
28.3.09
Poesia de Tomás de Oliveira Marques
Por tua culpa
Tomo a música
No espírito em sangue
E voo prostrado.
................................................................................................................
Por tua culpa
Dói a valer
O que é secreto
Na voz do Silêncio
Ao ser cantado.
Por tua culpa
A noite é mais funda
No tormento que faz
Perder o cuidado.
Por tua culpa
Olho para trás
Em busca das chaves
Do tempo perdido
(E não as encontro),
Sei-me cercado.
Por tua culpa
Não abro a boca
Com medo de calar
O Silêncio clamado.
Por tua culpa,
Se fundo cantas
As dores do mundo,
Da turba surda
Sinto-me culpado.
Por tua culpa
O facies doloroso
Da música profunda
É obnubilado.
Por tua culpa
Pela voz primordial
Como o pão e o vinho
E Sede de Infinito
Arfo acossado.
Por tua culpa
A Terra agora
Já não é redonda
Nem roda constante,
Dilui-se densa
Do coração humano
Ao firmamento,
Onde canta o indizível
Crucificado.
Tomás de Oliveira Marques
Nota: Dedicado a Maria Cristina Kiehr, pelo seu admirável e dionisíaco percurso no mundo da Música Antiga e, em particular, pela poderosa abordagem à ária “Scherza infida”, de Handel, lado a lado com o Divino Sospiro, dirigido por Chiara Banchini, no CCB/Lisboa, em 07/03/2009.
Etiquetas: Poesia, Tomás de Oliveira Marques
28.2.09
Poesia de Tomás de Oliveira Marques
(4 esquissos sobre masculino/feminino/angelogonia)
I.
Do homem e da mulher
Das diferenças a haver
O Diabo foi-se, já não se vem:
Seja o que Deus quiser.
II.
O que é o amor do homem
Para a mulher e vice-versa?
Para ele, é passar a pata
Ao que nela há de longilíneo:
O tensor de fáscia lata.
Para ela, que continue
O parceiro sobretudo primata.
Assim é o amor prazenteiro.
III.
Da igualdade tomada in vitro
Na dicotomia homem/mulher
Para o Diabo é já igual ao litro:
Seja o que Deus quiser.
IV.
Busco a fêmea
Insinuante da promessa
Enquanto macho
Tíbio na efectivação.
Digam lá
Deste meu desígnio,
É frouxo ou ígneo? ,
E no que dá
O que é sabido
Carcomido
D’antemão.
Nota: na glosa do meu velho artigo sobre trovadores, datado de 1992, onde caracterizo a democracia como o péssimo convívio entre a fêmea insinuante da promessa e o macho tíbio da efectivação.
Tomás de Oliveira Marques

Etiquetas: Poesia, Tomás de Oliveira Marques
20.2.09
Poesia de Tomás de Oliveira Marques
(procriação e homofobia)
Risquemos então um fósforo
para se rever na História
homos e procriação:
Goebbels fez seis filhos
num buraco soterrado
com veneno os amou;
Michelangelo nem um só,
nem um doou à multidão.
Goebbels pariu Auschwitz
pela Besta fecundado;
Michelangelo a Sistina
David e a Pietà
em auto-superação.
Decididamente, sou
a favor da castração
do ego desabrido
que se multiplica malsão
e contra o casamento
do nazi danado
com um mestre da Criação.
Tomás de Oliveira Marques
Etiquetas: Poesia, Tomás de Oliveira Marques
19.2.09
Poesia de Tomás de Oliveira Marques III
(pão e circo)
Palhaço, o 1º Ministro?
Bem, a haver circo,
Então somos nós, “todos”,
Quem arma a tenda
Quem paga bilhete
Quem apupa entre palmas
Enfim, quem salta trampolins
Ao sabor do chicote
(sabem de quem?)
Que vem de antanho
E só há-de parar talvez
Daqui a mil anos.
P.S.: com que então palhaço!
o chip para os carros
pode ser tudo
menos uma palhaçada.
Tomás de Oliveira Marques
Etiquetas: Poesia, Tomás de Oliveira Marques
9.2.09
Poesia de Tomás de Oliveira Marques
(para a próxima legislatura)
I. “Que a Verdade não seja mentira”
Em prol do casamento
Entre almas (e corpos!) do mesmo sexo
Tomemos exemplar o caso
Da mentira e da verdade,
Lésbicas desde os primórdios,
Delas nem uma só ponta
De tédio a tolher a relação.
Animais milenares
Nos braços um do outro
Hão-de, desde já aposto,
Até ao final dos tempos
Dar-se terrivelmente bem.
Mentira e Verdade,
Com linhagem desmedida
Desde o Verbo até ao fim
Dos séculos e dos séculos. Ámen.
..............................................................................................................................
Verdade e Mentira,
Duas fêmeas insondáveis
Pela masculinidade
Do que as diferencia,
Tão difícil de dissecar,
À noite a porem à roda
A cabeça do filósofo
Sem deixarem de afiar
As facas da Teologia.
