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20.9.03


Orgão hoje.

S. Vicente de Fora: 17h. No mais belo orgão de Lisboa, com sonoridades fantásticas e um restauro de qualidade ímpar, entrada livre, José Luiz Gonzalez Uriol. Um cravista e organista de grande qualidade. A não perder, S. Vicente de Fora, uma hora de concerto. Importante: este concerto não está incluído no Festival de Orgão de Lisboa, mas sim na programação regular da mesma igreja, cuja responsabilidade é do organista João Vaz, titular deste orgão.

Mais tarde, em Mafra, Uriol volta a tocar, a solo e em duo com João Vaz. Será pelas 21h30m na Basílica de Mafra, Festival de Orgão de Lisboa. Entrada também livre, excepcional a oportunidade de escutar dois orgãos da basílica de D. João V. Estes orgãos foram restaurados muito recentemente por Dinarte Machado, um bom organeiro lusitano.
Encontram-se frente a frente, um de cada lado da nave central. Será um espectáculo digno de nota, a estereofonia, a pujança destes lindíssimos instrumentos de Machado de Cerveira, construídos no século XVIII e restituídos à sua original função!
Este concerto é a não perder.
Estão em restauros os restantes quatro, não não minto, quatro orgãos da basílica, num total de seis orgãos...

Não perca qualquer destes concertos. A oportunidade de ouvir bons intérpretes em orgãos de sonoridades deslumbrantes de constrututores portugueses.

Como se poderá constatar, a nossa tradição pré guerras liberais na música de orgão era verdadeiramente notável. Centenas de orgãos (talvez mais de mil) foram destruídos após o triunfo do "liberalismo", o espírito iluminado de Saldanhas e Mouzinhos e Palmelas e Cabrais e Garrets e Herculanos (este nem foi dos piores) e Domingos Bomtempo e outros facínoras (do ponto de vista político) do mesmo calibre premitiu que não só se destruísse o património incalculável da organaria portuguesa, como muito pior, destuiu as escolas de orgão, incluíndo a melhor, a da Patriarcal, e se fundasse um consevatório onde o orgão não cabia, onde era relegado para instrumento a banir, ao qual não se dava importância, por ser instrumento de padres e igrejas...
Orgãos ficaram por tocar mais de duzentos anos. Alguns, por sorte, mantiveram-se intactos, mesmo em muito mau estado. Outros (a maioria) foram vendidos a peso por padres sem escrúpulos, pelos fulanos que roubaram o património da Igreja em negociatas com os amigos que dominavam então o estado, e cujos ricos descendentes se orgulham hoje de ter como antepassados grandes nomes da história portuguesa! Ainda no tempo do Salazar, se venderam a peso os magníficos orgãos dos Jerónimos, porque não datavam do período original da Igreja e tinham sido acrescentados no século XVII. Segundo os "especialistas" do património retiravam à igreja a pureza original, como ninguém os tocava, desaparecram na poeira do tempo sem ninguém dar conta do facto.

CM


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