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21.9.03

Elitismo? Ou o problema das entradas livres 

Estive na Sé de Lisboa, tive de abandonar uma fantástica tarde de praia algures na zona do Guincho, corri como um louco em direcção à Sé de Lisboa. Um programa admirável, Bach, a fantasia e fuga em Sol Menor, um organista de grande nível, erudito, apaixonado pelo que faz: Andreas Liebig, nascido em 1962.

Um concerto de alto nível, 16h30m.


O problema: concerto de entrada livre! Consequência, turistas a passear-se, paroquianas idosas a abanar o leque fazendo um barulho horrendo e o pior de tudo, os jovens urbanos e as suas criancinhas de colo, e sem ser de colo, numa constante berraria, choradeira e correria. Impossível escutar Bach assim.

Não percebo como podem esses seres levar a concertos os rebentos ranhosos. Será que são masoquistas? Será que não têm noção de que nem vão ouvir nada, nem vão deixar os outros ouvir? Passeiam-se pela Sé de Lisboa em pleno recital de orgão como andam pelos centros comerciais de fato de treino? Pretendem ser mais "coltos" por aparecerem num concerto de entrada livre, por não darem arrotos durante o concerto? Mas se levam as infames criancinhas, pobrezitas, que nem sequer têm culpa de ter os pais mais alarves do que aqueles que arrotam e se passeiam em público pelos centros comerciais de fim de semana, porque ao menos estes últimos não destroem o prazer de escutar boa música a quem a quer ouvir.

É demais, vândalos, pequeno burgueses analfabetos, alguns dos quais até sabendo ler um pouco, e cito ao contrário...

E se fossem para os centros comerciais arrastarem-se, vomitarem a vossa ignorância, o vosso nojo pequeno burguês inculto, que não quer aprender, que tem raiva a quem quer? Não seria melhor para todos? O que é triste é que fazem galhardia na pouco galharda ignorância patente nos petizes que arrastam consigo a concertos de orgão na Sé a um domingo à tarde, porque a entrada é livre! É demais. Serei elitista por querer ouvir um bom organista tocar um O Mensch, Bewein dein' Sünde Gross, ou uma passacaglia em dó menor e uma trio-sonata em Sol Maior, com o respeito religioso que as obras merecem, com o silêncio dos grandes momentos?

E não me venham dizer que não têm onde deixar os petizes, se não têm onde os deixar não apareçam, vão comer um gelado ou dirijam-se ao parque infantil, ou não os façam.

CM


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