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29.4.08

Dias da música: Menos por mais 

Em 2006 gastavam-se 1.200.000 euros na Festa da Música, sob direcção artística de René Martin, face aos 600.000 dos Dias da Música de agora, sob direcção directa de Mega Ferreira.
Em 2006, último ano da festa da Música, foram realizados 115 concertos, com a particularidade de estes concertos mobilizarem 847 músicos dos quais 357 eram portugueses. O Barroco que, recorde-se, também é um prazer de tocar em conjunto, destaca-se pela utilização de pequenos ensembles: se dividirmos os músicos de 2006 pelos concertos tivemos 7,37 músicos por concerto.
Neste ano devemos ter tido um número de artistas na ordem dos 350 (uma vez que não foi divulgado o número oficial realizei uma estimativa com base no programa, creio que este número pecará por excesso). Note-se que o facto tão propalado de os músicos portugueses terem sido privilegiados nestes "Dias da Música" é errado, basta constatar que em 2008 o total de músicos é inferior ao número de músicos portugueses nos tempos áureos da Festa da Música. A média de músicos por concerto é de 5,7 em 2008, portanto ligeiramente inferior a 2006.

Por outro lado temos uma variedade não comparável de géneros, Roby Lakatos num concerto de temporada encheria certamente o CCB. Mas o seu género não se enquadra nos formatos anteriores das Festas da Música, naquilo que se está a tornar uma espécie de miscelânea programática. Curiosamente esteve longe de encher o grande auditório, uma vez que a maioria do público reunido no CCB não procurava exactamente música de inspiração popular húngara, com recortes ciganos e com uns toques de improvisação e Jazz.
Outro detalhe nesta miscelânea programática é o esquecimento do centenário de Olivier Messiaen, onde está o Quarteto Para o Fim dos Tempos? No CCB deverá ter ficado para o fim dos tempos dos Dias da Música...
Outra coisa surrealista é a programação de uma orquestra barroca, com instrumentos supostamente originais ou cópias de originais, e de estilo, supostamente, barroco com um violoncelista de estilo moderno e com um instrumento de cordas de aço!...

A mistura de John Cage com Bach, que não me choca à partida, faz-me lembrar uma exposição de quadros do Duchamps e do Latour. Há quem ache inteligente, porque força um público, que nunca ouviria Cage, a escutar as performances do americano, eu até acho graça à esperteza mas, depois de uma reflexão mais profunda, acho heterodoxo, por inúmeras razões, onde a mais importante é mesmo a razão crítica da obra de Cage que se ri do próprio público e do acontecimento "concerto". Um público e artistas que servem de modelo à ironia de Cage que ridiculariza o mesmo público e os mesmos artistas que tocaram antes e depois. Interessante mas discutível.

Numa análise puramente comparativa e analítica pode-se dizer:
Gastou-se uma média de 1417 euros por músico em 2006.
Em 2008 não foi anunciado o número de músicos mas com base no orçamento mencionado e na minha estimativa do número de músicos (por excesso) gastou-se uma média de 1714 euros por músico. Como a inflação foi baixa creio que este desnível de custos com uma acentuada descida de qualidade é francamente injustificada.

Ou seja, para uma programação francamente inferior, e não vou comparar agrupamentos e solistas devido à evidência das diferenças (a não ser que me peçam explicitamente e aí serei exaustivo, mas fica a lista no final do post como ilustração), onde dou apenas como exemplo a medíocre Neue Hofkapelle de München anunciada como cabeça de cartaz e senhora de profundas desilusões, bem como do afamado quarteto Prazak que está numa baixa de forma incrível.

