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29.1.06

Professor Marcelo 

O infatigável professor Marcelo lá matou mais um, depois do Henrique Barrilaro Ruas, acabou de matar Valéry Giscard d'Estaing ao dizer, no "As Escolhas de Marcelo", que dos ex-presidentes franceses não restava nenhum "que estavam todos mortos".
Até poderia ter aproveitado o facto de d'Estaing ter contribuído, na tal utilidade pós presidencial dos ex-presidentes, para a Constituição Europeia que, essa sim, morreu antes do parto.
É assim mesmo professor Marcelo, "mate-los" antes que eles se mexam, ou se remexam, felizmente que, neste caso, o morto não deve ter tido conhecimento do seu próprio óbito pelas palavras em directo do irrequieto professor.
Quem será o próximo?

27.1.06

Mozart 

Não posso dizer que Mozart seja o meu compositor preferido, nem sequer consigo ter um compositor preferido, mas Mozart nunca seria um candidato. Depois de perceber as maravilhas de Monteverdi ou de Schütz, depois de ter passado anos a ouvir a obra de Bach, depois de redescobrir um Handel destruído durante décadas por interpretações manhosas ao qual o Mozart não seria alheio, o Mozart que eu ouvia deliciado aos 10 anos, talvez nessa altura talvez tenha sido o meu compositor preferido, foi-se diluindo no seu génio fácil e perfeito num tempo próprio.
Quando hoje olho para uma partitura de Wagner, um Tristan ou uma Walküre ou um Götterdämmerung apercebo-me do génio relativo de Mozart, mas um génio maior apesar de tudo.

Depois há coisas que me irritam solenemente, uma delas é Salzburg, uma cidade relativamente horrível que vive à conta da negociata Mozart depois de ter tratado vergonhosamente Mozart em vida, mais o tal arcebispo que lá está enterrado na catedral com direito a retrato e que despediu Mozart com um pontapé no traseiro, para bem do próprio Mozart que era tratado como criado ao contrário de outros grandes senhores que deram outra consideração aos grandes compositores, apreendidos como grandes vultos do seu tempo (como Schütz). Viena padece do mesmo mal de Salzburg, em menor escala por ser uma cidade maior, com a tal casa do Mozart, onde nada existe de Mozart, para alimentar mais uma negociata, mas isso são irritações passageiras a par dos bombons horripilantes com a cara do Mozart, os fulanos que andam vestidos à Mozart, mas de ténis, a distribuir panfletos e a interminável lista de concertos de Mozart, geralmente em interpretações péssimas para turista enganar.
Enfim, faz hoje anos, 250 mais precisamente, o negócio Mozart continua em jornais e revistas, em rádios, sem os agentes se aperceberem disso. Um dia que fica e passa e amanhã será outro dia. Edições discográficas, vendas de discos e livros e mais negócio.
O pobre Mozart na sua vala comum continua a ser um compositor maltratado por interpretações escolares, por orquestras pouco vocacionadas para o estilo clássico, por instrumentos modernos que não dão o sabor verdadeiro da sua obra, por cantores que usam o vibrato de forma excessiva e berram como bodes, eles e elas, e usam e abusam de um estilo totalmente desajustado ao tempo e obra de Mozart. Mas isso fica para o resto do ano... a par do génio verdadeiro do compositor.


23.1.06

Estávamos tão sossegados 

Estavamos nós a escutar o Tristan und Isolde de Böhm, 1966, Nilsson, Windgassen, Christa Ludwig, Martti Talvella e Eberhard Waechter, isto depois de uma Walküre com London, Vickers e a mesma Nilsson esta tarde; a morte - de Nilsson e London - tem destas coisas: leva-nos a reviver, através do registo sonoro, aqueles que perduram até à eternidade. Após o primeiro acto do Tristan damos uma volta pelos blogues e observamos o nosso amigo João Gonçalves a distribuir pancadaria pós eleitoral em tudo o que mexe. Reparamos com espanto que aqui somos mimados com a chamada "versão monárquica".
Enfim, depois de aqui termos andado a dizer cobras e lagartos da república portuguesa (sempre com minúscula tal como o regime) dos últimos noventa e cinco anos bem pode ser que nos confundam com ideais monárquicos. Para que fique claro achamos igualmente maus os últimos duzentos e cinquenta anos de monarquia.
Quer João Gonçalves que nós digamos que Cavaco sabe comer em público ou que conhece bem os dramas musicais de Wagner?
E esta! Estamos a utilizar o plural. Um acto falhado como o da divisão da esquerda? Isto não nos está a correr bem... voltamos ao segundo acto do Tristan que não se coaduna com teclados a matraquear.


Continua o défice ou a eleição presidencial 

A abstenção nestas eleições atingiu 3 milhões e trezentos mil eleitores, Cavaco teve muito menos votos do que isso. O PS já governa com pouco mais de 20% de votos entre os eleitores possíveis. A maioria presidencial, extinta no momento da eleição é certo, corresponde à vontade expressa de apenas 31% dos eleitores possíveis. Existe um gravíssimo défice democrático que no meu entender é mesmo mais grave do que isso, é um défice de regime. Grande parte da população portuguesa vive para além das eleições e do fenómeno político, já não se interessa. Um desencanto perigoso.

