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31.10.03

Onde falo do "Omeupipi" e acabo em José Cardoso Pires - sem qualquer relação! 

Cem por cento de acordo com o comentário da Memória Inventada ao "Omeupipi". Escrita repetitiva, solitária, onanista. Não compro o livro, basta-me o blogue de vez em quando. Acho graça a algumas brejeirices com palavras bem amanhadas. A fórmula funcionou mas é recorrente e ao fim de muito do mesmo torna-se insuportável. Não tenho lido sequer o blogue do Omeupipi ultimamente. Nem sei se o Omeupipi morreu desde que o mediatizaram, desde que o servem a retalho, ou por grosso, para lucro do próprio e de uma qualquer editora. É a opinião de um blogger algo irrequieto e tremendamente anónimo, que me disse isso mesmo um destes dias. Creio que pura e simplesmente Omeupipi se tem estado a esgotar, sem renovação, sem rupturas, conservador.
Das duas uma, ou o autor é mesmo assim e só pensa em sexo sendo compulsivamente obsessivo, ou desdobra-se em existências de esquizofrenia. Claro que todos os que escrevem são um pouco esquizofrénicos, eu não devo escapar: escrevo num blogue, e com respeito a obsessões todos temos as nossas (não é AMSeabra?). Está na moda dizer bem da escrita do Omeupipi, acho-lhe alguma graça, mas génio? brilho? Como disse o genial José Pinto Peixoto: "se alguma coisa brilhou nesta sala foi a lâmpada da casa de banho porque alguém deixou a porta aberta!" Acho que o mesmo brilho se sentiu no lançamento do livro, no Maxime em Lisboa, mas o futuro o dirá. Curiosidade? Sim alguma, confesso, sou humano e os mistérios fascinam-me, por isso mesmo lá estive, ao lado do acaso.

Alguém dirá: "lá está o tipo com inveja", eu. Claro que tenho inveja, uma tremenda inveja de Cardoso Pires, de Bocage, de António Botto e de alguns mais, sem vergonha mas sem maldade. No entanto penso que ter inveja do Omeupipi, seria como ter inveja de um personagem que aparece num livro de Cardoso Pires que, num cabaré qualquer, aparece em palco e consegue uma erecção em público seguida de uma ejaculação, apenas pela força da mente. Sei que vende, sei que chama atenções sobre si próprio, pode ser útil para ajudar uma editora a ganhar dinheiro, ou chamar audiências para um evento. Há quem goste e admire, há quem tenha inveja deste poder, e é um poder, sem dúvida alguma. Não, não tenho inveja deste homem, um masturbador silencioso e estático, mas tenho inveja da escrita do notável Cardoso Pires... É pena que este africano capaz de ejacular num palco de cabaré tenha já morrido hoje, senão ainda seria alvo de um livro confessional: "Memórias de um ejaculador solitário no palco da vida" um livro de 80 páginas com doze linhas a triplo espaço por página e letras a 18pt . E venderia.

A imagem deste africano, descrito pelas palavras a fio de navalha de José Cardoso Pires, num palco solitário de cabaré é, para mim, de uma nobreza e de uma dignidade silenciosa verdadeiramente anónimas, inultrapassáveis.

CM

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