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16.11.03

Ultima: Seabra acha que objectivamente somos uma "elite" 

E passo a citar a crónica de AMSeabra no Público de hoje:

Há gravíssimos bloqueamentos nos "media" portugueses, de concentração e "tabloidização", mas também de formatação e limites de opinião. A preservação do espaço crítico supõe um diálogo conflitual que não é tarefa apenas dos que objectivamente somos uma "elite" com voz pública mas de uma rede comunicante que deveria também implicar os que, tendo optado pela acção política, preservem uma ética dessa acção e estejam disponíveis para não se enquistar e participar no debate sem ser como porta-vozes ou novas vedetas mediáticas - e esses, existem?

A já habitual e absoluta incapacidade de comunicar, qualquer ideia que seja, é evidente. É um discurso que pretende ser "neo-boaventurano"* mas que é apenas "proto-boaventurano". Reparo no "e esses, existem?" que: ou não concorda no género ou é completamente obscuro e irreferenciável. Uma pergunta que começa num período de sessenta e sete palavras (se não me enganei a contar) com muitos predicados e sujeitos espalhados pelo meio, em que complementos se confundem com sujeitos. Enunciam-se asserções e põem-se questões. Contei onze verbos, mas não tive paciência para mais análises, o texto é tão contorcido que não merece perdas de tempo da minha parte. Afinal onde começa a pergunta final?
Mas o que é fantástico, pela claridade e pela revelação da mente do autor é o objectivamente que corta totalmente com as aspas do texto. Um objectivamente lavado pelas aspas? Um estilo notável para um membro de uma "elite", objectivamente com aspas.
É isto que traz valor acrescentado a um jornal?

* - Cito aqui o mestre da capacidade de tornar ilegível qualquer ideia trivial através de uma gongorização terminológica e recursiva. O celebrado estilo gongórico-sociologozante. Já adivinharam, falo do ilustre Boaventura S.S., o mestre de qualquer crítico pós moderno que se preze. Daqui um cumprimento a Boaventura.

CM

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