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6.10.03

Um blogue de poeta:
Marin
É Pedro Mexia, algum narcisismo, sem dúvida uma pose, muita juventude, nele luz algum talento, muita auto contemplação, muita auto reflexão. Se quisermos conhecer o homem por detrás do poeta devemos ler o blogue de Pedro Mexia. Como crítico li. Um esforço, enfim. O que constato: Pedro Mexia é uma obra de si próprio, uma construção, uma exibição. Arte? Sem dúvida, Pedro Mexia tal como se construiu é a sua obra de arte. Conseguida? Há críticos que dizem que sim, outros negam-no firmemente. Tem leitores entusiastas, tem detractores furiosos. Mas não será essa a sina de qualquer artista? A pensar...

Bibliografia:

Mexia abandona os seus leitores e faz recomendações aos orfãos

Parto amanhã para o país profundo (mas aristocrático), traduzir poetas israelitas (mas, descansem, não sharonistas). O Dicionário regressa dia 6. Nessa data publicarei os obituários que ficaram pendentes, bem como um texto sobre a Igreja Católica. Também responderei à «polémica Beatles». Peço que não enviem mails para a caixa do Dicionário até ao meu regresso, sob pena de causar ainda mais atrasos na correspondência. Fiquem com os bons blogs cá da casa, e sobretudo com o regressado Aviz. Hasta.

Nota-se aqui o ar de artista, olímpico, ar de grande senhor, ele faz, ele traduz, ele vai-se embora e recomenda: não me escrevam, senão o volume de emails será gigantesco. É obra de aristocrata...

As compras de Mexia

TAKE THE MONEY AND RUN: O dinheiro não traz felicidade? Claro que traz. O dinheiro não traz «a» felicidade, porque «a» felicidade não existe, ou apenas de forma transitória. Mas o dinheiro traz - isto é, compra - imensas coisas que nos fazem felizes. Com o meu vencimento fresco no bolso, compro: os romances de Evelyn Waugh, numa elegantíssima «centenary edition» da Penguin; o último álbum dos Smog; o nigérrimo e genial Peeping Tom, de Michael Powell; um Corto Maltese; uma biografia do bizarro Peter Sellers. E não há nada (nada que seja realista) que me fizesse mais feliz.

Aqui nota-se que o poeta com dinheiro fresco compra, e como compra, exibe, revela-se, um misto de pequenos prazeres e de erudição. Mexia constrói e reconstrói pausadamente e lentamente a sua imagem, libertando pequenos excertos de si próprio, é o artista que se desnuda mostrando subtis traços da sua figura, mas escolhidos...

O melhor de Mexia, o Mexia assassino

CONTA COMO FOI, DIOGO: Nem me passa pela cabeça ir ver mais uma peça de Freitas do Amaral sobre o seu mui autobiográfico tema: a traição. Em Viriato, ainda puseram Sandra Celas no elenco para me comoverem, mas nada feito. Só verei uma peça de Freitas quando o dramaturgo abordar o facto que marcou a sua vida: aquela tarde, na ONU, em que um diplamata americano, de copo vazio na mão, viu Freitas de smoking num canto e o confundiu com o garçon.

Aqui o artista mostra o seu talento, é simples, escrita vigorosa como sempre, sem perder tempo, directo. Climax no final. Por estas pequenas peças de génio vale a pena ler Mexia. Por isso ainda vou ao blogue deste poeta de si próprio, o resto deixo para os admiradores de Mexia, onde o próprio tem lugar na primeira fila...
CM

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