<$BlogRSDUrl$>

10.3.04

Tenores - A crítica ao Crítico dos Críticos 

Permitam-me uma palavra de clareza acerca do assunto da presença de cantores no mundo da Música Lírica hoje em dia.

O problema não está ligado à falta de artistas com capacidades mas sobretudo na falta de Directores de Teatro, Críticos e operadores desta área da cultura que vivem com uma mentalidade de "supermercado". Vão ao supermercado e compram o que houver nas prateleiras, um puro exercício de ginástica que é só aquele, lamentável, de levantar ou baixar o auscultador do telefone para contactar agentes.

O trabalho de um director de Teatro deveria impor qualidade, estar ao par do que acontece, de promover excelência, e não só amizades. Um director deve trabalhar para que a qualidade aconteca; viajando e encontrando pessoas mesmo nas produções mais "blazé"; organizando audições sérias e desenvolvendo um trabalho de prospecção, lançando e arriscando em novos valores. Para um director de Teatro Italiano como Pinamonti isto deveria ser "canja" já que em Itália temos centenas de Teatros, quase todos operacionais e que, em Italia, vivem milhares de Cantores provenientes de todos os cantos do mundo, lituanos, moldavos, búlgaros, chineses, japoneses, americanos e, porque não, italianos. Desde a chegada de Pinamonti temos tido no palco do São Carlos pouquíssimas coisas de qualidade e demasiadas demonstrações de mediocridade; maestros convidados grotescos, cantores em primeiros elencos que num Teatro normal nem fazem o terceiro, um maestro titular que não dá para acreditar. A direcção é melhor nas encenações mas isto só serve para esclarecer o nível amador que a Direcção demonstra a nível musical, até na escolha do repertório; depois de três anos e meio de Pinamonti a OSP não tem repertório nenhum e não tem feito experiência nenhuma no domínio de um repertório qualquer. Toca Mozart como se fosse Strauss e Mahler como se fosse Mozart, isto mesmo na Ópera. Quem não se lembra do descalabro da Flauta Mágica dirigida pelo Peskó há dois anos? É só um exemplo, já que não me lembro de uma só peça tratada como deve ser a nivel musical ou instrumental.

Também a crítica, se for construtiva, poderia ser uma ajuda. Chega destes jornalistas preguiçosos que se limitam a criticar de maneira mais ou menos suave um espectáculo musical em troca de bilhetes de borla para assistir a aquela récita que deveriam criticar com objectividae e constructivismo.

Conheco pessoalmente cantores muito superiores ao Sabbatini no papel de Werther mas que, ao contrário deste, não podem investir dinheiro pagando a uma grande agência artistica. Nem compensa apontar a comparação com Alagna que, mesmo sendo irónica, esclarece a nossa pobreza de conhecimentos. Neste sentido nós também temos culpas graves, devemos confrontar-nos não apenas com níveis elevados de hierarquia artística ou de vedetismo. Não é assim que se faz cultura ou que se ajuda a fazê-la.

M.P.

Arquivos

This page is powered by Blogger. Isn't yours?