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15.9.03

Retorno 

Ainda nem tive tempo de dar uma volta pelas últimas novidades de Portugal. Hoje é dia de assentar arraiais, amanhã recomeçarei, se me apetecer, em pleno, as minhas actividades.

Sei apenas que o Festival de Orgão de Lisboa está aí.

Sei também que a temporada da Ópera de Viena inclui um Anel completo, mais umas cinquenta óperas diferentes, ontem Thomas Hampson no Bocanegra de Verdi, hoje pedofilia, fogos, blogosfera lusitana, e a pequenês do burgo... A realidade é assim e todos nos julgamos uns grandes senhores...

Escreverei sobre as estradas, as montanhas e os caminhos de uma República Checa e de uma Europa Central encalhada à espera de entrar na UE, suspensa, ainda triste, ainda cabisbaixa, ainda crispada. Estradas de árvores, de curvas sem fim, sem carros, ouvindo velhos compositores, esquecidos, do século XVII num CD de um qualquer carro francês de uma companhia de aluguer de automóveis de Viena. Nas diferenças que encontrei no velho império dos Habsburgos, entre uma Olomounc, sede de arcebispado e capital de uma Morávia imperial hoje resto quase triste de um mundo perdido, uma Opava com mais de dois mil anos e negra de fumo em contraste com uma Vindobona orgulhosa e plena de luz e de mundo.

O tempo urge, os amigos reclamam-me para jantar e amanhã o tempo comum volta ao seu lugar. A blogosfera como está? Creio que vou passar a noite a descobrir coisas novas, a responder a emails e a actualizar os links...
Felizmente que escrevi uma série de textos em papel e lápis, como tinha saudades de um bom papel em branco e de um vulgar lápis entre um bar e um hotel no Ring de Viena, Schotten para variar que o Hilton está cada vez mais caro.

E assim regresso mais de um mês de caminhadas pelos Alpes, de banhos em AiguaBlava, depois de ser assaltado em Avignon, depois de ter enfrentado a loucura das estradas italianas e uma multa por excesso de velocidade em pleno passo alpino multado por um gendarme simpático, depois de o Festival de Salzburg ter passado por mim breve quase como num sonho, e depois de ter ouvido alguma da melhor música que alguém escreveu. Depois de ter feito a estrada da Polónia dentro da Morávia e de ter subido a pé o Praded, que afinal é bem pouca coisa... Regresso ao dia a dia de uma Lisboa ensimesmada e à espera também de um quinto império que nunca mais acontece, assim como se espera Deus, e eu também não escapo a esse destino, como um Godot imaginado dentro de cada um de nós e que nunca mais vem...

CM

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