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18.5.05

Felicity Lott na Gulbenkian 

Lisboa, 3 de Maio de 2005

Querida Inês:

Acabo de assistir ao concerto da Felicity Lott. Bom seria injusto não dizer da Felicity Lott e do acompanhador Graham Johnson. Ela é claro, a profissional fazendo tudo o que deve e realmente de forma hiperperfeita; mas o piano soava tão bem como ela. Há muito tempo que não vejo um tal acompanhamento. Infelizmente o recital tinha coro, o famoso coro que o Alfred Brendel celebrizou: o coro das "tosses da Gulbenkian". Por vezes, sobretudo nos pianíssimos a energia pulmonar produzia uns sons cavos arruinadores. Talvez o João Paulo Santos possa vir a ser chamado para os ensaios, ou então uma distribuição - à borla - de pastilhas do Dr. Bardhal. É que naquela tenda - mais barraca - montada ao pé do CCB em que se ouviu há uns anos uma peça do Emmanuel Nunes, cujo título não recordo, a coisa ainda ia, porque os comboios na linha e os aviões a passar até davam uma nota exótica nacional, mas as velhas a tossir é obra.

Como te disse há dias o concerto tinha um "título": Mulheres Perdidas e Esposas Virtuosas; uma das canções (três Lieder para Ofélia) do Richard Strauss (Guten morgen, 's ist Sankt Valentinstag) já valia o deslocamento. E um "encore" - o meu inglês não deu para saber sequer o autor (Murray Grand ?) - com uma prolongadíssima cadência valia dois deslocamentos.
Lá tivemos direito a uma cançãozinha do Wolf (mas não dos poetas espanhóis Camões e Gil Vicente...), algum Kurt Weill (pois no meio havia "senhoras") e em geral todos os compositores com peças "picantes" incluindo é claro o Wolfgang. No intervalo encontrei o Luís Jaime e o irmão.

Beijinhos,

Papá

(P.A.)

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