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23.9.03

O sem abrigo e o elitismo 

O meu "elitismo" tem destas coisas: passar a limpo ideias. Talvez contribuam para formar elites.

Claro que defendo elites, mas numa perspectiva ampla, numa perspectiva de pensamento e cultura, mais: numa perspectiva de humanismo e sensibilidade.
Desprezo acima de tudo as falsas elites do dinheiro. A minha elite começa pelo sem abrigo do metro, que numa madrugada fria de Inverno, alguns anos atrás, ouvia consolado Bach, num velho rádio, enchendo de suaves notas o seu cantinho algures num banco esquecido, coberto de cartões.


foto Gaël Turine, 2000

Esse sem abrigo é o exemplo de uma elite desprezada, olhada com desdém, pelos mesmo burgueses egoístas, ou por "ambiciosos" aspirantes a burgueses, que se recusam a pagar impostos para dar a Maria João Pires um local digno para criar disciplos e escola, e que nega o direito a um pobre sem abrigo, de escutar em silêncio um recital de orgão na Sé com entrada livre, sem ruído de fundo.

Prefiro essa minha elite, à qual só tem acesso quem quer, e querer aqui é muito difícil! É o mais difícil, é mais difícil do que escrever um blogue de sarcasmo fácil e de sensibilidade difícil.

O significado de elite, como o uso, é muito amplo mas muito difícil ao mesmo tempo, é democrático, pois a conquista-se pela vontade e não pela fidúcia ou pelo poder.

Nessa perspectiva pedagógica que escrevo o que escrevo, para quem me quiser ler. É nessa perspectiva, entre outras, que gosto de comunicar e de criticar.

CM


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