Francisco Louçã: num terrível acto falhado, que Freud explicou tão bem, começou a sua declaração dizendo que "contribuiu para a divisão da esquerda..." que declaração fantástica, que gaffe oportuna. Teve menos votos do que o Bloco de Esquerda nas últimas legislativas, para um padre moralista de esquerda foi bom perceber que vale menos do que o seu partido. Teve o que merecia.

Jerónimo de Sousa apontou com razão a vitória de Cavaco: desinteresse do PS, irresponsabilidade de Sócrates. Lutou, valeu mais do que o seu partido nas últimas eleições. Faz falta ao país um homem honesto e que defende os trabalhadores e os desfavorecidos com unhas e dentes. Não cumprimentou Cavaco por ter ganho, chamou-lhe hipócrita. Cumprimento-o por isso, soaria mal ter Jerónimo a saudar Cavaco como Louçã fez. Jerónimo é um homem para quem um político não deve ser hipócrita, talvez por isso não consiga passar dos 9%, ser verdadeiro não rende muito em política para além da luta que trava e da sua consciência. Não acredito que tenha preparação para ser presidente da república mas talvez merecesse mais votos e vai ter mais no futuro.

Soares, um pobre idoso, um homem que não merecia isto, cometeu o erro crasso, nas suas palavras, de se candidatar enganado por Sócrates. Também incapaz de uma palavra para Alegre, muito melhor colocado para derrotar Cavaco do que ele próprio, demonstrou a sua actual falta de condições para ser, de novo, o presidente. Sobretudo um presidente complacente e dependente de quem o escolheu como candidato.
Soares foi desde o início um derrotado pela falta de entusiasmo e participação do PS e da população, acabando nas eleições humilhantemente derrotado depois de afirmações autistas de vitória apenas dois dias antes. Mas Soares, idoso e crédulo, não é o responsável pela sua derrota humilhante, os responsáveis são Sócrates e os homens do aparelho do PS. A verdadeira coragem de Soares deveria ter sido uma desistência a favor de Alegre mas como todos os velhos habituados ao poder e a mandar, desde o tempo do bispo de Gil Blas, não soube reconhecer o momento de se retirar com dignidade e sujeitou-se ao jogo de outros. Teve o que merecia.

Uma palavra para Joana Amaral Dias que foi talvez a pessoa mais empenhada e, talvez, mais enganada, e muito por ela própria. No meio disto tudo, que lição tirará?... Persistirá na asneira de se aliar à decadência do sistema, enganada pelo maquiavelismo socrático? Os próximos tempos dirão se veremos a Joana Dias a receber uma "justa" recompensa do aparelho socialista ou a regressar aos ideais próprios da sua juvenil idade.

Sócrates, deselegante, revanchista, de mau perder, o principal derrotado da noite, mostrou do que é capaz o seu feitio odiento, a sua declaração repugnante não mencionou Alegre, e foi feita apenas para tapar o que o segundo mais votado dizia quando enunciava a sua declaração. Evidentemente o povo não é estúpido, os resultados eleitorais provam a sua impopularidade e a sua forma mentirosa de fazer política, apesar das sondagens imbecis do Expresso feitas por uma empresa pouco credível, como se provou hoje. Sócrates alia a arrogância e deselegância demonstrada com, e sobretudo, impreparação, falta de fair play e incapacidade de engolir uma derrota. Felizmente encontrou pela frente um Manuel Alegre que lhe deu uma lição enorme de cidadania e de tenacidade. A cegueira de Sócrates tirou uma possível vitória à esquerda. Mas difícil de prever por gente tão enquistada nos vícios e tão embrenhada nos aparelhos partidários e em manobras mesquinahs de baixa política. Talvez tenha ganho o candidato melhor para Sócrates, talvez não, esperemos que não...

Alegre não seria um bom presidente, esteve a uma unha negra de derrotar Cavaco, o que aconteceria se passasse à segunda volta, estou quase certo disso. Boa voz e poesia, impreparação, diletantismo, preguiça, vaidade e presunção. Não seria um bom presidente, cheio de verdades absolutas sobre o sistema, incapaz da dúvida política sobre a suas próprias bases, capaz das tiradas mais sonantes mas ao mesmo tempo mais acéfalas que o espírito humano foi capaz de engendrar, recordo a comparação entre o messianismo de Sebastião e o de Sidónio Pais... Não daria um bom presidente, mas foi óptimo para derrotar Sócrates e Soares. Teve o que merecia.

Uma palavra para Cavaco. Parece-me um homem do regime e não espero dele grande coisa.
Será capaz de encarnar uma força transgressora neste regime corrupto e podre? Será capaz de responder aos anseios de vida melhor por parte de quem o elegeu?
Cavaco eleito por sufrágio universal e directo com um programa difícil de cumprir no actual quadro constitucional, como fará para impor as ideias sufragadas agora? Para já: parabéns ao novo presidente.
Todavia creio que é mais um presidente impreparado intelectualmente, inculto, pouco sofisticado, rústico, pouco flexível para lá das boas intenções, teimoso nas suas ideias economicistas, obstinado e obcecado pela estabilidade. O futuro dirá se é apenas mais um para somar à lista das 16 excelssas nulidades que ocuparam a cadeira presidencial até hoje...

