pelos estrondos na orquestra! Nesta encenação falta um enorme revólver preto, ele mesmo saído de um “Falcão de Malta” ou, no paradigma das armas inúteis, de “O Dia em que a Terra Parou” de 1951... Jogos de espelhos óbvios do Irmão-Homem, ciclos de identidades, faces sem corpo, silhuetas que se trocam umas pelas outras, jogos inúteis, indicações desnecessárias, estações sem fim sem um outro fim.
Afinal o encenador é colaborador do dramaturgo? É um desconstrutor descarado (pela máscara que esconde a face) e afirmativo ou é um desconstrutor confuso com o que está a fazer? Abomina o texto e quer eliminá-lo, desfazê-lo, estilhaçá-lo? Sublinha o texto pela prolixidade, pelos referentes, pela rama e não pelo âmago, antíteses eles mesmos do modernismo? Ficam as questões.
Ser o crítico agressivo? Por chamar "garotos post modernos" ao jovem grupo de encenação? Não me parece, pela explicação e pelas questões deixadas. Quando o crítico se debruça sobre uma obra, qualquer observação que faça já é um motivo de regozijo para o criticado. Merece o crítico levar com o sapato voador do criticado? Claro que merece! Agradeço por isso. Só o sapato post moderno pode suscitar a polémica, a diversão da discussão, formas de uma arte superior chamada crítica, superior – claramente – "à desconstrução" de um texto. Um sapato post moderno pode ser sempre desconstruído; foi construído para isso, aliás. E para acabar por desconstruir o sapato recordo que o texto de "Um Outro Fim" é servido por uma música (concebida para o texto e não para a encenação que ainda não se vislumbrava) claramente construtivista, moderna, estruturalista, de uma claridade e de uma força desconcertantes no seu propósito moderno. É uma arte com siso, a de Pinho Vargas. Será a antítese, ela mesma, da encenação "post moderna"?... Sem a sapatada do criticado o crítico nunca viria a terreno esclarecer o motivo da sua observação.
Escrevo o texto acima, e dá-me bem menos trabalho escrevê-lo do que fazer uma tradução para o senso comum. Infelizmente o serviço público obriga-me a publicar a tal tradução: Garoto com pretensões post modernas = ser humano, ainda jovem, auto proclamado detentor de uma grande intelectualidade, e que dá a entender que leu uma série de livros, mas que anda confuso com o destino da sua arte, gostaria de ser um "desconstrutor" (será "desconstrutivista"? estes palavrões post modernos deixam-se sempre confuso), um "post estruturalista" ou mesmo um "anti estruturalista" mas não passa de um "neo-confusionista à espera de Augusto”.
Nota final sobre a posição do jovem artista face à crítica:
É confortável para o criticado, num único acto com sentido construtivo, nas sua demanda da desconstrução, paradoxo ele mesmo enquanto construção que se quer desconstruída, colocar-se na posição de vítima: “desgraçado do jovem”, vítima dos velhos críticos com Hanslick à frente mas apoiado no velho amigo que até trata por “Augusto”, o primeiro e amigável nome. Será o “jovem artista” o génio Wagner incompreendido e batido pelo velho sátrapa? Mas se nem Wagner era jovem, nem incompreendido, nem o sátrapa lhe conseguia bater. Será o “Augusto” o César da crítica? O pater familias? O grande homem africano que protege? O amuleto salvador no momento Augusto da Angústia, invocado para (ex)conjurar os críticos malévolos, e decrépitos, que o insultam sem propósito? O deus ex machina? Augusto salvador salva o jovem artista vítima dos Velhos do Restelo que não perceberam a desconstrução! Será que alguém percebeu excepto o próprio? Questões? Interrogações? Derisões? O jovem artista Teodósio diz-se insultado e tratado com agressividade, incompreendido. Mas isso não é o objectivo último do “jovem artista”? Caro Teodósio, pela parte que me toca, creio que estou a fazer-lhe um favor à sua excelsa e admirada figura de jovem artista post moderno, esta minha incompreensão da sua belíssima e incompreendida obra. Este texto é o meu ordálio de serviço público, é a minha redenção anual de 2008. Incompreendê-lo é um grande favor que lhe poderia fazer. Será que consigo?
Finalmente: júris de concursos só mesmo em Praga! De facto fui avaliador num concurso em Praga, neste ano que acaba, mas não era de artes. Não lhe posso desconstruir (nem quero) o subsídio que acho bem merecido.
