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4.11.03


A ler sobre a metropolitana artigo de Carlos Alves. Sério, muito bem elaborado.

Eu preferia que esse projecto não tivesse sido desenvolvido pelo mae$tro, outro com menos defeitos pessoais e melhores qualidades musicais mas com as mesmas qualidades empresariais e com o mesmo espírito de iniciativa seria o ideal. Mas isso seria num mundo ideal: este projecto teve o seu quê do narcisismo do seu fundador, o que contribuiu para a obra! Esta fez-se pelo mae$tro, cresceu, desenvolveu-se, amadureceu.

A certa altura, recentemente, seria tempo de abandonar o projecto para este não morrer, para que as pessoas pudessem pagar o gás e alimentar os filhos. O mae$tro não teve a sensibilidade, a inteligência, de sair para preservar a obra, alapou-se, mais uns meses de ordenado, mais umas mordomias, em vez de sair fugiu em frente e para dentro! Perdeu credibilidade, perdeu força e prestígio. Demitiu-se em público, recuou em privado, barricou-se, enquistou-se. Tornou-se, aos olhos da opinião pública e dos seus próprios colaboradores num vaidoso teimoso e agarrado ao lugar, lutador, é certo. Esqueceu-se que os seus melhores aliados se perderiam quando tivessem fome, quando precisassem de alimentar os filhos. Ditatorial, arrogante, não teve a capacidade de perceber os sinais, de sair a tempo, saindo em glória como injustiçado, que foi. Perdeu a oportunidade histórica de regressar em força e de lutar por um projecto, mais tarde, que foi seu. Hoje é apenas um fundador que não regressará. Perdeu a oportunidade de fazer de Santana Lopes, o seu figadal inimigo, o ogre, o carrasco da sua obra. Perdeu redondamente em termos estratégicos. Santana Lopes resguardou-se, não apareceu, deixou os tiros nos pés para o mae$tro, que estouvadamente não foi capaz de se orientar num labirinto no qual ele próprio se meteu com o seu deslumbramento de menino com um brinquedo novo.
Terá o final que merece, professor do conservatório do Porto, espera-se que se dedique à composição, ao contrário da regência o mae$tro tem talento para a composição. Espera-se que deixe passar o tempo, e que depois regresse pelo muito talento que tem, noutro tempo, noutras funções. Depois de uma travessia do deserto.
Até sempre Miguel Graça Moura,
CM

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