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25.11.05

maduro...aos vinte! 


Viveu mais um quarto de vida e está de novo em Lisboa.
Sergei Khachatrian, 20 anos, vale a pena perder dois a minutos a soletrar e aprender a dizer o nome do jovem arménio, voltou ao Grande auditório da Gulbenkian para interpretar o concerto nº 1 para Violino de Chostakovitch.
Foi inesquecível. E o público soube distinguir e apaparicar uma interpretação absolutamente excepcional no entendimento do que verdadeiramente está em causa com este concerto escrito a seguir à II Guerra e prudentemente guardado na gaveta até à morte de Estaline, alguns anos depois.
Raramente múica e vida se misturam de uma forma tão assombrosa numa biografia como no caso de Chostakovitch. Só pela postura em palco, tensa, emotiva, se percebe que o jovem violinista percebeu tudo isso.
Rigoroso e inventivo absolutamente certeiro do princípio ao fim.
Parece ter estudado este concerto ao longo de vinte e cinco anos. Ou seja em bom rigor parece ter começado a ler esta partitura cinco anos antes de nascer.
Nada de excessos, rodriguinhos, tiques, piscadelas de olho, inclinações de tronco.
Sólido como o mais sólido dos carvalhos centenários.
Nota-se quando a Orquestra Gulbenkian trabalha com gosto. Nota-se que o maestro Paavo jarvi é um verdadeiro líder.
Uma lufada de ar fresco para quem assiste às escorregadelas semanais do titular Foster cada vez mais a dirigir à "La Scimone". Ou seja, a deixar correr o marfim, numa época em que ainda por cima rareia o tráfico de tal material.
Pode tirar todas as teimas esta tarde.
Provavelmente o "meu" concerto do ano.

Rui Lagartinho, jornalista da RTP

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