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13.3.04

Fabio Biondi - o cansaço 



Arcangelo Corelli
Concerto Grosso op.6 nº 4

Antonio Vivaldi
Concerto em Ré Maior, op.3 nº 9
Concerto para Violino, em Dó Maior, op.8 nº12
Concerto para dois Violinos e dois Violoncelos, em Ré Maior

Pietro Antonio Locatelli
Concerto em Mi bemol Maior, Op.7 nº 6, Il pianto d'Arianna

Francesco Geminiani
Concerto Grosso, op.3 nº 2

Giovanni Battista Sammartini
Sinfonia em Fá Maior


Chegou a altura de, no movimento da música antiga, se parar e pensar.
As rotinas instalaram-se, a força do novo, o prazer do diferente, o trabalho de longa duração, o ensaio, o afinar em conjunto começa a tornar-se em monotonia e banalidade. Os grandes nomes saiem das formações que os lançaram e criam novos agrupamentos. Os grupos rejuvenescem-se, mas a qualidade nem sempre se mantém. Os velhos mestres perdem a paciência, perdem a chama. Fabio Biondi engordou, ganhou peso, parece que este peso se transmitiu ao seu agrupamento.
Aconteceu assim com A Europa Galante: a banalização de Fabio Biondi. Um concerto apagadíssimo, sem chama nem cor. Instrumentos antigos? Arcos barrocos? Afinação? Aqui um dos pontos mais fracos: temperada e a 440Hz! Eu nem queria acreditar, desafinação constante, cordas demasiado tensas. Fuga continuada da afinação em todo o concerto. Falta de cor, uniformidade, ornamentação banal e esteriotipada. Música sem prazer, sem respiração, sem cor. Tonalidades todas iguais, qual ré maior, qual mi bemol maior? Tudo soava igualzinho e igualmente descolorido.
Vivaldi como Corelli. O primeiro andamento do pianto de Ariana de Locatelli sai com algum encanto, logo desfeito nos concertos de Vivaldi. Um violoncello completamente fora de tempo, de ritmo, de batimento. Um Fabio Biondi a cheirar demasiado a espectáculo visual e a pouca inspiração musical. Com diapasão a 440 e temperamento igual cheira também a fraude musical.
E de facto cheirou a fraude musical, faltou a música, e quando a música falta, falta tudo, mesmo que se toque com instrumentos originais.
Foi triste ouvir descordenação ritmica, falta de articulação, ornamentação pobre, baixo contínuo pesadão e sem agilidade.
O público, como sempre em Portugal, gostou do programa, aplaudiu, menos efusivamente que o costume, mas generosamente.

Quem os ouviu e quem os ouve hoje, que desilusão. Totalmente dispensável este concerto, médio para o medíocre. Se não tem bilhete para o concerto do Porto não perde nada.

Uma pergunta forte para a Gulbenkian: Onde pára a Música Francesa e a Música Alemã, no ciclo de música antiga? A música italiana é muito interessante mas há quanto tempo não se ouve um Schütz? Um Schein, um Scheidt? Um Funk? Conhecem Delalande? Marin Marais? O nome da família Couperin diz algo aos senhores programadores? Creio que até diz, mas onde estão estes compositores? E lá temos de gramar com o Biondi, gordo como um perú de Natal a tocar entre médio e o mal.

Um reparo severo para a Gulbenkian: Já vamos em Março e o ano Charpentier parece ter passado ao lado da Fundação. Estavam a dormir quando programaram a temporada? Uma pena e uma falha gravíssima de programação. Muitos concertos são devidos a Charpentier. Um dos melhores compositores de todos os tempos, como não me canso de repetir aqui.

P.S. Fora do concerto: a qualidade do bar da Gulbenkian está a piorar a olhos vistos: empadas cruas, croquetes ensopados em óleo, bicas mal tiradas, meias de leite mornas que afinal saiem a escaldar. Qualidade dos bolos a piorar cada vez mais, preços galácticos. Falta de qualidade e preços elevadíssimos, há que mudar rapidamente.

H.S.

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