Mentira e Verdade,
Ambas fora do alcance
Da fina antropologia:
Frígidas no seio da Moral
Sensuais diante da Razão
Furtivas a qualquer medida,
Casadas havemos julgá-las
De facto, de corpo e alma,
Pela e para toda a vida.
II. “PSSU”
Pelo Santo Sexo Único
Deixemo-nos de vãs unções:
A dignidade, a haver,
Faz na mente o seu ninho
Ao sabor amargo dos tempos,
Não em vulvas, falos e c......
Deus não tem sexo
E o Diabo também não.
Era bom que Igreja, “Nobreza”
E Povo de vez deixassem
De colmatar a existência chata
Só com vulvas, falos e c......
Deixemos portanto em paz
Sem se querer ordenar
O Caos que jaz aos trambolhões:
Quando for grande hei-de deixar
Aos mortais conselhos isentos
De vulvas, falos e c......
III. “Marinheiro de mar alto”
Para se poder chegar
A salvo a porto livre
É preciso mesmo pagar
Depois um preço alto
A quem baixo alvitre.
IV. “Lavrador de lágrimas”
Lavrador de lágrimas
Perdidas no rosto
Da turba a sofrer,
Depois de bem secá-las
De enxada enxuta
Volta a casa o Poder.
V. “3 haiku de marcenaria”
Vai pró céu depois
De aplainar infernos
A Mão do Poder
***
É-se no Poder
Pagador de promessas
Para esquecer.
***
Quem se mete com
Quem não se deve meter,
Leva!... Se bater.
(por outras palavras)
Quem se mete com
Quem não se deve meter,
Está fodido.
VI. “3 ou 5 haikai em contínuo sobre Direitos”
O cidadão na posse
Dos seus plenos defeitos
Tem por norma exigir
Sem nada dar em troca
Tudo o que deseja.
Eis a pá do insano!
(Caro leitor)
Vê nesta parábola
A trama dos Direitos.
Ou então, se és cristão,
O Demo dos Direitos.
VII. “666”
É próprio da turba
Haja o que houver
Pedir sempre sangue.
Daí os cordeiros
Que não têm culpa
Alguma (ou terão?)
Serem os chamados
À faca no altar
Duro dos costumes.
VIII. “3 haikai em contínuo sobre o Poder”
A vida é o que dá
Pó do pó, isso mesmo,
Até deixar de haver
Ardor autofágico
Em nós, nas mil gavetas
Do armário do poder.
IX. “VINDE A MIM A INOCÊNCIA”
Esmaguei no outro dia
Entre os dedos uma formiga
Sem haver qualquer razão.
Depois, fui à loja da esquina
Fazer compras e encontrei-me
Só, reduzido a multidão.
É por estas e por outras
Que não espero mais de mim
Do que dos outros – uma desilusão!
(Atenção! O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente...
Que está cheio de si, até mais não.)
X. “2 haikai em contínuo sobreo o verbo crer”
O bisturi que trata
Na lógica do poder
Em sangue se retrata
A sós com o verbo crer.
XI. “Epílogo” (em grande, por terras de liliput)
Porventura mais
Do que verdade e mentira,
A Inocência e a Culpa,
Também lésbicas por natura,
Estão entre si ligadas
Por um elo indissolúvel,
De santa ignorância
Na perfídia do costume,
A tornar trágico
O riso escarninho
De quem bastardo se vê
Nas malhas da sua Cultura.
XII. “P.S.” (2 haiku post-scriptum)
Haja aquele
Que atire primeiro
A pedra cega
E possa ver-se
Diante do espelho
Nu, por inteiro.
Tomás de Oliveira Marques
Nota: A quem interessar, haikai e haiku são formas poéticas curtas, de factura japonesa, com o intuito de sugerir uma ideia, um facto, uma impressão fugitiva, de modo a provocar no leitor/auditor uma reflexão sobre o significado profundo das palavras no poema: no haiku, composto de 3 versos com 17 sílabas (em ordenação 5,7,5, na versão mais clássica); no haikai, composto de 2 versos com 7 sílabas, cada.
Como se pode verificar, esta minha abordagem aos haikai e haiku é, como não pode deixar de ser, substancialmente ocidentalizada e, porque não dizê-lo, abusivamente livre. Não deixa, no entanto, de fazer bem ao nosso espírito atordoado pelo ruído do presente, o qual não é nada comparado com o que há-de vir.
Etiquetas: Poesia, Tomás de Oliveira Marques
24.12.08
ET
(Evolução em Trânsito)
Os portugueses são
Deste velho Continente
Os mais infelizes,
Por fatalidade.
Em vez da Educação
Cabe agora ao governo
Erguer em poucos meses
O Ministério da Felicidade.
Evolução 1
Recuando ao tempo
Da outra senhora
A escola era à fila
Com reguadas na mão.
