<$BlogRSDUrl$>

13.2.04

Um concerto muito mau na Gulbenkian dia 12 de Fevereiro 

Os três primeiros andamentos da nona sinfonia de Beethoven em ré menor, op. 125, foram completamente arrasados por uma interpretação arrastada, quer de Günther Herbig, maestro, quer por uma orquestra Gulbenkian desinspirada em que se notou falta de estudo e, provavelmente, falta de ensaios. O naipe das trompas foi particularmente mau, com entradas muito más, sempre por baixo e fora de tempo, desafinação constante e notas trocadas. O 1º fagote foi o que mais se destacou pela positiva, muito embora tenha falhado também entradas.
O Scherzo foi altamente confuso, atropelos, entradas trôpegas, metais em excesso de zelo, tudo muito manhoso.
O andamento lento, adagio molto e cantabile saiu melhorzito em termos técnicos, mas muito apagado de vida e força.
Os trompetes deram notas erradas na entrada do último andamento o que deu uma nota do que se iria seguir.
O Final, com a Ode à Alegria saiu absolutamente miserável por culpa de um naipe de cantores solistas desastroso. O currículo do tenor, cujo nome nem vale a pena citar, começa com "principal tenor de Lituânia", será o único? Voz desinteressante e mal colocada, cantando em esforço, pouca potência e falta de qualidade nos agudos, o menos mau das vozes masculinas!
O baixo, ou barítono, ou lá o que era, foi inconcebível na incapacidade de cantar bem: frases não terminadas, frases aldrabadas e com metade das notas, saídas constantes de tom, desacerto rítmico. Enfim a mais completa falta de voz, de sentido musical e de capacidade de afinar, veio da Áustria para ajudar a arruinar o final da sinfonia em ré menor de Beethoven, conseguiu.

A cantoras também não andaram muito melhor, a soprano tem uma voz feia e não acertou com os restantes solistas. A mezzo Bizineche ainda tentou fugir à desgraça geral, mas tem um papel muito pequeno e com tanto desacerto dos outros cantores tornava-se impossível fazer melhor. Parece quase incrível a forma como conseguiram acabar ao mesmo tempo! Muitos anos de prática devem ter ajudado, pelo menos, a terminar em conjunto a obra.

O coro gritou em vez de cantar, talvez a pedido do maestro, mas acabou por ser feio de ouvir, alguma desafinação não habitual surpreendeu também, assim como algum atabalhoamento rítmico no presto junto do final.

Se não comprou bilhetes para estes concertos, aliás esgotados, não se sinta infeliz, não perdeu nada. Dia 13, sexta feira, repete, para azar de quem ouve a pastelada.

O público aplaudiu vigorosamente, o mesmo público que deu umas palmas anémicas a uma oitava sinfonia de Beethoven muitíssimo melhor interpretada, o mesmo público que esteve ausente nos concertos do excelente quarteto Arditti. Assim se vê a cultura musical e a inteligência do público, supostamente, mais informado e culto, o público que vai à Gulbenkian.
M. C.

Adenda:
Bola preta para as trompas da orquestra Gulbenkian, têm tocado francamente mal em todos os concertos a que temos assistido, e na nona de Beethoven ultrapassaram todos os limites, poder-se-ia escreve quase uma série de tratados: "da incapacidade de entrar a tempo", "da incapacidade de tocar com coesão", "da incapacidade de atacar as notas com segurança" ou "da incapacidade de entrar sem esborrachar as notas". Uma emissão horrível, parece que nem têm embocadura, fortíssimos a rasgar para compensar a incapacidade de articular em piano e pianíssimo, incapazes de se integrarem num conjunto sonoro orquestral, berrantes na arrogância. Apenas o solo no trio do Scherzo escapou, não parece um problema do solista, embora este tenha trocado ostensivamente muitas notas, é um problema de naipe que tem de ser resolvido rapidamente, para não estragar um conjunto geralmente bem coordenado.
Achamos a sonoridade da orquestra muito desequilibrada, com metais em excesso de produção sonora (e de má qualidade), pouquíssimos violoncelos (mas bons) e muito poucas violas: as partes em que as violas têm de sustentar o coro, junto do final da obra, e que nos delumbram com a sua envolvência harmónica, sairam francamente débeis por falta de massa, falta de número. São muito poucos instrumentistas nos graves e médios no arco.
H.S.

Arquivos

This page is powered by Blogger. Isn't yours?