<$BlogRSDUrl$>

20.1.04

Frei Manuel Cardoso (1566 -1650) 

Natural de Fronteira pertenceu à notável geração da escola de Évora: é a geração dos polifonista portugueses, onde se destaca também Duarte Lobo (1565 - 1646), ambos alunos de Manuel Mendes (1547 - 1605).
São compositores que transcendem a Península Ibérica, são marcos da cultura europeia.
Frei Manuel Cardoso foi menino do coro na Catedral de Évora. Tomou votos em 1589 como frade carmelita no Convento do Carmo em Lisboa onde passou a residir. Entre 1618 e 1625, serviu o Duque de Bragança, mais tarde, D. João IV, que também era compositor de talento. Dedicou algumas obras a Filipe IV de Espanha, antes da restauração da independência em 1640, obras encomendadas pelo monarca.
Após essa data data, que encheu de júbilo o compositor, trabalhou sobretudo para D. João IV. Diz o rei que frei Manuel Cardoso era homem de grande humildade e estremamente frugal, mas o seu génio musical era unanimemente reconhecido.
Frei Manuel Cardoso conjuga o estilo polifonista antigo, anterior ao concílio de Trento, mais complexo, com o estilo mais despojado, privilegiando a compreensão do texto, que foi ditado neste concílio. Faz uma síntese à moda de Palestrina, mas em que a sua originalidade é manifesta.
As obras de Frei Manuel Cardoso estão reunidas em cinco volumes, a impressão de dois dos quais foi financiada por D. João IV, existe uma reedição recente da Fundação Gulbenkian. A sua obra consta de motetes, magnificats missas, incluíndo o seu célebre requiem a seis vozes.
Frei Manuel Cardoso é o mais conhecido compositor do grupo de polifonistas de Évora, tanto pelo seu génio como pelo facto de muita da sua música vocal, sem acompanhamento instrumental, ter sobrevivido ao terramoto de 1755. Não se sabe se terá escrito algumas obras instrumentais que, eventualmente, o terramoto tenha destruído.

É ainda de notar que a polifonia cantada usualmente com vozes sem instrumentos, era acompanhada por instrumentos ao tempo em que foi composta: existem os registos de pagamentos a organistas e outros músicos quando se faziam cerimónias litúrgicas.
Tanto os organistas, como outros instrumentistas, de sopro e de cordas, dedilhadas ou friccionadas, sabiam ler as partes da polifonia, dobrando vozes, ou substituindo-as quando faltavam cantores. É tempo de se começar a interpretar a música dos grandes compositores portugueses como foi pensada. Aliás, é tempo de escutar a música dos grandes compositores portugueses, ponto.

Arquivos

This page is powered by Blogger. Isn't yours?