Finalmente uma nota para as sondagens que davam colagem (ou vantagem) de Soares sobre Alegre, com resultados finais claramente fora da margem de erro associada ao número de elementos da amostra.
Será que desta vez o Expresso vai rescindir com a empresa que realizou a sondagem?

20.1.06

Sondagens e erros 

Numa sondagem de opinião acontece um facto curioso, que creio não ser do conhecimento público habitual:
Quando se quer reduzir o "erro" da sondagem para metade tem de se multiplicar o número de elementos da amostra por quatro. Por isso é que em Portugal existem geralmente dois tipos de sondagens:
As com cerca de 4000 elementos na amostra (Católica por exemplo).
As sondagens tipo Marktest que chegou a apresentar amostras de 600 e que hoje termina com 1400, geralmente andam pelos 1000 elementos. O erro da sondagem de hoje anda pelos 2.6%.

É notável que sondagens com amostras pequenas sirvam para tirar tantas conclusões e tão peremptórias, escamoteando muitas vezes a distribuição dos indecisos.

O que significa este "erro"? Centremos a nossa análise na sondagem da Marktest, que é a que me parece mais esclarecedora, mais falível e pouco credível. O erro é apenas uma medida estatística centrada no indicador, quer dizer que Cavaco, por exemplo, tendo 53% de respostas afirmativas, intenções, terá a sua votação entre 50.4% e 55.6%. Isto com 95% de confiança (não escrito na edição online do DN) o que significa que só em 95% das previsões com estes resultados amostrais o intervalo acima se confirmará, se quisermos aumentar a confiança para 99% o intervalo, o tal "erro" aumenta muito como qualquer estudante sabe e pode consultar numa tabela. Ou seja, uma sondagem com uma amostra pequena é algo muito falível. Dizer por exemplo que Garcia Pereira desceu de ontem de 0.6 para 0.5 continua a ser uma calinada grossa, significa que em 1400 indivíduos 7 pessoas responderam sim a Garcia Pereira, ontem foram os mesmo 7 sins numa amostra mais pequena ou eventualmente a amostra terá apanhado menos um sim a Garcia hoje, este indicador não vale nada.
Outro dado curioso é que esta sondagem do DN não nos dá indecisos, nos 1400 existem indecisos? Quantos foram redistribuidos? Não sei, nesta redistribuição reside outra forma de manipulação de sondagens, permite nomeadamente "acertar" a sondagem com as outras, de empresas mais credíveis, que sairam ontem e vão sair hoje e evitar passar vergonhas no dia das eleições. É muito estranho do ponto de vista matemático que uma sondagem tenha posto Cavaco a descer dia a dia muito menos do que a margem de erro, com uma excepção marginal de 0.1% num dos dias e irrelevante estatisticamente, a distribuição subjacente é normal e a probabilidade de, com uma amostra tão pequena, haver subidas e descidas (superiores a um ponto) é enorme. O que aconteceu nas sondagens do DN é quase impossível estatisticamente. Até os dados ou roletas viciados dão todos os valores possíveis. Mais estranho ainda é precisamente no último dia se ter invertido essa tendência.
A votação de Louçã e de Jerónimo: estão dentro do mesmo intervalo, é impossível dizer com esta amostra qual dos dois está à frente, ao contrário do que diz o jornal, 7 e 6.5 são a mesma coisa com um intervalo que anda entre os 4 e os 9 pontos com uma certeza de 95%. É absolutamente irrelevante, em termos estatísticos uma diferença de 0.5%. São (a acreditar que não há indecisos, o que é outra aberração) uma diferença de 7 pessoas em 1400, já mencionada, que preferem Jerónimo a Louça. É também uma aberração vender décimas quando apenas há dois algarismos significativos, um erro que a Marktest faz e que valeria negativa num exame da faculdade a qualquer aluno. Repare-se nos dados da Católica: são apresentados apenas com as unidades, e tem uma amostra muito maior e com um erro mais pequeno.
Não se podem tirar mais conclusões do que os números permitem. Sondagens com 1000 indivíduos são altamente falíveis, sobretudo para as indicações pequenas e muito pequenas. Este trabalho da Marktest vem vendido como se fosse a última revelação de Sócrates antes da cicuta mas é a última manipulação de Sócrates antes ... da cicuta!
E como se diz no Editorial do mesmo jornal "por mais perversos que sejam os seus efeitos", digo eu agora: não é uma sondagem deste tipo que influenciará a consciência dos votantes.

