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5.3.05

O avião saiu a horas 

Um dia pleno, para partilhar com os amigos.

O avião saiu a horas, a viagem durou cerca de 50 minutos, durante a viagem fui identificando os locais conhecidos, fazendas de amigos, os rios, as cidades e vilas. A paisagem de um verde luxuriante, os rios cheios de água, alguns com margens de mais de dois quilómetros que chegam, na época das chuvas, a atingir de margem a margem cerca de dez quilómetros. À medida que nos aproximamos do nosso destino e o avião baixa de altitude, começam-se a ver pequenos lagos, verdadeiros espelhos, consequentes das boas chuvas deste ano, os embondeiros, os arbustos, as acácias, o gado a beber água, os kimbos, com as suas cercas para delimitar as áreas do gado e das casas feitas em paus de árvores. Aterramos, o aeroporto é muito recente, está fantástico, desde o asfalto da pista ao edifício e o carro dos bombeiros para a eventualidade de um acidente. A torre de controlo funciona na perfeição, como pude verificar nos voos seguintes já em pequenos Cessnas, fretados por nós. Quando me lembro da minha primeira passagem, não há muitos anos, em que parecia estar a atravessar uma ruína de guerra, era verdadeiramente uma ruína de guerra pois não houve um único edifício que tivesse sido poupado. As ruas da cidade estão arranjadas, os edifícios oficiais sempre limpos e pintados, todos os dias surgem novas lojas ou empreendimentos, pelo caminho vemos dezenas de novas casas a serem construídas. Há uma busca constante de atrair novos investidores criando condições atractivas que passam desde a tentativa de construir uma universidade local e desenvolver rapidamente a internet de banda larga.
Depois partimos, num voo curto, de cerca de 15 minutos em que não subimos a mais de 400 pés e em que o piloto me deixou pegar nos comandos do avião, qualquer dia tiro o brevet... e debaixo de nós novamente a extasiante paisagem deste canto de África.
Depois de almoço partimos novamente no pequeno Cessna, vamos ver as cataratas, é a primeira vez que tenho essa oportunidade. Passamos por cima da linha de fronteira, quilómetros rectilíneos que dividem um povo entre dois países... são estas as fronteiras da Conferência de Berlim em que os Chefes de Estado de nações retalho não hesitaram dividir este continente como se inabitado fosse. Começamos a ver ao longe muito ténue o maciço montanhoso que, quase no seu fim, permite que o riu caia dezenas de metros na bela paisagem da queda de água. As cataratas são ainda mais bonitas do que imaginava. Lembro-me do “Ícaro” o livro do Espanhol Alberto Vásquez-Figueroa sobre a descoberta do Salto de Angel pelo aviador com o mesmo nome e o qual recomendo a quem goste de aventuras, ao lê-lo senti perfeitamente a linearidade da minha vida. Depois de as sobrevoarmos regressamos a casa, sempre num voo baixo. Que pena não ter comigo uma câmara fotográfica, lembro-me da exposição “Earth From Above” de Yann Arthus-Bertrand que esteve no ano passado em Lisboa sem qualquer veleidade de querer atingir o seu nível, mas para muita pena minha nunca trago máquina fotográfica e consequentemente tudo fica guardado apenas na minha memória e não consigo partilhar estes momentos com os amigos... hoje faço uma tentativa de descrevê-los.

S. Saraiva


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