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17.1.04

Manuel Mendes 

Manuel Mendes, nasceu na primeira metade do século XVI, estudou em Évora com o padre Cosme Delgado, que era mestre de capela do convento do Espinheiro e da Catedral de Évora.
Depois de ordenado padre presbiteriano, Manuel Mendes foi colocado em Portalegre onde ocupou as funções de mestre de Capela da catedral desta cidade. Voltou depois a Évora para ocupar o lugar que foi a de seu mestre. Veio a falecer a 16 de Dezembro de 1605. As suas obras não tiveram publicação, encontrando-se algumas missas avulsas em códices de bibliotecas de Lisboa e Évora. O seu estilo era notável pela sua pureza, sendo o mais simples e severo dos mestres da escola de Évora. A sua influência deu-se sobretudo como pedagogo, pois foi mestre de Frei Manuel Cardoso e Duarte Lobo, os grandes polifonistas portugueses da transição do século XVI para o XVII .
Existe um Asperges me e um Hosanna filio David gravados num disco da Hyperion, com direcção de Owen Rees e o agrupamento inglês A Capella Portuguesa, nome realmente notável para um agrupamento inglês. Infelizmente e segundo creio este agrupamento não tem gravado muito mais desde o disco de 1996 "Music for the Holy Week at the Chapel of the Dukes of Braganza".

Creio que fazem falta mais agrupamentos de qualidade no domínio da polifonia e da música antiga em Portugal. A gravação por bons agrupamentos da música portuguesa faz muita falta. Comecemos por Manuel Mendes e avancemos por aí adiante, com amor, com paixão; a música merece.

A edição crítica e revista das obras dispersas por arquivos deste país não se faz, ou faz-se numa escala ridícula face ao património elevadíssimo que existe e que tende a destruir-se por falta de conservação. Por incrível que pareça hoje a conservação dos documentos é muito pior do que há 170 anos atrás, os edifícios não são conservados por falta de dinheiro. Anteriormente as confrarias e a Igreja dispunham de meios para conservar telhados e paredes, hoje ninguém se interessa. Depois existe a poluição que, misturada com a humidade, tem efeitos catastróficos em documentos antigos. Além disso as tintas ferrosas corroem os pergaminhos e o papel. Estamos em vias de perder um património riquíssimo por falta de atenção. Precisamos de um novo Santiago Kastner? Porque será que os portugueses são os últimos a olhar para o génio português? Recordo ainda a fibra de um Michel Giacometti. Manuel Mendes repousa em silêncio na poeira dos arquivos mas atormentado no céu, por os seus concidadãos se terem olvidado da sua música. Ressuscitemos os nossos grandes.

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