Texto original de E. Teodósio:
Errata
Bom, pelos vistos o jornal Público talvez publique o meu D.R. (é bastante provável que não editem o texto na sua totalidade, mas isso depois logo se vê) pelo que achei mais educado tirar o texto do blog até à sua eventual publicação.
P.s. Sílvia, não existe nenhum "jogo de ofendido/ofensor". Simplesmente respondi (cinicamente) no mesmo tom verbal em que a crítica abordou o meu trabalho. É que nós, em Arte, podemos errar no objecto. Agora os críticos (que, by the way não sejamos ingénuos, alguns são júris em concursos públicos + são formadoras de trends + e possíveis futuros gatekeepers como diria Augusto) não devem insultar. É que isto abre uma lógica perigosa (exactamente a contrária de um 'famoso' encenador que agrediu um 'famoso' crítico): pedir a cabeça de um encenador e impedir que os 'novos' entrem nos Museus sem desconto.
Resumindo: isto nada tem a ver com gostar ou não. O Augusto (que ainda não me disse nada) presumo que não tenha gostado, imensas pessoas não gostaram. Não gostar do que eu faço está na ordem do dia (E AINDA BEM i.e. SIGNIFICA QUE ESTOU NO CAMINHO CERTO i.e. AS PARTAGES DU SENSIBLE ESTÃO ON THE WAY). Mas nenhum reagiu agressivamente como a sr. Cristina. É que nem o seu amigo Henrique. E isso eu não posso permitir.
ABOMINO O MAL.
P.s.s. AMO-TE=AMET=André de Mendonça Escoto Teodósio
Publicada por Amet em 20:07 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
Sublinho que ter chamado medianíssimo ao texto de José Maria Vieira Mendes é um rasgado elogio.
Passo a explicar o que queria dizer com "garotos com pretensões post modernas" e que julgo ser apenas uma constatação de facto.
Post moderno, no sentido quase indefinível do termo, de oposto ou reacção ao modernismo, aquilo onde "quase tudo é possível e quase nada é certo", uma espécie de pan confusionismo barroco post estruturalista, ou mesmo anti-estruturalista. No sentido em que um texto base, de José Maria Vieira Mendes, marcado com transições claras – e não analiso o texto, note-se, sobre o qual muito haveria a dizer – é depois transgredido, desconstruído, esfumado, vincado por elementos de géstica absurda ou fora de contexto: apontar enfaticamente e repetidamente o céu ou o público ou a teia, usar máscaras de recortes sem sentido, desmaterializando, acabar com as marcações, entradas e saídas, esbater qualquer relação entre o vazio e o cheio, mobilar confusamente toda a estrutura cénica criando uma "possível" desconstrução, esbatimento, dissolução do texto através de barroquismos visuais prolixos. Usar elementos de “série B” que desligam a acção da verosimilhança, quase uma distância brechtiana mas sem a força dramática e o despojamento moderno da mesma. Tudo elementos post modernos avulsos, sem um verdadeiro propósito desconstrutivista no sentido revelador do termo oculto, da leitura profunda, sem uma desleitura (e como fazê-lo a partir de um texto claramente não hermético, primário no sentido do sentido): Derrida sem Derrida e sem a crítica de Focault? Como realizar uma hermenêutica de algo que não é hermético? Como criticar uma massa esbatida, nevoenta, sem cisura, sem fluxo? Onde está o Homem na sua ausência? Em palco, claro está, para se perceber que volta no fim e se perder a construção/evolução dramática? Mas isso faz sentido? E uma grande e negra pistola apenas desenhada em folhas brancas de um album mas desconstruída, verdadeitramente, pelos estrondos na orquestra! Nesta encenação falta um enorme revólver preto, ele mesmo saído de um “Falcão de Malta” ou, no paradigma das armas inúteis, de “O Dia em que a Terra Parou” de 1951... Jogos de espelhos óbvios do Irmão-Homem, ciclos de identidades, faces sem corpo, silhuetas que se trocam umas pelas outras, jogos inúteis, indicações desnecessárias, estações sem fim sem um outro fim.
