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12.12.03

Lawrence Foster - o maestro titular 


Lisboa, orquestra Gulbenkian, soprano Jennifer Ringo, violino Nikolaj Znaider, maestro Lawrence Foster. Michael Tilson Thomas canções sobre poemas de Emily Dickinson, Karol Szymanowski concerto para violino nº1 opus 35 e Piotr Ilitch Tchaikovsky, quebra nozes, segundo acto. Extra: recitativo e scherzo de Kreisler para violino. Ontem 21h, hoje repete às 19h. Recomendo o concerto, vou tentar repetir hoje.

Um soprano muito razoável, impressionou-me a interpretação poética, a projecção vocal e o profissionalismo de Ringo. A obra de Tilson Thomas, de 2002, confesso que não consegui apreender num contacto demasiado fugaz. Hoje escutarei de novo, devo dizer que gostei, mas sem ver a partitura sinto-me muito pouco à vontade para emitir críticas ou outras apreciações sobre interpretação.

Já o concerto de Szymanowski saiu muito bem, um jovem solista, 28 anos, interpretou com paixão, lirismo e arrebatamento uma obra complexa. O que mais me impressionou foi o som pujante e quente do violino de Znaider. Em Kreisler, extra, o violinista foi muito eficaz no recitativo, tendo sido brilhante na parte mais técnica que se seguiu. Uma promessa do violino mundial, quase uma confirmação, arrisco dizer.

Lawrence Foster, um maestro do qual já falei antes, um verdadeiro titular. Recebe o público como em casa. Ouvi dizer no intervalo "o nosso maestro", ele pisca o olho durante os aplausos, ele levanta o polegar nas costas do violinista para nos dizer quanto o músico é bom, com um sorriso maroto que nunca falha o alvo. É um maestro de uma vivacidade contagiante. Nota-se que a orquestra sente prazer na música enquanto Foster dirige. E isso é o melhor que se pode conseguir, ter prazer, quer na execução, quer na audição. Uma pequena maravilha de comunicação o que Foster faz.

Esta conversa leva-me à segunda parte do concerto, um Quebra Nozes tocado de forma arrebatada e romântica, tempos muito rápidos, alegria contagiante, energia. Ouvimos nesta segunda parte um misto dinâmico que nunca desceu ao piano, do pianíssimo nem se fala, estivemos sempre entre o mezzo forte e o fortíssimo com quatro "ffff". Tudo foi excesso, uma espiral vertiginosa. Mas muita alegria e prazer de fazer música.
Desacertos ritmicos, que houve, excesso de intensidade sonora, que houve, desequilíbrio nos naipes, sete violoncelos excelentes mas em pequeno número face aos catorze primeiros violinos e seis contrabaixos. Tudo se perdoa em face do prazer descontraído e com brio na música. Houve prazer naquela sala; entendidos e leigos, para todos o mesmo gosto ao escutar a orquestra Gulbenkian. Raramente a orquestra esteve a um nível musical tão elevado como hoje está. Os músicos de qualidade são fundamentais, os concertinos têm sido bons, mas o papel dos maestro é de grande importância.
Foster é um verdadeiro maestro titular da orquestra Gulbenkian, a prova: o "Feliz Natal" com que a orquestra brindou todo o público e a si própria, dito a plenos pulmões pelos próprios músicos, antes do Quebra Nozes terminar. Palmas do público, alegria, felicidade, acordes finais, mais palmas. É mesmo Natal.


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