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20.7.04

O fim de um mundo 

Morreu ontem aquele que foi talvez o maior intérprete musical de todos os tempos. Por certo foi a maior Maestro de sempre. Com ele não só desaparece um enorme artista que com a sua arte soube gerar uma nova força interpretativa dentro da tradição mas desaparece talvez o último grande testemunho da tradição musical vienense que desde o século XVIII deu ao mundo algumas das mais puras e cristalinas gotas de genialidade humana.
Com Carlos Kleiber encerra-se definitivamente a época dos Maestros que deram continuidade à tradição musical ocidental naquela que é, de facto, uma epopeia intelectual talvez ímpar na historia do homem.
Com Carlos Kleiber tudo nos reconduzia à verdade; de Beethoven (quem não se lembra das interpretações da 5ª e 7ª Sinfonia), Schubert, Brahms, Mahler e até Verdi (a gravação da Traviata é talvez a melhor de sempre) tudo acontecia com a naturalidade que só a um artista que tinha um fio invisivel de ligação com os pais da nossa arte era concedida.
Hoje, depois de muito muito tempo, estou triste. Acaba de facto uma época e sentimo-nos cada vez mais sózinhos, cercados como estamos cada vez mais pelo vazio feito de ignorância profissional.

Massimo Mazzeo, músico, que nos enviou este texto por por email


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