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17.8.03

Parto e fecho isto 


Segundo bloco de férias, mescladas com trabalho. Claro que este tipo de trabalho é quase férias: mais uma palestra algures numas montanhas frescas da Europa central, mais concertos, mais ópera, passagem por Salzburg, Garmisch (desta feita para weiss e dunkel, que os jardins ainda vão estar floridos de copos e há dois anos que não vou lá no Verão). Acabo com Vienna em trânsito, por mais dois dias de música, para paragens mais a leste. Conversar com velhos amigos e amigas (jogar umas partidas de xadrez). Espero apanhar o Nikolaus, que tenho um convite para lhe fazer.

Passo por Lisboa a 5 de Setembro chegada à noite, saída de madrugada. Volto, definivamente a 15 de Setembro.

Vou para locais onde vou duvido que consiga sequer ver blogues, quanto mais escrever, mais não seja por não ter tempo.
Por isso até daqui a um mês.

Nem sequer tempo tenho para deixar aqui umas músicas...

CM

16.8.03

Um poema de Leite de Faria (perto da morte?) 


Sem título

Penso hoje no que não escrevi,
Nos livros que nunca vou ler,
Nos filhos que não tive,
Entretido em circunferências,
Descobertas incríveis...
Vivia e sonhava, julgava eu.
Penso hoje no mundo que não vivi,
Poemas pensados sem escrever,
Escravo de ser livre,
Perdido em referências
De tempos imperecíveis.
Hoje nem um beijo teu...
Sou um velho cujo amor morreu.

Leite de Faria


Mais um poema em papel a servir de marcador no meio de um livro de Cardoso Pires: O Anjo Ancorado, primeira edição. O livro está assinado pelo autor com dedicatória a Leite de Faria. O poema é deste último, pelo estilo e letra. Não devia passar de um esboço, mas não deixo passar o documento sem esta nota. Não sei também se seria, ou não, dividido em estrofes, opto por apresentar o breve poema em bruto.
CM

15.8.03

Domenico Scarlatti 

Domenico Scarlatti nasceu em Nápoles nesse ano impressionante de 1685 (tinha escrito 1785, erro de palmatória, obrigado a modus vivendi que me avisou da enormidade do lapso!), em que também viram a luz Bach e Haendel, faleceu em 1757.
Filho de peixe sabe nadar, Domenico era filho do grande Alexandro, afamado compositor italiano de ópera.
O pai foi o seu professor, Domenico escreve três óperas ainda jovem, sob influência do progenitor
Conhece Haendel em Veneza onde se torna seu amigo. É desta fase o célebre concurso com o alemão, em que Scarlatti vence no cravo e Haendel no orgão!
Em 1714 liga-se a Portugal, é mestre de capela do embaixador português em Roma, em 1719 torna-se mestre de capela em Lisboa e mestre de cravo da princesa Maria Bárbara. Em 1729 vai com a princesa para Madrid, após o casamento desta com o infante de Espanha.
São-lhe atribuídas 555 sonatas para teclado, 30 são publicadas em vida como exercícios para cravo, além de algumas obras sacras.
Conta o célebre castrado Farinelli, contemporâneo em Madrid de Scarlatti, que este era um jogador habitual e que a infanta lhe pagava as dívidas de jogo com a condição de Scarlatti ditar os seus improvisos para o papel! O amor da princesa à música salvou assim grande parte da obra de Scarlatti, que se teria perdido inexoravelmente não fora o vício do jogo. Como os improvisos eram pequenos Scarlatti juntava dois, unidos pela tonalidade e pelo estilo, nascendo uma sonata bipartida.
Em conversa com Pierre Hantäi, há alguns meses atrás, discutimos essa questão, o Pierre acha que seria impossível essa história, pelo menos na totalidade, uma vez que as sonatas de Scarlatti revelam uma arquitectura, uma estrutura muito elaborada, muito complexa, o que negaria à partida o conceito de improviso, nomeadamente as últimas sonatas, não as que foram publicadas no início da carreira de Scarlatti e amplamente divulgadas pela Europa e que serviram a Avison para orquestrações a sete partes, também famosas no seu tempo. Hantäi falava das últimas sonatas, de um Scarlatti mais maduro, mais elaborado harmonicamente e mais pensador. Um homem que acaba por morrer com uma idade bem avançada para a sua época e que escreveu até ao fim. Duvidava este cravista que um homem conceituado e maduro, falecido depois dos setenta anos, admirado pelos seus contemporâneos tivesse jogado até tão tarde.
Estou em concordar com Pierre Hantäi. O folclore tem graça, mas a reflexão pensada deita por terra algumas histórias apenas pícaras, mas pouco fundamentadas.
Nota-se também uma liberdade total nestas sonatas, muita influência da música popular, quer portuguesa quer espanhola onde o ritmo de fandango, entre outros, surge de forma desinibida. Os efeitos espectaculares são habituais, para reforçar o brilhantismo da música.

