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15.12.03

Ulrich Michels e Pacheco Pereira 



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José Pacheco Pereira no seu espaço da SIC referiu o excelente trabaho de Ulrich Michels. Ficou espantado com coisas que não conhecia em ciências musicais: erudição e rigor. Falava do Atlas de Música primeiro volume, ou dtv-Atlas Musik - Band I da Deutscher Tashenbuck Verlag, recentemente editado pela Gradiva em Português. Ulrich é professor universitário e pianista alemão, nasceu em 1938, o seu Atlas foi escrito em 1977, traduzido em diversas línguas. Existia uma boa tradução em francês, para quem não domina o alemão. A Gradiva fez um excelente trabalho de tradução com revisão científica de Gerhard Doderer, organista e professor, e de Adriana Latino, flautista (se não me engano) e professora. O primeiro é alemão a segunda domina o idioma. O texto não é tão enciclopédico como Pacheco o faz entender no seu discurso. Interessado, mas leigo em música, Pacheco Pereira encantou-se com uma obra muitíssimo bem apresentada. É um livro que se recomenda a quem já domina um pouco de teoria musical e a estudantes. Funciona mais como um livro de consulta do que um livro de texto. O exemplo do que digo é a parte sobre consonância, temperamento, modos e escalas, páginas 84 a 91 na edição portuguesa. Considero muito difícil a apreensão em tão pouco espaço de uma matéria tão complexa e diversificada. Chega ao ponto de chamar antigos, como se estivessem ultrapassados, os sistemas de relações numéricas fraccionárias, puras, entre os intervalos, ignorando a literatura que se foi acumulando sobre o assunto e a prática de interpretação da música antiga que recupera a beleza dos temperamentos não iguais. Os harmónicos são expostos de forma muito sumária, e simplificada. Idem para a consonânica dissonância. Eu diria que é um texto introdutório para quem sabe um pouco de música e quer saber mais. Ou para um músico prático que queira manter-se informado, mas que não queira descer a uma profundidade de erudição muito grande, que não esteja para andar a ler artigos em revistas de teoria musical, musicologia, acústica ou matemática da música.
Isto apenas para citar um pequeno exemplo. O livro propõe num número reduzido de páginas uma visão muito global da teoria e da história da música, sem esquecer a forma, a organologia, a orquestração, a técnica de composição e o contraponto. A apresentação gráfica é o ponto forte do livro, chama a atenção o detalhe e o cuidado na apresentação, que facilita de forma notável a compreensão e a absorção da matéria. Tem apenas mais um volume.

Capa recente da edição original
Recomenda-se vivamente, mas não é um livro de grande profundidade. Para cada assunto existem tratados muito bons. Exemplo: sem ser muito detalhado, mas bem escrito, existe o Acústica Musical de Luís Henrique, edição da Gulbenkian. Um bom texto em português, recente. Se Pacheco Pereira quiser conhecer um erudito a escrever em português sobre o assunto e com um CD a acompanhar o texto, que leia, também, este texto.
Damos os nossos parabéns a Pacheco Pereira por divulgar uma obra como o Atlas e por abordar um tema que assumidamente conhece mal mas que o fascinou.
Mais bibliografia em posts posteriores, que hoje já é tarde.

Capa antiga da edição original


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