19.1.06

Mais sondagens 

Diário de Notícias de novo ao longo de dias. Como é possível um articulista dizer que Garcia Pereira está a subir ou descer nas sondagens? Numa amostra com cerca de mil indivíduos Garcia Pereira arrebata 0,6%. As amostras são diferentes em cada dia, 0.6% serão quantos indivíduos? Deixa lá ver, bem 0,6% vezes 1000, são 6 respostas!! Como é que se pode dizer que um candidato subiu os desceu se num dia tem 6 e noutro 7 ou 5 indivíduos a responder numa amostra com com apenas 1000 elementos? É totalmente irrelevante e fruto do acaso puro e simples.
Outra coisa maravilhosa: "As maiores votações de Francisco Louçã e Garcia Pereira são, respectivamente, em Lisboa (10,7%) e Porto (1%)." Isto quer dizer que se a amostra no Porto tem 100 indivíduos, Garcia Pereira obteve uma intenção! Se amanhã não tiver nenhuma intenção será uma descida catastrófica de Garcia Pereira? Comentários para quê? Será um estagiário este Manuel Carlos Freire que assina estes comentários às sondagens?

Outro dado que me levanta grandes dúvidas, e neste caso matemáticas, que apontam claramente para uma manipulação da sondagem ou para uma técnica deficiente, é a descida diária de Cavaco Silva até valores próximos dos 50% ao longo de semanaas. Se repararmos a descida de Cavaco é sempre muito menor do que a margem de erro de dia para dia. Se considerarmos que o erro tem sido sempre na casa dos 3% a probabilidade de isto acontecer realmente, ou seja de as flutuações naturais obtidas na constituição da amostra não subirem o resultado de Cavaco num dos dias destas últimas semanas é menor do que 1%, mesmo admitindo que a intenção na população estaria realmente a descer. Significa isto que com 99% de certeza as sondagens têm sido: manipuladas ou realizadas de forma incorrecta do ponto de vista técnico. Será que a realidade ultrapassa a ficção, ou quando se quer uma ficção demasiado perfeita se acabam por cometer erros?

Dado final: A forma melhor de manipular uma sondagem não é adulterar os resultados finais, o que seria uma vigarice facilmente denunciável. É na constituição da amostra que as manipulações podem ocorrer, é uma forma fina de fazer as coisas. É também onde podem ocorrer os maiores erros por técnica deficiente. A matemática do tratamento dos resultados é básica, diria mesmo trivial. O mais difícil é a amostragem.

O eleitorado de Manuel Alegre escapa a raciocínios estabelecidos por resultados eleitorais anteriores e ocorre nas mesmas zonas em que Soares também terá mais votos, logo a contituição da amostra não altera muito a diferença entre Soares e Alegre. Por outro lado se a amostra tiver mais eleitorado urbano e litoral Sul é evidente que Cavaco será prejudicado. Como fazer uma sondagem diária com uma amostra de mil indivíduos variáveis? Uma sondagem que no início da série chegou a ter apenas uma amostra de 600 indivíduos que tem vindo a aumentar, estando agora na casa dos mil. A resposta é simples: telefone. Como aumentar a amostra diariamente? Telefonando a mais gente. Onde? Em Lisboa, no Porto, onde é mais fácil, onde mais gente está em casa, onde existem bases de dados. A amostra deixa de representar com fidelidade a população do país e explica-se sem grande esforço uma descida diária de Cavaco com o aumento urbano da amostra. É um palpite mas...


17.1.06

Factos notáveis 

VIeira da Silva, Ministro do Trabalho e da Segurança Social, vai dedicar um dia por mês ao desemprego, notícia da SIC. Se dermos de barato que em Agosto também vai estar ao serviço, estes 12 excelsos dias por ano vão ser mesmo decisivos nesta luta terrível que o governo trava.

Na mesma linha José Sócrates desloca-se ao Minho, se não caio em erro, para assinar um contrato qualquer de instalação de uma fábrica que terá 500 novos postos de trabalho! Este é o nível ao que o país chegou, um primeiro ministro ter de ir assinar um contrato com uns empresários para a instalação de uma fabriqueta de 500 funcionários... Se um secretário de Estado já seria demais até onde desce a visão da dignidade de Portugal por parte destes políticos?

As sondagens do DN.
um jornalista dizia na SIC que Alegre hoje tinha descido 1 ponto na sondagem do DN. Esclareço: Amostras com 600 a 800 indivíduos são totalmente irrelevantes sobre a possibilidade de subida ou descida de 1 ponto de um dia para outro. Imagine-se que Alegre teve 19% de intenções de voto e 3,44% de margem de erro com uma confiança de 95%. O que quer dizer é isto: com uma confiança de 95% o resultado de Alegre será entre 19%-3,44% e 19%+3,44%, ou seja o resultado deste candidato será de 15,56% a 22,44% em 95% dos casos, isto se a amostra for absolutamente aleatória, o que não é o caso (nunca é o caso).
A probabilidade de duas amostras diferentes de 800 indivíduos terem pelo menos um ponto de diferença no indicador "intenção de voto em Alegre" é muito elevada, mais de 90%. De estranhar será pois que com uma margem de erro de 3.44% usando duas amostras diferentes não haja flutuações estatísticas. Extrapolar subidas ou descidas de candidatos com base em amostras tão pequenas é uma asneira crassa de alguém absolutamente ignorante.

