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14.10.03


Bach escreveu algo do género: "um músico não deve ser popular, isso significa que segue o público e que não o forma".
Por isso desconfio de ratings, ou de blogues que se enchem de vento, por terem muitas visitas. Blogues que se esfalfam por uma citação, por mais uma vã contagem de espúrias glórias...
Não quero a populaça a citar-me, poucos mas bons, não gosto de lugares elevados em ratings de popularidade: poca sed matura era o lema de Carl Friedrich Gauss. Seria pernicioso, condicionante. Não, prefiro poucas leituras de quem gosta do que escrevo, ou de quem detesta, mas nunca de quem lê por obrigação a despachar, porque fulano ou sicrano, este ou aquele guru me meteram um link ou porque "deixa lá ver o que este escreveu que actualizou agora o blogue e está nos primeiros lugares do ranking".
Continuarei a escrever sobre música, sobre a realidade exterior ao mundo fechado da blogosfera. Projectanto o pensamento para o exterior este meio de comunicação, a blogolândia, poderá triunfar. Se continuar numa busca incessante de cruzamentos internos, fechar-se-á cada vez mais numa estéril falsa realidade de citações e referências mútuas. Numa espécie de coscuvilhice, de alcoviteiras, de maledicências e de polimentos mútuos de egos de amigos e de amigos de amigos.
Assim a blogosfera será inacessível ao não iniciado, ao leitor comum que quer informação, a todo o recém chegado que será expulso sem apelo, rejeitado por uma "comunidade" bafienta cheia de interesses e de amizades cruzadas, de ódios mesquinhos e sem sentido crítico.


Gauss

Quem observa de fora as formigas terá sempre a referência de uma dimensão que falta aos seres bidimensionais.
A vida existe independemente da blogosfera, os frutos estão lá fora, a música faz-se pelos músicos, a poesia pelos poetas e o vinho bebe-se no mundo, com os amigos, não sentado ao computador, o Sol está lá fora, a Terra gira independentemente do que foi inventado por escribas virtuais em teclados virtuais e sem vidas reais. Escreverei independemente de quem me lê, sobre o que me apetece, sem condicionantes, sem vícios, sem cadeias. E agora vou dormir a sesta que estou atrasado.
CM

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