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27.10.03

JOANNA MacGREGOR 


foto de Nick White

Esta pianista, que fundou uma companhia editora, tocou domingo, ontem, no festival de Mafra, 17h,um concerto de bom nível:

COREA: Children's Songs (Nos 4, 6 & 18)
LIGETI: Estudos Nº 4, 5 e 6
BYRD: Hughe Ashton's Ground
ADES: Traced Overhead
DOWLAND: Forlorn Hope Fancy
BATES: Is There Anybody Up There?
NICOLSON: 42nd St Stomp
BEETHOVEN: 32 Variações em Dó Menor
CRUMB: A Little Suite for Christmas AD 1979
PIAZZOLA: Milonga del Angel e Libertango
SATOH: Incarnation II
BACH: Allemande da Partita Nº 4 em ré

Nas obras contemporâneas e em Bach esteve muitíssimo bem, já as peças de Dowland e Bird, pecaram por uma visão demasiado moderna da articulação, muito solta, muito martelada, muito jazzística, factores que não se coadunam com a música destes compositores. Chegou a faltar a inteligibilidade do discurso musical.
O Beethoven saiu muito duro, muito agressivo, sem fraseado, demasiado stacatto.
Em termos de filosofia, e pensando apenas em música pura, a ideia do programa poderia resultar, mas acabou por existir uma distorção pela interpretação do espírito musical das três obras citadas, que não resistiram a esta interpretação tão radical.

Senhora de uma técnica impecável abordou, de forma muito conseguida as obras mais jazzísticas e Piazzola, mas o momento mais impressivo foi a sonoridade quase avassaladora da obra de Satoh, notável, parecia uma orquestra inteira a sair do piano. Sem sequer abusar de uma intensidade elevada, ao nível do mezzo forte, deu-nos uma densidade absoluta, que faltou um pouco em Ligeti.

Bach costuma resistir bem a tudo, mas neste caso nem se tratou de resistência ao inaudito, Joanna MacGregor atacou Bach no final do concerto, de forma tranquila e sensível, menos agressiva, digamos. O resultado foi francamente bom. Bach, mais do que de interpretação de "época", precisa de amor.

O pior do concerto foi a excessiva ambição do reportório. O nível muito elevado na música mais recente e a sensibilidade com que abordou Bach compensaram largamente as falhas, acabando por se tratar de um belo concerto.

Fecha assim o Festival de Mafra, no sábado houve conferência de Pinho Vargas e Orchestrutópica, creio que também em bom nível. Miguel Lobo Antunes está de parabéns mais uma vez, um trabalho sempre seríssimo, sempre cuidado, altíssima qualidade dos intérpretes e dos programas. Mesmo a aposta mais difícil, foi uma aposta ganha: A Peregrinação da Rosa de Schumann, que poderia ser comprometida por um coro do S. Carlos (e maestro do mesmo) que se tem apresentado em muito baixo nível, acabou por abordar a obra de forma digna. Tendo em conta os concertos a que assisti (alguns) e críticas que li, o Festival de Mafra foi um enorme sucesso.

CM

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