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26.4.05

O melhor e o Pior da Festa da Música - por MP 

Parece-me complicadíssimo escrever criticas e dar impressões acerca das intervenções artísticas da Festa da Música; demasiados os acontecimentos, a confusão. Demasiadas e diferentes as condições de audição dos concertos.
Acho que a Festa da Música dispensa criticas aprofundadas, não imagino ser esta a postura que se deve ter num acontecimento desta natureza.
Contudo somos seres humanos e por natureza raciocinamos, confrontamos; sendo assim não me sinto à vontade para fazer uma critica relativizada como de facto só o critico sabe fazer. Limitar-me-ei então a fazer um pequeníssimo esquema do pior e melhor do que consegui ouvir nesta edição tentando ser pragmático:

O PIOR

Brigitte Engerer: o pior de tudo e de todos; musicalmente pesada, um verdadeiro "Mamute" do protozóico musical. Cada compasso uma mudança de tempo, cada frase acabada com um ralentando, cada grupo de semicolcheias tocadas a correr. Não interessava se a partitura se desenvolvesse de maneira coerente, se havia mais instrumentos a tocar. Deve achar-se "Genial... brilhante...", a mim pareceu-me horrorosa a sua maneira de tocar e um verdadeiro engano com uma enorme quantidade de clichés. Saí da sala com vontade de chorar.

Anabela Chaves: mais bonita do que boa música......parece-me suficiente.

Roland Pidoux: Tem um violoncelo que vale bilhões, no trio para três violoncelos de Beethoven levou "tareia" do Paulo Gaio Lima que tocava muito bem com um violoncelo do Bacon. Pidoux tem um som que é capaz de arrefecer um vulcão e ainda por cima gosta de pensar que está a tocar sozinho. Sugiro para como prenda de Natal um metrónomo e, já agora, tirar-lhe todos os espelhos que tem em casa para que não passe demasiado tempo a olhar para si.

Ensemble Paris-Bastille: foi uma desilusão! Estive ansioso de ouvir esta versão da sétima Sinfonia; nem me deixaram vontade para ouvi-la por um agrupamento melhor.

O MELHOR

Concerto Koln: como tocar qualquer coisa com o espanto e a energia da primeira vez. Não só o som original e a interpretação historicamente informada são francamente mais interessantes mas presumo que este grupo poderia abordar qualquer repertório dando sempre resultados fantásticos. Tocaram Beethovem sem maestro com uma coesão de intenções e gestos que muitas vezes nem as orquestras de enorme renome com míticos maestros à frente conseguem.

Quarteto Isaÿe: Adorei a capacidade instrumental deste grupo, nem sempre coerentes nas escolhas musicais, conseguem fazer esquecer tudo com a capacidade de diálogo e a incrível plasticidade do som.

AS SURPRESAS

O Divino Sospiro já começa a não ser surpresa. Tem tocado com alma e com escolhas muito assumidas na primeira vez que um agrupamento português apresenta repertório clássico com instrumentos originais.

AS CONFIRMAÇOES

Irene Lima: uma bela imaginação sempre dentro de uma coerência e de uma elegância que lhe são próprias. Talvez as mais belas sonatas para violoncelo de Beethoven desta Festa da Música

Ensemble Explorations: Já tinha gostado deste agrupamento na edição do ano passado. Tocam com muita propriedade e com algumas ideias engraçadas embora desta vez a comparação com o Divino Sospiro, que citei mais acima, faça com que este grupo saia de uma forma mais habitual desta actuação.

OSP e Coro TNSC: boa esta actuação do Requiem de Cherubini; quer a orquestra quer o coro tocaram com elegância e vontade de mostrar boas virtudes. Uma óptima performance depois da excelente actuação da quarta sinfonia de Brahms que ouvimos na semana passada. Bem o coro. Gostei de ouvir o Requiem de Cherubini uma obra prima da música pré-romântica.

MP

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