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3.2.04

Um dia 

Liguei a televisão e vi um pouco, vejo televisão raramente, no meu caso não falo por falar, ou para me gabar, de facto sobra pouco tempo. Tenho umas boas dezenas de CD's para escutar sem tempo para o fazer, tenho umas boas dúzias de livros para ler, grossos e em línguas variadas, mil e uma pequenas coisas, concertos, teatro, textos para preparar, investigação para fazer, sestas para dormir. Enfim a televisão fica para o fim do fim, depois do sono. Aliás a televisão não se enquadra no meu ideal de vida conservador, se pudesse alumiar-me com velas não hesitaria. Acho a televisão altamente intrusiva, irritante, manhosa, distorcida, manipuladora. Mas isto para dizer que hoje, ao fim de algum tempo, liguei a televisão: futebol, falavam de futebol, na semana passada tinha também olhado para o ecrã num café e futebol era o tema, será sempre assim?
Não sei se os meus leitores repararam antes, mas futebol é tema quer nunca entrou neste blogue, reparo eu agora. Nem sequer tem sido de propósito, é que o assunto é mesmo desinteressante para quem escreve aqui.
Depois de desligar a TV e de ter colocado um CD, com o "Le Parlament de Musique" um CD da Opus 111, com Charpentier dirigido pelo Martin Gester, o Miserere deste compositor deslumbrante, gravado aqui precisamente em primeira gravação mundial de 1991. Vou blogar, digo eu de mim para mim: dou um salto a uns blogues, e o que vejo? Futebol! Tal como na TV. Querem eles deixar de passar por suburbanos, querem ser elite, mas passam a vida a falar de carros, bichas de trânsito e futebol. E dizem-se liberais. Mas de facto são escravos, mais escravos que Hunding o era de Fricka. Logo o mais rasteiro dos temas, as pancadarias e os dirigentes, o mais deprimente dos assuntos, a cultura da incultura e do acéfalo, o mundo da pobreza mental e da corrupção, confesso que nem prestei muita atenção, se calhar aquilo até poderia fazer sentido, mas estou sem paciência. Vou desligar o computador depois de escrever estas linhas e continuar a ler um livro que estou a achar excelente, de 1998, "Le Moulin et la Rivière - air et variations sur Bach" de Gilles Cantagrel. Emprega-se melhor o tempo, não estou com paciência para pesquisar nos suspeitos do costume. Ao menos que leia e que venha o sono.

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