Agora, é de gritos
A postura do saber
De pernas para o ar
E telemóvel à mão.
Criação 1
Há cerca de cinco mil anos
Foram desta para melhor
Os dinossauros
Porque não havia ainda
Ministério da Educação.
Agora, graças a Noé,
Ou talvez não, eles aí estão.
Evolução 2
Gramática e cultura...
Eu tomei
Tu tomates
Ele tomou
Com muitos valores
e nenhuma dor...
Nós tomámos
Vós tomates
Eles tomaram...
Ignorância
e TLEBS a rodos.
P.S.: Os nossos agradecimentos ao Ministério da Educação, pelo seu empolgante trabalho, ao longo destas ultimas décadas, em prol da arte da conjugação.
Criação 2
Darwin, Darwin
Vem cá abaixo ver isto,
Tu, que estás ainda
No Ministério da Educação
Pendurado nas paredes
Em vez da cruz de Cristo
(Calma, é só para a rima).
Até quando, não se sabe,
Que há razões para temer
Em breve teres de cair
Trocado talvez
Por um dinossauro qualquer
Deslocado no tempo
Mas a criar já raiz
Nas ruas e ministérios
Que devemos salvaguardar
Do demo que anda por aí,
Dizem, mas cá para mim
É só um surto truísta
A camuflar na educação
A semente criacionista.
12/12/2008
Etiquetas: Tomás de Oliveira Marques
29.9.08
Requiem aeternam
Requiem aeternam
(Um pouco de bem-aventurança
e de alerta circunscritivo
aos que, ainda, andam por cá)
I. “Humanidades”
Jesus foi filho de carpinteiro
E de doméstica, impoluta
Do Tempo tingido num tinteiro.
Depois, morreu na cruz do absurdo
Da humanidade dissoluta
A pretender-se corpo inteiro.
Ele nasceu pobre e ao surdo
Doou a palavra benfazeja,
Porventura tumular,
Com o poder de calar
Os doutores da Sua Igreja.
II. “Decálogo”
Jesus foi filho de carpinteiro
E de doméstica, impoluta
Do Tempo urdido num tinteiro.
Depois, morreu na cruz do absurdo
Da humanidade dissoluta
A pretender-se corpo inteiro.
Ele nasceu pobre e ao surdo
Doou a palavra benfazeja
E o sal do mar, a poder calar
Os doutores da Sua Igreja.
01/09/2008
Tomás de Oliveira Marques
III. “Ad hominem”
(Na senda de “Invidia”, de George Steiner)
Jesus morreu na cruz,
Giordano Bruno
Cecco D’Ascoli
E tantos, tantos outros,
Arderam na fogueira
Da sede de Ser
Fogo e não fagulha,
Muito menos poeira.
Do primeiro, fez-se luz
E sombras a desbravar
O brilho nos outros rasteiro.
Dos outros, a má sorte
Que lhes coube da vida
E ao primeiro não se deu
A seguir à sua morte.
Eis os factos a encimar
As colunas do quotidiano
Da Besta em nós
Escondida e conseguida
Nas mentes a maleita
Da eternidade
Tão baça e diminuída
Pelas lentes próprias
Da formiga
Em si resumida
Ao carreiro e à colheita.
Tudo isto a ser dito
No medo de se acabar
O nosso cego apego
Às histórias de encantar.
15/09/2008
Tomás de Oliveira Marques
IV.
“Quo Vadis”
Ao longo do abismo
Que fulge do chão
E não tem fim
O DESESPERO
Em carne viva
Da presa que corre
À frente das presas
DO PREDADOR
Em nós implacável
O cego encalço
Nos restos, nos ossos,
DA COMPAIXÃO
Em si esgotada
Nas escarpas do ego
A não valer nada
A REMISSÃO.
V.
“Epílogo”
(O poeta é um fingidor...)
Para onde vais?
De onde vens?
Do fundo dos tempos
À luz das estrelas
Hirto hás-de arfar
Deante do vácuo
De orelhas alçadas
E o rabo a abanar
Como os cães.
10/09/2008
Tomás de Oliveira Marques
Etiquetas: Tomás de Oliveira Marques
“ALIA VOX”
"ALIA VOX"
Ah, o amor,
Alegoria armada
De ânsia e alcance,
Amigo de andanças
Da alma que arde
E arde, e arde...
E bebe no cálice
Da Dor o ensejo
De fundo ganhar
Halo e infinidade.
E jorra na luz
Da Música
Do Mar ao Nada,
Oculto o poder
Que queima ou rega
A sede de saber
Dos tomos do Tempo
A uivar, a uivar...
Veni vidi vici
Nos ventos da voz
Do vinho,
Na verdade
Vencido de vez,
Deste vosso xyz.
