<$BlogRSDUrl$>

28.10.03

Bandalheira no Panteão Nacional 


O monumento aviltado

Ou as escolhas da Dra. Iria e da tutela. A primeira, a de meter a Amália na sala dos escritores já foi suficientemente debatida. Outra: fazer dos nossos mortos, dos nossos ilustres, prostitutas ao serviço de interesses comerciais. Nem acreditei quando li pela primeira vez a notícia, julgava ser uma mentira de primeiro de Abril ou uma brincadeira de mau gosto tipo golpe publicitário. Uma vergonha despudorada, que me ofende como português. Que ao menos o dinheiro obtido sirva para levar o orgão, indevidamente colocado no panteão, de novo para o lugar que lhe compete, e onde esteve desde sempre, a Sé de Lisboa. Mas, não, não, se existe dinheiro é, para mim, dinheiro manchado, que sirva para fazer um Campo de Sangue, como os trinta dinheiros dados a Judas e que este depois devolveu arrependido. Que tenham vergonha na cara é o que desejo aos responsáveis por tão hedionda farsa que decorreu na Igreja de Santa Engrácia e se demitam, que passem ao anonimato de onde nunca sairam a não ser para praticar a ofensa. Creio que o patriarcado nunca teria permitido uma fantochada tão ignóbil numa Igreja sob a sua tutela. Seguem-se uma notas que encontrei no site do Público sobre os mortos que lá se encontram:

O Panteão Nacional, situado no Campo de Santa Clara, em Lisboa, acolhe apenas sete ilustres, num total de três salas - uma para presidentes da República, outra para escritores e uma terceira, inaugurada em 5 de Outubro de 1990, para receber o corpo do marechal Humberto Delgado (1906-1965).

A trasladação de restos mortais para o Panteão Nacional só pode ser feita mediante a decisão unânime dos deputados à Assembleia da República. Foi o que sucedeu em 1988, em relação a Humberto Delgado, o candidato a presidente assassinado perto de Badajoz, bem como no caso de Amália, a 12 de Outubro de 2000. Até essa altura, o Panteão só tinha recebido escritores e antigos chefes da República.

Com Delgado, a polémica instalou-se, porque havia quem defendesse que lhe deveria ser destinado um lugar na sala dos presidentes. Nos dois anos que mediaram entre a decisão e a transferência do corpo, decidiu-se a abertura de uma terceira sala.

É na sala dos presidentes que estão depositados os restos mortais de Teófilo de Braga (1843-1924), Sidónio Pais (1872-1918) e Óscar Carmona (1869-1951). Na sala dos escritores, dedicada à memória dos vultos oitocentistas, podem ser visitados os túmulos de Almeida Garrett (1799-1894), João de Deus (1830-1869) e Guerra Junqueiro (1850-1923).

A escolha da sala dos escritores para guardar os restos mortais de Amália foi feita porque, segundo Iria Caetano, conservadora do monumento, a fadista é tal como eles uma grande divulgadora da língua e da cultura portuguesas. Amália é assim a primeira mulher e artista a ter honras do panteão. À imagem dos outros túmulos, o seu levará o nome gravado a ouro e a data de nascimento e morte.

Na igreja do Panteão, em capelas-nichos abertas nos corpos laterais, encontram-se também memoriais evocativos de figuras de vulto da história de Portugal, como Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Luís de Camões. Mas os seus corpos nunca foram trasladados. Vasco da Gama e Camões, por exemplo, permanecem no Mosteiro dos Jerónimos, que entre 1836 e 1966, até à inauguração de Santa Engrácia, teve a função de Panteão Nacional.



Interior, onde decorreram práticas menos próprias

Relembro a notícia sobre a palhaçada do lançamento de um livro infantil no Panteão Nacional. Isto a propósito de uma iniciativa do deputado José Lello, que questionou através de um requerimento os motivos e responsabilidades dos autores e de quem autorizou o despautério. Recolhi a nota no Público:

«foi celebrado em Lisboa com singular festividade nocturna, marcada pela extravagância temática e por fecunda e cintilante participação social», remete para relatos de imprensa _ ex: «... com os túmulos de ilustres falecidos (convenientemente tapados) por cenário de fundo, a Editorial Presença, com a autorização do Ippar, recriou a sala de aulas do menino aprendiz de feiticeiro numa festa reservada a convidados» _ e considera que «esta utilização pouco digna do Panteão Nacional (...) é de molde a chocar todos os cidadãos que considerem não poderem os símbolos da Pátria assim ser trivializados e diminuídos».

Se o director das estradas se demite por causa de uma ponte pedonal no IC19, o que dizer disto? A ofensa à memória colectiva de um povo ultrapassou todos os limites. E escondem-se, e dizem que nada têm a dizer. É caso para dizer que tais dirigentes me metem nojo, um nojo que é um luto por Portugal e pelos seus filhos.


E eu?...
Ninguém me avisou?

CM

Arquivos

This page is powered by Blogger. Isn't yours?