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24.9.03

Últimas da polémica 


Jaquinzinhos engole quase todas as carapuças possíveis e imaginárias, a única que falta é a de alcoólico analfabeto, não sei bem porquê. Responde com a graça fácil do instalado no seu sofá, o que não é mau de todo, e nada mais há a acrescentar.

A questão de fundo, que nos divide: eu continuo a preferir dar o meu (e o dos outros que podem pagar) dinheiro ao sem abrigo e a Belgais. Outros acham dinheiro mal gasto e preferem as graçolas. São questões de sensibilidade. As graçolas fazem parte da vida e fazem a rapaziada do clube ficar bem disposta. Boas audiências, a rapaziada gosta de umas risadas e o humor tudo vence. Sem dúvida. Mas vencer aqui não é o ponto. O ponto é que enquanto o Jaquinzinhos faz rir a claque, o sem abrigo continua a ouvir o seu rádio algures numa toca coberta de papeis velhos. E não querer compreender a metáfora do sem abrigo a ouvir um recital de orgão, isto num mundo ideal em que a redenção o salvaria do despojamento total, é apenas mais uma faceta, que me prova que tenho razão neste pequeno fait divers.






Manuela Moura Guedes entrevista Jaquinzinhos

Acrescento que adorei a última resposta do Jaquinzinhos, a entrevista é deliciosa e fez-me rir a bom rir, até de mim próprio, claro. Mas é também mais uma prova do que eu digo, enquanto uns usam argumentos outros preferem o sarcasmo.

Pena é que o sem abrigo que vi e ouvi anos atrás, no mundo real, não se possa deliciar com as piadolas do Jaquinzinhos, por muito giras que sejam, neste mundo virtual.

Na Paixão segundo S. Mateus de Bach diz-se algo como: Abandonados, despojados, Procurai! O quê? A redenção! Onde? Nos braços de Jesus. No braços do mesmo Jesus que pregado na Cruz, na última etapa do seu despojamento total, em abandono absoluto, abre os braços para abraçar o mundo, braços em que não há excluídos, onde todos são acolhidos.

Ao contrário dos braços dos "liberais" onde a única coisa que se agarra é o dinheiro, para nunca mais sair. As diferenças: o valor que se atribui ao vil metal, o egocentrismo.

E nunca mais saímos daqui. Porque gente que dá demasiado valor ao seu dinheiro, ao seu trabalho, também dará um valor desmezurado à sua opinião, e acabamos num beco sem saída. O Jaquinzinhos a tentar ridicularizar através do sarcasmo o que digo enquanto tento ser pedagógico, felizmente que não sou lido apenas pelos Jaquinzinhos, senão o meu latim seria mesmo mal gasto. E por agora acabou, um dia destes convido o Jaquinzinhos para beber umas excelentes aguardentes numa tertúlia de Belgais, pago eu claro...

Um abraço ao Jaquinzinhos, e que continue tão fresco como até aqui, eu continuo a lê-lo e a gostar de rir com a sua imaginação. Mesmo quando discordo dele.

CM

P.S. Porque será que quando falo de música poucos me mandam emails e que quando discuto impostos recebo imensas mensagens, umas insultando-me outras apoiando-me calorosamente? Será que o dinheiro é mesmo mais importante que a cultura?


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