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27.1.04

Turandot no S. Carlos II - Puccini 

Sábado as coisas correram pior que na estreia de quinta feira, a soprano Alessandra Marc apresentou a voz em pior forma, a direcção de Peskó foi mais frouxa que na estreia, os desequilíbrios foram maiores nas massas orquestrais. Não houve tensão dramática, já não tinha havido na estreia, e, sobretudo não houve brilho. Uma interpretação arrastada pelos cantores, nomeadamente por uma Alessandra Marc em mau plano, com uma emissão fraca, anasalada e pouco brilhante. Parecia adoentada este sábado.
Os metais taparam o conjunto por completo quando entravam em fortíssimo, numa confusão clara entre espressividade e barulho. A gesticulação do maestro exagerada não correspondeu a qualquer resposta da orquestra. A expressão "caldo de notas" aplica-se ao resultado sonoro desta récita, na componente orquestral.
Se o coro tinha estado ao seu nível habitual, muito mau, na estreia, tendo sido o seu pior momento o final do primeiro acto, sábado o descalabro foi total: desafinação, berraria e desacerto com o maestro, orquestra e cantores; tudo demasiado notório para podermos ficar calados, atrasos, entradas em falso, houve de tudo.
Parece que a tensão da estreia contribuiu para elevar, um pouco, o nível.

O maestro continua a mostrar-se muito irregular ao dirigir uma orquestra nacional de ópera, uma má aposta da direcção, que tem trabalhado com muito cuidado e imaginação nesta temporada reduzida. Sem ovos tem feito omeletes, mas é traída pela ineficácia de certos elementos colocados em posições chave e com contratos assinados. Provavelmente, com menos dinheiro gasto, poder-se-ia ter um melhor director da orquestra, mais jovem e com melhores concepções musicais. Menos complacência e mais visão global das obras e dos seus conceitos. Quando ninguém devia ter dormido, parece que o maestro principal adormeceu, uma pena.
Já nem falamos do maestro de coro, pouco ouvido, pouco interesse, pouco brio, nem conseguimos perceber porquê. Quando aparece fora do S. Carlos, com formações mais reduzidas, talvez mais escolhidas, o trabalho sai relativamente digno, dentro do TNSC os resultados são pavorosos.


Victor de Sabata
Um bom maestro em Puccini

Sobre encenação, cenografia, figurinos, elencos e solistas vocais, dissertaremos posteriormente. Há tempo para uma crítica mais cuidada.

Para dia 27 de Janeiro espera-se um melhor elenco em termos de representação e até vocalmente. Espera-se mais concentração do coro, o que parece francamente impossível por problemas de qualidade intrínseca, eles nem sequer sabem como fazer, nem foram ensinados pelo maestro de coro, isto julgando pelos resultados.

Pede-se aos chefes de naipes da secção de metais que refreiem a natural tendência de puxar pelos instrumentos quando o maestro começa freneticamente a agitar os braços! Calma, suavidade, o som tem surgido de forma demasiado estridente na sala. Sejam uma orquestra a sério, toquem apesar do maestro, como fazem as grandes orquestras quando lhes aparece um maestro pouco eficaz a dirigir. Contenção e espírito de grupo na orquestra é um dos princípios fundamentais da interpretação orquestral, sacrifício do som do vosso trompete, trompa, trombone e tuba pelo som de todos.
Com elegância, com nível. Afinal a OSP tem excelentes músicos. Apelo aos violinos: não arranhem as notas, e tentem afinar nos agudos. É quase um apelo desesperado, mas temos esperanças, não esmoreçam, o Peskó não há-se ser sempre o maestro, nem o concertino actual pode durar muito mais tempo com tão maus resultados. Dêem ao público e a vós próprios o maior prazer que é o de interpretar uma composição como foi escrita, com musicalidade, afinal o prazer de fazer música e de a escutar quando feita com amor.
Lembrem Puccini e Toscanini, o maestro que estreou a obra em 1926



A julgar pela crítica saída no Público, AMSeabra parece que leu o nosso texto anterior e afina, em geral, pelo mesmo diapasão. No capítulo vocal não avaliámos as vozes, AMSeabra foi muito ambíguo neste ponto, como aliás quando tem de mostrar conhecimentos musicais. Ficámos sem saber se o tenor era mau, médio ou bom, pelo texto escrito não se percebe o pensamento do tudólogo do Público, esta confusão escrita é aliás um dos recortes estilísticos de Seabra. Mas a ler, a crítica saída no sábado no Jornal "O Público".


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