Juntando a isto o inenarrável programa, recheadíssimo de erros, penso que a única conclusão é que estes dias da música foram a prova de que René Martin era capaz de fazer mais com menos e que esta programação do CCB continua a desperdiçar 600.000 euros, uma fatia muito considerável do orçamento num evento de um fim de semana onde não se descortina uma linha de programação que não seja uma miscelânea e, agora sim, um supermeercado onde sabonetes se misturam com sabão azul e branco e lixívias de má qualidade, belos peixes frescos de Peniche e uns charrocos fornecidos pelo Ordalfabetix, onde aparecem algumas latas de Merda d'Artiste (lembro aqui Piero Manzoni) misturadas com algum caviar, algum vinho húngaro e alguns chouriços portugueses. Posso, se me pedirem, associar estes produtos aos agrupamentos que me inspiram estas imagens, mas não creio que seja profícuo e deixo ao leitor a sua imaginação para completar o puzzle.

Entretanto anuncia-se que no próximo ano teremos a herança de Bach, o que dá para tudo e para nada, espera-se que o lado pedagógico seja reforçado, mas como tudo cabe no mesmo saco nunca se sabe. O que é aparente é que os temas se vão aproximando dos temas do René Martin e o decalque parece, cada ano que passa, ser mais evidente; excepto na extrema qualidade dos artistas que aceitam tocar a preços de saldo para o hiperactivo francês.

Nota a atribuir à última Festa da Música: 17, nota destes Dias da Música: 9,5 (numa escala puramente pessoal).

Como memória e registo aqui fica um artigo do DN de 24 de Abril de 2006:


A segunda melhor de sempre", começou por sorrir António Mega Ferreira, no balanço da 7ª edição da Festa da Música do Centro Cultural de Belém (CCB), a sua primeira à frente da instituição. Uma avaliação suportada na certeza dos números: até às 17.00 de ontem foram vendidos 48 850 dos 52 mil bilhetes disponíveis. O que significa que os 115 concertos, que desde sexta-feira à noite se distribuíram por sete salas, tiveram uma ocupação média de 94%.

Contas feitas, só em 2005 houve mais público. "Mas é preciso lembrar que essa teve 158 concertos", ressalvou o presidente. Além disso, "este formato mais curto fica mais próximo do ideal para uma Festa realizada em condições de conforto para todos ". E também mais de acordo com a dieta orçamental cumprida este ano. Foi aliás aí que o criador da Festa, René Martin, assinalou um dos grandes sucessos desta edição, deixando um agradecimento aos músicos. "Porque este foi um ano de novo arranque para a Festa, marcado por constrangimentos orçamentais que todos souberam aceitar."

Inscritos neste balanço ficam também alguns efeitos colaterais. Neste fim-de-semana, a exposição dedicada a Frida Kahlo recebeu perto de cinco mil visitantes. E a livraria Buchholz, que se instalou no átrio do CCB, vendeu três mil CD só de música barroca. O resto da contabilidade faz-se com o fascínio irrecusável de uma logística de exagero. Uma organização com mais de 200 pessoas 847 músicos (357 portugueses), perto de cem jornalistas acreditados; vinte cravos, oito órgãos e 12 afinadores para os manter, mais onze pianos com três afinadores dedicados e outros tantos viradores de páginas. Sessenta mil folhas de sala, 450 quartos distribuídos por cinco hotéis, 4500 refeições servidas e garrafas de água suficientes para dar nível a uma piscina olímpica. Em resumo, o costume.

Festa em família

Para lá dos números, fica o já tradicional quadro de azáfama que, nestes dias de democratização da música erudita, toma conta do CCB. É contínuo o trânsito de gente com bilhetes no bolso, crianças pela mão, instrumentos às costas, cartões ao pescoço. E a vinte minutos de distância, as filas começam a crescer junto às sete portas. São 11.15, e o público alinhado frente à Sala Frederico II dá já uma volta completa ao átrio e segue pelo corredor afora. "Tanto coisa para ouvir o hamburguer tocar baixo", brinca o Tiago, aportuguesando os fonemas e trocando voltas às sílabas inscritas no cartaz que anuncia o francês Jean-Frédéric Neuburguer e a Sonata em Dó M para piano de Bach. Tiago tem oito anos e trazia a piada ensaiada desde ontem, quando decidiu o programa familiar para esta manhã de domingo com os pais e a irmã, que é mais velha quatro anos e mais acanhada. "Foi também por eles que viemos" explica a mãe Teresa. "O ano passado vim sozinha com o meu marido, tivemos medo de os trazer e arrependemo-nos. Porque isto é perfeito para um programa de família."

