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7.11.03

A Guerra e a Vida, conceitos relativos 


Liberdade de Expressão não responde à questão essencial sobre relações internacionais: em política internacional não existe moral, existe interesse. A moral é sempre o disfarce para o interesse. Todo o argumento pretensamente moral é falso. Primeiro porque é relativo e individual, como LdE não se cansa de dizer, nomeadamente quando se falou de ética. Segundo porque a história e a política demonstraram que o pragmatismo é a chave das relações internacionais, o interesse é o único motor de todas as intervenções externas dos países. Assim se compreende a posição francesa e russa na questão do Iraque. Não admito sequer discutir o assunto de outra forma. Curiosamente LdE não pegou na questão da social democracia e na qualidade de vida nos países do norte da Europa, modelo que eu defendo, não como ideal - não existem modelos ideais - mas como equilibrado entre intervenção do estado, mercado, livre iniciativa e providência. Mas estão longe dos ideais "liberais", basta comparar Singapura (um dos estados mais liberais) e a Suécia ou a Dinamarca. Não existe comparação possível.
Nota final, não dirigida totalmente ao LdE, o bando liberal disfarça e assobia para o ar, quando se fala destas democracias de sucesso social, porquê? Pura e simples má-fé argumentativa. Mais uma vez em discussões de política apenas funciona o interesse, não o debate franco. Por isso vêm chamar ao autor deste blog: marxista, membro da esquerda, adepto do bloco de esquerda, mais as habituais tentativas de ofensa, geralmente trogloditas, a que o bando liberal e maniqueísta nos habituou, disparar antes de pensar, insultar antes de argumentar, mecanismos que se apresentam difíceis à maioria da turba acéfala, mas caceteira e tribal, dos seguidores da causa liberal na blogosfera portuguesa, certamente reflexo de uma extracção cultural medíocre e consequência de, em larga medida, complexos de origem de classe. Depois de um post, geralmente educado e em que se expõem argumentos de um dos membros mais inteligentes da mesma causa, por exemplo o LdE, com quem tenho o gosto de discutir com vivacidade estes temas, surgem os apupos simiescos dos membros da causa liberal a este, e outros blogues, e os aplausos, alarves porque sem aumento de valor acrescentado argumentativo, dos membros da tribo! Género: "ca granda tareia" que fulano deu a sicrano, olhem como fulano é bom, bateu nos "comunas que escrevem no crítico", e outras diatrices do género.
O que é facto é que o sucesso das democracias do Norte da Europa é assustador, tanto para "liberais" como para as esquerdas mais ou menos radicais, significa que o modelo baseado no estado providência e na redistribuição dos impostos funciona sem recurso a marxismos igualitários ou a ditaduras da maioria. Funciona em monarquia, com governos democrata cristãos ou social democratas (vão alternando), soluções que encontram no respeito pelo indivíduo, pela liberdade individual, pela propriedade privada, ideais claramente de direita. Países em que se seguem os valores cristãos, o respeito pela intimidade sagrada da vida privada de toda a gente (ao contrário dos EUA), enquanto em economias liberais se vive de forma abjecta, como nos cubículos infames de Tóquio ou de Singapura, ou em colmeias horrendas como Hong Kong, Mecas de qualquer liberal que se preze. Prefiro pagar impostos e viver na Dinamarca com uma profissão digna, que permite ter iates de 12 metros a qualquer pessoa da classe média (muitos preferem não ter automóvel), do que ser rico em Singapura e viver num ghetto para ricos analfabetos. Prefiro que não haja despojados incapazes de se tratarem num bom médico ou de melhorarem a sua educação, há quem veja no mercado a solução de tudo, eu não. Modos de vida, escolhas, cada qual tem as que tem e as que merece.

CM

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