Afinal o encenador é colaborador do dramaturgo? É um desconstrutor descarado (pela máscara que esconde a face) e afirmativo ou é um desconstrutor confuso com o que está a fazer? Abomina o texto e quer eliminá-lo, desfazê-lo, estilhaçá-lo? Sublinha o texto pela prolixidade, pelos referentes, pela rama e não pelo âmago, antíteses eles mesmos do modernismo? Ficam as questões.
Ser o crítico agressivo? Por chamar "garotos post modernos" ao jovem grupo de encenação? Não me parece, pela explicação e pelas questões deixadas. Quando o crítico se debruça sobre uma obra, qualquer observação que faça já é um motivo de regozijo para o criticado. Merece o crítico levar com o sapato voador do criticado? Claro que merece! Agradeço por isso. Só o sapato post moderno pode suscitar a polémica, a diversão da discussão, formas de uma arte superior chamada crítica, superior – claramente – "à desconstrução" de um texto. Um sapato post moderno pode ser sempre desconstruído; foi construído para isso, aliás. E para acabar por desconstruir o sapato recordo que o texto de "Um Outro Fim" é servido por uma música (concebida para o texto e não para a encenação que ainda não se vislumbrava) claramente construtivista, moderna, estruturalista, de uma claridade e de uma força desconcertantes no seu propósito moderno. É uma arte com siso, a de Pinho Vargas. Será a antítese, ela mesma, da encenação "post moderna"?... Sem a sapatada do criticado o crítico nunca viria a terreno esclarecer o motivo da sua observação.
Escrevo o texto acima, e dá-me bem menos trabalho escrevê-lo do que fazer uma tradução para o senso comum. Infelizmente o serviço público obriga-me a publicar a tal tradução: Garoto com pretensões post modernas = ser humano, ainda jovem, auto proclamado detentor de uma grande intelectualidade, e que dá a entender que leu uma série de livros, mas que anda confuso com o destino da sua arte, gostaria de ser um "desconstrutor" (será "desconstrutivista"? estes palavrões post modernos deixam-se sempre confuso), um "post estruturalista" ou mesmo um "anti estruturalista" mas não passa de um "neo-confusionista à espera de Augusto”.
Nota final sobre a posição do jovem artista face à crítica:
É confortável para o criticado, num único acto com sentido construtivo, nas sua demanda da desconstrução, paradoxo ele mesmo enquanto construção que se quer desconstruída, colocar-se na posição de vítima: “desgraçado do jovem”, vítima dos velhos críticos com Hanslick à frente mas apoiado no velho amigo que até trata por “Augusto”, o primeiro e amigável nome. Será o “jovem artista” o génio Wagner incompreendido e batido pelo velho sátrapa? Mas se nem Wagner era jovem, nem incompreendido, nem o sátrapa lhe conseguia bater. Será o “Augusto” o César da crítica? O pater familias? O grande homem africano que protege? O amuleto salvador no momento Augusto da Angústia, invocado para (ex)conjurar os críticos malévolos, e decrépitos, que o insultam sem propósito? O deus ex machina? Augusto salvador salva o jovem artista vítima dos Velhos do Restelo que não perceberam a desconstrução! Será que alguém percebeu excepto o próprio? Questões? Interrogações? Derisões? O jovem artista Teodósio diz-se insultado e tratado com agressividade, incompreendido. Mas isso não é o objectivo último do “jovem artista”? Caro Teodósio, pela parte que me toca, creio que estou a fazer-lhe um favor à sua excelsa e admirada figura de jovem artista post moderno, esta minha incompreensão da sua belíssima e incompreendida obra. Este texto é o meu ordálio de serviço público, é a minha redenção anual de 2008. Incompreendê-lo é um grande favor que lhe poderia fazer. Será que consigo?
Finalmente: júris de concursos só mesmo em Praga! De facto fui avaliador num concurso em Praga, neste ano que acaba, mas não era de artes. Não lhe posso desconstruir (nem quero) o subsídio que acho bem merecido.
Texto original de E. Teodósio:
Errata
Bom, pelos vistos o jornal Público talvez publique o meu D.R. (é bastante provável que não editem o texto na sua totalidade, mas isso depois logo se vê) pelo que achei mais educado tirar o texto do blog até à sua eventual publicação.