Hoje não vamos para a tecla, vamos para um impressionante Stabat Mater a 10 vozes e baixo contínuo, escrito "à moda antiga". Uma das obras mais enigmáticas deste compositor pela polifonia e pelo virtuosismo da escrita vocal, quatro linhas de soprano, quatro de alto, duas de tenor e duas de baixo. Ouçamos o Inflammatus... neste caso com solo de soprano e tenor.

Ouvir


CM

14.8.03

Discussão de Bloguistas na Sociedade de Geografia (DSG) 

Todas as informações sobre este assunto no novo blogue:
DSG
Neste Blogue do crítico não se falará mais do assunto. Eu vou partir de novo, dentro de muito poucos dias para Salzburg e Florença, volto apenas a 15 de Setembro. Esta discussão informal na Sociedade de Geografia fica entregue a um grupo de pessoas que tratarão dos poucos detalhes que há para realizar, mas todas informações serão prestadas no link acima, existe um email também. A ideia fica lançada

Cumprimentos a todos.

CM

Camilo Pessanha 


Foi um dia de inúteis agonias,
Dia de sol, inundado de sol.
Fulgiam, nuas, as espadas frias.
Dia de sol, inundado de sol.

Foi um dia de falsas alegrias.
Dália a esfolhar-se, o seu mole sorriso.
Voltavam os ranchos das romarias.
Dália a esfolhar-se, o seu mole sorriso.

Dia impressível, mais que os outros dias.
Tão lúcido, tão pálido, tão lúcido!
Difuso de teoremas, de teorias...

O dia fútil, mais que os outros dias!
Minuete de discretas ironias...
Tão lúcido, tão pálido, tão lúcido!

Uma pequeníssima cantata 

Ouvir
Canta Arianna Savall, dirige Philippe Pierlot, Ricercare Consort.
Juan de Navas (1659-1709) é o compositor.


13.8.03

Músicas 


Este blogue esteve uns tempos muito pesado, precisamente durante o meu primeiro bloco de férias, música a mais, protestos na caixa de email, "tira a música que a gente não te consegue ler". AMSeabra satisfeito, assim podia escrever à vontade no Público (e aproveitou mesmo).
Creio que resolvi o problema, quem quer ouvir a música e tem ligação rápida clica num link e abre uma janelinha só com uma ou duas músicas. Evito assim ter ficheiros muito pesados a dificultar a leitura do texto pela demora em carregar a página. Recomendo aliás esta solução a quem quiser colocar música nos seus blogues. Assim quem tenha um sistema com ligação mais lenta pode optar por ouvir ou não a música que lhe quero dar.
Cá vai de novo uma das minhas preferidas, estamos no princípio do século XVII, uma canção para tenor e alaúde de Landi, canta a cigarra com poema de Saracelli. Dedico-a a quem ainda pára para ouvir um rouxinol cantar, algures num campo deste mundo. Dedico-a às feras encantadas pelo mesmo Orpheu que surge, fugazmente, nesta obra lindíssima:

Cigarra


Uma nota 


Fui informado que o encontro de WebLogs da Universidade do Minho não dispõe de fundos institucionais para organizar o encontro, logo para uma organização profissional será necessário cobrar alguma importância aos participantes. Compreendo, de facto existem algumas dificuldades, se a organização quiser publicar conclusões, proceedings, pagar a conferencistas, surge a necessidade desta cobrança de fundos aos próprios interessados.
No meio em que me insiro creio que seria possível obter fundos institucionais para a realização de eventos desse tipo.
Mas a iniciativa é meritória, fui levado pela irritação de me ver ser cobrada uma importância que, à primeira vista, me parecia desmesurada, que me levou a criticar tão incisivamente esse encontro. O meu pedido de desculpas, feito aliás sem que ninguém mo pedisse.

P.S. Mas de facto os melhores lugares na Ópera de Praga andam por 30 euros, um belíssimo jantar no Clube do Arquitecto anda por 12 euros, só são caros os hoteis (mínimo 90€ duplo em cadeia internacional, mas conheço um 4**** local por 60€, sem pequeno almoço, junto do castelo - do Kafka), o metro fica por 48 escudos dos antigos, uma cerveja à pressão, meio litro são 180 escudos dos antigos. Em Brno os preços são muitíssimo mais baixos, uma noite no melhor hotel deve ficar por 4/5 contos por cabeça. Um almoço no Brabante, com sobremesa, fica por 4.5 euros com uma boa gorjeta e café!
Viagem Praga-Brno comboio 840 escudos dos antigos, alugar carro um dia em Brno, 59.85€ classe A, se alugar à semana sai mais barato: 32€ dia.

CM

11.8.03

Um regresso por poucos dias 


Sim, um regresso, de terras onde toda a gente me perguntava o que se passava em Portugal, como se davam os fogos, o calor, enfim...

Depois de Ópera, de Música, e de beber umas dezenas de litros de cerveja checa e austríaca, esta última bem pior, estou de volta.

Passei pela exposição Fernando I o catálogo é por 45 euros!


Ferdinand I
Atribuído a Guillaume Scrots
Kunsthistorisches Museum Vienna

CM

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