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14.12.03

Uma breve nota sobre crítica 


A crítica não pode ser apenas elogio, sem análise, sem justiça. A crítica é um serviço público. A crítica deve sempre apontar caminhos, soluções. Quando é bom deve ser dito que é bom, quando é médio, medíocre ou mau, também deve ser dito. Só assim os artistas podem melhorar, podem perceber que os caminhos que trilham não são unânimes. Podem discordar, podem desprezar, é um direito que assiste a quem é criticado, mas não se podem eximir à crítica. A crítica faz-se a um fenómeno público e não privado. Os membros do público, onde também se incluem os artistas e os entendidos, precisam de ler, necessitam de caminhos alternativos ao seu percurso pessoal. A crítica abre horizontes, concorde-se ou discorde-se deve fazer sempre pensar e reflectir. E sobretudo ser justa, não pode ser encomendada, ou satisfazer interesses privados ou pessoais. A única crítica credível terá de ser sempre justa e fundamentada. Aqui criticamos como membros do público, damos a nossa visão do lugar onde vemos e onde escutamos os resultados. Somos descomprometidos, não procuramos lugares, não servimos interesses obscuros, amamos a arte e a cultura, gostamos de fotografia, de poesia, de teatro, de dança, dizemos o que pensamos, aqui e em toda a parte, da mesma forma. Somos severos com o desrespeito pelo público, sobretudo por quem tem a obrigação e o saber, sendo pago principescamente, para fazer mais e melhor. Detestamos a crítica tendenciosa, vingativa, malévola, por isso somos capazes de dizer bem de um amigo num dia e mal noutro. Reconhecemos que somos mais compreensivos pelos amadores ou pelos jovens que arriscam tudo nas suas primeiras aparições e que sofrem terrivelmente para conseguir um pequeno lugar que seja. Temos um fraco por quem faz as coisas com paixão e amor. Serão defeitos nossos que nos toldam a objectividade? Nunca deixamos de nos questionar. Do mal o menos, nunca deixamos de apontar os defeitos e pedir mais, sempre mais. Só a superação e transcendência leva ao ideal de perfeição. Nunca um artista deve ficar integralmente satisfeito com o seu trabalho. Nunca um crítico deve deixar de exigir mais. Por amor ao belo e por pedagogia.
Tantas reflexões, por isso é difícil criticar: num breve parágrafo tanta ideia, tanto desabafo, continuaríamos a escrever por muito mais tempo, estávamos tentados a meter exemplos e citações, tornar-se-ia maçador... Vamos ficar por aqui: se cometermos algum dos pecados que apontámos não deixem de nos criticar, de nos escrever. Nós estamos descontentes com o que escrevemos, como o que temos escrito. Queremos melhor, melhor gramática, mais profundidade, mais ensaio, mais música, mais teoria musical mas explicada de forma compreensível. Tentaremos melhorar este espaço. Não deixem de nos criticar, nós gostamos.

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