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11.12.03

Notícias do dia - Berlioz no Público e mais Wagner na culturgest 

Ver artigo no público. Percebe-se a histeria de Berlioz, percebem-se os ataques de nervos, os colapsos durante a execução pública do requiem. Faltou dizer que ele casou mesmo com Harriet Smithson, com a qual viveu uma vida bastante atormentada... O sonho e a realidade não combinaram bem.

Amanhã o final do tormento? Wagner na culturgest, será o trabalho digno que ouvimos no primeiro acto? Será uma exibição desastrada, com consequências desastrosas, de Peskó no segundo acto (na récita de sexta feira)? Uma lotaria? O terceiro acto é o mais atormentado, mas é mais fácil de dirigir que o segundo, a tensão erótica desapareceu, Tristan está ferido de morte, permanece a poesia. Surgem elementos novos: a desolação e a agonia, a violência do combate mortal e uma redenção em êxtase final. Mas aqui a partitura é mais explícita.
Percebe-se, em toda a plenitude aquilo que já se percebia: a tragédia dá-se no pensamento dos protagonistas. A carga moral que leva à morte é devida a uma culpa atroz que é reforçada pela tolerância do rei Marke. A morte é uma carga que advém do processo de vingança, a morte está impressa desde o início na tragédia. Tristan und Isolde, e o "und" no meio, como diz Wagner no poema, são personagens de uma solidão angustiante, e estranhas, heroicamente estranhas, quase mitológicas, mas, paradoxalmente, humanas.
Espera-se que a técnica sirva o ideal absoluto da arte. Não aconteceu isso no segundo acto, a técnica, na direcção de orquestra, falhou, a arte ressentiu-se de forma cruel. Quem procura apenas que se dêem as notas, e anda aos papeis com as entradas, não consegue inspirar nada de poético nos músicos.
Esperemos que se consiga ouvir Wagner sem arrepios amanhã, às 21h30m na culturgest. Último acto da versão em concerto e às postas de Tristan und Isolde. Bons cantores teremos de certeza absoluta. A direcção está de parabéns pela escolha dos cantores. Elisabete Matos faria melhor? Talvez igual, mas duvido que superasse Nadine Secunde no papel de Isolde. Uma aposta ganha.
Peskó o maestro, já se percebeu há muito tempo, foi uma aposta perdida para titular, que deixou ficar mal a própria direcção que o escolheu. Veremos se se inspira, se consegue inspirar a orquestra e se vai para o concerto de óculos.



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