Lisboa, 05/09/2008
Tomás de Oliveira Marques
Dedicado à Família Savall,
pelo génio e integridade
que, ao longo das últimas décadas,
trouxeram a nós a voz dos grandes vultos
da Música que há-de perdurar para sempre.
Etiquetas: Tomás de Oliveira Marques
10.4.08
Divino Sospiro poe Tomás de Oliveira Marques
NA BRUMA DA CRIAÇÃO
Ergo a taça da vida ao agrupamento Divino Sospiro e também aos bípedes que padecem de problemas respiratórios quando se metem a matutar na lendária e enternecedora (quando não dá para o torto) relação Divino/Humano.
Bebo, então, uns goles à saúde do Divino Sospiro, na sequência da sua primeira edição discográfica, que materializa uma emocionante e excepcional aproximação ao universo musical de Mozart, sob a batuta sábia e poética de Enrico Onofri.
Fico, assim, a dever ao Massimo Mazzeo, o ‘S. Pedro’ do Divino Sospiro, a ideia desta minha modesta e ‘mefistofélica’ abordagem ao Divino – abordagem essa que é, como não pode deixar de ser, humana (na generalidade, demasiado humana, diga-se em abono da verdade).
E, para vossa informação, já recebi um sms das Profundezas, no qual o Mestre Estigmatizado presenteia a minha insignificância com a sua sarcástica aprovação.
Chiaroscuro
Da razão nas paixões
Quando suspira
O Divino embacia
Ao espelho do ego
Os olhos e ouvidos
Dos mortais entregues
(Na voragem dos tempos)
Ao diabo das paixões.
Em cada suspiro
O Divino empurra
Os mortais colados
À pesada aldraba
Da porta sem trinco
Das suas ilusões.
Sempre que suspira
O Divino embirra
(No silêncio das esferas)
Com a surdez em volta
Da Música que escapa
Prenhe e assustada
Das mortais razões.
Ao mínimo suspiro
O Divino espirra
No bafio e calor
Que os homens exalam
Aquando constipados
Das suas orações.
Ao longo do suspiro
O Divino jaz... e hesita
Sempre que fita
A condição humana
Porventura demasiado
De Si as contradições.
Em verdade vos digo
Que o Divino suspira
Sempre que transborda
(D’Ele) O suor dos homens
No silêncio da escuta
A dar danações.
Enfim, só resta dizer
Do Divino Sospiro
Que há a reter
Do seu restolhar
Fôlego ao poder
Das obnubilações.
Pois, sem dúvida em nós
Que o Divino suspira
Ao haver ardor
E cautela... aos sentidos
Que estes são tidos
Acima da razão
Da vida que obnubila
Sem objecções.
30/03/2008
Tomás de Oliveira Marques
...........................................................................
EXCRESCÊNCIAS
...........................................................................
Quando suspira
O Divino embirra
Com a humanidade
De joelhos, a pedir-Lhe
Conselhos, sem c... cauções.
Em verdade vos digo
Que o Divino Suspiro
Marulha na fragilidade
Undívaga do silêncio
De Prometeu agrilhoado
À voz das multidões.
01/04/2008
Tomás de Oliveira Marques
Fotografia: José Pedro Barros
Etiquetas: Divino Sospiro, Tomás de Oliveira Marques
11.1.08
Tomás de Oliveira Marques
Entretanto tentei entrar na loja do Tomás Marques, hoje, dia 10 de Janeiro e 2008, vinha acompanhado de um Romeo & Julieta nº2, dignamente aceso e fui expulso, vade retro satanás, por um Tomás enraivecido contra um pobre e desgraçado fumador de charutos que sou... lá fomos os dois, quais párias, fumar para a porta.
Etiquetas: Tomás de Oliveira Marques
29.12.07
SG SEJAMOS GRANDES
[SEJAMOS GRANDES]
SEJAMOS GRANDES
Pela imolação
De rajada
Filtrados
Na ventilação
A saber a nada.
SEJAMOS GRANDES
Seja lá isso o que for
No mundo a beatitude
A fazer festas à Dor
Ao serviço do devido
Sentido de... Estado
Por S. Macário benzido
O nosso triste fado.
I. “SG, na imolação”
No outro dia passei
De pernas e mente para o ar
Um seráfico serão
Chez Sainte Indigence...
Felizmente,
Era proibido fumar.
.............................................................................
II. “SG, de rajada”
Na casa da Santa Indigência...
Pedófilos, beatas, pederastas
Jograis dos meios de comunicação
Bandidos de falinhas mansas
Chulos da imbecilidade
Limpinha do córtex cerebral
Em colares, maneiras e gravatas
E, sobretudo, na saúde soldados
Vá lá que não vá...
Desde que acólitos da religião
De cortar quem fuma aos bocados.
.............................................................................
III. “SG, com filtros”
Hitler, Salazar
Nero, Tamerlão
O indiscriminado muar
A par da Santa Inquisição,
Todos odiavam fumar.
