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11.1.04

O privilégio 

Repare-se nesta frase:

Estou de acordo com Freitas do Amaral quando este afirmou à TSF - segundo o Público de hoje - que «receio muito que o processo Casa Pia possa ser o processo do regime. Tal aconteceu nos finais da I República com o processo Alves dos Reis».

Freitas do Amaral é livre de dizer disparates, é um hábito antigo do Freitas. Matamouros segue alegremente no caminho do esquerdista, centrista que pisca o olho à direita sem esquecer de dar a mão ao PS, e nem repara, porque desconhece, que Alves dos Reis começou a ser julgado em 1930. Um processo que vem da primeira república (em minúsculas) mas bem dentro de um novo regime instituído em Maio de 1926, regime que viria a ser chamado de Estado Novo. Se estivéssemos na primeira república Alves dos Reis teria sido libertado em pouco tempo. Como se alterou a lei para o caso de Alves dos Reis, que foi julgado por um tribunal especial, o célebre vigarista só sairia da cadeia em 7 de Maio de 1945.

As naturezas dos crimes de Alves dos Reis e dos falados actualmente são completamente diferentes. Como se sabe tratam-se de casos totalmente díspares. Ao caso hoje na ordem do dia o blogue Matamouros dedica a maior parte dos seus posts, numa obsessão incontrolável. Mas os crimes são fenómenos pessoais praticados por indivíduos por sua livre vontade, estes são ou não punidos pela sociedade, os criminosos são ou não regenerados pela sociedade que, infelizmente, é geralmente ineficaz neste capítulo para nós essencial. A sociedade deve manter um sistema democrático e um sistema de justiça, pago pelos contribuintes. Se o sistema prova ser falível pode e deve ser melhorado pelo sistema democrático. Nós gostávamos de ver as alternativas propostas pelos maledicentes crónicos. Defendemos que a crítica é legítima se for de coração puro e saudável, nenhum tema deve ser intocável, mas para se construir, para abrir portas e não para destruir de forma sistemática e com intenções escondidas. Infelizmente é mais difícil em política apontar caminhos, em música pode-se sugerir um melhor fraseado, uma maior preocupação com a afinação, mais trabalho de um naipe ou de outro, podem-se apontar caminhos estilísticos, etc...

Nunca uma sociedade poderá ser condenada pelos crimes cometidos pelo livre arbítrio de pessoas. Qualquer liberal sabe isso, menos Matamouros. Mesmo os crimes de regime são sempre crimes de pessoas, seria completamente indigno condenar sociedades inteiras, ou nações, pelos crimes dos seus dirigentes. Por isso não condeno nem os palestinianos nem os israelitas, no seu todo, ou os alemães, na segunda guerra mundial, ou os americanos, por usarem a bomba atómica, num manifesto crime de guerra. Os responsáveis pelos crimes têm nomes.
Matamouros, por generalizações abusivas faz corar de vergonha qualquer conservador, e também pela agressividade, pela violência verbal, pela deselegância e, já agora, pela ignorância. Quem tem aliados destes, mesmo que de direita, deveria preferi-los como adversários. Nunca renunciarei ao privilégio de escolher os primeiros, os segundos eles que escolham...

Basta reparar no título do blogue para se perceber de que gente se trata.

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