Facto extraordinário:
A forma como Sócrates já se anda a demarcar da derrota estrondosa de Soares, derrota única e exclusivamente devida a Sócrates que empurrou um pobre idoso para um combate político que num momento de clarividência política, cada vez mais raro, Soares classificou - anteriormente - de erro crasso. Foi um erro crasso, tudo o que se passou. A gestão da campanha, a agresssividade saloia de Soares contra Cavaco e contra os jornalistas. É também um erro crasso a escolha de João Paulo Velez, com qual até simpatizo, um homem que andou com Santana Lopes, o qual também se armou em vítima perante a imprensa. Velez é um assessor de imprensa de derrotados, com a imagem colada a Santana, Velez torna-se pouco credível junto da imprensa com Soares. E ainda está para descobrir se foi Velez que aconselhou ambos os políticos a vitimizarem-se perante os jornalistas...
Soares protagonizou um exemplo de sobranceria pouco esclarecida ao escarnecer da pouca cultura de Cavaco. É verdade que Cavaco é inculto, que vem do povo, mas é disso que o povo gosta, de um pai severo nos momentos de crise, de alguém que não seja muito diferente, é que o estranho afasta. Soares ao assumir-se como o candidato de uma esquerda culta e elitista, de uma esquerda burguesa, afasta o verdadeiro povo do seu caminho. Ao radicalizar afasta os moderados, ao fazer-se de vítima da imprensa atrai o gozo escarninho dos jornalistas, nem melhores nem piores que o resto da população.

Facto final:
Já pensou que ao votar está a dar dinheiro aos candidatos? 5000 salários mínimos serão distribuidos pelos candidatos que tiverem mais de cinco por cento dos votos. Cerca de 400000 contos ou cerca de 2000000 €. Oitenta por cento deste montante é decidido pelos eleitores. Se votarem 4 450 000 eleitores (número das eleições anteriores) cada voto conta cerca de 35 cêntimos, ou seja setenta escudos. Está disposto a dar 70 escudos a Mário Soares, a Louçã, a Jerónimo, a Cavaco ou a Alegre? Já reparou que se não votar, quem decidirá quanto cada candidato vai receber serão os outros?


15.1.06

Parabéns 

Não é bem o meu género, sou mais pela música do que pela ópera e seu folclore, se é que me consigo fazer entender sem ser mal interpretado. Respeito no entanto quem gosta do género à exaustão, é o caso do Ópera e Demais Interesses que faz um ano. Apesar da obsessão, que aliás confesso partilhar em parte por um génio que por acaso foi autor de "ópera" (entre aspas porque a Obra de Arte Total de Wagner é muito mais do que ópera): Wagner, considero o Blogue do Dissoluto Punito como muito interessante e digno de uma visita regular.
Parabéns!
Espero encontrar o autor do blogue "Ópera e ..." no próximo Festival de Bayreuth ou no Ouro do Reno em Berlim com a B. Ph. e Rattle a dirigir, se falhar estes encontros talvez em Salzburg, para a negociata operática à volta do aniversário do pobre Mozart... Este compromisso ainda é muito duvidoso, no meu caso, por não só detestar a cidade que tão mal tratou Mozart, como achar que o Festival de Salzburg é um evento abominável...

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14.1.06

Brincar ao Lully e mais uma pérola de tradução 

Hervé Niquet esteve na Gulbenkian na passada segunda feira, 9 de Janeiro. No programa de Jean Baptiste Lully o Dies Irae, Exaudiat te Dominus e o Te Deum. Os cantores foram umas razoáveis Stéphanie Révidat (um pouco aflita nas passagens mais complexas) e Anne-Marie Jacquin, primeiro e segundo dessus (sopranos), um inacreditável haute contre (neste caso um contratenor mas depois vim a descobrir que era um... tenor lírico), sem agudos e que não sabe cantar, Emiliano Honzalez Toro um taille (tenor) aceitável e com voz bonita e um baixo, Benoît Arnould pouco encorpado nos graves, mas suficiente em termos musicais e pujante no resto da tessitura.

Um coro grande de 10 cantores (!) pasme-se e um coro pequeno, com solistas, de 5 cantores. Uma orquestra de 14 elementos onde se contou com um trompete e tímbales...

