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22.9.03

A escolha de Vanda 

Vanda de Sá no último Expresso critica o último disco de Cecilia Bartoli.


Cecilia Bartoli. Excitante?
Sim: o disco, segundo Vanda de Sá

Usa palavras como "hit", diz algumas coisas com piada, repete alguns factos sobre Salieri, não transcende, não critica de facto, aplaude, o que até nem é mau. Sublinho o último parágrafo:

"Excessiva nas tempestades emocionais, encantadora na expressão pueril, fulgurante na coloratura, desabridamente histriónica nos momentos descritivos ou humorísticos, Bartoli continua a suspirar como ninguém em música e a voz agora mais encorpada (aqui acerta em cheio, Bartoli está mais madura a voz mais espessa e com mais substância) nos graves é ainda mais heróica e melancólica. Um disco muito excitante,(ena ena, Vanda aqui excede-se) generoso no prazer que dá e que a partir de amanhã está nas discotecas. Bartoli merece a nossa fidelidade.

Vanda escreve muito bem. Cada vez melhor. O detalhe do presente "está nas discotecas" e não "estará nas discotecas" é exemplo do estilo de Vanda, o presente significa que "estando" se pode comprar, o futuro seria sempre menos afirmativo e mais nebuloso.

Com publicidade desta, a Decca pode dar-se por feliz, faltou dizer que Salieri é um compositor de efeitos fáceis, musicalmente correcto, mas sem chama, sem inovação, sem surpresa. Faltou falar das árias do disco, e da escolha difícil de Bartoli, difícil mas sem concorrência ou termo de comparação. É uma crítica fácil, não aponta caminhos, Bartoli é uma vitória clara à partida, popular. A escolha de Vanda também está votada ao sucesso. Assim evita indecisões e escrita de compromisso, dizer bem, está feito. A Decca vende, o Expresso vende, Vanda continua, Bartoli ganha mais uns adeptos e todos ficam felizes. Sic transit gloria mundi.

Falta dizer que este é um disco que eu não vou comprar e se mo oferecerem vou dá-lo a uns tios pelo Natal.
CM


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