Vá, seus pios democratas
Do Diabo e da Salvação
Eterna pelas vossas patas
Brutas sobre a nossa união
Ténue às estrelas a pulsar...
Dêem lá a vossa opinião
Da próxima vitima a imolar;
Juro ter-vos em consideração
Aquando da minha vez d’atirar.
.............................................................................
IV. “SG, ventilados”
Atirei-te à cara uma baforada
De fumo e contenção enleada
Nas palavras e feitos dos vultos
Que ao longo dos tempos lutaram
Em prol da espécie libertada.
Em troca, atendeste o telemóvel
Aos gritos na musical mixórdia
De batuques e imagens grotescos
Paridos da cloaca televisiva
Que aponta a vida civilizada.
Sejamos sinceros e honestos:
Se não fosse este alto e delicado
Índice de convívio fraternal
- o admirabile commercium –
De pouco ou nada valeria negociar
Deste mundo a voz desterrada.
.............................................................................
V. “SG, seja lá isso o que for”
Fumar faz mal à saúde
E todos temos com o diabo lutar
Por uma velhice longa, afastada
Da mínima atenção e carinho
A que estamos mal habituados.
Por isso, deixe lá esse cigarro,
Que se lixe, já que estamos lixados.
O Estado saberá de outros impostos,
De tratar como deve nossa saúde,
Suavemente, na arte de magoar.
Uma coisa é certa: viveremos
Mais tempo e com menos espaço
Para neste mundo termos lugar
Ao que nos é querido e solitário.
Quanto à Segurança Social, “no deficit”:
A reforma virá um mês antes de zarpar.
.............................................................................
VI. “SG, na beatitude”
Nos campos da Holanda
Lobriguei a beatitude
Especada p’ró céu a olhar
O vazio cheio de saúde
A pôr o Diabo a fugir
Das mandíbulas a pingar
Lenta, a baba do porvir
Da esquerda para a direita
Da direita para a esquerda
Na tenra eternidade a marcar
As milhentas vacas no sorrir
Não sei de quê? talvez de maleita
Vencida sem sensação de perda
Na nobre função de engordar.
Uma coisa nas vacas reparei:
Nem uma só estava a fumar.
P.S: Em tributo a “Passos em volta”, de Herberto Hélder.
Tomás de Oliveira Marques
28/12/2007
.............................................................................
VII. “SG, na pedofilia de Estado”
ou melhor,
“SG, com sentido de... Estado”
Quando eu era puto
Lavadinho e todo nu
O Estado bateu-me à porta
E disse: É a tua vez, vem!
Quem, eu? – Sim, tu!
E assim fui, contrariado,
De corpo e alma tolhido
Encher mais um camuflado
Adequado à defesa da Pátria
No mundo, lá, do outro lado
Onde fiquei, para além
De muita coisa, viciado
Sobretudo no tabaco.
Disseram-me: não há problema,
Mais tarde serás subsidiado.
Acreditei e engravidei
Na crença, como bom soldado.
Agora, sem subsídio
Pela indigência cercado
E, face ao vício, posto de lado
Chego à fatal conclusão
Que defender a Pátria
Mesmo contrariado
Leva ao vício do desperdício
De discernir por resquício
Ao que por natura é toldado,
Bem como à triste condição
De ser a Bem da Nação
Mui enganado
Logo, escorraçado.
P.S. Na glosa de: “Da Origem da Família, da Propriedade e do Estado” revisto por António Botto e Carl von Clausewitz.
Tomás de Oliveira Marques
31/12/2007
.............................................................................
VIII. “SG, nos ósculos de S. Macário”
Lambi ontem um cinzeiro inteiro
E hoje uma mulher que fuma
A vida com carácter e espírito
(Ninguém neste mundo é perfeito);
Ainda por cima, por debaixo
Era já beata, boa como o milho.
Sinceramente, face a Auschwitz,
O cinzeiro até nem soube mal.
Quanto à fumadora, fui logo a correr
À tabacaria, porque aceso ficou
O desejo do seu sabor a arder
Em mim, o costume em espirais de fumo.
Moral da história:
Na arte de bem oscular
Tanto o divino como a escória
Dever-se-á com critério atentar
Na mucosa que oscula por si
Em relação aos outros, modelar;
NUNCA, nunca ao que paira no ar.
P.S. A propósito do adágio bíblico
Lamber um cinzeiro
é o mesmo que beijar
uma mulher que fuma.
E se for homem, o fumador?
Vá, diga lá, S. Macário
Seu misógeno ou então .........
De qualquer modo, um lusitano
De cepa e verdadeiro.
Tomás de Oliveira Marques
2/1/2008
.............................................................................
IX. “SG, face à América evangelista”
Deixará um dia de ser permitido
O porte d’arma nas mentes embebido
Da fé – olaré – de poder à vontade matar.
Mas nem tudo está ainda perdido
Continuará a ser, por sorte, proibido
Nos “campus”, salões, na hora da morte fumar.