Um piso abaixo, noutra fila interminável que começa a escoar ordeiramente para a Sala La Pouplinière, um outro apreciador de Bach escolhido aleatoriamente para um depoimento: "assistimos a quatro concertos ontem e hoje temos mais dois", explica Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares e militante assumido da Festa. "Vimos todos os anos", garante, enquanto avança com a mulher para ouvir Roel Dieltiens na Suite n.º 1 para Violoncelo Solo em Mi Bemol Maior.

João Pedro Oliveira e Sandra Carvalho Gonçalo Santos



LISTA DE INTÉRPRETES EM 2006 (Dados do CCB)


orquestras e ensembles

• Akademie für Alte Musik Berlin
Daniel Reuss, direcção

• Collegium Cartusianum
Peter Neumann, direcção

• Concerto Campestre
Pedro Castro, direcção

• Concerto Köln

• Divino Sospiro
Enriço Onofri, direcção

• Ensemble 415
Chiara Banchini, direcção

• Ensemble Matheus
Jean-Christophe Spinosi, direcção

• Ensemble Pierre Robert
Frédéric Desenclos, direcção

• Flores de Música
João Paulo Janeiro, direcção

• La Fenice
Jean Tubéry, direcção

• Les Siècles
François-Xavier Roth, direcção

• Ludovice Ensemble
Fernando Miguel Jalôto, direcção

• Orquestra Académica Metropolitana de Lisboa
Jean-Marc Burfin, direcção

• Orquestra da E.S.M.A.E.
Ana Mafalda Castro, direcção

• Quarteto do Conservatório

• Ricercar Consort
Philippe Pierlot, direcção

• Sinfonia Varsovia
Michel Corboz, direcção

• Solistes do Ensemble Barroco de Limoges
Christophe Coin, direcção



coros


• Capela Joanina
João Paulo Janeiro, direcção

• Coro de Câmara de Namur
Jean Tubéry, direcção

• Collegium Vocale Gent
Philippe Pierlot, direcção

• Coro Ricercare
Michel Corboz, direcção

• Ensemble Vocal de Lausanne
Michel Corboz, direcção

• Kölner Kammerchor
Peter Neumann, direcção

• La Venexiana
Cláudio Cavina, direcção

• Officium – Grupo Vocal
Pedro Teixeira, direcção

• RIAS-Kammerchor
Daniel Reuss, direcção

• The Tallis Scholars
Peter Phillips, direcção




direcção


• Ana Mafalda Castro

• Chiara Banchini

• Christophe Coin

• Claudio Cavina

• Daniel Reuss

• Enrico Onofri

• Fernando Miguel Jalôto

• François-Xavier Roth

• Frédéric Desenclos

• Jean Tubéry

• Jean-Christophe Spinosi

• Jean-Marc Burfin

• João Paulo Janeiro

• Michel Corboz

• Pedro Castro

• Pedro Teixeira

• Peter Csaba

• Peter Neumann

• Peter Phillips

• Philippe Pierlot




cravo, órgão

• Ana Mafalda Castro

• Benjamin Alard

• Frédéric Desenclos (órgão)

• Fernando Miguel Jalôto

• João Paulo Janeiro (órgão)

• Jan-Willem Jansen

• Marcos Magalhães

• Maude Gratton

• Mayako Sone

• Nicolau de Figueiredo

• Pierre Hantaï

• Rui Paiva (órgão)