Devo dizer que este foi dos mais desencorajantes, incorrectos e desinspiradores concertos a que assisti nos últimos tempos, soou-me a fraude musical e histórica.
Se eu afirmasse que era correcto do ponto de vista musical que uma sinfonia de Mahler ou o Götterdämmerung de Wagner poderiam ser feitos com uma orquestra do tamanho do Remix ensemble ou da Orchestrutópica, com um violino por parte, e com um coro de dois cantores por parte? Certamente as pessoas pensariam que eu estaria a tentar enganar o próximo ou que estaria a brincar. No entanto a Gulbenkian paga a um ensemble como o Concert Spirituel para apresentar Lully com peças de grande envergadura para grande orquestra, para acontecimentos de grande pompa, como um baptizado real, ou a morte de uma rainha, que fogem totalmente ao ordinário diário da capela, com catorze instrumentistas e quinze cantores!
Ao que falta a Lully em subtileza e em prosódia, certamente muito inferior a Charpentier na música sacra, ganha em pompa e efeito sonoro, em tensão e contraste entre as grandes massas vocais do grand choeur e do petit choeur, em efeitos de grande massa. A escrita dirigida a grandes massas de cantores e de instrumentistas para produzir o efeito desejado nos enormes espaços em que decorreriam as cerimónias sublinhadas pela música é totalmente diversa da escrita para pequenos ensembles em dias vulgares ou quando se dispõe de poucos meios, nesse caso a inspiração de Charpentier, não me canso de o citar, é manifesta: o que não tinha em grandes conjuntos instrumentais dispunha em recursos musicais, no uso de dissonâncias utilizadas de forma magistral, uma criteriosa utilização das tonalidades, o sublinhar musicalmente de certas palavras do textos com acentuações mais expressivas, que num pequeno espaço ou com um pequeno conjunto são evidentes e se tornam ineficazes em grandes cerimónias. Cerimónias onde contaria mais a produção sonora e o contraste entre a massa, a turba e os soli.
Se um mestre de capela apresentasse apenas 14 músicos para fazer um Te Deum para Luiz XIV e dispensasse os restantes seria punido severamente pelo rei que não deveria achar graça nenhuma à brincadeira.
Se hoje uma grande orquestra sinfónica se apresentasse com um quarteto de cordas para fazer uma sinfonia de Beethoven seria um escândalo.
Então porque razão o público da Gulbenkian na segunda feira passada não se insurgiu contra um orgânico totalmente descabido relativamente ao repertório apresentado?
É música antiga, pode-se fazer o que se quiser que o público não sabe, não nota.
Um conceito totalmente errado, aliás na própria estrutura da programação, pode-se pagar uma fortuna colossal a uma cantora pimba, como Gheoghiu, mas ter um Te Deum de Lully para Luiz XIV no seu instrumental correcto, que custaria mais uns escassos milhares de euros, não pode ser que é muito caro.
Onde estão as 12 teorbas citadas pelas fontes históricas? Duas anémicas teorbas que mal se escutam e neste caso até já estamos habituados, e duas já é um pau!
Cravo? Niquet já fez este repertório com cravo, onde está o cravo para reforçar as teorbas? Não está. Onde estão as violas da gamba? Nem uma, em seu lugar um roufenho violoncelo de cinco cordas, de som campónio e rude em vez das ressonâncias mágicas das suas augustas primas, admite-se um basse de violon mas como complemento sonoro das violas da gamba e nunca como seu parco substituto. Onde se já viu um Te Deum de Lully para o Rei Luiz catorze sem violas da gamba? Inacreditável se não fosse verdade, e feio. Um órgão positivo, quando nas partes atribuídas ao grand choeur seria certamente um grande órgão a travejar toda a construção. Um trompete, pobrezinho, num instrumento com buracos, o Steve Mason da própria orquestra Gulbenkian é capaz de tocar melhor num instrumento absolutamente natural.
Onde estão as múltiplas trombetas que fariam o Te Deum de Lully? Ficam no limbo do tempo e perdeu-se a oportunidade. Seria necessário, pelo menos, o dobro do efectivo para se ter um concerto digno do repertório. Pelo menos três violinos por parte, um cravo no caso de não se conseguirem arranjar mais duas teorbas, três violas da gamba, dois trompetes. Sopros nos oboés e flautas poderiam manter-se, mas não escandalizava a sua duplcação, bem como mais um fagote. O coro grande teria de ter pelo menos 20 cantores e mesmo assim estaríamos longe dos efectivos do tempo de Lully.

O resultado foi um concerto planar, sem contraste, a música não foi escrita para um agrupamento reduzidíssimo como este e o resultado é extremamente monótono e fraco. Musicalmente Niquet esteve razoável, dentro do esquema que aceitou, e algumas passagens mais sensíveis resultaram em pleno, faltando sempre o choque com um tutti poderoso que não existia, os fortes não se escutaram e o concerto andou todo em piano.
Um concerto não estimulante, com sabor a pouco, triste, uma péssima surpresa... por má escolha de repertório. Bola preta para a Gulbenkian.

A pérola

Achei deliciosa a tradução que se faz no programa (pág. 17) de Hautes-Contre como Tenores líricos! Um homem está sempre a aprender. Quando não se sabe inventa-se e está bem, estamos em Portugal e andamos todos a brincar ao Lully.

13.1.06

Morreu Isolde, morreu Brünnhilde 

Por Birgit Nilsson:
Hojotoho! Uma orquestra excelente (Wiener Ph) um maestro razoável (Solti).


Hojotoho! Uma orquestra excelente (London Simphony Orch) um maestro notável (Leinsdorf).

Morte de Isolde, 1966, Bayreuth, dirige Böhm, arrepiante. Birgit Nilsson vive nesta morte sublime e imensa por um amor mortal e infinitamente triste que se pode encontrar apenas no nada onde tudo se funde sem nada se reencontrar, pessimismo absoluto, abismo sem fundo, morte e ao mesmo tempo amor... Du bist der Lenz...