Ai Portugal, Portugal que bates às portas
Dos ricos e, andrajoso, não te importas
Desse filão o veio estar já inquinado;
Se daqui não te pões a pau e cuidado
Não tomas com o que às cegas importas
Aí sim, irás passar um mau bocado.
Tomás de Oliveira Marques
Abril/2007
.............................................................................
X. “SG, na senda do amor”
Um café, uma aguardente
Um cigarro! Um pontapé
Aos inimigos da palavra
Amiga a que me agarro.
Melhor que isto, meus senhores,
Só a música das esferas
A tanger o silêncio
Das estrelas onde mergulho
As mãos dissolutas
Nos provérbios do amor
Quais putas impolutas
Em admirabile commercium,
A que surdo me agarro.
Tomás de Oliveira Marques
10/01/2008
Etiquetas: Tomás de Oliveira Marques
4.5.07
Maio Maduro Maio por Tomás de Oliveira Marques
Mise en scène do mundo a correr
para o abismo, sem a turba cuidar
do Pintor em nós estar a morrer
coerência paradoxal…!
num antro aberto em pecado
o 1º de Maio em flagrante apanhado,
precisamente, no centro comercial………………………
I. “Do Colectivo”
A pulular de galho em galho a piar
Adentro o verde rubro arvoredo
A passarada há-de sem fim dissertar
Para o boneco, bonito a pairar no ar,
O que torna sombrio seu raso enredo.
Sem dúvida que grassa frio de rachar
Na razão das leis que regem o medo
Coberto de penas a fim de poder voar
A salvo dos que atiram sempre a matar
Quem à frente lhes passa a planar ledo.
Mas como é sabido do dito milenar
«Quem tarde acorda, há-de morrer cedo»
De pouco vale o fim cantado a chorar:
O que no fundo conta é de vez acabar
Com a ilusão de se poder voar quedo.
… honi soit… languir me fault……………………………………………………….
II. “Do singular, nas trovas que (se) passam”
Acerca dos trovadores, muito em ruído se disse
E pouco se sabe do cerne dos seus amores.
Uma coisa é certa de Zeca, Ibañez, Ventadorn:
Para bem esconjurar e forte vir a terreiro
É vital pugnar pela tinta do seu tinteiro,
Não basta cantar alto a cinza dos seus ardores.
… piano, pianíssimo………………………………………………………..
III. “Da força dos factos (acerca da luz no ramo de uma oliveira)”
Diz-se do 13, o número do azar
De Maio, o mês do cio nos gatos.
O que me vale da força da superstição
É só guiar-me pela ficção dos factos.
……………………………………………………………………………………………
IV. “Interlúdio”
Um pouco de pudor, por favor
E de razão em busca dos outros
Que remam impotentes a miséria
E à dor pagam duro tributo
A soprar cego as velas içadas
Ao absurdo, que inerte navega
Sem fé e fito o mar dissoluto.
Um pouco de pudor e ardor
Deante de quem demasiado paga
Apartado de uma réstea de retorno
Em bruto que seja dos pés pesados
Que isentos do mar em si levitam
Calejados e sabidos a frio moldar
Informe, o fundo deste raso mundo.
… pela noite adentro, do 28 de Maio, em força e já……………………………………..
V. “Dos ratos”
Da humanidade, pouco ou nada
Mais há por aí além a tratar.
Ela é o que é, etérea matéria
Chã de si mesma esfaimada
Do sabor a carne
Do cheiro a queimado
De incenso enviesado
À altura da sua morada.
Ela é o que é, inventiva
Na razão de tudo querer
E não poder senão o pino fazer,
Acrobacias, ao longo das laudas
Que se arrastam incautas para o alto.
Ela é o que é, selectiva
Nos caninos longos e sedentos
Do vazio que vem do ventre
A pingar compaixão, cruel
O brilho que a moral neles esfrega
Todos os dias ao sair de casa.
Ela é o que é e não ilude
Autofágica e prenhe em similitude
Do que tende a fundo à individualidade,
A marcar passo do ardor outrora perdido
Para sempre o uníssono afogado em nada.
De braços abertos ao cenho cerrado
Ela é o que é e não mais ilude
Mesmo e sobretudo ao ser cantada.
Basta olhar o teu olhar
Conspícuo e negro
O modo de pousares a mão
No meu braço curto e dorido.
Ela é mesmo o que parece
No passo lento do fito de que carece
E disso padece ao sair à rua
Nua e por demais pintada.
Ela é o que é, vil matéria
Inventiva, selectiva, ogre que vai
E vem ao sabor do logro no labor
Cego o saber sórdido todo ao dispor
Do culto da lacuna no empenho
- De nada a valer cerzir o cenho;
E não ilude, é o que parece
Para além da voz de que carece;
Ela é o que é, poço fundo cheio
De anátemas indexados à prece
Pedra, gelo, promessas, nevoeiro
A dar forma à derradeira saída,
Por demais que se tome por leonina,
Exangue na sua condição de sendeiro.