• Skip Sempé



piano

• Alexandre Tharaud

• Anne Queffélec

• Carla Seixas

• Edna Stern

• Iddo Bar-Shaï

• Filipe Pinto-Ribeiro

• Jean-Frédéric Neuburger

• Miguel Henriques



marimba

• Pedro Carneiro



harpa

• Giovanna Pessi




violino

• Álvaro Pinto

• Andres Gabetta

• Chiara Banchini

• Gilles Colliard

• Jean-Christophe Spinosi

• Jörg Buschhaus

• Laurence Paugam

• Luís Santos

• Markus Hoffmann

• Raphaël Oleg

• Régis Pasquier

• Stefano Montanari


violoncelo

• Ana Raquel Pinheiro

• Christophe Coin

• Miguel Ivo Cruz

• Paulo Gaio Lima

• Roel Dieltiens

• Xavier Phillips



viola

• François Fernandez (viola de amor)

• Raquel Massadas (viola)


viola da gamba

• Christophe Coin

• Florence Bolton

• Josh Cheatham

• Philippe Pierlot


instrumentos de sopro

• Christian Moreaux (oboé de amor)

• Cordula Breuer (flauta bisel e flauta travessa)

• Jean-Marc Goujon (flauta)

• Julien Martin (flauta de bisel)

• Maria-Tecla Andreotti (flauta)

• Martin Sandhoff (flauta de bisel e flauta travessa)

• Patrick Beaugiraud (oboé de amor)

• Pedro Couto Soares (flauta de bisel e flauta travessa)

• Renée Allen (trompa)

• Thomas Müller (trompa)


canto

• Alex Potter (contalto)

• Carlos Mena (contratenor)

• Céline Scheen (soprano)

• Christophe Einhorn (tenor)

• Damien Guillon (contralto)

• David Wilson-Johnson (baixo)

• Emma Bell (soprano)

• Frabrice Hayoz (barítono)

• Franz Vitzthum (contralto)

• Furio Zanasi (barítono)

• Gyslaine Waelchli (soprano)

• Harry van der Kamp (baixo)

• James Oxley (tenor)

• Jean-François Novelli (contratenor alto)

• Malcolm Bennett (tenor)

• Marcel Beekman (contratenor alto)

• Markus Brutscher (tenor)

• Marianne Beate Kielland (meio-soprano)

• Myung-Hee Hyun (soprano)

• Núria Rial (soprano)

• Orlanda Velez Isidro (soprano)

• Peter Harvey (baixo)

• Philippe Jaroussky (contratenor)

• Romina Basso (meio-soprano)

• Simone Kermes (soprano)

• Stephan Imboden (baixo)

• Susan Gritton (soprano)

• Thomas Walker (tenor)

• Torben Jürgens (baixo)

• Valerie Bonnard (contralto)

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26.6.07

Mega já tinha carta 

Reproduzo aqui a carta de Mega Ferreira a Joe Berardo:


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Berardo descasca Mega 

Hoje na Antena 1 Berardo, esse misto de bronco novo rico e chico esperto português, que já perdeu a vergonha de falar em público e que anda saído da casca desde que percebeu que em terra de cegos quem tem um olho é rei, ataca fortemente Mega Ferreira e diz que este "não fez nada pelo museu", "não fez nada por estar aqui" e se "dependesse dele nada disto tinha sido feito", "vou pedir a saída de Mega Ferreira de presidente do conselho de fundadores".
Ainda não ouvi a resposta de Mega, esse português culto a quem gosta que se preste culto, um português que renegou o bigode e se rendeu às coisas boas da vida, que, tal como eu, deve desprezar profundamente o bronco madeirense que arrota notas. Parece que está prometida a resposta.

O que é certo é que a colecção é boa, que o Berardo apesar das críticas é esperto embora tenha seu quê de chico, e que o governo será altamente irresponsável se não comprar a coisa a preços de hoje.

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22.6.07

Mega Programador 


A programação do CCB tem sido muito melhor. Deve ser reconhecido esse mérito a António Taurino Mega Ferreira.

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25.4.07

Alguém que me explique isto dos dias da música 

Não fui aos "dias da música" dedicado ao piano no CCB, tinha mais que fazer, as ervas cresciam, os pássaros cantavam e era preciso pensar.

Entretanto preciso que alguém me explique umas coisas.

