<$BlogRSDUrl$>

26.5.04

Crónica do Festival de Leiria por M.P. 

Tivemos ontem a terrível aventura de assistir a um dos piores concertos dos últimos anos.
No palco cinco músicos portugueses, alguns muito conhecidos, outros menos, a interpretar obras primas para quinteto de sopros com piano.
As piores prestações foram proporcionadas por músicos que gozam da maior consideração e estima em Portugal: Pedro Burmester e Antonio Saiote. Diga-se que esse facto não os impediu de vandalizarem a música de Beethoven e Mozart de uma forma horrível, nem um fraseado decente com um Saiote inapresentável a suar como um hipopótamo a sair da água! A tocar em staccato articulações que Beethoven tinha escrito ligadas... mostrou um gosto musical lastimável.
Percebe-se que o senhor, coitado, já não consegue respirar. Como pode conseguir articulações e ligados onde Beethoven pede o máximo requinte aos músicos se não tem fôlego? Hoje em dia a mentira da interpretação pessoal foi descoberta e não engana ninguém. O som e o sentido musical de António Saiote foi ontem do pior que se conseguiu ouvir em anos de música. Uma verdaderia vergonha!

O outro é o muito conceituado e extremamente sobrevalorizado pianista Pedro Burmester. Toda a noite a maltratar o piano com sonoridades francamente lastimáveis. Pontapés no baixo ventre dos maiores génios da arte musical de sempre, ainda por cima sempre tentando enganar o público ignorante com caretas a soar a falso. Peço aos poderes públicos que o reponham na casa da música, onde não faria menos estragos, mas pelo menos deixaria os grande compositores repousar em paz sem ofendê-los com prestações públicas indecentes. Francamente lamentável a descida de qualidade deste músico nos últimos anos. Já não nos engana a história dos anos passados na Casa da Música a fazer de "genialóide"; Pedro Burmester regressou aos palcos há um ano e todas as suas actuações foram uma sucessão de fracassos. Um delírio de omnipotência com tintas de grotesco. Devo salientar que muitos músicos portugueses consagrados, desde há uns anos, estão a perder muita qualidade e que isto coincide com a inércia ou decisão, mais ou menos assumida, de parte das instituições e centros culturais, e mesmo da crítica, de proseguir uma política de protecção a alguns músicos portugueses. Este o resultado: estes músicos sentem-se protegidos, intocáveis e começam a tocar mal, às vezes, como neste caso, mesmo muito mal. Seria melhor regressar a uma política menos demagógica e começar a avaliar os músicos todos pelo que fazem e não pelos nomes e protecção que têm atrás das costas. Pede-se respeito pela música e pelos compositores geniais sem os quais nenhum deles existiria.
Portugal não pode ser representado em nenhum lado, quer cá dentro, quer no estrangeiro, de maneira tão amadora. 0 valores a Saiotes e Burmester só porque utilizamos o sistema decimal.

Esquecível o fagotista Kesteman. Muito bem o oboísta Pedro Ribeiro e o trompista Abel Ferreira que tiveram que participar neste espectáculo e por isto vão ser relembrados.
1 valor ao público que ainda hoje em 2004 sec.XXI continua ignorante a participar em concertos como se fosse um supermercado da vaidade. Ontem ouvimos bater palmas numa cadência em suspensão... palmas ... e finalmente a peça a continuar até o fim do andamento. Programação do Festival, nestes dias, muito fraca. Todos os protegidos da Gulbenkian a fazer de reserva índia, incluindo o concertino com afinação Transcaucásica e 12 raparigas a tocar Vivaldi que soava a Piazzolla.

M.P.

Arquivos

This page is powered by Blogger. Isn't yours?