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21.2.04

Foi-nos enviado um simpático email de Bernardo Mariano, o crítico do DN, sobre um texto nosso em que se criticava a sua nota sobre Brendel. Nesta nota dizia-se que Brendel era do Norte da Morávia, sendo austríaco. Nós esclareciamos que o Norte da Morávia era a algumas centenas de quilómetros da fronteira austríaca, e que esse aparente paradoxo era devido à alteração de fronteiras que se deu depois de 1918, agravadas pelos efeitos do final da 2ª guerra mundial o que não era explicado no texto de Mariano. Percebemos agora que o erudito crítico do DN, geralmente com bom ouvido e sentido crítico, mas muito suave nas suas apreciações, o que até não será um defeito, sabe realmente "da poda". É uma verdadeira enciclopédia em ilhas germânicas encravadas a leste!
Porque motivo não resumiu o que sabe no texto do DN? O que se imagina é que o jornal não deve dar muitos caracteres para a escrita sobre música. Vê-se como a música é tratada pelos ditos "jornais de referência", abaixo de cão, mas isso é uma história completamente diferente. Passamos a reproduzir a lição que vem no email de Bernardo Mariano (que nos chegou cheio de caracteres estranhíssimos e que tiveram de ser interpretados pelos serviços criptográficos deste blogue!)

Antes de mais, parabéns pelo vosso «site», onde abundam textos (e imagens) muito interessantes. Leitor ocasional, mas atento, reparei numa correcção a um meu artigo relativo a um prémio atribuído ao pianista Alfred Brendel. É a esse respeito que inauguro a minha «comunicação» convosco.
Apesar de nascido no norte da Morávia, Brendel e a sua família são etnica e culturalmente austríacos. E, como muitas famílias austríacas (resultado da convivência secular com outras raças no seio do Império Austríaco), apresentam um cruzamento de raças diversas, no seu caso, austríaca/alemã, italiana e eslava. Quando ele tinha seis anos, toda a família se mudou para Zagreb, após o que se radicaram em Graz, na Áustria. Aí completou os seus estudos e aí iniciou a sua carreira. É do meu perfeito conhecimento a profusa existência, até 1945, de ilhas linguísticas alemãs por toda a Europa de Leste (Boémia, Morávia, Eslováquia, Polónia, Galécia, Hungria, Transilvânia, Banato, etc.), sendo que no território da actual Rep. Checa, havia até 1945 uma minoria de cerca de 3,5 milhões de alemães/germanófonos expulsos pela investida russa e pelos chamadoas «decretos Benés» do imediato pós-guerra. Geograficamente, ocupavam toda a zona de fronteira com a Áustria e a Alemanha (fronteiras de 1937) -- os chamados «Sudetendeutsche» --, a que se somavam ilhotas linguísticas, mais numerosas no território moravo. Hoje ainda lá existem alguns, poucos, descendentes de alemães.
Um reparo: o «jornalista» não é jornalista, mas «percebe da poda». Se ficou a ideia contrária, aqui ficam estas linhas para a «redireccionar». Até mais e continuem o bom trabalho!


Curiosamente é no centro da Morávia que se situa uma cidade interessantíssima Olmütz (Olomouc em checo) do antigo império Austro Húngaro, sede de bispado e cidade de língua alemã (mais de dois terços da cidade seriam alemães em 1918) e onde ainda se fala alemão como segunda língua. É notável a sua coluna da Trindade e um relógio muito semelhante ao de Praga, mas mais complicado. Uma cidade barroca que tenta hoje recuperar o seu antigo esplendor.

Mais para ler deste crítico do Diário de Notícias:
Crítica a Concerto Soave.


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