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16.12.03

Michael Shade na Gulbenkian 

Um concerto fantástico, um tenor ainda por cima constipado: Michael Shade. Malcolm Martineau esteve ao piano. Fizeram a obra Die schöne Müllerin, D.795 de Franz Schubert a um nível superlativo. O melhor concerto a que assisti em 2003, de longe. De ouvir até à comoção total. Uma expressividade tocante numa interpretação que partiu de cada palavra até à unidade e compreensão total da obra. Irrepreensível. Uma voz redonda e brilhante nos agudos, quente nos graves. Uma inteligência sem par nos textos poéticos. Apenas um pouco de grão na voz (devido a constipação), se não fosse assim não sei o que teria sido. Ao nível dos melhores cantores de todos os tempos, já se esperava um recital de lied brilhante, superou tudo o que se poderia esperar. O pianista de grande segurança e sensibilidade deu uma cobertura e um entusiasmo de uma lealdade rara ao cantor. Não ouvi um cantor com acompanhamento, ouvi um duo, escutei as águas dos regatos a correr, as mós do moinho a girar, as flores nos bosques, o amor e a angústia, a morte e o regato, sempre o regato, pela voz de Shade e pelas mãos de Martineau.
Quem esteve no concerto recebeu a mais bela prenda de Natal que se poderia imaginar. E não tenho medo que se me acabem as palavras se ouvir algo melhor, este recital foi mesmo do melhor que já vi e ouvi em qualquer local onde tenha estado.

Cantor e pianista


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