Mega Ferreira disse que René Martin era um despesista e que os orçamentos do francês eram sempre largamente ultrapassados. Fiz umas contas para estes dias do piano:


Orçamento inicial 400.000 euros. Custo final: 600.000 euros. Derrapagem orçamental 50%. Afinal quem é o despesista?

30 pianistas, alguns nem devem aparecer no google. Concertos a solo e a duo. Muitos eram pianistas portugueses, mais baratos por causa das viagens, e algumas orquestras: Orquestra de Câmara Württemberg, ORCHESTRUTOPICA, Orquestra Metropolitana, Orquestra Filarmónica da Eslováquia.
Serão 250 músicos no máximo, com muita caridade, mais os 30 pianistas, um percussionista e um cravista. Ficou, mais coisa menos coisa, a cerca de 2100 euros por músico (onde se incluem os músicos das orquestras, que são pagas sempre da mesma forma tabelada e institucionalizada). Conclusão: os preços pagos pelo CCB aos solistas são muito mais elevados do que nos tempos de René Martin e não são inferiores a preços de concerto normal, não existe qualquer economia de escala. Um recital aqui ou num outro lado qualquer é ao mesmo preço. Não seria melhor fazer uma temporada superior com estes 600.000 euros gastos num fim de semana?
E a fantochada dos putos a martelar nos pianos com os pais embevecidos a verem a rapaziada a escavacar os pobres instrumentos?... Será que é isto a educação musical de fundo que Portugal precisa, será isto um projecto educativo com pés e cabeça? Cruzamentos de pianos com girafas?... E os jornalistas, imbecis como de costume, também eles embasbacados com a dita fantochada, santa imbecilidade lusitana... Entretanto tocam pianistas como Pascal Rogé e ninguém diz nada e só a Maria João Pires e o Laginha é que são notícia?

Custo de 2006: 1.200.000 euros (o dobro). Número de concertos: 115. Músicos 857. Feitas as contas fica a 1400 por músico, e que músicos, além disso vindos (mais de 450) do estrangeiro, com viagens a pagar pelo CCB. Cito de memória alguns nomes.

Orquestras: Ricercar Consort, Les Siècles, Sinfonia Varsovia, Akademie für Alte Musik Berlin, Collegium Cartusianum, Concerto Köln, La Fenice, Divino Sospiro, Ensemble Matheus, Solistes de l’Ensemble Baroque de Limoges, Ensemble 415, etc, etc.

Coros e ensembles vocais:
Ensemble Vocal de Lausanne, RIAS-Kammerchor, Kölner Kammerchor, Coro de Câmara de Namur, The Tallis Scholars, La Venexiana, etc...

Inúmeros agrupamentos de câmara e solistas e maestros de renome mundial: Ensemble Pierre Robert, Skip Sempé, Carlos Mena, Tharaud, Oleg, Coin, Fernandez, Pierlot, Neumann, Reuss, Jean Tubéry, Desenclos, Cavina, Hantaï, Banchini, etc...

