<$BlogRSDUrl$>

29.1.04

O rídiculo mata 

Depois do livro "cultural" de Santana Lopes a proposta peregrina: fado património mundial! Terá trocado as vogais? É que a procriação é que mesmo necessária para o povo do mundo manter a espécie, e nunca ninguém se lembrou de sugerir que a cópula fosse elevada à categoria de património universal, bem o merecia! Outros blogues, mais habilitados que este, têm aqui um tema, será que a arte do sexo pode ser monumental? Artística? E desculpem os meus leitores esta incursão pelos domínios do brejeiro, mas é que não há paciência para tanto disparate, só com umas bojardas se consegue reajir, de forma a ver se não se chora vamos tentando rir.
Santana não sabe o que fazer para manter a sua demagogia no padrão habitual. Inventa conceitos com vivacidade, percebe que em Portugal é a ignorância e o provincianismo que mandam, que se confunde obra com engenho. Ora Santana é engenhoso, não a criar factos políticos ou concretos, mas a criar factos demagógicos, que nem sequer são as obras virtuais de Guterres tipo as várias pontes sobre o Tejo, foram anunciadas várias, duas em Lisboa, que "hádem" estar feitas. As obras mirabolantes e os anúncios de medidas virtuais de Guterres eram tão ridículas que ninguém as levava a sério mas Santana escolhe a dedo os seus factos demagógicos, é difícil desmontar sem receio de perder popularidade esta do fado, por exemplo. O fado é um estilo de canção pobre, quer melodicamente quer harmonicamente, quer ritmicamente. O fado nem sequer é património quanto mais mundial. Porque não a ópera italiana classificada como património mundial? Já desapareceu, a sua classificação nunca impediria o seu desaparecimento, os tempos mudam, os gostos evoluem, ficam os grandes cantores, os grandes intérpretes, ficam as obras entretanto escritas, no caso do fado nem os grandes compositores sobrevivem, porque compor para fado nem sequer é compor, é copiar fórmulas.

O ridículo mata, mas apenas dentro dos que sabem reconhecer o ridículo, os concertos para violino de Chopin nunca mataram Santana, em França talvez tivessem assassinado directamente qualquer candidato ao que quer que fosse, menos a empresário da praça Pigalle, em Portugal é folclore, a elite ri-se, o povo delira. Em Portugal estima-se o pacóvio e o chico esperto, afinal o que Santana é. E vence em vez de morrer.

O Público noticia o facto, em vez de gozar perdidamente com a história do fado como património mundial, dá a notícia como se fosse para levar a sério.

Arquivos

This page is powered by Blogger. Isn't yours?