Ver partitura das últimas palavras de Isolde no post abaixo.
mp3 qualidade rádio FM

12.1.06

Adeus Isolde 



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9.1.06

Notícias 

Hoje decorreu o concerto de Reis na Igreja de Santa Maria de Belém. O Divino Sospiro e o coro de Santa Maria de Belém dirigidos por Enrico Onofri interpretaram o Gloria de Vivaldi e o Magnificat de Bach.

Estando ligado ao Divino Sospiro desde a sua fundação, posso hoje comentar com alguma distância uma vez que me desliguei de participar nos orgãos directivos. Por motivos que se prendem com a incompatibilidade da autoria de um programa de rádio com funções dirigentes numa Associação Cultural, não me sentiria à vontade para noticiar ou criticar uma organização onde participo, neste caso com trabalho voluntário mas em todo o caso com muita afectividade. Não terei ainda toda a distância, tal como Cavaco não pode esconder uma simpatia pelo PSD apesar de se apresentar como suprapartidário. De qualquer modo o meu sentido crítico nunca se deixou afectar por afectividades mas o que é certo é que me sinto mais liberto para poder exprimir opiniões neste assunto.

Gostei do concerto, admirei a prestação excelente do coro de Santa Maria de Belém, quer nas articulações e acentuações impressas por Onofri, quer pela técnica em Bach. O Magnificat é uma obra extremamente complexa para um coro profissional e um coro amador poderia estar em dificuldades numa obra deste calibre. Trata-se de uma peça a cinco partes e em que o contraponto e os cromatismos melismáticos numa escrita vocal quase solística são terríveis. Não se notou qualquer tergiversão ou distorção da partitura para facilitar a acção do coro. Tempos enérgicos, acentuações e ritmo vivo numa coordenação total entre orquestra, solistas (quase todos) coro e maestro foram evidentes. Penso que Enrico Onofri fez um trabalho notável com o coro de Santa Maria de Belém ou não seja o maestro italiano também dotado de dotes vocais elevados e capacidade de explicar o sentido do que pretende de forma altamente pedagógica. A clareza da sua gestualidade perante os cantores é também um exemplo para qualquer um que pretenda dirigir um concerto coral sinfónico, Onofri dirigiu o coro sem esquecer a orquestra mantendo um domínio total de todas as forças em presença.
A orquestra esteve bem, com particular destaque para as difíceis partes de trompete, notou-se um empenho tremendo das cordas, afinação muito cuidada, soli muito bem executados por Pedro Castro no Oboé e restantes instrumentistas, traversos, fagote, violinos e uma nota muito elevada para o órgão de Fernando Miguel Jalôto e violoncelos da Diana e do Filipe.
Infelizmente a acústica complexa dos Jerónimos não deixou perceber o detalhe e o trabalho de Onofri na filigrana contrapontística de Bach. Deu para ir percebendo a acentuação nos momentos e nas palavras de maior dramatismo. Joana Seara esteve brilhante no segundo soprano, grande projecção e voz de grande lirismo. Orlanda Isidro com timbre muito elegante e com uma colocação perfeita apresentou um fraseado de uma correcção ímpar. Um contratenor inacreditável incapaz de cantar e do qual nem me recordo o nome foi o pior deste concerto, entradas erradas, atraso nos tempos, frases inteiras a patinar sem se aproximar sequer da melodia correcta e longe mais de um tom de qualquer nota, sem saber cantar e de voz horrível esteve totalmente fora do conjunto, terá de haver sempre uma flor destas num bom bouquet? Marco Alves dos Santos tem uma voz bonita e cumpriu com muito brio e concentração a sua parte de tenor. Finalmente Rui Baeta esteve muito bem, muito jovem acabou por estar seguro e firme no seu papel de baixo, pujante e de voz bonita e bem modulada, afinado e bem timbrado, apenas lhe falta alguma projecção no registo mais grave, mas estamos em presença de um barítono e não se lhe pode exigir mais profundidade nos graves, foi aliás uma belíssima surpresa para mim poder escutar este cantor neste repertório.
Um concerto que mostra que Portugal pode apresentar uma orquestra barroca digna desse nome com trabalho e um bom director: Enrico Onofri é um portento de musicalidade, de energia e de trabalho. A sua comunicabilidade em ensaio e posteriormente em concerto a sua vitalidade e energia, quer como solista quer como director, fazem dos seus concertos autênticas explosões de música.

Jerónimos a abarrotar de gente, muito ruído de fundo e gente mal educada que não se sabe comportar em presença da música e muitas crianças de colo aos gritos ao longo de toda a interpretação dificultaram a escuta da música aborrecendo todos a começar pelos próprios petizes e pelos respectivos paizinhos que bem poderiam ter ido chatear o próximo para qualquer centro comercial em vez de virem tentar arruinar um concerto de música barroca, felizmente a única ruína musical acabou por ser um contratenor errado dentro de um conjunto muitos furos acima.