P.s. Sílvia, não existe nenhum "jogo de ofendido/ofensor". Simplesmente respondi (cinicamente) no mesmo tom verbal em que a crítica abordou o meu trabalho. É que nós, em Arte, podemos errar no objecto. Agora os críticos (que, by the way não sejamos ingénuos, alguns são júris em concursos públicos + são formadoras de trends + e possíveis futuros gatekeepers como diria Augusto) não devem insultar. É que isto abre uma lógica perigosa (exactamente a contrária de um 'famoso' encenador que agrediu um 'famoso' crítico): pedir a cabeça de um encenador e impedir que os 'novos' entrem nos Museus sem desconto.
Resumindo: isto nada tem a ver com gostar ou não. O Augusto (que ainda não me disse nada) presumo que não tenha gostado, imensas pessoas não gostaram. Não gostar do que eu faço está na ordem do dia (E AINDA BEM i.e. SIGNIFICA QUE ESTOU NO CAMINHO CERTO i.e. AS PARTAGES DU SENSIBLE ESTÃO ON THE WAY). Mas nenhum reagiu agressivamente como a sr. Cristina. É que nem o seu amigo Henrique. E isso eu não posso permitir.
ABOMINO O MAL.
P.s.s. AMO-TE=AMET=André de Mendonça Escoto Teodósio
Publicada por Amet em 20:07 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
Etiquetas: Crítica, Crítica aos críticos, Crítica de Ópera, Ironias, Irritações
Sobre Eduard Hanslick
Foi professor na Universidade de Viena. Escreveu largamente sobre estética e música. Nasceu em ... Praga! Tinha origem judaica, o que aumentou largamente os preconceitos sobre a sua pessoa. Esses preconceitos perduram até hoje, como se pode ler em alguns blogues que por aí andam. Depois de Wagner ter publicado "Judeismo na Música" dedicado largamente ao crítico austríaco, após críticas negativas deste, o seu corte com o alemão foi total.
Teve o mérito de inspirar obras a Schumann e o delicioso Beckmesser dos Mestres Cantores do grande Richard Wagner. Hoje em dia seria bom que existissem mais Hanslicks mas parece que não há. Será que o Augusto tem alguma coisa a dizer sobre o assunto? Ser apelidado de Hanslick é um elogio?
Teve o mérito de inspirar obras a Schumann e o delicioso Beckmesser dos Mestres Cantores do grande Richard Wagner. Hoje em dia seria bom que existissem mais Hanslicks mas parece que não há. Será que o Augusto tem alguma coisa a dizer sobre o assunto? Ser apelidado de Hanslick é um elogio?
Etiquetas: Crítica, Crítica aos críticos, Ironias
27.11.07
Indignação
Estendo o direito à indignação não só aos políticos, decisões e suas manobras e jogadas, como também à chamada "intelligentsia", acho que tenho direito, afinal são eles as "luminárias", os "lustres" da nossa coltura. Sem eles nada se move, nada se cria, nada se transforma, que seríamos de nós, pobres desvalidos sem estes grandes panques da vivência lusitana. Pai nosso ilumina-os e deixa que a sua luz irradie sobre nós, ou talvez não...
No recital de Prégardien e Gees, S. Carlos, 24 de Novembro de 2007, estava muito pouco público. Eu nunca vejo nestes recitais as chamadas figuras da "intelligentsia" do russso, ou melhor "intelligentia" do latim. Não vejo os Sousa Tavares, as Claras Ferreira Qualquer Coisa, não vejo sequer os Pachecos Pereiras ou via os Prados Coelhos, nunca vi o Mário Soares num concerto, nem a sua dilecta descendência, mais ou menos ribombante, nunca vi o Pulido Valente num concerto, já o António Barreto e o prof. Marcelo são melómanos e estimo-os por isso. Um Graça Moura ainda o vi uma ou duas vezes, mas é figura também arredada. Nunca vi as figuras dos chamados "opinion makers", Carlos Magno (em Lisboa ou no Porto), ou de políticos como Marques Mendes ou António Vitorino e figuras quejandas (talvez porque eu esteja a precisar de óculos e estas figuras são, além de transparente e baças, muito pequeninas), nem aqui ou em londres, Paris, Bayreuth, Munique, Salzburg ou noutro lado qualquer, onde encontro muitos portugueses com frequência. De José Sousa e da sua entourage nem falo, o Meneses vejo às vezes... mas no futebol; nem vale a pena citá-los, vêm de meios absolutamente alheios à cultura musical. E já nem sequer escrevo sobre esta suposta "intelligentia" que nunca aparece, para quem o Goehte, o Heine ou o Petrarca escritos têm imenso valor (para alguns) e depois de musicados por Schubert passam à categoria de outra realidade à qual não têm acesso.
