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27.11.07

Seabra Chega 

Augusto Manuel Seabra, o crítico e pensador chega à blogosfera.
A sua coragem e luta contra tudo o que é injusto e a sua posição vertical na vida (a sua maior virtude), que o levaram a situações pessoais desconfortáveis, com saída de publicações, onde a sua consciência o impedia de ficar, e a processos judiciais por apenas usar as palavras apropriadas às circunstâncias, levaram-me a mudar também de posição relativamente ao crítico que anteriormente criticava fortemente os seus próprios colegas de jornal e às vezes, de forma algo infundada se dava ares de grande arrogância e abrangência em todas as lides culturais, para mim o seu maior defeito.

Tenho hoje o maior respeito pela figura pública e ideias de Augusto Seabra. Discordo muitas vezes do que diz e escreve, mas entendo que é um nome muito importante no nosso panorama crítico e na nossa cultura. Não será possível fazer uma história da cultura em Portugal neste triste período sem passar pelo Augusto Seabra e pelas suas reflexões, meditadas, muitas vezes muito lúcidas e enraizadas numa cultura profunda.
Finalmente o Augusto Seabra é um intelectual no verdadeiro sentido da palavra, não despreza a música, a mais abstracta, sensível e etérea das artes, a sua rainha.

É com grande prazer que faço o link que sempre imaginei que nunca apareceria. Visitem e leiam o Seabra. Para concordar e discordar, e para debater.

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29.3.07

Seabra volta 

A ler os textos (derivas) de Augusto Manuel Seabra no site da Culturgest. As reflexões de Seabra são muito pertinentes e essenciais no espaço público deste Portugal cada vez mais amordaçado. Não posso nem consigo voltar a atacar o Seabra da forma que fiz em tempos, apesar de algumas discordâncias de estilo e forma. O Seabra é inegavelmente um pensador profundo e corajoso, para mim é melhor quando aborda os grandes temas e disserta sobre cultura, e política da mesma, numa perspectiva estratégica e global. De ler e rever os dois últimos textos sobre "Os Anos Pinamonti".

Concordo inteiramente com a referência ao último Wozzeck, obra prima da literatura operática, feita com grande dignidade musical por um grande director e encenada de forma subtil e profunda por um, verdadeiramente, grande encenador. Para mim este Wozzeck foi talvez a melhor realização dos anos Pinamonti, muito acima da espectacular (e pouco referida por Seabra) encenação centrada em torno do ego de Vick da primeira metade da Tetralogia; que está muitos furos furos abaixo da encenação do mesmo Vick para o Werther, outra das grandes realizações dos anos Pinamonti.

O espaço público está amordaçado pela pesada modorra política, pelo domínio dos bonzos opinativos habituais e pela estupidez e anti cultura que grassam nos chamados jornais de referência com "O Público" cada vez mais desastroso, o Diário de Notícias a degradar-se cada dia que passa com mais uma direcção e o Expresso que, apesar da espessura, dedica cada vez menos espaço à cultura. É necessário recriar novos espaços públicos e formas de reflexão crítica sobre a arte e sociedade. O Site da culturgest abre um espaço que é necessário mas muito mais tem de ser feito.

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28.3.07

Jantar de Amizade com Paolo Pinamonti 

Decorreu com notáveis presenças o jantar que reuniu cerca de cento e cinquenta pessoas na passada segunda feira dia 26 de Março, alguns dias antes do final do contrato de Pinamonti, marcado e realizado em três dias. Não cito nomes, todos foram importantes e notáveis à sua maneira. Fica a amizade e emoção.
Dos discursos de Rui Vieira Nery, Jorge Calado e Augusto Seabra, destaco obviamente o último pela análise certeira e reflexão intelectual profunda que Seabra fez da questão, simplesmente brilhante num conjunto muito interessante de discursos. Jorge Calado foi emotivo, falou dos anos de Pinamonti, falou do seu gosto pela ópera, falou das capacidades de Pinamonti, falou com a história de ir à ópera há sessenta e seis anos, também caiu um pouco no seu exagero proveniente da paixão que põe nas coisas, o que é belo mas também pode ser injusto para outros.
Rui Nery, mais como vice-presidente dos Amigos do S. Carlos e menos como antigo crítico, dissertou sobre os feitos de Pinamonti ao longo destes seis anos, elencou maestros, encenadores, obras, falou da amizade e da forma de realizar de Paolo Pinamonti, incomparável na sua capacidade de realizar e fazer com meios de grande escassez. Falou da miséria em que a cultura em geral e a ópera em particular cairam nos últimos anos e a forma como Pinamonti foi enfrentando as dificuldades crescentes cada dia que passou até à sua grosseira demissão pela tutela actual.
Finalmente Augusto M. Seabra radiografou toda a situação de forma profunda, acusou quem devia e da forma como devia, com coragem e sentido de oportunidade, sem ser agressivo ou maçador, construiu uma peça de retórica de grande qualidade que deveria ser publicada, criticou o Opart e a sua criação, dissertou sobre o não cumprimento por parte da tutela da cultura do programa de governo, analisou os motivos deste afastamento. Explicou como se faz uma substituição destas nos países civilizados, com políticos inteligentes e capazes, citanto o recente caso de Paris e a sua transição cuidada e pensada, deu pistas para acção no futuro. Inteligente e conciso Seabra surpreendeu-me pela sua análise breve e completa.

Saramago enviou mensagem de solidariedade e amizade, Jorge Sampaio fez o mesmo e lamentou não poder participar no jantar por se encontrar em África. Devido à rapidez da marcação deste jantar muitos outros não puderam estar presentes mas enviaram mensagens.

Foi um jantar de amigos, Pinamonti anunciou que continua disponível para gerir o Teatro até o final da temporada, como lhe foi pedido pela tutela muito recentemente, que antes tinha afirmado ser obrigação de Pinamonti ficar até vir o novo director (!!), para ajudar na transição e porque deve respeito ao teatro e aos portugueses. Porque acha que é o seu dever para com Portugal que o acolheu tão afectuosamente e que aprendeu a gostar: "As pessoas passam mas o teatro de S. Carlos está lá há muitos anos". Leu-nos ainda uma carta de uma jovem de 16 anos (que ele não conhece), que lhe enviou um ramo de flores, e que dizia que tinha descoberto a magia da ópera e do teatro com as produções que o italiano nos trouxe.
Comoveu e comoveu-se: Bravo Pinamonti.

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