
14.1.09
Policarpo e os casamentos com muçulmanos
O comentário de D. José Policarpo sobre o casamento de mulheres cristãs com muçulmanos praticantes tem toda a razão de ser.
A intolerância e o fanatismo, o relegar das mulheres para segundo plano, e tratá-las como seres de segunda, é prática habitual e tenho-a presenciado em muitos países de maioria de muçulmanos que tenho visitado. Até na "laica" Turquia o papel da mulher é secundário. Se fizermos o passeio da Palestina para "ocidentalizada" Jordânia e acabarmos na medieval Arábia Saudita as coisas vão de mal a pior.
Uma coisa é conversão informada e convicta (só se mete naquilo quem quer), outra é tentar manter as convicções num casamento inter-religioso. D. José Policarpo tem toda a razão, estamos aqui a considerar factos e não ilusões, estamos a falar do muçulmano praticante médio e não de um ideal, quase inexistente, de tolerância que não existe na prática muçulmana.
E eu li o Corão. O que acentua tudo o que escrevo acima...
A intolerância e o fanatismo, o relegar das mulheres para segundo plano, e tratá-las como seres de segunda, é prática habitual e tenho-a presenciado em muitos países de maioria de muçulmanos que tenho visitado. Até na "laica" Turquia o papel da mulher é secundário. Se fizermos o passeio da Palestina para "ocidentalizada" Jordânia e acabarmos na medieval Arábia Saudita as coisas vão de mal a pior.
Uma coisa é conversão informada e convicta (só se mete naquilo quem quer), outra é tentar manter as convicções num casamento inter-religioso. D. José Policarpo tem toda a razão, estamos aqui a considerar factos e não ilusões, estamos a falar do muçulmano praticante médio e não de um ideal, quase inexistente, de tolerância que não existe na prática muçulmana.
E eu li o Corão. O que acentua tudo o que escrevo acima...
17.12.07
Fim de Tarde
Algures um cão ladra, agora descobriu onde está a lata dos biscoitos e com o seu ar pachorrento e independente coloca-se debaixo da dita lata, quando alguém entra na cozinha olha para pessoa e depois para a lata. Dá um subtil latido com a sua voz de baixo profundo de Cão Serra da Estrela à espera de biscoito. Não, ele não se compraz com um biscoito de manhã e outro ao deitar. "Ganhou vício dos biscoitos". Não o condeno, eu tenho o vício de comprar Cd's e mais cd's, muitas vezes sem os ouvir, hoje recebi mais uma gravação pelo correio, uma carta de 1943, era do Hans Hotter, do Michael Raucheisen, de Aksel Schiotz e de Gerald Moore, a cantar mais uma viagem de Inverno e uma Bela Moleira. É mesmo um tempo de Inverno este, o de 1943 e talvez o de hoje que ainda não entrou, um frio que gela o corpo que recorda um frio de gelar a alma. Quando passeio pelo campo pelas cinco da tarde neste Dezembro quase tardio e contemplo a luz do fim da tarde não deixo de pensar no cão, como ele gosta de passear de carro, como gosta de biscoitos e como eu gosto do frio e da luz do sol ao fim da tarde, gelado e sem música, apenas uma memória, apenas o frio cortante de uma viagem de Inverno do Hans Hotter cantada no Inverno interminável de um tempo sem futuro. Aqui sem neve mas com o Homem do Realejo escondido em cada esquina.
Etiquetas: Deus, Divagações, Hotter, Winterreise
30.4.07
"NO DIVà COM SATÔ de Tomás de Oliveira Marques
"NO DIVà COM SATÔ
Composição ditirâmbica
À vista da Torre de Belém
Com o fito mefistofélico
Dos meninos se portarem bem
I. “Mea Culpa”
Santana, pelo túnel perdoa
Ataquei-te ao mínimo cabelo.
Agora, quando saio de Lisboa,
Sinto que fui já Velho do Restelo.
Tal qual o pudico Centro de Belém
Face à barbárie apodei de Comercial,
Ao deixares o poleiro deixei por bem
O que o Mosteiro ladeia de achar mal.
Pois é, isto de ser a sério intelectual
De esquerda que para o centro corre
Tem que se lhe diga, faz rir, sobretudo
No mundo onde o siso dorme e julga mal
O jugo do qual a banalidade incorre
Em erro para afinal “acertar” em tudo.
Eis-me por fim deitado no divã
Do resto da vida a ouvir Josquin **
Preso ao medo de estar por um fio
Trocar a música que tolhe Satã
Pela de “Passa por mim no Rossio”.
** (É isso mesmo: Josquin, sec. XV, e não Chopin)
27/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
II. “Do direito à vida”
Até Quinhentos, a mulher não existia
Não tinha alma, antes de Trento.
Depois, mesmo sem a ecografia,
Talvez por milagre, a Igreja teve tento.
Tento tolhido na estulta tentação
Dos loyolas em “cogito lingus” com o poder.
Vai daí, sopra supra a Inquisição
Foi p’rá queima o direito de viver.