P.S. Uma nota final para reparar uma injustiça que cometi no texto anterior ao esquecer o maestro de coro de Santa Maria de Belém: Devo realçar o trabalho de Fernando Pinto à frente do trabalho vocal É de facto sua uma grande parcela do trabalho de base com o Coro. Sem o maestro de coro de Santa Maria de Belém nunca teria sido possível preparar as obras apresentadas. Um bom trabalho a merecer uma referência altamente elogiosa.


2.1.06

João José Fraústo da Silva Exonerado 

O futuro o dirá, João José Fraústo da Silva no CCB teve um comportamento que se poderá dizer lhe abriu o caminho para esta demissão um ano antes do final do mandato, mas creio que ainda viremos a ter saudades dos seus tempos à frente do casarão de pedra de Belém.
O que está em causa são os modos e as motivações da ministra nesta demissão. Fraústo da Silva, apesar de ter uma posição perante a arte conservadora e pouco aberta, criou um Centro Cultural. Apesar de todos os defeitos tinha uma equipa e produziu ao longo do seu mandato momentos memoráveis. Como professor universitário foi notável. Contribuiu em momentos anteriores para o desenvolvimento do país, de forma muito positiva. É um homem de superior inteligência. Apesar da forma como actuou em momentos anteriores, e que serão provavelmente condenáveis, ninguém merece ser posto na rua desta forma por alguém que não tem a menor ideia do que quer fazer, que um dia diz umas coisas e no seguinte se desdiz e cujo projecto para a cultura em Portugal é, no mínimo, confuso e nebuloso.
Acrescento que a fuga de informação (ou de desinformação) para o Expresso que deixou Mega Ferreira queimado do ponto de vista ético é no mínimo lamentável. É ver para perceber quem vai lucrar com estas notícias, para se perceber a sua origem, e até que ponto o Expresso serve para este tipo de campanhas...
Fraústo da Silva chegou a sua vez de ser atirado para a rua pelos políticos da nova geração socrática. O substituto quem será? Mais um agente do PS? Mais um Vara da cultura? A situação errática em que se encontra o CCB, a forma como se tirou o tapete ao seu presidente, os cortes orçamentais sucessivos, prenunciam uma gestão irresponsável (no mínimo) dos fundos públicos no domínio da cultura. Após um consulado com evidentes defeitos mas com realizações de vulto quem sabe o que vem aí? O CCB como programador cultural está em risco. Albergue de acervos privados, albergue do S. Carlos nos próximos tempos, senhorio de produtores externos, sede de iniciativas promocionais e reuniões disto e daquilo. O futuro do CCB como grande motor cultural em Portugal é cada vez mais reduzido e corre o risco de se extinguir. A redução do pessoal usado para a produção própria é o próximo passo.
Os jornais não têm tratado o CCB com a atenção merecida, o folhetim da Casa da Música tem impedido mais interesse pelo elefante branco do cavaquismo, todavia trata-se de uma casa apetecível que desperta muitas cobiças... Era necessário um trabalho de investigação para se perceber, de forma séria, como tem funcionado a casa nos últimos tempos e para se avaliar quem são os verdadeiros competentes e os incompetentes nisto tudo.

P.S. (Acrescentado posteriormente) Parece que é mesmo Mega Ferreira o beneficiário da tal campanha do Expresso e do ministério das fugas de informação...

Estar à vontade! 

Hoje é dia de Donos da Bola, Medeiros Ferreira o blogger, o estadista, o comentador futebolístico, não escuto por causa do futebol mas por puro hedonismo...

Entretanto um rapaz que se tem em conta demasiado alta ataca Joana Amaral Dias, que partilha aliás da mesma virtude presuntiva, por causa de um suposto plágio. O mal de Joana foi responder-lhe, se Joana é um jovem Siegfried à procura da lança do seu avô Wotan, o rapaz é uma espécie de Mime. Quem leu os textos de Joana divertiu-se e percebeu imediatamente a fonte, porque lê um bocado, porque sabe de história, porque aquilo que Joana escreve, embora interessante, não é novidade nenhuma: Satie, Cocteau e Picasso. Nem ela quis disfarçar. Ao eriçar o cabelo e descabelar-se, o rapaz (pouco) promissor assume o ar de Tartufo feio e moralista. E o resto? Os outros textos em que o rapaz não descobriu plágio mas onde estão as mesmas e outras referências. Um esforço tremendo de investigação para exibir algo que toda a gente percebeu e que Joana nunca tentou esconder.
Desagradável, se não é fruto de inveja parece...
E estou à vontade, já critiquei Joana Amaral Dias neste blogue, é bom estar à vontade. E critiquei precisamente por lhe ver futuro, citando-lhe o nome por inteiro.


Grandes reformas do século XXI 

O choque tecnológico é uma grande reforma do século XXI? Onde está o choque e o plano tecnológico? Talvez no mesmo local para onde foi o brinde e a fava do bolo rei, cujo desaparecimento é cada vez mais a medida do século dos políticos portugueses... por imposição europeia!
Bom, 2006...

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