Pelo que vejo os programas de 30 pianistas, que se bastam si próprios, e umas orquestras baratas ficam a um preço escandaloso comparado com os preços de René Martin, e a qualidade é incomparável.
É evidente que há bons artistas nos dias da música, mas dizer-se que Mega está de parabéns parece-me uma patetice de gente sem referências. Merecia umas setas para baixo, bem no fundo da escala. Além disso parece que disse que não sabia o que era a Festa da Música (segundo a imprensa). Mas será que sabe o significado da palavra modéstia?... é que soa a ridículo.
E a taxa de Mega é mais baixa que a de René, que no ano passado ultrapassou os 94% de ocupação ao contrário dos 88% deste ano. Dirão que é bom, claro que não é mau, sobretudo se olharmos para a programação apresentada, mas Réné Martin tem melhor resultado. Objectivo e linear. Mas o pior é mesmo a deselegância: Mega Ferreira consegue esta taxa de ocupação porque aproveitou o balanço do René Martin (e de Miguel Lobo Antunes), René que construiu o modelo, Miguel Lobo Antunes que o lançou em Portugal e o adaptou à nossa medida. Mega Ferreira nunca teria sequer os 70% que previa inicialmente se não fosse a aura que a Festa da Música obteve ao longo destes anos, a não ser com custos gigantescos de promoção e marketing, que obviamente não gastou neste ano. Não o reconhecer é deselegância, não o citar é ingratidão. Copia-se descaradamente e despudoradamente o modelo, faz-se uma versão baratucha que putativamente fica a um terço do custo de 2006, ultrapassa-se o orçamento em 50%, chega-se a metade do valor anterior; chamam-se, de caminho, uns nomes ao programador antecedente, finalmente até se diz que não se sabe o que é a Festa da Música, muito edificante, sem dúvida.
Onde ficamos no argumento de que se está a desbaratar num fim de semana grande parte dos recursos do CCB? Será que agora esta instituição pública não fica muito limitada na sua capacidade de programação anual?

Entretanto afirmou-se que a "crítica tinha feito um balanço positivo" destes dias do piano, mas será que esteve lá alguma crítica para além do Bernardo Mariano? Que até foi particularmente crítico...

Será que alguém me explica?

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30.1.07

Um texo de António Mega Ferreira 

Que reproduzo com a devida vénia:

FESTA DA MÚSICA 2006

"A HARMONIA DAS NAÇÕES

A EUROPA BARROCA"

21, 22 e 23 de Abril - Centro Cultural de Belém Direcção Artística René Martin

"É indiscutível que um dos problemas que se põem ao acesso do grande público à música erudita tem que ver com a “sacralização” dessa música e dos lugares onde ela habitualmente se faz. Ora, a Festa da Música propõe uma aproximação inversa: é possível fazer música em espaços diversos, de maneira informal mas rigorosa, e num ambiente de festa que acaba por contagiar toda a gente. A música – como a cultura, em geral – não é uma prova de esforço, mas uma manifestação da alegria que vai associada à criatividade. O número de “clientes” da Festa da Música tem vindo a aumentar, de ano para ano. E, como nestas coisas não há coincidências, o dos patrocinadores também. É um sinal de que a Festa está a ficar crescidinha: afinal de contas, já tem sete anos de idade…

Para esta sétima edição, René Martin, que desde o princípio é o director artístico do projecto e mais uma vez está connosco, escolheu “A Harmonia das Nações”, ou seja, uma viagem musical pela Europa barroca. Música do período que medeia entre 1600 e 1750, num programa que inclui Bach, Handel, Telemann, Purcell, Vivaldi, Carlos Seixas e Francisco António Almeida. Aqui vão estar alguns dos maiores intérpretes mundiais de música barroca, numa sucessão de oportunidades de ouvir exemplos dos diversos barrocos musicais europeus. E, além disso, é o ambiente de festa, que se estende a todo o vasto espaço do CCB, o que torna este acontecimento um momento único da oferta cultural da cidade de Lisboa, todos os anos, na Primavera.

Possivelmente porque a Festa da Música é um “bom amigo” da cidade de Lisboa e de Portugal, o “clube dos amigos” da Festa da Música tem vindo a crescer. A edição deste ano conta com dois novos patrocinadores de monta: a Câmara Municipal de Lisboa, que aceitou a nossa proposta de se tornar Parceiro Institucional da Festa, assinando para o efeito um protocolo com a duração de três anos, e assegurando assim uma parte do suporte financeiro para garantir a continuidade da Festa; e a Unicer, que contribui com um significativo patrocínio. Mas também o Metropolitano de Lisboa, a companhia de seguros Allianz, a Siemens, a Citroën, a TMN e a ANA são parceiros que, pela constância da sua presença connosco, já se tornaram “da casa”. O que este ano atingimos permite-nos, assim, dar uma boa notícia: a sustentabilidade da Festa da Música para os próximos três anos está assegurada."

António Mega Ferreira

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