Repete-se agora a triste história
Com bolor, passado meio milénio.
Há textos, ecografias, falta memória
Da treta a tratar-se por quinquénio.
Fica então o direito à vida assente
Por cálculo ou cegueira por quinquénio.
Mas, face à trela da tecnologia, o crente
Tropeça agora tal qual há meio milénio.
30/11/2006
10/02/2007
Tomás de Oliveira Marques
III. “IVG”
Crescei e multiplicai-vos
Em prol de uma prole de trela
A encher o planeta de fedelhos
Apenas para parir conselhos
Sobre isto e aquilo sem parar
De pensar no sexo a solução
Do tempo, d’abjurar e abortar
Tendo em conta na alma os pintelhos
Da subtil arte da proliferação
Perdida à partida a favor dos coelhos.
08/02/2007
10/02/2007
Tomás de Oliveira Marques
IV. “Discernimento I”
Deus existe.
Vi-O há tempos, atrás
De uma moita moído
A esconder-se condoído
Dos seus mais ferozes
Publicita-dores.
2005
Tomás de Oliveira Marques
V. “Discernimento II”
De pés juntos e sonhos
Para a frente esticados.
Na barriga, como os defuntos,
Os dedos para sempre cruzados.
Assim apontamos o futuro
Ao vê-lo de olhos fechados.
Ah, como sabe bem o chão duro
Ao batermos as asas nele deitados.
10/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
VI. “NO DIVÃ COM SATÃ - Epílogo”
Satã, até à próxima
Hás-de de novo voltar
Dos vãos trabalhos de parto
Na senda do cerne da Dor
A este divã tuas penas partilhar
Desta vez contigo, angélico leitor.
29/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
Composição ditirâmbica
À vista da Torre de Belém
Com o fito mefistofélico
Dos meninos se portarem bem
I. “Mea Culpa”
Santana, pelo túnel perdoa
Ataquei-te ao mínimo cabelo.
Agora, quando saio de Lisboa,
Sinto que fui já Velho do Restelo.
Tal qual o pudico Centro de Belém
Face à barbárie apodei de Comercial,
Ao deixares o poleiro deixei por bem
O que o Mosteiro ladeia de achar mal.
Pois é, isto de ser a sério intelectual
De esquerda que para o centro corre
Tem que se lhe diga, faz rir, sobretudo
No mundo onde o siso dorme e julga mal
O jugo do qual a banalidade incorre
Em erro para afinal “acertar” em tudo.
Eis-me por fim deitado no divã
Do resto da vida a ouvir Josquin **
Preso ao medo de estar por um fio
Trocar a música que tolhe Satã
Pela de “Passa por mim no Rossio”.
** (É isso mesmo: Josquin, sec. XV, e não Chopin)
27/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
II. “Do direito à vida”
Até Quinhentos, a mulher não existia
Não tinha alma, antes de Trento.
Depois, mesmo sem a ecografia,
Talvez por milagre, a Igreja teve tento.
Tento tolhido na estulta tentação
Dos loyolas em “cogito lingus” com o poder.
Vai daí, sopra supra a Inquisição
Foi p’rá queima o direito de viver.
Repete-se agora a triste história
Com bolor, passado meio milénio.
Há textos, ecografias, falta memória
Da treta a tratar-se por quinquénio.
Fica então o direito à vida assente
Por cálculo ou cegueira por quinquénio.
Mas, face à trela da tecnologia, o crente
Tropeça agora tal qual há meio milénio.
30/11/2006
10/02/2007
Tomás de Oliveira Marques
III. “IVG”
Crescei e multiplicai-vos
Em prol de uma prole de trela
A encher o planeta de fedelhos
Apenas para parir conselhos
Sobre isto e aquilo sem parar
De pensar no sexo a solução
Do tempo, d’abjurar e abortar
Tendo em conta na alma os pintelhos
Da subtil arte da proliferação
Perdida à partida a favor dos coelhos.
08/02/2007
10/02/2007
Tomás de Oliveira Marques
IV. “Discernimento I”
Deus existe.
Vi-O há tempos, atrás
De uma moita moído
A esconder-se condoído
Dos seus mais ferozes
Publicita-dores.
2005
Tomás de Oliveira Marques
V. “Discernimento II”
De pés juntos e sonhos
Para a frente esticados.
Na barriga, como os defuntos,
Os dedos para sempre cruzados.
Assim apontamos o futuro
Ao vê-lo de olhos fechados.
Ah, como sabe bem o chão duro
Ao batermos as asas nele deitados.
10/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
VI. “NO DIVÃ COM SATÃ - Epílogo”
Satã, até à próxima
Hás-de de novo voltar
Dos vãos trabalhos de parto
Na senda do cerne da Dor
A este divã tuas penas partilhar
Desta vez contigo, angélico leitor.
29/04/2007
Tomás de Oliveira Marques
Etiquetas: Aborto, Deus, No Divâ com Satã, Poesia, Santana Lopes, Tomás de Oliveira Marques
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