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14.12.03

Manuel Pedro Ferreira - um crítico sorridente! Notícias do Dia de Hindemith 

Saiu hoje no Público a crítica ao último concerto na Gulbenkian comentado aqui. Manuel Pedro Ferreira é o autor, não tenho concordado com este colunista, penso que tem poucos termos de comparação, mas no caso do concerto na Gulbenkian até diz umas coisas acertadas. Ver página cultural do Público.

Este crítico tem o defeito de dizer sempre maravilhas de tudo o que gosta. A crítica não tem só duas cores: excelente e péssimo, em abono da verdade nunca vi Manuel Pedro Ferreira dizer que algo é péssimo, para este crítico tudo o que ouve é óptimo - conseguiu achar excelente o requiem de Ligeti pela OSP e com direcção de Peskó! Quando um dia ouvir algo realmente bom que palavras terá para se exprimir? As mesmas que usa corriqueiramente para os concertos da OSP ou da Gulbenkian? Por um lado acha que a coisa estava equilibrada, por outro diz que faltaram violas, eu penso que faltaram violoncelos, mas afinal em que é que ficamos? Equilíbrio ou desequilíbrio?
Exemplo: Notícias do Dia de Hindemith, achou que foi tudo munta bom, as vozes boas, o coro bom, direcção muito boa, encómios em tudo o que escreve. Não conheço pessoalmente Manuel Pedro Ferreira, mas creio que se trata de um rapaz simpático e sorridente.

A minha apreciação para essa obra de Hindemith é simples:
Solistas em bom plano, destaque para Carlos Guilherme cantor e actor. Ana Ester Neves, Dora Rodrigues, Luís Rodrigues, Mário Alves e Pedro Correia, bom nível. Coro certinho mas com vozes medianíssimas em geral e vozes feias e mal trabalhadas nos homens. Orquestra certa, sobretudo nos sopros e percurssões. Direcção de João Paulo Santos correcta. Encenação de João Lourenço muito competente. Ironia e graça. Um trabalho do Teatro Aberto competente e que valeu a pena ver e ouvir. Os cenários de Henrique Cayate foram, para mim, o melhor da peça. A encenação conseguiu por os cantores a representar de forma muito convincente. Os bailarinos também mostraram graça e talento. Um trabalho de qualidade, vulgar para qualquer teatro de uma capital europeia, sem deixar de ser agradável. É um trabalho muito pouco habitual para Portugal, é necessário que estas encenações se repitam.

João Paulo Santos consegue fora do S. Carlos um trabalho conseguido, ao contrário do que faz no Teatro Nacional. Exemplo: Notícias do Dia e Peregrinação da Rosa no festival de Mafra. Será psicológico? Terá mais tempo para trabalhar fora? Melhores meios? Terá falta de vontade de fazer melhor no serviço público? Terá excesso de trabalho em muitos lugares diferentes? Exclusividade precisa-se? Questões que deixo e que não sei responder.

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