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6.2.04

Fazil Say e Vengerov - Um excelente pianista e um palhaço de circo 

4 de Fevereiro, Fundação Calouste Gulbenkian, 19h.

Um espectáculo bom como palhaçada de circo, exibição de talentos virtuosístico de péssimo gosto no género do final do século XIX, cabriolas e momices, anedotas e habilidades de um Vengerov vaidoso e armado em super-estrela. Escolheu um reportório de elevado nível, Bach e Brahms, do qual não está claramente à altura, e acaba com três extras para o povo, aliás o que o povo esperava ouvir, que o "Brahms é chato" e o Bach mal tocado.

Não quero perder muito tempo com este concerto lamentável de um artista, não um músico, muito bom no espectáculo. Bach foi péssimo, desafinado, notas trocadas, expressividade e vibrato exagerados, articulação ultra romântica e de mau gosto. Pouco a dizer, Vengerov não percebeu, ou não quis perceber o que se descobriu sobre a interpretação de Bach.

Brahms pouco contido, desequilibrado, violino exagerado e piano completamente metido debaixo do tapete. Muitos gestos com a cabeça e o corpo, quase parecia um boneco articulado em vez de um músico, sem correspondência sonora para além de um som muito cheio e acentuações a mais, sforzandos em excesso, mau gosto em tudo, por excesso de protagonismo, vaidade, carisma excessivo, falta de sentido estético e musical no sentido profundo do termo, Brahms se aparecesse na Fundação Gulbenkian teria dado um pontapé no violinista. Vengerov dá as notas todas e o som do instrumento é excelente, mas falta uma intelectualidade, uma percepção da obra, uma concepção. Vengerov, um nome a riscar enquanto não tiver a modéstia de perceber que as obras e a música são mais importantes que cabriolas, ego e exibição de feira.

Já o pianista Fazil Say mostrou uma subserviência total ao violinista, nunca passou do meio forte, e quando digo nunca é mesmo nunca! Mas mostrou uma segurança enorme, um touché límpido mas de uma suavidade notável, uma textura e um som com ressonâncias mágicas, efeitos de uma poesia absoluta e com uma densidade espantosa, mas sempre estragado pelas momices de um Vengerov que não sabe onde estão os limites da música e a fronteira da palhaçada.

Vengerov é um fenómeno de alegria, de poder de som do instrumento, de técnica, de comunicação com o público, mas não se pede apenas isso, pede-se bom gosto e música. Vengerov é um violinista pimba!

Bola preta.


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