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3.12.03

Escândalo na História da Arte 

Pedro Dias e quatro anónimos chumbam o professor Rafael Moreira na prova de agregação, passo essencial para se poder concorrer a professor catedrático. Ver notícia no Público.

O célebre Pedro Dias, da Universidade de Coimbra, membro do juri das provas de agregação do ilustre Rafael Moreira achou que foi mal citado por este último. Vai daí cinco bolas pretas e uma branca. Sem fundamentação, sem mais.

Pedro Dias que me deixou muitíssimo mal impressionado quando usou como argumento científico, numa discussão sobre os painéis de S. Vicente, o facto de ser o "decano dos historiadores de arte em Portugal", "professor catedrático de Coimbra, sócio, director, presidente e membro" de inúmeros aerópagos. Pedro Dias, que nesse debate me convenceu da tacanhez, do provincianismo e do caciquismo que reina em certos meios académicos lusitanos. Falo de alguém que soube, nessa discussão, assumir-se como trauliteiro e incapaz de alinhavar argumentos contra as teses de quem não concorda consigo. Nesse debate apenas afirmou retóricas do tipo: eu é que sei do assunto que sou catedrático e eu é que sei e mais ninguém sabe e os paineis foram pintados na data em que eu disse, porque eu sou o decano e blá, blá blá. Não se esperava mais de quem age assim, e que mesmo tendo razão, ou não, só conseguiu que todos os presentes o achassem arrogante, incapaz de discutir cientificamente e negativo para a própria posição que defendia. Numa pose totalmente ao contrário de outros brilhantes oradores, como Manuel António Baptista Pereira que, de forma elaborada, elegante e científica, defendiam as teses que o próprio Pedro Dias pretendia defender, e que o souberam fazer com eloquência e capacidade de estimular o auditório.

Falta o elogio a Rafael de Almeida por ser chumbado por Pedro Dias e mais quatro anónimos. Parabéns. Pior seria se Pedro Dias e acólitos tivessem votado a aprovação de Rafael de Almeida. Só lhe fica bem ter o chumbo desta gente.

A Pedro Dias pede-se uma reforma rápida e pacata. Está quase na idade, outros ilustres mestres passaram à reforma e deixaram como lembrança sentimentos semelhantes, lembro Soares Martinez, de direito, que também passou à reforma, da universidade e do pensamento científico português, independemente de alguma obra que tenham feito. O olvido e o anedotário agradecem.


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