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4.11.03

A Guerra e a vida 

Cito Liberdade de Expressão que mais uma vez não me surpreende com os seus "raciocínios" básicos, fiz copy and paste de uma mensagem que o autor cita no seu texto:

"1 - Todo e qualquer ser humano tem o direito fundamental à vida, à lierdade e à participação política numa democracia. Saddam Hussein viola sistematicamente todos estes direitos dos iraquianos, logo o uso da força para acabar com o regime iraquiano é legitimo."

Temos três direitos, segundo LdE: o direito à vida, o direito à liberdade e o direito à democracia.

O uso da força para imposição da democracia! Será este um princípio relativo ou absoluto? O direito à vida, este é um princípio absoluto para mim. A liberdade já é um conceito relativo, absolutamente individual e intransmissível, não faço a menor ideia do que é liberdade, não acredito na liberdade como direito ou conceito, acredito na liberdade que quem tem dinheiro sente, ou na liberdade que um espírito livre tem no seu pensamento, não acredito na liberdade de um despojado que não tem dinheiro para pagar um tratamento médico ou um medicamento nos Estados Unidos ou noutra economia liberal. Creio que numa economia liberal até os princípios humanos que Cristo nos ensinou, e que são uma das mensagens mais belas que Alguém escreveu, basta ler por exemplo o Evangelho de João, são negados, quanto mais a liberdade. Existe sim a liberdade de um pobre morrer desgraçadamente numa qualquer sargeta!

Com respeito à democracia ainda menos acredito, é o mais relativo dos três conceitos ou direitos. Não acredito que haja democracia. No entanto também LdE não acredita na democracia, como aliás já provou bastas vezes: se nega ao Estado o direito de intervir no mercado, sendo o Estado uma emanação democrática da sociedade, nega o poder da democracia de regular, de utilizar os impostos para reduzir a desigualdade de oportunidades dos mais desfavorecidos. Discussões lógicas à parte: como pode um país ser democrático se o presidente é eleito com menos votos que o seu adversário e com chapeladas eleitorais? Temos uma democracia? Claro que sim, mas muito relativa!

Nego intervenções militares baseadas nestes princípios, ou mascaradas por esses princípios, porque em direito internacional não existem princípios, só existem interesses, quem não conhece esse facto elementar ou nunca estudou história e diplomacia e é ignorante, ou é muito ingénuo, ou é estúpido, ou é inteligente e culto argumentando de má fé. Por acaso prefiro esta última hipótese, eu, por princípio relativo e absoluto, recuso-me a discutir com ignorantes, ingénuos ou estúpidos.
Mas mesmo à luz do que afirma LdE, e que é falacioso pelo que eu disse antes, as intervenções militares negam o direito à vida, negam a liberdade impondo uma pretensa liberdade, muito relativa e vista numa perspectiva ocidental, e não impõem democracia de qualquer tipo, primeiro porque esse conceito não existe em absoluto, é um conceito relativo que depende da sociedade, e depois porque nunca se conseguirá impor uma democracia ocidental (vista como conceito clássico: eleições, etc) pela força das armas, num país que cairá em guerra civil, num fundamentalismo ou noutra ditadura caso as potências ocidentais abandonem a zona. Uma democracia imposta por armas ocidentais nunca será uma democracia (por muito relativo que seja o conceito).

Também não acredito na superioridade cultural ocidental, argumento mais uma vez falacioso, não existem culturas superiores, existem sim armas superiores, e aí sim, acredito no liberalismo, como despreza o Homem concentra-se no poder das armas, não há assistência médica, mas há bom exército. Que o dinheiro dos impostos sirva para alguma coisa, graças a Deus! Acho bem.

Creio ter demonstrado a irrelevância e a relatividade dos argumentos de LdE. Que ele acredite nessa visão: é livre. Eu não acredito, sou livre. Nem reconheço qualquer valor universal, ou mesmo parcial às suas dissertações, deixe-me dizê-lo, arrogantes. Uma "argumentação" de ocidental convencido de uma superioridade superficial e baseada apenas no poder económico. É por isso que as sociedades tolerantes e sociais democratas são o meu exemplo, não se cai nos excessos sociais da esquerda, nem nos disparates anti humanistas dos liberais. Mas uma sociedade social democrata só funciona com cultura, com respeito e sentido cívico, por essas razões os países nórdicos são os mais avançados nos índices que me interessam como ser humano: cultura, respeito pelo Homem e liberdade individual, não a liberdade de poder morrer numa sargeta de um gheto de LA sem dinheiro para pagar assistência hospitalar...

CM

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