Que a ilusão seja connosco
Tal qual a direcção dos ratos
Ao longo do barco que se afunda.
Dezembro de 2006
............ para acabar em beleza…………….
VI. “Un regalo para usted”
1, 13, 28, os números mágicos
Para em Maio se poder ganhar
Juízo e não fátuos milhões,
Que de resto ao longo dos anos
Na tola e bolsa ir-nos-ão faltar
A par do facto de já não termos …….
03/05/2007
Tomás de Oliveira Marques
Etiquetas: Maio Maduro Maio, Poesia, Tomás de Oliveira Marques
30.4.07
"NO DIVà COM SATÔ de Tomás de Oliveira Marques
Composição ditirâmbica
À vista da Torre de Belém
Com o fito mefistofélico
Dos meninos se portarem bem
I. “Mea Culpa”
Santana, pelo túnel perdoa
Ataquei-te ao mínimo cabelo.
Agora, quando saio de Lisboa,
Sinto que fui já Velho do Restelo.
Tal qual o pudico Centro de Belém
Face à barbárie apodei de Comercial,
Ao deixares o poleiro deixei por bem
O que o Mosteiro ladeia de achar mal.
Pois é, isto de ser a sério intelectual
De esquerda que para o centro corre
Tem que se lhe diga, faz rir, sobretudo
No mundo onde o siso dorme e julga mal
O jugo do qual a banalidade incorre
Em erro para afinal “acertar” em tudo.
Eis-me por fim deitado no divã
Do resto da vida a ouvir Josquin **
Preso ao medo de estar por um fio
Trocar a música que tolhe Satã
Pela de “Passa por mim no Rossio”.
** (É isso mesmo: Josquin, sec. XV, e não Chopin)
27/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
II. “Do direito à vida”
Até Quinhentos, a mulher não existia
Não tinha alma, antes de Trento.
Depois, mesmo sem a ecografia,
Talvez por milagre, a Igreja teve tento.
Tento tolhido na estulta tentação
Dos loyolas em “cogito lingus” com o poder.
Vai daí, sopra supra a Inquisição
Foi p’rá queima o direito de viver.
Repete-se agora a triste história
Com bolor, passado meio milénio.
Há textos, ecografias, falta memória
Da treta a tratar-se por quinquénio.
Fica então o direito à vida assente
Por cálculo ou cegueira por quinquénio.
Mas, face à trela da tecnologia, o crente
Tropeça agora tal qual há meio milénio.
30/11/2006
10/02/2007
Tomás de Oliveira Marques
III. “IVG”
Crescei e multiplicai-vos
Em prol de uma prole de trela
A encher o planeta de fedelhos
Apenas para parir conselhos
Sobre isto e aquilo sem parar
De pensar no sexo a solução
Do tempo, d’abjurar e abortar
Tendo em conta na alma os pintelhos
Da subtil arte da proliferação
Perdida à partida a favor dos coelhos.
08/02/2007
10/02/2007
Tomás de Oliveira Marques
IV. “Discernimento I”
Deus existe.
Vi-O há tempos, atrás
De uma moita moído
A esconder-se condoído
Dos seus mais ferozes
Publicita-dores.
2005
Tomás de Oliveira Marques
V. “Discernimento II”
De pés juntos e sonhos
Para a frente esticados.
Na barriga, como os defuntos,
Os dedos para sempre cruzados.
Assim apontamos o futuro
Ao vê-lo de olhos fechados.
Ah, como sabe bem o chão duro
Ao batermos as asas nele deitados.
10/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
VI. “NO DIVÃ COM SATÃ - Epílogo”
Satã, até à próxima
Hás-de de novo voltar
Dos vãos trabalhos de parto
Na senda do cerne da Dor
A este divã tuas penas partilhar
Desta vez contigo, angélico leitor.
29/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
Etiquetas: Aborto, Deus, No Divâ com Satã, Poesia, Santana Lopes, Tomás de Oliveira Marques
24.4.07
"O Ouro do Tejo" de Tomás de Oliveira Marques
O OURO DO TEJO
TETRALOGIA sob o triste e trôpego mote
“Lá vamos cantando e rindo”
Três nocturnos para despertar
I. “Portugal 2007-2009”
José Sócrates querem-te imolar
Por medo talvez ao que aí vem.
Do teu carácter a fundo nada sei
Mas por alto a solidez não custa imaginar.
O que eu sei destas “miudezas” são as razões
Dos talhantes não serem lá muito de fiar.
II. “Portugal 2005-2009”
José Sócrates querem-te imolar
No altar do medo ao que aí vem.
Do teu carácter a fundo pouco sei
Mas por alto a mal não fica bem julgar;
Ou melhor: por alto o que é baixo
Não habita em ti de modo larvar;
Ou melhor, ainda: por alto aposto em ti
A virtude em surdina com baton a bailar.