Portugal é um país onde a cultura musical é miserável e onde os tais opinion makers não dedicam o menor interesse à música. É natural assim que um recital de Schubert com dois dos mais excelsos intérpretes fique às moscas enquanto numa recôndita aldeia da Aústria (1800 habitantes) encha sistematicamente uma sala (Angelika Kauffmann Hall) com mais de seiscentos lugares, que se situa a mais de três horas de carro de Viena e de Salzburg, para a Schubertiade.
Façam um esforço, vá, é que primeiro "estranha-se e depois entranha-se".
No recital de Prégardien e Gees, S. Carlos, 24 de Novembro de 2007, estava muito pouco público. Eu nunca vejo nestes recitais as chamadas figuras da "intelligentsia" do russso, ou melhor "intelligentia" do latim. Não vejo os Sousa Tavares, as Claras Ferreira Qualquer Coisa, não vejo sequer os Pachecos Pereiras ou via os Prados Coelhos, nunca vi o Mário Soares num concerto, nem a sua dilecta descendência, mais ou menos ribombante, nunca vi o Pulido Valente num concerto, já o António Barreto e o prof. Marcelo são melómanos e estimo-os por isso. Um Graça Moura ainda o vi uma ou duas vezes, mas é figura também arredada. Nunca vi as figuras dos chamados "opinion makers", Carlos Magno (em Lisboa ou no Porto), ou de políticos como Marques Mendes ou António Vitorino e figuras quejandas (talvez porque eu esteja a precisar de óculos e estas figuras são, além de transparente e baças, muito pequeninas), nem aqui ou em londres, Paris, Bayreuth, Munique, Salzburg ou noutro lado qualquer, onde encontro muitos portugueses com frequência. De José Sousa e da sua entourage nem falo, o Meneses vejo às vezes... mas no futebol; nem vale a pena citá-los, vêm de meios absolutamente alheios à cultura musical. E já nem sequer escrevo sobre esta suposta "intelligentia" que nunca aparece, para quem o Goehte, o Heine ou o Petrarca escritos têm imenso valor (para alguns) e depois de musicados por Schubert passam à categoria de outra realidade à qual não têm acesso.
Portugal é um país onde a cultura musical é miserável e onde os tais opinion makers não dedicam o menor interesse à música. É natural assim que um recital de Schubert com dois dos mais excelsos intérpretes fique às moscas enquanto numa recôndita aldeia da Aústria (1800 habitantes) encha sistematicamente uma sala (Angelika Kauffmann Hall) com mais de seiscentos lugares, que se situa a mais de três horas de carro de Viena e de Salzburg, para a Schubertiade.
Façam um esforço, vá, é que primeiro "estranha-se e depois entranha-se".
Etiquetas: Ironias, Irritações
Arquivos
- 11/03
- 03/04
- 04/04
- 05/04
- 06/04
- 07/04
- 08/04
- 09/04
- 10/04
- 11/04
- 12/04
- 01/05
- 02/05
- 03/05
- 04/05
- 05/05
- 06/05
- 07/05
- 08/05
- 09/05
- 10/05
- 11/05
- 12/05
- 01/06
- 02/06
- 03/06
- 04/06
- 05/06
- 06/06
- 07/06
- 08/06
- 09/06
- 10/06
- 11/06
- 12/06
- 01/07
- 02/07
- 03/07
- 04/07
- 05/07
- 06/07
- 07/07
- 09/07
- 10/07
- 11/07
- 12/07
- 01/08
- 02/08
- 03/08
- 04/08
- 05/08
- 06/08
- 07/08
- 09/08
- 10/08
- 12/08
- 01/09
- 02/09
- 03/09
- 04/09
- 07/09
- 11/09
- 02/10
- 03/10
- 03/11
- 04/11
- 05/11
- 06/11
- 09/12
- 05/13
- 06/13
- 07/13
- 08/13
- 09/13
- 10/13
- 11/13
- 12/13
- 01/14
- 02/14
- 03/14
- 04/14
- 05/14
- 06/14
- 07/14
- 09/14
- 01/15
- 05/15
- 09/15
- 10/15
- 03/16


