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2.7.04

Falta uma semana para a estreia dos “Gurrelieder” de Schoenberg 


Falta pouco menos de uma semana para a estreia dos “Gurrelieder”, de Schoenberg, no último concerto da temporada da Sinfónica Portuguesa (dia 8, no CCB). Um momento histórico já que esta partitura magnificente, estreada em Viena em 1913, nunca foi interpretada em Portugal, mas que nos causa também grande apreensão. Cume do romantismo tardio e premonição do atonalismo, os “Gurrelieder” são um misto de ciclo de canções, oratória, melodrama, ópera e poema sinfónico. Foram inspirados pela obra do poeta dinamarquês Jens Peter Jacobsen (1847-1885) e relatam com intensidade os eternos temas do amor (entre o rei Waldemar e Tove), do ciúme, da revolta, da natureza, da dor, da morte… A reinterpretação de Schoenberg do estilo e do imaginário wagneriano chega aqui ainda mais longe do que na “Noite Transfigurada” e os seus efectivos monumentais fazem concorrência às instrumentações mais megalómanas de Berlioz, Mahler ou Richard Strauss: 8 flautas (das quais 4 flautins), 3 oboés, 2 cornes ingleses, 7 clarinetes (incluindo 2 clarinetes em mi bemol e 2 clarinetes baixo), 3 fagotes e 2 contrafagotes, 10 trompas, 7 trompetes (um deles baixo), 7 trombones (1 alto, 4 tenores, baixo e contrabaixo), um grande grupo de percussão tocado por 11 instrumentistas, 4 harpas, celesta, quinteto de cordas, coros masculinos a 3 vozes, coro misto a 8 vozes, 5 solistas e narrador!
A OSP associa-se à Orquestra Nacional do Porto e, para além do Coro do São Carlos, participam o Coro Gulbenkian e o Coral Lisboa Cantat. A complexidade da obra e esta combinação seriam por si só um desafio ambicioso mas, como se não bastasse, há elementos inquietantes nos quais não podemos depositar a nossa confiança pelas razões mil e uma vez apontadas neste blogue: o Coro do São Carlos, a direcção de Zoltan Pésko…! A desastrosa prestação do maestro e da OSP na “Noite Transfigurada” e no 2º acto do Tristão em Novembro faz-nos sentir arrepios de pavor! Mas lançamos aqui um desafio. Surpreendam-nos! Ao contrário do que muitos pensam não gostamos de dizer mal, defendemos a seriedade, o profissionalismo, o respeito por compositores e obras e, acima de tudo, amamos a Música. Por isso dói tanto vê-la assassinada. Falta uma semana. Ainda é possível salvar a honra do convento. A partitura de Schoenberg é dificílima mesmo para intérpretes mais experimentados, mas ainda há algum tempo para trabalhar a fundo, com seriedade, profundidade, rigor, paixão. A responsabilidade é grande, não nos decepcionem e tratem a música de Schoenberg com a dignidade que ela merece. É o mínimo.
V.G.


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