Pecados da juventude? Quem os não tem.
Estigma da portugalidade? Isso passa com a idade.
Seja o que for, para nós, nunca um santo a governar.
Enfim, tenho dúvidas e espreito o sexo
Das insinuações lançadas para te tramar.
O que eu sei destas “miudezas” é a razão
Do talhante não ser lá muito de fiar.
III. “Portugal 1143-2009”
Desconfio do homem sem um vício sequer
Da moral que sai à rua toda tapada.
E haja cuidado com o diabo nos que rezam
Em prol de um santinho a governar.
P.S.: Um santo a governar! Dado toda a regra parir uma excepção, já agora a RTP podia confirmar junto dos contribuintes (chamadas mais IVA, não esquecer) se, em matéria de santidade na governação ao longo dos nossos oito séculos desgovernados, a excepção foi, de facto, o santinho do Salazar:
Lisboa 12/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
MAS OUTROS MAIS ALTOS VALORES SE LEVANTAM…
“Três Nocturnos em memória de Carlos Paredes”
I.
Pintar a fundo
O fundo que bordeja
As dores do seu país…
Foi o que fizeste, mestre
Sempre, só e sem medrar
Ao esgar no rosto latente
Dos que muito dão e nada
Hão-de cobrar às vidas servis.
Das tuas penas, quantos os “pátrios”
De lado as olharam e agora que te foste,
A eito já se prestam a bífidas loas.
De vergonha emudeço e a avalancha
Desses teus imensos dedos contraponho
Ao sonho cavo das línguas vis.
II.
Pintar a fundo o fundo
Da distância do âmago de si
Ao alheio que gera e cerca e bordeja
A dor de quem a sério ao espelho
Dos outros, dele mesmo por fim ri.
III.
Caminhar lesto para longe
Muito longe do ruído de fundo
No rosto estampado dos tempos que correm…
E levar connosco um punhado de notas
Raras, a dar voz ao Silêncio do Mundo
Algures na humanidade agachada
A música dos que O vivem e sofrem.
Lisboa 2005
Tomás de Oliveira Marques
… E VALORES MAIS ALTOS AINDA, ATÉ AO INFINITO…
“Das Sete Palavras na Cruz”
Nas Tuas Mãos os dados
Estão lançados, o grifo
Dos danos e a dolência
A fulgir do abismo,
Onde a Sede de Si
Por si consumar-se-á.
(Dedicado ao Quarteto Divino Sospiro, aquando da execução do sublime quarteto de Haydn, no CCB, em 03/04/2007)
Lisboa 03/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
… MAS, HUMANO, DEMASIADO HUMANO,
LÁ TENHO QUE RETROCEDER AO QUOTIDIANO …
“From América with love”
Deixará um dia de ser permitido
O porte d’arma nas mentes embebido
Da fé – olaré – de poder à vontade matar.
Mas nem tudo está ainda perdido
Continuará a ser, por sorte, proibido
Nos “campus”, salões, na hora da morte fumar.
Ai Portugal, Portugal que bates às portas
Dos ricos e, andrajoso, não te importas
Desse filão o veio estar já inquinado;
Se daqui não te pões a pau e cuidado
Não tomas com o que às cegas importas
Aí sim, irás passar um mau bocado.
Lisboa, num Domingo
de Abril de 2007
Tomás de Oliveira Marques
Etiquetas: Carlos Paredes, Haydn, José Sócrates, Poesia, Sete Palavras de Cristo, Tomás de Oliveira Marques
Arquivos
- 11/03
- 03/04
- 04/04
- 05/04
- 06/04
- 07/04
- 08/04
- 09/04
- 10/04
- 11/04
- 12/04
- 01/05
- 02/05
- 03/05
- 04/05
- 05/05
- 06/05
- 07/05
- 08/05
- 09/05
- 10/05
- 11/05
- 12/05
- 01/06
- 02/06
- 03/06
- 04/06
- 05/06
- 06/06
- 07/06
- 08/06
- 09/06
- 10/06
- 11/06
- 12/06
- 01/07
- 02/07
- 03/07
- 04/07
- 05/07
- 06/07
- 07/07
- 09/07
- 10/07
- 11/07
- 12/07
- 01/08
- 02/08
- 03/08
- 04/08
- 05/08
- 06/08
- 07/08
- 09/08
- 10/08
- 12/08
- 01/09
- 02/09
- 03/09
- 04/09
- 07/09
- 11/09
- 02/10
- 03/10
- 03/11
- 04/11
- 05/11
- 06/11
- 09/12
- 05/13
- 06/13
- 07/13
- 08/13
- 09/13
- 10/13
- 11/13
- 12/13
- 01/14
- 02/14
- 03/14
- 04/14
- 05/14
- 06/14
- 07/14
- 09/14
- 01/15
- 05/15
- 09/15
- 10/15
- 03/16


